Maria e a beleza de uma humanidade transformada pela graça
Série: As Ladainhas de Nossa Senhora
A Ladainha Lauretana prossegue:
Rainha de todos os Santos, rogai por nós.
Chegamos a uma invocação grandiosa.
Até aqui fomos contemplando grupos diferentes:
os Patriarcas,
os Profetas,
os Apóstolos,
os Mártires,
os Confessores,
as Virgens.
Agora a Ladainha parece abrir diante de nossos olhos todo o céu.
Uma multidão incontável.
Homens e mulheres.
Jovens e idosos.
Pastores e leigos.
Religiosos e esposos.
Missionários e contemplativos.
Mártires e confessores.
Pessoas conhecidas pela Igreja inteira e outras cujo nome somente Deus conhece.
E no meio dessa imensa comunhão, contemplamos Maria:
Rainha de todos os Santos.
Antes de tudo: somente Deus é Santo
Este ponto precisa permanecer muito claro.
Quando chamamos alguém de santo, não colocamos essa pessoa no lugar de Deus.
A santidade tem sua fonte em Deus.
A Escritura proclama:
“Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo.”
Deus é Santo.
Toda santidade criada é participação em sua graça.
Maria também recebeu tudo de Deus
Maria não é santa independentemente de Deus.
Ao contrário.
Ela mesma proclama:
“O Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas.”
Tudo é graça.
Tudo é dom.
Tudo conduz ao Senhor.
A Rainha dos Santos é a serva do Senhor
Aqui encontramos novamente o belo paradoxo mariano.
Aquela que contemplamos elevada entre os santos é a mesma que disse:
“Eis aqui a serva do Senhor.”
Sua grandeza não nasce da busca por grandeza.
Nasce da disponibilidade.
O que é santidade?
Talvez esta invocação seja uma boa ocasião para fazer essa pergunta.
Às vezes imaginamos a santidade como algo distante.
Quase inacessível.
Como se os santos fossem pessoas de outra espécie.
Não eram.
Foram seres humanos.
Os santos tiveram histórias reais
Possuíam temperamentos.
Limitações.
Dificuldades.
Alguns atravessaram crises profundas.
Outros precisaram recomeçar muitas vezes.
A santidade não consiste em deixar de ser humano.
Consiste em permitir que a graça transforme nossa humanidade.
Santo não é quem nunca precisou converter-se
É quem permitiu que Deus realizasse nele uma obra de conversão.
Pedro caiu.
Agostinho procurou durante anos.
Francisco precisou descobrir outro modo de viver.
Inácio atravessou uma longa conversão.
A santidade possui muitas histórias.
Deus não produz cópias
Isso é extraordinariamente belo na comunhão dos santos.
Não existe apenas um modelo de personalidade santa.
Há santos silenciosos.
E expansivos.
Intelectuais.
E simples.
Contemplativos.
E missionários.
Governantes.
Camponeses.
Religiosos.
Pais e mães.
A graça não destrói a personalidade
Ela a purifica.
Orienta.
Liberta.
Leva cada pessoa à plenitude de sua vocação.
Por isso os santos são tão diferentes entre si.
Maria também possui uma história concreta
Não é uma ideia.
É uma mulher.
De Nazaré.
Filha de Israel.
Noiva de José.
Mãe de Jesus.
Mulher de oração.
Peregrina.
Discípula.
Mãe dolorosa junto à Cruz.
Presença orante no Cenáculo.
A santidade acontece numa vida concreta
Não precisamos esperar condições ideais.
É aqui.
Agora.
Nesta comunidade.
Nesta idade.
Com estas responsabilidades.
Com estas limitações.
É aqui que Deus nos chama à santidade.
“Sede santos”
A santidade não é uma especialidade reservada a poucos.
O Concílio Vaticano II recordou com grande força a:
vocação universal à santidade.
Todos os batizados são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.
Todos
Isso muda completamente nossa maneira de pensar.
A santidade não pertence apenas:
aos padres,
aos religiosos,
às religiosas,
aos monges.
Pertence à vocação de todo cristão.
O matrimônio pode ser caminho de santidade
A maternidade.
A paternidade.
O trabalho.
A enfermidade.
A vida religiosa.
O sacerdócio.
A juventude.
A velhice.
Deus encontra cada pessoa dentro de sua própria vocação.
Não precisamos viver a santidade de outra pessoa
Este é um perigo espiritual.
Admiramos um santo e tentamos copiar exteriormente todos os detalhes de sua vida.
Mas Deus não precisa de outro Francisco.
Outro Domingos.
Outra Teresa.
Outro Peregrino.
Deus deseja nossa santidade.
Os santos apontam para Cristo
A verdadeira veneração dos santos não termina neles.
O Concílio ensina que a comunhão com os santos nos aproxima de Cristo, fonte e cabeça de toda graça.
Portanto, quanto mais autenticamente veneramos um santo, mais deveríamos amar Jesus.
Cristo é o centro da comunhão dos santos
Maria não substitui Cristo.
Os santos não substituem Cristo.
Tudo converge para Ele.
Uma grande família
A expressão comunhão dos santos é uma das mais belas de nossa fé.
Quando professamos no Credo:
“Creio na comunhão dos santos”,
afirmamos que a Igreja é muito maior do que aquilo que conseguimos enxergar.
Não estamos sozinhos
Existem os cristãos que caminham conosco na terra.
Existem aqueles que morreram na amizade de Deus.
Existe a Igreja glorificada no céu.
Em Cristo existe uma profunda comunhão.
A Eucaristia abre-nos para essa comunhão
Na celebração eucarística, nossa pequena assembleia não está isolada.
Unimo-nos aos anjos e aos santos.
Por isso rezamos:
“com os Anjos e todos os Santos, proclamamos vossa glória.”
Quando celebramos, o céu se aproxima
Talvez nossos olhos vejam apenas algumas pessoas numa igreja.
Mas a liturgia abre a comunidade para algo muito maior.
A Igreja peregrina une sua voz à Igreja celeste.
Maria ocupa um lugar singular
São João Paulo II, falando da comunhão dos santos, afirmou que Deus quis reservar nela um lugar singular para a Mãe do Verbo encarnado.
Não porque Maria esteja separada da Igreja.
Mas porque nela contemplamos de modo eminente aquilo que a graça de Cristo pode realizar numa criatura.
Maria é inteiramente obra da graça
Isso é fundamental.
Quanto mais exaltamos Maria corretamente, mais deveríamos perceber a grandeza de Deus.
Ela é como uma obra-prima que leva nossos olhos ao Artista.
O santo também faz isso
Quando encontramos uma vida verdadeiramente santa, não deveríamos terminar dizendo:
“Que pessoa extraordinária!”
Mas:
“Que coisas extraordinárias a graça de Deus pode realizar numa pessoa!”
Santidade não é autopromoção espiritual
Não consiste em construir uma imagem de pessoa piedosa.
Não é parecer santo.
É pertencer a Deus.
Maria não representa santidade
Ela vive.
No escondimento.
No serviço.
Na escuta.
Na fidelidade.
Os santos não viveram para construir uma reputação
Muitos foram incompreendidos.
Alguns passaram despercebidos.
Outros somente foram reconhecidos muito depois da morte.
A santidade não depende de reconhecimento.
Existem santos que nunca conheceremos
Isso torna a Solenidade de Todos os Santos particularmente bonita.
Celebramos também aqueles cujos nomes não aparecem em calendários.
Talvez uma avó.
Um trabalhador.
Uma mãe.
Um jovem.
Uma religiosa escondida.
Um sacerdote simples.
Pessoas cuja fidelidade somente Deus conhece plenamente.
Talvez tenhamos conhecido santos
Sem perceber.
Alguém que cuidou de um enfermo durante anos.
Alguém que perdoou.
Alguém que permaneceu fiel no sofrimento.
Alguém que repartiu silenciosamente aquilo que possuía.
A santidade frequentemente passa despercebida.
“Uma grande multidão”
O Apocalipse contempla:
“uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas.”
Essa imagem é extraordinária.
O céu é plural.
Todas as nações
A santidade não pertence a um povo.
Nem a uma cultura.
Nem a uma língua.
Nem a uma época.
O Evangelho pode produzir frutos em toda cultura.
Isso fala muito à vida religiosa
Nossas comunidades podem reunir pessoas de lugares e culturas diferentes.
Essa diversidade pode ser difícil.
Mas possui também uma dimensão escatológica.
O céu não será monocultural
A grande multidão do Apocalipse conserva a riqueza dos povos.
Todos estão unidos diante do Cordeiro.
Essa é uma bela imagem para uma Ordem internacional.
Para nós, Servos de Maria
Somos uma família presente entre diferentes povos.
Nossa fraternidade intercultural pode tornar-se sinal daquela grande multidão reunida em Cristo.
Não precisamos apagar as diferenças.
Precisamos aprender a transformá-las em comunhão.
Maria reúne
Em diferentes culturas encontramos diferentes representações de Nossa Senhora.
Nomes.
Imagens.
Cores.
Festas.
Expressões populares.
Mas é a mesma Mãe de Jesus.
A devoção mariana atravessa culturas
E pode ajudar-nos a perceber que a unidade católica não significa uniformidade.
Somos um só povo com muitos rostos.
A santidade também possui muitos rostos
Para nós, Servos de Maria, basta olhar nossa própria família espiritual.
Os Sete Santos Fundadores.
São Peregrino Laziosi.
São Filipe Benizi.
Santa Juliana Falconieri.
Santo Antônio Maria Pucci.
E tantos beatos e testemunhas.
Cada um manifesta alguma coisa
Fraternidade.
Penitência.
Serviço.
Compaixão.
Perseverança.
Vida eucarística.
Amor a Maria.
Serviço aos pobres.
A mesma graça produz frutos diferentes.
Os Sete Fundadores oferecem uma imagem especial
Talvez sejam um dos exemplos mais belos para esta invocação.
A Igreja não recorda apenas sete indivíduos.
Recorda uma fraternidade.
Santidade juntos
Isso deveria tocar profundamente nossa vida comunitária.
Normalmente pensamos:
“Quero ser santo.”
Mas poderíamos perguntar também:
“Nossa comunidade está ajudando seus membros a serem santos?”
Uma comunidade pode facilitar a santidade
Quando existe:
oração,
verdade,
fraternidade,
perdão,
correção fraterna,
serviço,
alegria,
acolhida.
E pode dificultá-la
Quando existem:
rivalidades,
indiferença,
isolamento,
autoritarismo,
fofoca,
ressentimentos nunca enfrentados.
Por isso a santidade também possui dimensão comunitária.
O irmão é parte de meu caminho para Deus
Às vezes imaginamos que o irmão atrapalha nossa vida espiritual.
Talvez justamente aquele irmão difícil revele áreas de nosso coração que ainda precisam ser convertidas.
Fraternidade é uma escola de santidade
Não porque tudo seja fácil.
Mas porque nos obriga a sair de nós mesmos.
Uma palavra para os jovens em formação
Não entrem na vida religiosa procurando uma comunidade perfeita.
Ela não existe.
Vocês encontrarão pessoas reais.
E vocês também chegarão com suas próprias limitações.
A pergunta é outra
Estamos dispostos a permitir que Deus nos transforme juntos?
Essa é uma pergunta muito mais fecunda.
Formação para a santidade
A finalidade da formação religiosa não é apenas produzir pessoas capazes de cumprir horários, estudar ou exercer ministérios.
É ajudar uma pessoa a configurar-se a Cristo.
Conhecimento é necessário
Disciplina é necessária.
Formação humana é necessária.
Teologia é necessária.
Mas tudo converge para uma pergunta:
Estamos nos tornando mais semelhantes a Cristo?
Um religioso eficiente pode não ser santo
Pode administrar muito bem.
Pregar muito bem.
Organizar.
Construir.
Publicar.
Possuir muitos conhecimentos.
Tudo isso pode ser útil.
Mas não substitui:
fé,
esperança,
caridade,
humildade,
pureza de coração,
misericórdia.
O sucesso pastoral não é medida suficiente da santidade
Jesus não disse:
“Bem-aventurados os eficientes.”
Disse:
“Bem-aventurados os pobres em espírito.”
“Bem-aventurados os misericordiosos.”
“Bem-aventurados os puros de coração.”
“Bem-aventurados os que promovem a paz.”
As Bem-aventuranças são um retrato da santidade
E talvez também sejam um retrato de Maria.
Pobre em espírito.
Mansa.
Compassiva.
Pura de coração.
Fiel na perseguição.
Mulher de paz.
Uma palavra para os sacerdotes
Existe sempre o risco de medir nossa vida pelos resultados do ministério.
Quantas pessoas?
Quantas obras?
Quantas celebrações?
Quantos projetos?
São perguntas legítimas para avaliação pastoral.
Mas não são suficientes para avaliar nossa vida diante de Deus.
Existe uma pergunta anterior
Estou me tornando santo?
E:
Meu ministério está ajudando outras pessoas a encontrarem Cristo e a caminhar na santidade?
Uma palavra para quem exerce autoridade
Uma função não nos torna mais santos.
Pode, porém, tornar-se lugar de santificação.
Se for vivida como serviço.
Escuta.
Responsabilidade.
Busca do bem comum.
A santidade da autoridade está no serviço
Jesus lava os pés.
Esse continua sendo nosso modelo.
Uma palavra para os idosos
Talvez a velhice seja uma etapa particularmente importante no caminho da santidade.
Muitas coisas começam a ser deixadas.
Funções.
Responsabilidades.
Autonomia.
Às vezes saúde.
Fica o essencial
Quem sou diante de Deus quando já não consigo realizar aquilo que fazia?
Essa pergunta pode ser dolorosa.
Mas também profundamente libertadora.
Nossa dignidade nunca dependeu de nossa produtividade
Somos filhos.
Somos irmãos.
Somos amados por Deus.
Antes de qualquer função.
O irmão idoso continua caminhando para a santidade
Talvez agora por outros caminhos.
Paciência.
Entrega.
Oração.
Aceitação de ajuda.
Reconciliação com a própria história.
Esperança.
Maria é sinal de esperança
A Lumen gentium apresenta Maria glorificada como imagem e início da Igreja que alcançará sua plenitude futura e, enquanto caminhamos, como sinal de esperança segura e consolação.
Isso torna Rainha de todos os Santos uma invocação profundamente voltada para o futuro.
Maria mostra para onde caminhamos
Não fomos criados simplesmente para envelhecer e morrer.
Nossa vocação definitiva é:
comunhão com Deus.
A santidade começa agora e termina no céu
A vida eterna não é apenas uma realidade depois da morte.
A graça já começa em nós aquilo que será levado à plenitude.
Cada ato verdadeiro de amor pertence, de alguma maneira, ao Reino que não passa.
O céu começa no amor
Quando perdoamos.
Quando servimos.
Quando adoramos.
Quando partilhamos.
Quando buscamos a verdade.
Quando cuidamos de alguém.
A vida eterna começa a tocar nossa existência.
Isso não significa que construímos o céu por nossas próprias forças
Tudo continua sendo graça.
Mas a graça pede nossa resposta.
Maria respondeu
E sua resposta começou com uma frase pequena:
“Faça-se.”
Talvez toda santidade possa ser compreendida a partir daí.
Deixar Deus agir.
Cooperar.
Responder.
Recomeçar.
Não precisamos realizar coisas extraordinárias
Talvez nossa santidade aconteça justamente nas coisas que fazemos todos os dias.
Celebrar bem.
Rezar fielmente.
Escutar alguém.
Cumprir uma responsabilidade.
Cuidar de um irmão.
Pedir perdão.
Não alimentar uma fofoca.
Ser paciente.
Pequenos atos podem possuir grande amor
A santidade não depende do tamanho da ação.
Depende da caridade com que é realizada.
Uma Igreja de santos
A maior renovação da Igreja sempre passa pela santidade.
Estruturas são importantes.
Planos pastorais são necessários.
Boa administração ajuda.
Formação acadêmica é preciosa.
Mas nada substitui homens e mulheres realmente convertidos ao Evangelho.
O mundo precisa de santos
Não pessoas perfeitas no sentido superficial.
Mas pessoas transparentes à graça.
Pessoas nas quais seja possível perceber:
misericórdia,
verdade,
humildade,
esperança,
Cristo.
Talvez esta seja também a maior necessidade de nossa Ordem
Não apenas mais membros.
Servos santos.
Não apenas mais atividades.
Comunidades santas.
Não apenas conservar obras.
Conservar vivo o Evangelho e o carisma.
Uma vocação somente vale a pena se conduzir a Cristo
O objetivo final não é aumentar uma instituição.
É formar discípulos.
Maria nos precede
Ela já está onde esperamos chegar.
Por isso não a contemplamos como alguém distante.
Contemplamo-la como sinal de esperança.
Uma Mãe entre os santos
Ela não nos diz:
“Olhem para mim e parem aqui.”
Toda sua existência continua dizendo:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Os santos fazem a mesma coisa
Se pudéssemos perguntar a cada santo:
“Qual é o segredo?”
as histórias seriam diferentes.
Mas todos apontariam para a mesma direção:
Cristo.
A comunhão dos santos é cristocêntrica
É uma multidão reunida ao redor do Cordeiro.
Maria está ali.
Os Apóstolos.
Os Mártires.
Os Fundadores.
Nossos santos.
Mas o centro é:
o Cordeiro.
Uma pergunta para o coração
Diante desta invocação podemos perguntar:
Eu realmente desejo ser santo?
Não famoso.
Não importante.
Não reconhecido.
Santo.
E o que isso significaria hoje?
Talvez exista uma área concreta de nossa vida onde Deus esteja pedindo conversão.
Um ressentimento.
Um hábito.
Uma relação.
Uma omissão.
Uma responsabilidade.
A santidade sempre começa em algum lugar concreto.
Outra pergunta para nossas comunidades
Estamos ajudando uns aos outros a caminhar para Deus?
Ou simplesmente moramos juntos?
Essa pergunta merece silêncio.
Para nós, Servos de Maria
Podemos olhar para Maria e para os santos de nossa Ordem como quem olha uma longa estrada.
Outros caminharam antes.
Nós caminhamos agora.
Outros virão depois.
Somos responsáveis por uma parte do caminho
Não precisamos escrever toda a história.
Precisamos viver bem a página que nos foi confiada.
Até que um dia
Depois de tantos:
capítulos,
mudanças,
missões,
celebrações,
dificuldades,
alegrias,
profissões,
jubileus,
despedidas,
chegará também nossa hora.
Então compreenderemos
A santidade nunca foi sobre aquilo que conseguimos acumular.
Era sobre aquilo que permitimos que Deus transformasse em nós.
Oração
Rainha de todos os Santos,
Mãe de Jesus
e primeira entre os discípulos,
ensine-nos a desejar a santidade.
Não uma santidade feita de aparência,
mas uma vida verdadeiramente
transformada pela graça.
Quando imaginarmos que a santidade
é apenas para pessoas extraordinárias,
recorde-nos que Deus nos chama
a encontrá-lo no cotidiano.
Ensine-nos a santificar
o trabalho,
a oração,
as relações,
o descanso,
o sofrimento
e o serviço.
Aos jovens,
mostre a beleza
de uma vida entregue a Cristo.
Aos que estão em formação,
conceda o desejo
não apenas de chegar à profissão
ou ao ministério,
mas de configurar toda a vida
ao Senhor Jesus.
Aos formadores,
dê sabedoria para formar
homens de Deus,
humanamente maduros,
fraternos,
livres e misericordiosos.
Aos sacerdotes,
recorde que nenhuma atividade pastoral
pode substituir a amizade com Cristo.
Aos que exercem autoridade,
ensine a santidade do serviço
e do lava-pés.
Aos nossos irmãos idosos,
dê serenidade para descobrir
que sua dignidade não depende
daquilo que ainda conseguem fazer.
Faça de seus anos de fidelidade
uma bênção para os mais jovens.
Às nossas comunidades,
conceda a graça
de buscarmos a santidade juntos.
Que saibamos corrigir
sem humilhar,
perdoar sem guardar contas,
servir sem competir,
dialogar sem ferir
e amar sem possuir.
A nós, Servos de Maria,
dê gratidão pelos santos
de nossa Família.
Pelos Sete Santos Fundadores,
que nos ensinaram
a santidade da fraternidade.
Por São Filipe Benizi.
Por São Peregrino Laziosi.
Por Santa Juliana Falconieri.
Por Santo Antônio Maria Pucci.
Por tantos beatos,
irmãos e irmãs
que viveram o carisma
antes de nós.
E por todos aqueles
cuja santidade somente Deus conhece.
Não permita que admiremos os santos
sem desejar seguir seu caminho.
Não permita que veneremos Maria
sem imitar sua fé.
Quando estivermos desanimados
por nossas fragilidades,
recorde-nos que a santidade
é obra da graça
acolhida por uma liberdade
que continua dizendo sim.
Quando cairmos,
ajude-nos a levantar.
Quando pecarmos,
leve-nos à misericórdia.
Quando estivermos cansados,
mostre-nos a grande multidão
daqueles que caminharam antes de nós.
E quando chegar o fim
de nossa peregrinação,
conduza-nos ao seu Filho.
Que um dia possamos estar
com os Anjos,
os Patriarcas,
os Profetas,
os Apóstolos,
os Mártires,
os Confessores,
as Virgens
e todos os Santos,
não olhando para nós mesmos,
mas unidos numa única adoração:
ao Pai,
por Cristo,
no Espírito Santo.
Rainha de todos os Santos, rogai por nós.
Para guardar no coração
Maria, Rainha de todos os Santos, não nos afasta de Cristo: mostra-nos aquilo que sua graça pode realizar numa criatura que se entrega inteiramente a Deus. Contemplá-la entre os santos é recordar nossa própria vocação: também nós fomos chamados à santidade.
Fontes
Sagrada Escritura, especialmente Lv 19,2; Mt 5,1-12.48; Lc 1,26-55; Jo 2,5; Ap 7,9-17.
Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen gentium, especialmente cap. V, sobre a vocação universal à santidade; nn. 49-51, sobre a comunhão dos santos; nn. 65 e 68, sobre Maria como modelo de virtudes, imagem da Igreja e sinal de esperança.
São João Paulo II, Angelus, Solenidade de Todos os Santos, 1º de novembro de 1997, sobre Maria no coração da comunhão dos santos.
São João Paulo II, Angelus, 1º de novembro de 1998, invocando Maria como Rainha de todos os Santos.
Bento XVI, Angelus, Solenidade de Todos os Santos, 1º de novembro de 2006, sobre a comunhão dos santos e Maria, Rainha de todos os Santos.
Papa Francisco, Angelus, 1º de novembro de 2014, sobre Maria na comunhão dos santos e a vocação de todos à santidade.
Tradição da Ordem dos Servos de Maria, particularmente o testemunho dos Sete Santos Fundadores e dos santos e beatos da Família Servita.
Ladainha Lauretana, invocação Regina Sanctorum omnium.
Texto preparado para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.
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