Contemplar Cristo com Maria é levar ao coração da oração as pessoas e situações da vida.
Há quem tenha rezado o Rosário ao lado de São João Paulo II e guardado uma lembrança marcante: enquanto rezava, ele parecia inteiramente recolhido. O que o atraía tanto nessa oração?
Para o Papa, o Rosário não era uma repetição automática de palavras. Era um caminho para contemplar Jesus com Maria. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, ele recorda que rezar o Rosário é contemplar o rosto de Cristo na companhia de sua Mãe.
As Ave-Marias acompanham a meditação dos mistérios de Cristo. Enquanto os lábios rezam, o coração percorre os acontecimentos do Evangelho: a alegria da Encarnação, a luz da vida pública de Jesus, a dor de sua Paixão e a glória da Ressurreição. Maria nos ensina a permanecer junto do Filho e a acolher sua presença.
Essa contemplação também abraça a vida concreta. Podemos levar ao Rosário as pessoas que amamos, as necessidades da Igreja, os sofrimentos do mundo e aquilo que pesa em nosso próprio coração. Não para fugir da realidade, mas para colocá-la diante de Deus, com confiança e esperança.
O lema de São João Paulo II, Totus tuus — “Todo teu” — expressava sua entrega a Cristo pelas mãos de Maria. O Rosário pode nos ajudar a renovar essa entrega, mistério após mistério, confiando à Mãe de Jesus aquilo que somos e vivemos.
Ao rezar, não precisamos alcançar uma sensação especial. Podemos simplesmente voltar a atenção para Jesus, pedir a ajuda de Maria e perseverar com humildade. A repetição das orações torna-se, assim, um ritmo que sustenta a contemplação e abre espaço para a presença de Deus.
Para aprofundar: São João Paulo II, carta apostólica Rosarium Virginis Mariae.
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