Para exame pessoal e comunitário
A memória dos Sete Primeiros Pais não nos conduz simplesmente ao passado da Ordem. Ela nos coloca diante da pergunta sobre a qualidade de nossa vida servita hoje.
Neles contemplamos homens que acolheram juntos o chamado de Deus, fizeram da fraternidade um caminho de conversão, buscaram uma vida de oração e serviço e se colocaram sob a inspiração de Santa Maria.
Celebrar nossas origens significa perguntar se aquilo que começou a tomar forma na primeira comunidade continua vivo em nossas comunidades.
À luz de seu testemunho, façamos nosso exame.
1. Chamados por Deus
- Reconheço minha vocação como um chamado que continua acontecendo?
- Recordo com gratidão a história concreta pela qual Deus me conduziu à Ordem?
- Minha resposta ao Senhor conserva liberdade e generosidade?
- O que hoje fortalece minha vocação?
- O que a está enfraquecendo?
- Ainda permito que Deus me surpreenda e me conduza por caminhos novos?
2. Chamados a viver juntos
Os primeiros Pais não construíram apenas projetos individuais. A experiência servita nasceu marcada pela fraternidade.
- Considero a comunidade parte essencial de minha vocação ou apenas o lugar onde resido?
- Interesso-me verdadeiramente pela vida dos irmãos?
- Sei escutar?
- Participo dos momentos comuns com disponibilidade?
- Minha presença contribui para criar unidade?
- Existem irmãos dos quais me afastei interiormente?
- Há reconciliações que continuo adiando?
3. Deixar para seguir
Toda vocação exige liberdade interior.
- A que ainda estou excessivamente apegado?
- Cargo comigo posições, funções ou privilégios que tenho dificuldade de abandonar?
- Sei aceitar mudanças de comunidade, serviço ou responsabilidade?
- Minha segurança está em Deus ou nas estruturas que construí?
- Tenho liberdade diante do dinheiro, dos bens, da tecnologia e do reconhecimento?
- O que precisaria deixar para seguir Cristo com maior disponibilidade?
4. Fraternidade como conversão
Viver com irmãos diferentes de nós é também caminho de purificação.
- Como reajo diante das diferenças de personalidade, cultura, idade e opinião?
- Procuro compreender antes de julgar?
- Sei distinguir um problema real de uma simples preferência pessoal?
- Falo diretamente com o irmão quando existe uma dificuldade ou alimento comentários paralelos?
- Aceito ser corrigido?
- Tenho coragem e caridade para realizar a correção fraterna quando necessária?
- Nossa comunidade sabe pedir e oferecer perdão?
5. Buscar juntos a vontade de Deus
Os Sete recordam-nos que o discernimento servita possui dimensão comunitária.
- Levo para a oração as decisões que devo tomar?
- Escuto sinceramente a opinião dos irmãos?
- Participo responsavelmente do Capítulo conventual e dos outros momentos de discernimento?
- Já chego às reuniões com decisões interiores fechadas?
- Consigo acolher uma decisão comunitária diferente daquela que eu preferia?
- Procuramos realmente a vontade de Deus ou apenas uma solução conveniente?
6. Vida de oração
Uma fraternidade religiosa não se sustenta apenas pela boa convivência.
- A oração continua sendo o centro de minha jornada?
- Participo fielmente da oração comunitária?
- Como celebro a Eucaristia?
- Reservo tempo para a oração pessoal e o silêncio?
- A Palavra de Deus ilumina minhas decisões?
- Nossa oração comunitária é cuidada ou tornou-se simplesmente uma obrigação de horário?
- Quem entra em nossa casa percebe que esta é uma comunidade que reza?
7. Santa Maria em nossa vida
Desde suas origens, nossa Ordem reconhece uma relação singular com Santa Maria.
- O que significa concretamente para mim ser Servo de Maria?
- Aprendo com ela a escutar e guardar a Palavra?
- Sua humildade questiona minha busca de reconhecimento?
- Sua disponibilidade inspira meu serviço?
- Sua presença junto à Cruz ensina-me a permanecer próximo de quem sofre?
- Nossa comunidade possui uma identidade mariana perceptível, profunda e não apenas exterior?
8. Simplicidade de vida
- Nosso estilo de vida corresponde ao Evangelho que anunciamos?
- Há sinais de conforto excessivo que precisam ser revistos?
- Cuidamos responsavelmente dos bens comuns?
- Conseguimos distinguir necessidade de desejo?
- Somos capazes de partilhar?
- Nossa casa é acolhedora para os pobres e para aqueles que nos procuram?
- Nossa simplicidade favorece a missão?
9. Serviço
O nome que recebemos contém um programa: Servos.
- Tenho disposição para servir onde sou necessário?
- Existem serviços que considero inferiores?
- Procuro reconhecimento pelo que faço?
- Sei colaborar sem precisar controlar?
- Percebo as necessidades dos irmãos antes que precisem pedir?
- Nossa comunidade é conhecida pelo serviço ou principalmente por suas estruturas?
- Quem são hoje aqueles que mais necessitam de nossa presença?
10. Fidelidade criativa às origens
Ser fiel aos primeiros Pais não significa simplesmente repetir formas antigas.
- Conhecemos suficientemente a história e as fontes espirituais da Ordem?
- Transmitimos essa memória aos jovens em formação?
- Sabemos distinguir tradição viva de simples costume?
- Que elementos essenciais de nossas origens precisam ser recuperados?
- Que formas precisam ser renovadas para que o carisma continue falando às pessoas de hoje?
- Nossa maneira de viver desperta em alguém o desejo de conhecer a vocação servita?
Para o diálogo comunitário
Depois de um momento de silêncio, a comunidade pode partilhar:
Qual característica dos Sete Primeiros Pais está mais presente em nossa comunidade?
Qual característica está mais enfraquecida?
O que precisamos abandonar para viver com maior liberdade nossa vocação?
Que aspecto das origens servitas deveríamos recuperar concretamente?
Sete perguntas para uma comunidade servita
Podemos resumir o exame em sete perguntas:
1. Somos homens de Deus?
2. Somos verdadeiramente irmãos?
3. Sabemos discernir juntos?
4. Vivemos com simplicidade?
5. Somos homens de oração?
6. Somos realmente Servos de Maria?
7. Nossa vida está a serviço dos irmãos e das necessidades do nosso tempo?
A comunidade pode deter-se especialmente naquela pergunta que mais a interpela.
Compromisso
Cada irmão escolha uma atitude dos Sete Primeiros Pais que deseja aprofundar.
A comunidade escolha um compromisso concreto de fraternidade para o período seguinte: reconciliação, oração comum mais cuidada, capítulo regular, serviço compartilhado, maior simplicidade ou atenção a uma necessidade concreta.
Oração final
Deus, nosso Pai,
nós vos damos graças
porque chamastes nossos Sete Primeiros Pais
e fizestes de sua fraternidade
uma pequena semente de vida evangélica.
Renovai em nós o mesmo desejo
de buscar-vos acima de todas as coisas.
Ensinai-nos a viver como irmãos,
a discernir juntos vossa vontade,
a servir com humildade
e a permanecer disponíveis
às necessidades dos homens e mulheres de nosso tempo.
Santa Maria, nossa Senhora,
que acompanhastes as origens de nossa família,
guardai-nos na comunhão
e conduzi-nos sempre a Cristo.
Que a memória de nossos primeiros Pais
não seja apenas recordação do passado,
mas inspiração para nossa vida presente
e esperança para o futuro da Ordem.
Sete Santos Pais, nossos primeiros irmãos,
intercedei por nós. Amém.
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