Para exame pessoal e comunitário
O carisma dos Servos de Maria não é vivido apenas pelos frades. Ao longo da história, homens e mulheres, permanecendo em sua condição laical, reconheceram na espiritualidade servita um caminho para seguir Cristo, servir aos irmãos e viver em comunhão com Santa Maria.
A presença dos leigos recorda-nos que o carisma é dom do Espírito para a Igreja. Por isso, a relação entre frades e leigos não deve limitar-se à colaboração em atividades. Somos chamados a reconhecer uma verdadeira comunhão de vocações, diferentes na forma de vida, mas participantes de uma mesma inspiração espiritual.
À luz dessa realidade, examinemos nossa vida.
1. Um carisma partilhado
- Reconheço que o carisma servita é um dom confiado à Igreja e não propriedade exclusiva dos frades?
- Sei perceber a ação do Espírito na vocação e no serviço dos leigos?
- Considero os leigos apenas colaboradores de nossas obras ou verdadeiros participantes da espiritualidade servita?
- Nossa comunidade religiosa transmite o carisma de maneira que possa ser compreendido e vivido também pelos leigos?
- Favorecemos um conhecimento sério da história, das fontes e da espiritualidade da Ordem?
2. Comunhão na Família Servita
- Temos consciência de pertencer a uma Família Servita mais ampla?
- Como é nossa relação com os diversos grupos e expressões leigas ligados à Ordem?
- Existe verdadeira proximidade ou apenas contatos ocasionais?
- Rezamos uns pelos outros?
- Partilhamos momentos de espiritualidade, formação e fraternidade?
- Reconhecemos e respeitamos a identidade própria de cada expressão da Família Servita?
3. Leigos como sujeitos da missão
- Confiamos responsabilidades reais aos leigos?
- Sabemos escutar sua experiência familiar, profissional e social?
- Quando planejamos nossas atividades pastorais, ouvimos aqueles que vivem diretamente as realidades do mundo?
- Nossa maneira de exercer autoridade favorece participação e corresponsabilidade?
- Há espaços nos quais os leigos possam apresentar iniciativas, avaliações e propostas?
- Estamos formando colaboradores ou formando pessoas capazes de assumir responsavelmente a missão?
4. A vocação própria dos leigos
- Respeitamos a identidade laical ou esperamos que os leigos simplesmente reproduzam formas próprias da vida religiosa?
- Ajudamos os leigos a viver o carisma servita em sua família, profissão e participação social?
- Nossa espiritualidade oferece instrumentos para santificar a vida cotidiana?
- A devoção a Nossa Senhora conduz ao discipulado e ao serviço ou permanece apenas no nível das práticas devocionais?
- Sabemos valorizar a presença servita fora de nossas igrejas e conventos?
5. Com Santa Maria
Santa Maria vive inteiramente aberta ao projeto de Deus e atenta às necessidades humanas.
- Nossa relação com os leigos manifesta a mesma atitude de escuta e acolhida?
- Maria é apresentada como modelo de discipulado para todo cristão?
- Sua presença inspira relações de simplicidade e fraternidade entre religiosos e leigos?
- A espiritualidade mariana nos conduz para perto dos que sofrem?
- Nossa Família Servita permanece, como Maria, junto às inúmeras cruzes presentes em nossa sociedade?
6. Fraternidade sem clericalismo
- Nossa maneira de relacionar-nos com os leigos é verdadeiramente fraterna?
- Há atitudes de superioridade que precisam ser revistas?
- Sabemos receber uma observação ou correção feita por um leigo?
- Reconhecemos seus conhecimentos e competências?
- Valorizamos igualmente os serviços discretos e aqueles que possuem maior visibilidade?
- Nossa comunidade sabe agradecer?
7. Formação recíproca
- Oferecemos formação servita regular aos leigos próximos de nossas comunidades?
- Os próprios frades conhecem suficientemente as diferentes expressões da Família Servita?
- Temos disposição para aprender com a experiência dos leigos?
- Os jovens em formação convivem e trabalham com os membros leigos da Família Servita?
- A formação apresenta a Ordem como uma realidade exclusivamente dos frades ou como uma família carismática mais ampla?
8. Missão compartilhada
- Que missão poderíamos realizar melhor se religiosos e leigos trabalhassem verdadeiramente juntos?
- Existem necessidades humanas próximas de nós às quais ainda não estamos respondendo?
- Estamos suficientemente atentos aos pobres, enfermos, migrantes, famílias fragilizadas, jovens e pessoas que vivem situações de sofrimento?
- Nossas obras aproximam as pessoas ou criam estruturas fechadas?
- A colaboração entre religiosos e leigos torna o rosto da Igreja mais fraterno e servidor?
Para o diálogo comunitário
Depois de um tempo de silêncio, a comunidade pode refletir sobre quatro questões:
Quem são hoje os leigos que caminham conosco na espiritualidade servita?
Nós os tratamos principalmente como colaboradores ou como irmãos e irmãs participantes do mesmo carisma?
Que espaço real oferecemos para sua formação, participação e corresponsabilidade?
O que podemos fazer para fortalecer concretamente a Família Servita em nossa realidade local?
Um olhar sobre nossa comunidade
A comunidade pode fazer um levantamento simples:
Temos: pessoas próximas, colaboradores, grupos, fraternidades ou movimentos ligados à espiritualidade servita.
Precisamos fortalecer: formação, acompanhamento, comunicação, participação, oração comum ou missão.
Podemos iniciar: uma ação concreta que aproxime religiosos e leigos no conhecimento e na vivência do carisma.
Compromisso
Cada irmão escolha uma atitude concreta para melhorar sua relação com os leigos que colaboram ou caminham com a comunidade.
A comunidade escolha uma iniciativa comum e realizável, por exemplo: encontro de formação servita, celebração com a Família Servita, momento de escuta dos leigos ou ação missionária realizada conjuntamente.
Oração final
Santa Maria,
Serva do Senhor e Mãe dos discípulos,
ensina-nos a reconhecer os dons
que o Espírito distribui entre seus filhos.
Livra-nos de toda atitude de superioridade
e faze-nos irmãos entre irmãos.
Abençoa os homens e mulheres
que vivem o carisma servita
em suas famílias, trabalhos e comunidades.
Que frades e leigos,
unidos pela mesma inspiração,
aprendamos a escutar, partilhar e servir.
Faze de toda a Família Servita
uma presença de comunhão na Igreja
e um sinal de esperança
junto às cruzes de nosso tempo.
Santa Maria, Mãe e Serva do Senhor,
caminha conosco no serviço aos irmãos. Amém.
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