14/09/2026

Homilia Exequial de Frei Paolino M. Baldassarri, OSM



Meus irmãos e minhas irmãs,


O nosso querido confrade, sacerdote, amigo e pai espiritual, Frei Paolino, nos reuniu uma vez mais em torno deste altar para a celebração da Eucaristia, a grande ação de graças a Deus pelo sublime mistério da nossa redenção.


Viemos para nos despedir de Frei Paolino. Uma despedida cheia de esperança e de afeto.


Já não teremos mais o nosso fiel companheiro de viagem, pois ele alcançou a meta. Está junto de Deus e viverá eternamente.


Deixará um grande vazio em nossa vida, em nossas famílias, em nossa Igreja local, na Paróquia de Sena Madureira, na Ordem dos Servos de Maria. Já não o veremos mais e nem escutaremos mais a sua voz. É a presença de um irmão que desaparece. É um determinado trabalho e serviço que ficam descobertos; é uma voz orante que emudece; é um testemunho de vida que se vai; à mesa, um lugar vazio e um irmão a menos em nosso convívio (cf. Ritual da Ordem para a comemoração dos defuntos).


Sentiremos tanta falta do seu afeto, do seu sorriso, do seu consolo...


Para nós é um dia de separação e de tristeza, mas para Frei Paolino começa o dia sem ocaso de louvor sem fim no Reino eterno de Deus Pai. Terminado o seu percurso temporal, Frei Paolino aportou na eternidade.


Foram 90 anos de vida, 66 anos de vida missionária, 60 deles vividos na Amazônia, em Brasileia, Boca do Acre e Sena Madureira.


No coração tinha a paixão do bom pastor. Inflamado de zelo pastoral, tornou-se uma imagem viva de Cristo, na sua entrega e na sua doação sincera e fiel, como autêntico missionário. Com o olhar fixo em Cristo, como Maria, tornou-se testemunha e sinal da caridade de Deus e da misericórdia da gloriosa Virgem Mãe.


Homem dinâmico e ativo, animou a vida paroquial; construiu cerca de 50 escolas nos seringais e ao longo dos rios; fez anualmente longas desobrigas pelos rios Iaco, Purus, Macauã e Caeté, visitando seringais e famílias ribeirinhas, fazendo catequese, ministrando os sacramentos, levando conforto aos pobres e doentes; conviveu com comunidades indígenas; fundou cooperativas para manter os seringueiros e posseiros em sua terra; nos anos setenta engajou-se na criação e animação das comunidades eclesiais de base; defendeu a floresta contra o desmatamento descontrolado; quando em Sena Madureira, atendia diariamente dezenas de doentes pobres, distribuindo gratuitamente remédios básicos; recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre; publicou um livrinho com receitas caseiras de ervas; animava os arraiais do mês de maio etc.


As nossas lágrimas dão testemunho da grandiosidade desse homem.


Cada um de nós poderia contar tantas ocasiões nas quais recebemos gestos de amor, de bondade e de misericórdia do coração deste servo humilde do Senhor, um coração profundamente humano, sensível às dores e ao sofrimento do próximo.


Preparando esta breve reflexão, veio-me à mente a passagem do Evangelho que acabamos de ouvir. Paolino soube reconhecer a dignidade humana, a presença de Cristo em cada semelhante ao longo dos caminhos, o valor do encontro com os pobres.


Diante de nós temos um homem e um sacerdote autêntico, amadurecido pela meditação da Palavra de Deus e pelo serviço generoso a Deus, à Virgem Mãe e aos irmãos. Nunca procurou os primeiros lugares, nunca pediu nada para si, era servo de todos. Permaneceu fiel à sua vocação de Servo de Maria, servindo à Igreja.


Pelo seu serviço lhe agradecem os povos da floresta, os ribeirinhos, os seringueiros... os doentes... a comunidade de fé, que se alegra com o testemunho de sua vida.


Eu também lhe agradeço pela amizade, pela bondade e pela ajuda que ofereceu a mim e a tantos homens e mulheres. Obrigado pelo seu testemunho de amor.


Coloquemos todo o bem que ele fez nas mãos do Senhor, para que o recompense como um servo bom e fiel.


Acredito que hoje, mais do que nunca, ele nos pede para sermos constantes na fé, fortes nas provações, cheios de esperança e, sobretudo, audazes e operosos na prática da caridade e da justiça.


A nossa oração de sufrágio, graças a Cristo Ressuscitado, nos permite acompanhar os que partem desta vida. É uma expressão de fé e de comunhão fraterna. Eles não estão sós, pois já vivem o encontro definitivo com o Senhor. Paolino vive neste momento o encontro com o Deus misericordioso, a quem ele entregou, consagrou e doou toda a sua vida, as suas palpitações de amor, em sua consagração religiosa e sacerdotal.


Supliquemos humildemente a Deus, Pai de misericórdia, por Frei Paolino: que ele escute o Senhor que o convida ao Seu convívio. E que o peso das tribulações da vida seja agora aliviado pela eterna glória. Supliquemos também pelos seus confrades e familiares e também por todos nós, peregrinos neste mundo.


Frei Paolino nos espera na morada construída por Deus para todos. Que o seu exemplo de vida e seus ensinamentos permaneçam vivos em nossa memória; assim, o Senhor continuará iluminando o nosso caminho, para reinarmos com Ele pelos séculos eternos.


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Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM


Homilia exequial de Frei Paolino M. Baldassarri, OSM — Sena Madureira, Acre, abril de 2016.


Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria

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