Religioso professo da Ordem dos Servos de Maria
Patrono do Agricultor Familiar Brasileiro
Valentano, Itália, 4 de fevereiro de 1884 — Turvo, SC, 25 de agosto de 1976
Um irmão que fez da vida um serviço
Frei Egídio Maria Moscini foi um irmão religioso da Ordem dos Servos de Maria (OSM) cuja longa existência foi marcada pela oração, pelo trabalho, pela simplicidade e pelo serviço.
Seu nome de batismo era Vincenzo Moscini.
Nasceu em 4 de fevereiro de 1884, em Valentano, Itália, filho de Angelo Moscini e Annunziata Ortolani.
Foi batizado em 10 de fevereiro de 1884, na igreja paroquial de São João Evangelista, em Valentano, pelo Pe. Giuseppe Peppinielli.
Desde menino conheceu o trabalho agrícola junto de sua família. A ligação com a terra permaneceria como uma das marcas de toda a sua existência.
Servo de Santa Maria
Desejando consagrar sua vida a Deus, Vincenzo procurou inicialmente os Dominicanos. Não tendo sido possível sua admissão naquele momento, abriu-se para ele outro caminho.
Em 3 de novembro de 1904, foi recebido como postulante leigo pelos Servos de Maria na comunidade de Orvieto.
Depois de passar por diferentes comunidades, iniciou o noviciado em 8 de dezembro de 1908, no convento de São Filipe, em Montefano.
Recebeu o hábito dos Servos de Maria e um novo nome:
Frei Egídio.
Emitiu os primeiros votos em 10 de dezembro de 1909.
Seu mestre de formação, Frei Amadio M. Tinti, deixou dele um retrato que parece antecipar toda a sua vida: um homem silencioso, amante da paz, assíduo e constante no trabalho.
Em 26 de janeiro de 1920, no convento de Santa Maria in Via, em Roma, Frei Egídio realizou sua profissão solene como irmão converso, consagrando definitivamente sua vida a Deus na Ordem dos Servos de Maria.
Missionário no Brasil
Em 1920, Frei Egídio conheceu Dom Próspero M. Bernardi, OSM, primeiro bispo da Prelazia do Alto Acre e Alto Purus.
Manifestou então o desejo de partir para as missões.
Foi incluído no segundo grupo de Servos de Maria destinado ao Acre.
Partiu de Newport, Inglaterra, em 12 de julho de 1921. Chegou a Belém em 25 de julho e, depois de uma longa viagem, alcançou Rio Branco em 25 de setembro de 1921.
Nunca mais retornaria à Itália.
O Brasil se tornaria sua nova terra.
Doze anos no Acre
Frei Egídio viveu aproximadamente doze anos na missão amazônica.
Entre 1921 e 1927, esteve em Rio Branco, servindo principalmente como sacristão e cozinheiro.
De 1928 a 1933, viveu em Sena Madureira, onde, entre outros serviços, preparava a alimentação e fazia o pão para os confrades.
Em 1933, permaneceu aproximadamente cinco meses em Xapuri, novamente exercendo o humilde serviço da cozinha.
Sua missão não se realizava através do ministério sacerdotal.
Frei Egídio não era sacerdote.
Era irmão religioso.
Evangelizava através da fidelidade, do trabalho, da oração e do serviço à comunidade.
Rio de Janeiro e Araranguá
Em 1933, deixou o Acre e foi destinado ao Rio de Janeiro.
Permaneceu ali até 1947, servindo a comunidade dos Servos de Maria principalmente como cozinheiro.
Naquele ano foi transferido para Araranguá, Santa Catarina.
Ali foi catequista, sacristão e cozinheiro.
Entre os jovens que receberam sua catequese estava Moacyr Grechi, que posteriormente ingressaria nos Servos de Maria, seria ordenado sacerdote e se tornaria bispo de Rio Branco e arcebispo de Porto Velho.
Turvo
Em 1952, Frei Egídio foi enviado para o Seminário dos Servos de Maria de Turvo.
Tinha 68 anos.
Ali começou a etapa de sua vida que ficaria mais profundamente gravada na memória do povo.
Voltava, de certo modo, às próprias raízes.
Cuidava da terra.
Trabalhava na horta.
Cultivava alimentos.
Cuidava dos animais.
Preparava o pão.
Ajudava a sustentar a vida cotidiana do Seminário.
E rezava.
Rezava especialmente pela perseverança dos sacerdotes e pelas novas vocações.
Seu trabalho era tão importante para a vida da casa que chegou a ser recordado como a:
“espinha dorsal do Seminário”.
Trabalho e oração
Essas duas palavras talvez resumam sua espiritualidade:
trabalho e oração.
Frei Egídio não realizou sua vocação através de grandes cargos ou obras que levassem seu nome.
Serviu.
A cozinha tornou-se lugar de serviço.
A horta tornou-se lugar de serviço.
A sacristia tornou-se lugar de serviço.
O pão tornou-se serviço.
A oração tornou-se serviço.
Sua vida mostra a dignidade própria da vocação do irmão religioso.
Sua consagração não dependia do sacerdócio ministerial. Estava enraizada no Batismo e levada à plenitude através da profissão religiosa.
Um Servo de Maria
Há também uma profunda dimensão mariana em sua existência.
Frei Egídio pertencia a uma família religiosa que desde suas origens deseja viver como Servos de Santa Maria.
Sua espiritualidade não precisou de gestos espetaculares.
A exemplo da Virgem, procurou estar disponível.
Servir.
Guardar.
Permanecer.
Trabalhar silenciosamente.
A tradição conservada em torno de sua memória associa sua oração também à espiritualidade de Nossa Senhora das Dores, tão querida à Ordem dos Servos de Maria.
25 de agosto de 1976
Frei Egídio permaneceu em Turvo até o fim da vida.
Assistido pelos confrades e depois de receber os santos Sacramentos, faleceu em 25 de agosto de 1976, aos 92 anos.
Seu corpo foi sepultado na capela dos Servos de Maria no cemitério de Turvo.
Muitas pessoas de Turvo e das localidades vizinhas participaram de seu funeral.
Mas sua morte não significou o desaparecimento de sua memória.
“O povo o considerava um santo”
Depois de sua morte permaneceu entre aqueles que o haviam conhecido uma forte fama de santidade.
O povo recordava o irmão humilde.
O homem da oração.
O trabalhador.
O religioso simples.
O amigo das vocações.
Durante décadas essa memória foi transmitida entre confrades, antigos seminaristas e famílias da região.
Dom Moacyr M. Grechi, OSM, tornou-se posteriormente um dos grandes incentivadores para que essa fama de santidade fosse apresentada formalmente à Igreja.
Aos poucos, a memória começou a transformar-se em pesquisa.
Documentos foram procurados.
Testemunhos começaram a ser considerados.
A biografia foi reconstruída.
A Causa de Beatificação e Canonização
O trabalho de preparação desenvolveu-se durante vários anos.
Em 5 de setembro de 2023, a Santa Sé concedeu o Nihil Obstat, registrado sob o Protocolo nº 3691.
Em 7 de julho de 2024, em Turvo, realizou-se a sessão pública de abertura da fase diocesana da Causa de Beatificação e Canonização.
A partir desse processo eclesial, Frei Egídio é apresentado como:
Servo de Deus Frei Egídio Maria Moscini, OSM.
A Causa encontra-se na fase diocesana, dedicada à investigação histórica e testemunhal de sua vida, virtudes e fama de santidade.
O título de Servo de Deus não constitui uma declaração antecipada de santidade.
A Igreja investiga.
Reúne documentos.
Ouve testemunhas.
Examina sua vida.
E procura chegar à verdade sobre a maneira como Frei Egídio viveu sua vocação cristã e religiosa.
Patrono do Agricultor Familiar Brasileiro
Outro reconhecimento importante ocorreu no âmbito civil.
A Lei Federal nº 14.732, de 23 de novembro de 2023, declarou:
Frei Egídio Maria Moscini — Patrono do Agricultor Familiar Brasileiro.
É um reconhecimento particularmente significativo.
Frei Egídio nasceu agricultor.
Trabalhou a terra com sua família na Itália.
E terminou seus dias novamente ligado à terra, cultivando alimentos para ajudar a sustentar os jovens seminaristas em Turvo.
Da terra de Valentano à terra catarinense, suas mãos permaneceram mãos de trabalhador.
Cronologia essencial
1884 — 4 de fevereiro: nascimento em Valentano, Itália.
1884 — 10 de fevereiro: Batismo na igreja de São João Evangelista, em Valentano.
1891 — 20 de setembro: recebe a Confirmação.
1904 — 3 de novembro: recebido como postulante leigo dos Servos de Maria em Orvieto.
1908 — 8 de dezembro: início do noviciado, hábito religioso e nome Frei Egídio.
1909 — 10 de dezembro: primeiros votos religiosos.
1920 — 26 de janeiro: profissão solene como irmão converso, em Santa Maria in Via, Roma.
1921 — 12 de julho: partida da Europa para a missão brasileira.
1921 — 25 de setembro: chegada a Rio Branco.
1921–1927: Rio Branco.
1928–1933: Sena Madureira.
1933: Xapuri.
1933–1947: Rio de Janeiro.
1947–1952: Araranguá.
1952: transferência para o Seminário dos Servos de Maria de Turvo.
1976 — 25 de agosto: morte em Turvo, aos 92 anos.
2016: publicação da primeira biografia dedicada a Frei Egídio, de autoria de Frei José M. Milanez, OSM.
2023 — 5 de setembro: Nihil Obstat da Santa Sé — Prot. nº 3691.
2023 — 23 de novembro: declarado Patrono do Agricultor Familiar Brasileiro pela Lei Federal nº 14.732.
2024 — 7 de julho: abertura pública da fase diocesana da Causa de Beatificação e Canonização, em Turvo.
Série histórica — Frei Egídio M. Moscini, OSM
No Somos Servos, sua trajetória é apresentada também numa série histórica em seis partes:
Parte I — Da terra de Valentano à vocação de Servo de Maria
Das raízes familiares e camponesas à profissão religiosa e à partida para o Brasil.
Parte II — Doze anos de serviço no coração da Amazônia
Rio Branco, Sena Madureira e Xapuri: a experiência missionária no Acre.
Parte III — Do Rio de Janeiro às terras de Santa Catarina
O serviço no Rio de Janeiro, Araranguá e a chegada ao sul catarinense.
Parte IV — A “espinha dorsal” do Seminário de Turvo
Trabalho, oração, agricultura e dedicação às vocações.
Parte V — “O povo o considerava um santo”
A morte, a sepultura, a memória e a permanência da fama de santidade.
Parte VI — Da fama de santidade à abertura da Causa de Beatificação
Da devoção popular à investigação formal da Igreja.
Nota documental
A pesquisa histórica realizada para esta página permitiu corrigir algumas informações reproduzidas em versões anteriores da biografia de Frei Egídio.
Os registros paroquiais de Valentano identificam corretamente seus pais como Angelo Moscini e Annunziata Ortolani.
O registro de Batismo estabelece a data de 10 de fevereiro de 1884, seis dias depois de seu nascimento.
Quanto à profissão solene, a documentação mais recente preparada para a Causa registra 26 de janeiro de 1920, no convento de Santa Maria in Via, em Roma. Um rascunho biográfico anterior registrava outra data ainda acompanhada de indicação de pesquisa. Por essa razão, nesta página adotamos a data presente na documentação posterior da Causa.
A pesquisa histórica permanece aberta a novos documentos que possam aprofundar ainda mais o conhecimento sobre sua vida.
Oração e memória
Frei Egídio não deixou grandes obras escritas.
Deixou uma vida.
Uma vida feita de pequenas fidelidades.
Da enxada.
Do pão.
Da cozinha.
Da sacristia.
Da catequese.
Da oração.
Do cuidado com os irmãos.
Da dedicação às vocações.
Talvez seja justamente essa simplicidade que continue falando às novas gerações.
Enquanto a Igreja prossegue no discernimento de sua Causa, conservamos sua memória e pedimos que seu testemunho nos ensine aquilo que ele viveu durante tantos anos:
servir com humildade, trabalhar com fidelidade e permanecer diante de Deus em oração.
Servo de Deus Frei Egídio Maria Moscini, OSM, rogai por nós.