ZENIT - O mundo visto de Roma

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29 de setembro de 2008

Um só amor, uma só alma

Portanto, se há um conforto em Cristo, uma consolação no amor, se existe uma comunhão de espírito, se existe ternura e compaixão, completem a minha alegria: tenham uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento. Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. Que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros. Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo... e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.
Filipenses 2, 1-5.11

20 de setembro de 2008

25° Domingo Comum - Vão vocês também para a minha vinha

O Evangelista Mateus coloca o Capítulo 20 no contexto da “vinda definitiva do Reino de Deus”, explicando que o caráter do Reino de Deus é universal. Neste sentido, esclarecendo e comparando a “natureza do Reino”, ele narra a parábola dos trabalhadores da vinha, que é exclusividade sua e não é narrada pelos outros evangelistas. Assim, perceberemos no relato da Parábola que Deus oferece a salvação a todos, sem considerar o itinerário de fé ou os “chamados” créditos pela missão realizada.
Na parábola narrada por Mateus, ele procura deixar bem claro que os primeiros beneficiários da salvação foram os judeus da Aliança selada desde os tempos de Abraão. Porém, eles não devem sentir-se “os privilegiados” por tal salvação. O anúncio da Boa Nova é direcionado a todas as pessoas, principalmente para os pecadores. Neste sentido eles são também convidados a participar do banquete festivo do Reino definitivo de Deus.
Mateus, para explicitar a realidade do Reino do Céu, narra a história de “um patrão, que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha” (Mt 20,1). Assim, o “patrão” saiu e foi contratando, em vários momentos, trabalhadores para a sua vinha: as nove (Mt 20,3), ao meio dia e às três da tarde (Mt 20,5) e combinou pagar uma “moeda de prata por dia e o que for justo” (Mt 20,2.4). Depois, no final da tarde, o patrão encontrou alguns trabalhadores que estavam na praça e disse-lhes “por que vocês estão aí o dia inteiro desocupados?” Eles responderam: porque ninguém nos contratou. O patrão lhes disse: vão vocês também para a minha vinha” (Mt 20,6-7). No final da jornada o patrão chamou o administrador e disse: “chame os trabalhadores e pague uma diária a todos. Comece pelos últimos, e termine pelos primeiros” (Mt 20,8). Houve um murmúrio total, porque aqueles que apenas trabalharam um pouco receberam o mesmo tanto do que aqueles que trabalharam toda a jornada. O patrão, percebendo a insatisfação de alguns disse: “amigo, eu não fui injusto contigo. Acaso não combinados uma moeda de prata? Por acaso não tenho direito de fazer o que eu quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque estou sendo generoso? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,13-16).
Diante da postura do Patrão, surge uma pergunta: “QUAL SERIA A LÓGICA DO REINO DE DEUS? OU AINDA: O QUE A PARÁBOLA ESTÁ QUERENDO DIZER?
Para compreender melhor o sentido da parábola seria importante ter presente o cap 3,15 do Evangelho de Mateus, que diz: “porque devemos cumprir toda a justiça”. Assim para Mateus, Jesus é o verdadeiro Mestre da Justiça. Neste sentido, todos aqueles que participaram da Escola de Jesus, deveriam praticar o que Ele (Jesus) ensinou: “se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não poderão entrar no Reino do Céu” (Mt 5,20).
Mateus escreveu o seu Evangelho para os judeus convertido ao cristianismo. Assim os primeiros trabalhadores chamados a trabalhar na vinha do Senhor eram os cristãos vindos do judaísmo; os últimos eram os não-judeus, certamente os pecadores, os doentes, os pobres... ou seja, todas as pessoas que se abriam ao convite para participar da vinha do Senhor. Porém, Mateus, irá mostrar no seu evangelho os grandes conflitos de Jesus com os Mestres da Lei, os Fariseus, os saduceus, etc. Este grupo, social, político e religioso eram muitos apegados à Lei. Jesus, o Mestre da Justiça, acolhia a todos, principalmente os pecadores e os publicanos. Os judeus foram os primeiros a serem chamados, por fazer parte da Antiga Aliança, do povo das promessas messiânicas; os últimos (pecadores, publicanos, doentes, etc...), foram convidados, porque entraram no ambiente da misericórdia de Deus... “bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão a misericórdia” (Mt 5,7). Para Deus, não há Judeus ou gregos, escravos ou livres, cristãos da primeira hora ou da última hora. Não há graus de antiguidade, de raça, de classe social, de merecimento… Todos são filhos amados do mesmo Pai. Porém permanece o grande convite do Patrão: “Ide, também vós, para a minha vinha” (Mt 20,7).
Hoje, trabalhar na vinha do Senhor tem um sentido muito amplo. O próprio Jesus afirma: “muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” (Mt 22,14); ou ainda: “a colheita é grande, mas os operários são poucos” (Lc 10,2). Neste sentido a “vinha do Senhor” é muito grande e faltam trabalhadores que anunciem o verdadeiro Reino de Deus. Porém primeiramente é preciso entender que a fé e a religião cristã não é passividade, mas atividade transformadora da sociedade iluminada pelo Evangelho. O profeta Isaias já alertava o povo de Deus dizendo: “meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos” (Is 55,8). Assim somos convidados a entrar na ótica de Deus, que quer a dignidade, a justiça, o amor para todos... “os últimos serão os primeiros e os primeiros serão últimos” (Mt 20,16).
“Para quem tem fé, para quem conhece o mínimo do Evangelho não pode conformar-se com essa situação de injustiça, com a crescente insensibilidade para com a pessoa, o desrespeito para com o povo mais simples e pobre... isso não está de acordo com os pensamentos de Deus. O motivo pelo qual trabalhamos na vinha do Senhor, portanto, é para que os pensamentos de Deus estejam presentes em nossos pensamentos e, evidentemente, nas nossas atitudes”.
Percebemos no texto que Deus não quer ninguém desocupado, apenas sentado na praça. Cristo continua convidando: "Ide também vós para a minha vinha!..." Qual será a nossa resposta ao chamado de Deus? Qual é o nosso lugar na vinha do Senhor?
Contudo, a “praça pode ser apenas um local para ver. Por acomodar-se na praça é incapaz de alguma atitude transformadora através do trabalho na vinha do Senhor”. Portanto, aqueles que trabalham na vinha do Senhor esforçam-se para transformar a realidade, ajudando as pessoas e a sociedade enquanto tal a assumirem a lógica da justiça divina, do Reino que se caracteriza pela bondade, dignidade, misericórdia, etc... Assim sendo, trabalhar na Vinha do Senhor significa “gerar modelos culturais alternativos para a sociedade atual” (Doc. Aparecida, 480).
(frei João)

14 de setembro de 2008

O papa em Lourdes

"Em Lourdes, Maria revelou o mistério da universalidade do amor de Deus pelos homens. Ela convida todos os homens, todos os que sofrem em seu coração e seu corpo, a erguerem os olhos para a cruz, para encontrar nela a fonte da vida, a fonte da salvação"

Exaltação da Santa Cruz


Nossa glória é a cruz, onde nos salvou Jesus!

10 de setembro de 2008

Bem-aventurados!

"Jesus, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: 'Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus! Bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir! Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome por causa do Filho do homem! Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. Mas ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas'."
Lucas 6, 20-26
Assim seja!

5 de setembro de 2008

Dia de preservar

5 de setembro de 2008, Dia da Amazônia.
A Amazônia ocupa uma área de mais de 6,5 milhões de quilômetros quadrados e faz parte de nove países americanos: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, sendo que 85% de toda essa imensa floresta está sob a responsabilidade do povo brasileiro, cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados da mais diversificada fauna e flora do planeta. A nação brasileira tem em suas mãos parte grandiosa de um tesouro incalculável que Deus deixou para a humanidade.
E neste dia tão especial a Liturgia da Igreja, através da Carta de São Paulo aos Coríntios, vem nos falando sobre os servidores de Cristo que administram o tesouro, o mistério de Deus aqui nesta terra. Os servidores de Cristo (que breve voltará) somos nós, que temos sob nossa responsabilidade 85% da Amazônia! Não é incrível?
Diariamente a voz da Igreja clama por servos que tenham zelo pelo serviço, servos sensíveis ao Reino de Deus, servos preenchidos da mais perfeita caridade capaz de lutar para renovar o que já está se perdendo, servos que são pontinhos de luz no meio da escuridão. Diarimente milhões de católicos espalhados pelo mundo meditam sobre a palavra e a vontade de Deus em suas vidas, porém, o tesouro que Deus deixou sob nossa responsabilidade cada dia é mais sacrificado por nossas ambições ou descaso. Ou será que lugares como a Amazônia não fazem parte do tesouro de Deus? O fato é que temos nos preocupado demais com templos lotados de fiéis, com joelhos marcados pela adoração, com lágrimas derramadas em nome de Jesus mas estamos esquecendo que fé é decisão, é ação e cuidado com a criação de Deus. Parece que temos esquecido que Igreja é povo que se organiza e luta pela libertação dos oprimidos e pela preservação do mundo no qual vivemos e do qual necessitamos.
Em poucos dias o mundo vai ser palco de uma grande experiência. Um grupo de cientistas patrocinados por várias nações irá produzir algo semelhante ao BIG BANG, a grande explosão que segundo teorias científicas parece ter gerado a energia da qual somos provenientes; um lugar imenso, são quilômetros construídos debaixo do solo onde pequenas partículas produzirão uma grande explosão a partir da qual será gerada muita energia, e nem temos certeza do que pode ocasionar! Você já imaginou quantos anos de estudo e quantos bilhões de dólares são necessários para que isso aconteça? Imagine quanto esforço e inteligência humana serão necessários para o sucesso dessa experiência! Certamente não é pouco. O homem tem evoluído muito, pois não é suficiente pisar na Lua ou instalar sondas em Marte, agora queremos reviver o BIG BANG. Queremos criar outro universo? Será que é isso? Será que somos capazes?
Este fato vem nos ensinar que estamos gastando tempo e dinheiro em querer criar um universo nosso e que mais uma vez estamos querendo passar adiante de Deus e de sua criação, porém, ao mesmo tempo que queremos brincar de Deus estamos também a destruir o que Ele criou. Afinal, quantos bilhões de dólares são necessários para não jogar lixo nos rios? Quantos bilhões de dólares são necessários para compreender que a floresta não vai resistir se não pararmos de desmatar e deixar viver a fauna? Quantos bilhões de dólares são necessários para entender que o povo da floresta precisa da floresta para viver? Quantas vidas ainda precisam ser ceifadas para que a humanidade compreenda que precisa de oxigênio para manter o organismo funcionando? E do que adianta a preocupação em descobrir como o universo foi criado se não estamos preocupados em cuidar do que já temos? Parece ser um passo atrás.
Os "clarões" dentro da Amazônia cada dia são maiores, os rios outrora caudalosos agora sofrem com mais intensidade na época da estiagem e as plantas e bichos sofrem o medo da extinção. Irmãos, também nós somos passíveis de extinção. Pois sem as plantas, rios e bichos quem é o homem? O ser fisicamente mais frágil dentre toda a criação, feito a imagem e semelhança de Deus, mas tantas vezes desprovido do sentimento de responsabilidade de cuidar daquilo que Deus lhe deu como herança.
Você pode está se perguntando o que o cristão tem a ver com todo esse discurso sobre BIG BANG, criação do universo e pesquisas científicas. Temos tudo a ver com isso. Somos responsáveis pela conscientização do povo de Deus, somos responsáveis pela preservação da floresta e do planeta, pois o mundo não é resposabilidade apenas dos governos ou das grandes organizações privadas que realizam campanhas ambientais para obter incentivos fiscais do governo, o planeta é responsablidade nossa! Sobretudo é responsabilidade do povo brasileiro e cristão católico que vive e se beneficia diariamente dos recursos que a Amazônia oferece caridosamente. O cristão precisa fazer a diferença levando ao mundo o discurso de Paulo que diz que precisamos ser administradores fiéis do Reino de Deus, sem jamais esquecer que a Terra, e mais especificamente a Amazônia é responsabilidade do cristão, pois a floresta nada mais é do que uma pontinha do céu aqui nesta vida.
O que vamos responder quando Deus perguntar sobre o que fizemos para cuidar do Reino aqui?
Se não somos capazes de cuidar do meio ambiente será que seremos capazes de cuidar das coisas do alto? Se não temos sensibilidade para preservar a vida, será que teremos sensibilidade para entrar no paraíso e viver na glória de Deus?
Precisamos refletir e não tardar em cuidar.
Paz irmãos! Que a Virgem Santíssima interceda por nós nos céus, e hoje em especial, que interceda pela Floresta Amazônica.