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30 de agosto de 2008

22° Domingo Comum - Seguimento - Renúncia - Cruz

A liturgia deste domingo (22º) quer mostrar a importância do seguimento de Cristo. No domingo passado Pedro fez uma profissão de fé profunda dizendo: “Tu é o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus, por sua vez, respondeu a Pedro com estas palavras: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16,16.18).
A cena do Evangelho de hoje está situada no contexto da parte narrativa do Reino dos céus, cujo tema é o seguimento de Cristo. Neste sentido, os discípulos desejam seguir o Mestre. Porém, Jesus vai fazendo uma catequese doutrinal e ensina o que significa segui-lo e anuncia o seu primeiro anúncio da paixão, nestes termos: “Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16,21). Neste versículo, o 21, poderemos perceber as quatro etapas do caminho da cruz: a primeira: ir a Jerusalém; a segunda: o sofrimento causado pelas autoridades (anciãos, sumos sacerdotes, e doutores da Lei); a terceira: ser morto pelo supremo tribunal; a quarta a ressurreição.
Jesus tem consciência do enfrentamento com o Sinédrio e começa a mostrar isso aos discípulos. Pedro, por sua vez, quer propor alternativas messiânicas “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” (Mt 16,22). E por isso começa a repreendê-lo dizendo: “vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens” (Mt 16, 23).
Uma realidade que nos chama a atenção é a reação do discípulo Pedro. “Na celebração do último Domingo ele era proclamado solenemente “pedra” sobre a qual Jesus iria construir sua Igreja; agora é rejeitado como “pedra de tropeço”. Pedro apresenta-se com uma mentalidade tão mundana a ponto de interferir no projeto de vida de Jesus, de realizar a vontade do Pai. Estabeleceu-se um confronto claro entre dois projetos: o de Pedro, que pensava como o mundo, e o de Jesus, que pensava como o Pai. Jesus expulsa Pedro de sua frente por querer sobrepor a mentalidade do mundo à vontade de Deus, impossibilitando-o de assumir a Cruz, símbolo da fidelidade ao projeto divino. Para Pedro e para seus discípulos, Jesus deixa claro que o projeto do Reino é diferente da mentalidade do mundo e que o confronto entre as duas mentalidades é inevitável”.
Jesus vai mostrando claramente as condições para o seguimento. De fato Ele afirma: “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Segui-lo significa uma adesão pessoal que implica renúncia, aceitação e compromisso. Para estar com ele, são exigidas duas condições: renunciar a si mesmo e tomar a própria cruz. Renunciar a si mesmo é deixar de lado toda ambição pessoal. Carregar a própria cruz é enfrentar, com as mesmas disposições de Jesus, o sofrimento, perseguição e morte por causa da justiça que provoca o surgimento do Reino. Neste sentido, poderemos ver uma sintonia com a penúltima bem-aventurança, “bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10). Ser discípulo de Jesus, portanto, é reviver a síntese das bem-aventuranças.
Contudo, no ensinamento sobre a realidade do seguimento, Jesus mostra que a sua proposta é um caminho para todo cristão que esteja disposto a segui-lo. Por isso que Ele usa as expressões “salvar-perder”, “perder-encontrar”. Ele diz: “quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 16,25). As suas orientações não são loucura, mas sim uma opção de vida que supõe um risco muito sério e profundo: “De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida” (Mt 16,26). Os discípulos tinham uma concepção errada do messianismo de Jesus e do modo de ser discípulo dele. Jesus vai ao encontro da cruz para depois voltar em sua glória.
Mas, há quem espere a salvação do sucesso terreno, das coisas, de “ganhar o mundo inteiro”, e, portanto, organize sua vida e sua atividade neste sentido; e há quem espere a salvação das mãos de Deus e a Ele se entregue totalmente, vivendo na fidelidade à sua palavra e a seu chamado, embora aos olhos do mundo esteja “perdendo a vida”...
Nesta realidade do seguimento de Cristo o Documento de Aparecida fala que é preciso estar “Parecidos com o Mestre” (4.2). “No seguimento de Jesus Cristo, aprendemos e praticamos as bem-aventuranças do Reino, o estilo de vida do próprio Jesus: seu amor e obediência filial ao Pai, sua compaixão entranhável frente à dor humana, sua proximidade aos pobres e aos pequenos, sua fidelidade à missão encomendada, seu amor serviçal até a doação de sua vida (...) Identificar-se com Jesus Cristo é também compartilhar seu destino: ‘onde eu estiver, aí estará também o meu servo’ (Jo 12,26). O cristão vive o mesmo destino do Senhor, inclusive até a cruz: ‘se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e me siga’ (Mc 8,34)” [Doc. Aparecida, 139-140).
(enviado por fr. João)

25 de agosto de 2008

O martírio de Paulo em Roma

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Il martirio a Roma

A abertura da Aliança para todos

O primeiro gesto de Paulo na capital do Império e também suas últimas palavras, anotadas nos Atos, foram lançar — mais uma vez — um apelo aos judeus. Como já havia escrito aos romanos: “O Evangelho é uma força salvadora de Deus para todo aquele que crê, primeiro para o judeu, mas também para o grego” (Rm 1,16). De forma que, no final de sua missão, aquele que o Senhor quis Apóstolo das Nações não quer se esquecer nem do “menor de meus irmãos” (Mt 25,40). “Estou carregando estas algemas exatamente por causa da esperança de Israel” (At 28,20). Ele lança um último e vibrante chamado à “conversão” de seu povo, à reviravolta que ele mesmo conheceu. Em Cristo, a Aliança de Deus está de agora em diante aberta a todos.

A palavra final não é a morte de Paulo, uma vez que se trata, ao contrário, do desenvolvimento do cristianismo e da Boa Nova levados para todos os lados pela grande testemunha do Ressuscitado, que se tornou, à sua imagem, “Luz das Nações” (Is 49,6; At 13,47).

A viagem do cativério de Paulo

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Il viaggio della cattività

No coração da tempestade

Eis o mais fabuloso relato do Novo Testamento. De Cesaréia a Roma, “a navegação já se tornava perigosa” (At 27,9) depois da festa das Expiações — que introduz o outono. De fato, o navio navega à deriva por quinze dias de Creta a Malta, não se podendo orientar “nem pelo sol nem pelas estrelas” (At 27,20). O prisioneiro Paulo se revela mais livre que os 276 membros da tripulação, capitão, piloto, centurião e marinheiros; ele está acostumado ao mar e à experiência de três naufrágios (2Cor 11,25) e, sobretudo, tem uma segurança que lhe vem de Deus: “Não haverá perda de vida alguma dentre vós, a não ser a perda do navio” (At 27,22), afirma a seus companheiros, quando tudo parece perdido. “Pois esta noite apareceu-me um anjo do Deus ao qual pertenço e a quem adoro, o qual me disse: ‘Não temas, Paulo. [...] Deus te concede a vida de todos os que navegam contigo’” (At 27,23-24).

Malta

Todos chegam à ilha, alguns a nado, alguns graças a uma tábua ou caibro. Essa etapa simples e idílica (“Os nativos trataram-nos com extraordinária humanidade, acolhendo a todos nós junto a uma fogueira que tinham aceso”; At 28,2) simboliza a acolhida que o mundo pagão fará ao Evangelho. Depois do perigo e do naufrágio, a escala maravilhosa em Malta tem, para Lucas, o gosto da aurora de uma ressurreição. Uma víbora morde a mão de Paulo enquanto atiça o fogo; ele a lança no braseiro sem nenhuma dor... e o povo o toma por um Deus. Paulo, ainda, cura o pai de seu hóspede, impondo-lhe as mãos, como também a multidão de doentes que acorre. Finalmente, “cumularam-nos com muitos sinais de estima; e, quando estávamos para partir, levaram a bordo tudo o que nos era necessário” (At 28,10).

Roma

Depois disso, vem Siracusa, Régio e Putéoli. Paulo tem a alegria de ser acolhido por três irmãos — percorreram 50 km a pé —, já que o Apóstolo não é um desconhecido: eles receberam dele, três anos antes, sua grande Carta aos Romanos. Em Roma, ele encontra também uma comunidade de cristãos, cuja origem se ignora, e da qual Lucas diz ser numerosa e célebre por sua fé e suas obras. O cristianismo foi sem dúvida trazido a Roma muito cedo, por mercadores judeus, e continuou, sem ser notado, perto de algumas sinagogas. Quando Cláudio morreu, Roma tinha cerca de 50 mil judeus vindos de regiões muito diferentes, dispersos pela vasta aglomeração de diversas sinagogas.

Paulo chega a Roma em 61, para aqui ser julgado. Depois de dois anos de prisão domiciliar, no coração da cidade, perto do Tibre (o atual bairro judeu), que ele emprega em evangelizar e escrever, o processo se dissolve por falta de acusadores. Mas, depois do incêndio de 64, Nero acusa os cristãos de serem os autores do incêndio. Paulo, assim, é preso, acorrentado no cárcere Marmetino e condenado à decapitação, que terá lugar fora dos muros aurelianos, na via Ostiense, mais provavelmente entre 65 e 67.

Paulo em Jerusalém

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Il ritorno a Gerusalemme:

"Jerusalém: um líder das Igrejas
Paulo volta pela terceira vez a Jerusalém para prestar contas aos Anciãos acerca de sua missão entre os pagãos. Ele chefia uma delegação de pessoas que representam as Igrejas por ele fundadas, geralmente pagão-cristãs, mas também discípulos judeus, como Timóteo. Tornou-se o líder reconhecido (1Cor 12-14) de um grupo de comunidades locais em contestação com as sinagogas e que levam, no seio das comunidades pagãs, uma existência autônoma. Ele dá a elas o nome de Igrejas, segundo a tradição deuteronômica, reivindicando para cada uma a dignidade de assembléia do povo escolhido por Deus reservada em primeiro lugar à Igreja de Jerusalém. Paulo exerce a autoridade de um apóstolo de Jesus Cristo (1Cor 1-21; 2Cor 1,1), título ao qual é muito ligado.
Mas agora, na capital do judaísmo e diante da Igreja de Jerusalém presidida por Tiago, onde “milhares de judeus abraçaram a fé” (At 21,20), pedem-lhe que prove seu apego aos antepassados. Ele havia escrito aos Coríntios: “Tudo suportamos” (1Cor 9,12). Por isso, dirige-se ao Templo, para se purificar com um grupo de nazarenos, “assim todos saberão que tu também é observante da Lei” (At 21,24). E é aí que será preso.
Prisão no Templo de Jerusalém
Tudo está pronto para a explosão: o temor levantado pelas pregações de Paulo nas sinagogas e o desenvolvimento desse cristianismo que ameaça as estruturas e as leis. Estouram alguns incidentes durante a chegada de Paulo ao Templo"

Paulo e o início da Igreja

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Le prime strutture della Chiesa


Corinto

Nesta cidade cosmopolita, onde o culto de Afrodite vem florescendo, Paulo encontra Priscila e Áquila, um casal de judeus expulso de Roma em 49 pelo edito de expulsão do imperador Cláudio, “uma vez que os judeus insurgiam continuamente, instigados por um certo Chrestos” (Suetônio, Cláudio, 25, 11). Nós os encontraremos em Roma, depois da morte de Cláudio, em 54, acolhendo o Apóstolo prisioneiro. Nesse meio tempo, o acompanharão a Éfeso, ocupando-se da Igreja e evangelizando.

Paulo, que espera “trabalhar” à maneira dos rabinos, de modo a assegurar a gratuidade de seu serviço apostólico, associa-se ao casal, confeccionando tendas, como eles. Durante o shabbat, na sinagoga, ele procura sem descanso demonstrar aos doutores da lei o messianismo de Jesus; o chefe da sinagoga, Crespo, deixa-se batizar com toda a família. A Igreja de Corinto, que acolhe também os pagãos, se desenvolve muito rapidamente. Ela se torna a base de Paulo a partir do momento em que Roma lhe é negada pelo decreto de expulsão de Cláudio. Paulo ali permanece por dezoito meses.

Um problema se impõe cada vez mais freqüentemente: as autoridades das sinagogas, que se beneficiam de privilégios, não desejam que os cristãos continuem a ser confundidos com uma seita judaica dissidente, embora na prática não tenham mais nenhuma relação de dependência com eles. Acabarão por acusar Paulo de propaganda religiosa ilícita diante do procônsul Galião (irmão do filósofo Sêneca). Depois de ouvir a acusação, Galião se recusa a ouvir a defesa, declarando-se incompetente para julgar, uma vez que Paulo é judeu e, a seus olhos, essa disputa é interna à sinagoga (At 18,12-16). Paulo embarca então para Antioquia e Éfeso, com Priscila e Áquila, que serão, nesta última cidade, o eixo da futura comunidade.

É no final dessa segunda viagem, em 52, que muitos historiadores inserem o “Concílio de Jerusalém” e o incidente de Antioquia.

Éfeso: Priscila e Áquila dirigem a Igreja

Este é o terceiro lugar de difusão da Palavra, nos Atos. Paulo passa mais de dois anos neste grande centro de intercâmbio cultural, religioso e comercial, entre o Oriente e o Ocidente, e aqui funda uma Igreja. O confronto com o judaísmo cede lugar ao encontro com outras correntes religiosas: Ártemis é a grande deusa de Éfeso. Priscila e Áquila dirigem a comunidade e ensinam com zelo. Dessa forma, eles expõem “mais exatamente o Caminho” a Apolo, que terá grande sucesso como catequista em Éfeso e em Corinto.

Mileto: as estruturas da Igreja

No caminho de volta a Jerusalém, Paulo, “acorrentado pelo Espírito”, manda chamar os Anciãos da Igreja de Éfeso. Prediz a eles seu fim próximo e explicita sua obra: “Vai, porque é para os gentios, para longe, que eu quero enviar-te” (At 22,21). Exorta-os à vigilância, ao trabalho, ao auxílio aos pobres e aos fracos: “Há mais alegria em dar do que em receber” (At 20,35). Enfim, deixa-lhes em testamento a “construção do edifício”, ou, antes, a entrega ao poder da Palavra, “que tem o poder de construir”: a atividade da Palavra é primordial, é ela que constrói a Igreja.

A cena termina com emoção: a assembléia se ajoelha e reza, Paulo é abraçado; todos se recomendam a Deus e à sua Palavra. Esse episódio é importante para a história institucional da Igreja: esses Anciãos, ou presbyteroi, convocados por Paulo, e que ele qualifica como pastores e bispos, encarregados de alimentar e guiar espiritualmente, velando (é o sentido do nome bispo) sobre o povo de Deus, não recebem seus poderes da assembléia dos fiéis, mas, sim, do Espírito.

No decorrer de seu ministério “independente” e diante de situações inéditas, Paulo tinha, portanto, de trazer inovações ao plano doutrinal para poder justificar sua exortação aos fiéis de que se reunissem em comunidades unidas. De fato, Paulo conseguiu, por onde quer que passasse, criar Igrejas muito unidas, para que pudessem subsistir e se desenvolver fora das estruturas ligadas às sinagogas.

Paulo rumo a Grécia

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Il viaggio in Grecia

Lídia e a Igreja de Filipos

Em Tróia, Paulo ouve numa visão o chamado de um macedônio: “Vem à Macedônia e ajuda-nos!” (At 16,9). De imediato, ele veleja para a Grécia e pára em Filipos, cidade comercial e colônia romana povoada por veteranos e camponeses latinos, onde o judaísmo é influenciado pelo helenismo.

A casa de Lídia, comerciante de púrpura, que se faz batizar com toda a família e hospeda os missionários durante sua passagem, torna-se o centro de uma comunidade que se forma rapidamente e será uma das mais fiéis a Paulo, trazendo-lhe afeto e ajudas materiais (2Cor 11,8). É com ela que quererá celebrar a Páscoa, alguns anos depois, antes de sua partida definitiva da região do mar Egeu.

Paulo logo é acusado de proselitismo pelas autoridades locais. Nesse tempo, não se distinguia bem o cristianismo do judaísmo. Ainda que o judaísmo gozasse de um estatuto privilegiado. Paulo, pela primeira vez, é levado à prisão, ao lado de Silas. À meia-noite, enquanto estão entretidos a rezar e a cantar, um terremoto liberta os prisioneiros; vendo as portas abertas, o centurião tenta se matar. “Estamos todos aqui”, grita-lhe Paulo. O centurião se faz batizar, com sua família. Paulo reivindica sua cidadania romana para ser libertado não em segredo, mas “em triunfo”, antes de voltar para a casa de Lídia.

Tessalônica: lugar de culto familiar

Desta vez, a oposição vem dos judeus, quando Paulo se dirige à sinagoga, como de hábito, e explica, com base nas escrituras, que “era preciso que o Cristo sofresse e depois ressurgisse dentre os mortos” (At 17,3). A acusação de fomentar uma agitação contra a lei imperial leva os fiéis a organizarem sua partida para Beréia. Mas, perseguido pelos judeus de Tessalônica, é obrigado a fugir mais uma vez, pelo mar, até Atenas, onde será alcançado por Silas e Timóteo. Pouco depois, a comunidade de Tessalônica receberá as duas primeiras cartas de Paulo; nelas se lê o fervor e as inquietações de uma jovem Igreja.

Em Tessalônica, com Jasão, como em Filipos, com Lídia, o lugar de culto e de religião era a casa, ou seja, a família, com tudo o que gravitava ao seu redor: as relações sociais e o trabalho.

Atenas, os ídolos

Na capital do helenismo, onde pessoas de todo o Império Romano vão estudar, Paulo encontra a cultura grega, e “seu espírito inflamava-se dentro dele, ao ver cheia de ídolos a cidade” (At 17,16). Ele prega tanto na sinagoga quanto em praça pública — até no Areópago —, suscitando, assim, a curiosidade de intelectuais, “epicuristas e estóicos”, mas pouca adesão à fé cristã. “Encontrei também um altar com esta inscrição: ‘Ao Deus desconhecido’. Pois bem, esse Deus que vós adorais sem conhecer, é exatamente aquele que eu vos anuncio” (At 17,23). (Paulo não cita esse episódio. Esse tipo de discurso evoca, ao contrário, a pregação dos primeiros missionários nas Igrejas helênicas do fim do século I, diante de pagãos influenciados pelo estoicismo. A ausência de qualquer menção à cruz e à salvação fazem duvidar do fato de que Paulo tenha realmente dito essas palavras.)

Paulo e o Concílio de Jerusalém

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Il Concilio di Gerusalemme

O Concílio de Jerusalém

Por volta do ano 48, apresenta-se em Antioquia o problema relativo à oportunidade da circuncisão para os não-judeus, quando cristãos provenientes da Judéia reclamam a “liberdade adquirida em Cristo Jesus”, que Paulo e Barnabé também invocam para não impor esse rito aos cristãos vindos do paganismo. A comunidade decide então interpelar os Apóstolos e os Anciãos de Jerusalém e lhes enviam Paulo e Barnabé, com seu companheiro grego Tito, acompanhados de uma delegação.

Apóstolos e Anciãos de Jerusalém aceitam Tito, “não circuncidado”, reconhecendo, assim, a validade do anúncio de Paulo a respeito da liberdade da graça. A assembléia confirma também os principais responsáveis da Igreja e reconhece a vocação missionária de Pedro, para os circuncidados, e Paulo, para os não circuncidados. De fato, acontece uma forma de repartição do campo missionário: Tiago, Cefas e João, para os judeus; Paulo e Barnabé, para os pagãos.

O incidente de Antioquia

O incidente ocorrido durante a visita de Pedro a Antioquia testemunha a retidão de Paulo, para o qual a verdade do Evangelho não admite adaptações. O que aconteceu? Um cristão judeu circuncidado não podia, então, sentar-se à mesa de um cristão pagão sem incorrer em impureza. Ora, no contexto de Antioquia, Pedro é testemunha da supremacia da fé em Cristo, que reúne a si todos os homens, e ali confronta esse princípio... até a chegada de cristãos enviados por Tiago, que preside a comunidade de Jerusalém (e então Pedro cala seus sentimentos). Paulo, então, se irrita: “Opus-me a ele abertamente, pois ele merecia censura” (Gl 2,11).

O compromisso decidido em Jerusalém protegia a existência das comunidades mistas, como Paulo havia pregado às jovens Igrejas na Ásia Menor. Todavia, a plena comunhão entre circuncidados e não-circuncidados era problemática. A salvação de Jesus Cristo deve, portanto, ser considerada secundária? Paulo reivindica a nova vida na fé, o dom do Espírito e a supremacia da divina promessa sobre a lei... Acontece então o conflito entre Tiago e a Igreja de Jerusalém, aliando-se a Tiago Pedro e Barnabé (hesitantes) e a própria Igreja de Antioquia, que convalidam o compromisso do Concílio (At 15,1-40). Paulo viaja acompanhado apenas de Silas. Depois desse longo noviciado, que durou quinze anos, abre-se para Paulo um novo período.

O início do ministério de Paulo

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Gli inizi del ministero

Jerusalém: o encontro com Pedro

“Três anos mais tarde”, Saulo vai a Jerusalém para travar conhecimento com Cefas (de “Pedra”, em grego), o nome que dará sempre a Pedro — e fica “com ele quinze dias” (Gl 1,18). Sem dúvida, este último lhe ensina a tradição oral relativa a Jesus, que Paulo não conheceu (cf. 1Cor 11,23-35), e também uma interpretação cristológica dos profetas, segundo o ensinamento do Mestre a seus discípulos.
A visita é discreta: o único outro dirigente da Igreja que Paulo vê é “Tiago, o irmão do Senhor”. Paulo enriqueceu-se espiritualmente junto à Mãe-Igreja, mas não conseguiu se integrar a ela, provavelmente em razão de seu passado de zelador ou zelote. Foge até de uma tentativa de assassinato por parte dos judeus de língua grega (At 9,29-30).
Levam-no a partir para Tarso, onde retoma o ofício de construtor de tendas, continuando a proclamar sua fé nas sinagogas (At 18,3). São anos de amadurecimento pessoal.

Antioquia: início da aventura missionária

No início dos anos 40, Barnabé é enviado pela Igreja de Jerusalém a Antioquia da Síria para tomar em suas mãos essa Igreja fundada pelos missionários helenistas expulsos de Jerusalém. Dirige-se a Tarso para buscar a ajuda de Paulo, e se torna um dos dirigentes da comunidade, evangelizando com grande sucesso. É o primeiro afastamento do ambiente da sinagoga, uma vez que Paulo prega também aos gregos. Forma-se, assim, uma comunidade mista. A “invenção” do título de cristãos, usado pela primeira vez em Antioquia, representa um dos mais belos frutos da pregação de Saulo nessa cidade.
A Igreja de Antioquia será daí para frente o centro de difusão do Evangelho e viverá independente do Templo e da vida na Judéia.
Essa comunidade de Antioquia dispõe de uma formação e uma organização sólidas. Assim, durante uma assembléia de oração, a inspiração da comunidade confirma a vocação pessoal. A voz do Espírito Santo se faz ouvir: “Escolhei para mim Barnabé e Saulo para a obra para a qual os chamei”; então, a assembléia reza, jejua, impõe as mãos sobre os dois homens, e envia-os em missão.
Barnabé e Paulo tomam o mar, rumo a Chipre. É também o Espírito Santo que os envia nessa direção: anunciam o Evangelho nas sinagogas a leste da ilha, em Salamina, depois a oeste, em Pafos. Lucas, a partir desse momento, chamará Saulo por seu nome romano, Paulo, sublinhando, assim, que ele assumiu com todos os direitos sua missão de se dirigir “às nações”.

Fundação de Igrejas na Ásia Menor

Paulo mergulha em terras pagãs, para além do Tauro, rumo a quatro cidades estratégicas para Roma, na estrada de Sabastópolis. Lucas apresenta como primeiro importante discurso missionário de Paulo o que este fez na sinagoga de Antioquia de Pisídia, nova colônia romana; diante da má acolhida por parte de uma maioria de judeus, Paulo se dirige aos pagãos. Paulo e Barnabé vão, então, para Icônio, Listra e Derbe. Os dois Apóstolos consolidam as jovens comunidades.
De um lado, encorajam a vida comunitária dos fiéis provenientes do judaísmo e novos convertidos vindos do paganismo, atraindo a inimizade dos chefes das sinagogas em que pregam. De outro, nomeiam “anciãos”, segundo o modelo da Igreja de Jerusalém. Realizada essa missão, voltam à grande cidade de Antioquia da Síria.

A conversao de Paulo a Cristo

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - La conversione a Cristo

O judeu Saulo estuda em Jerusalém

Paulo nasce pouco antes do ano 10 da nossa era, em uma família judia de Tarso, na Cilícia (atualmente no leste da Turquia). Recebe o nome bíblico de Saulo e o nome romano de Paulo (seu pai, tendo adquirido a cidadania romana talvez quisesse manifestar alguma desconhecida gratidão às gentes dos Pauli). Recebeu sua educação em Jerusalém.

“Como discípulo de Gamaliel, fui instruído em todo o rigor da Lei de nossos antepassados, tornando-me zeloso da causa de Deus” (At 22,3). Pelo que dizem os Atos, ele é “fariseu e filho de fariseus” (At 23,6) e “circuncidado no oitavo dia” (Fl 3,5-6).

O perseguidor

Durante o martírio de Estêvão, “as testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo. [...] Saulo estava de acordo com a sua execução. Naquele dia começou uma grande perseguição contra a Igreja” (At 7,58.8,1).
Saulo, que defendia com zelo “as tradições paternas” (Gl 1,14) pode até ter feito parte dos zelotes (At 22,3), e isso explicaria a expedição a Damasco à caça dos missionários helenistas que contestavam o Templo, como Estêvão, para “forçá-los a confessar, muitas vezes por meio de torturas” (At 26,11). Isso esclareceria também dois episódios estranhos: Paulo mal se agrega à Igreja de Jerusalém e já em seguida tem de fugir de ameaças de morte (At 9,26-30); mais tarde, quarenta judeus jurarão assassinar Paulo, então prisioneiro dos romanos (At 23,12-22), e sabe-se que o partido zelote punia aqueles que traíam seus juramentos.

A conversão/vocação

Os Atos transcrevem a célebre frase ouvida no caminho para Damasco: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9,4).
O relato que o próprio Paulo faz sobre a aparição do Ressuscitado trai uma grande agitação interior, conforme às vocações/conversões proféticas do Velho Testamento, portadoras também de uma missão: “Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos, não consultei carne nem sangue” (Gl 1,15-17).
A “conversão” radical de Saulo não representa para ele uma mudança de religião: ele se sente mais judeu do que nunca, uma vez que é o “Deus de seus antepassados” que o manda pregar o Evangelho. O evangelizador dos pagãos continuará a pregar aos judeus o quanto possível, até seu último chamado de atenção, em Roma. A conversão e o batismo de Paulo significam que ele descobriu seu verdadeiro e justo lugar na vida de Israel.
Ignora-se a data desse acontecimento capital; a Carta aos Gálatas poderia indicar os anos 33-35, pouco depois da constituição da primeira Igreja, em Jerusalém, criada em torno de “Pedro, com os Onze” (At 2,14).

As viagens missionárias de Paulo

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - I viaggi missionari:

"Depois de sua “conversão”, na estrada para Damasco, Paulo atravessa parte da Ásia Menor (a atual Turquia), da Síria e da Arábia (a atual Jordânia), até Jerusalém, antes de se dirigir para a Europa, indo à Grécia e, enfim, a Roma. É razoável datar suas viagens num intervalo de alguns anos em torno do ano 50.
Primeira viagem
De Antioquia a Chipre e ao sul da Anatólia (Perge, Antioquia de Pisídia, Icônio, Listra e Derbe), Paulo e Barnabé pregam com ardor nas sinagogas a Boa Nova da ressurreição e da salvação em Jesus, fundando comunidades. Então os judeus se dividem e Paulo se volta, por isso, aos pagãos.
Segunda viagem
O primeiro objetivo de Paulo, acompanhado por Silas, é encontrar as comunidades que fundou no sul da Anatólia (em Listra, encontram Timóteo, que os acompanha na viagem). Prosseguem para o noroeste, até Dardanelos e Trôade, de onde passam à Grécia; Paulo funda Igrejas em Filipos, Tessalônica, Beréia, Atenas e Corinto. Volta depois a Antioquia, sua base, passando por Éfeso e Cesaréia. Em Antioquia, pela primeira vez, os fiéis foram chamados “cristãos”.
Terceira viagem
É uma viagem de consolidação. Paulo revê as Igrejas que fundou na Anatólia e na Grécia, com Timóteo e Tito. Embarca novamente para Tiro, Cesaréia e Jerusalém, onde é preso.
Viagem do cativeiro
A viagem do prisioneiro a Roma não é uma viagem missionária, mas sua atividade de evangelizador não cessará."

Paulo, o Apóstolo das Gentes

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - L'Apostolo delle Genti

Aquele que é chamado “o Apóstolo das Gentes”, ou seja, das Nações, não conheceu Jesus em vida, na cidade de Jerusalém ou nas estradas da Galiléia, como os Doze Apóstolos. É o primeiro a ter tido como experiência apenas a do Ressuscitado, como a terão depois todos os cristãos. Esse judeu nascido em Tarso (atualmente no leste da Turquia), que recebera do rabino Gamaliel, o Ancião, um ensinamento rigoroso da Lei, e que é também cidadão romano, recebe como missão precisa ir pregar a Palavra de Deus a todos os homens: primeiro em Antioquia e na Ásia Menor, depois na Grécia e em Roma.

Com Paulo, em poucos anos e de maneira ardente, “de Sião sairá a Lei e de Jerusalém, a Palavra do Senhor”, como fora profetizado pelo profeta Miquéias (4,2). Esse “sairá” no duplo sentido do termo. Paulo dará testemunho do ensinamento recebido de seus antepassados e do que ele mesmo experimentou: Cristo ressuscitado!

Paulo é o personagem mais bem conhecido da primeira geração cristã, tanto pelas cartas (sete indubitavelmente autênticas) que escreveu quanto pela história de sua vida narrada por Lucas nos Atos dos Apóstolos. Suas cartas representam para nós uma fonte excepcional. Sua figura, todavia, continua a ser misteriosa. De um lado, essas cartas percorrem apenas quinze anos de sua vida. De outro, os Atos, que trazem seu itinerário, são escritos vinte anos depois de sua morte, com o tom apologético da época. Daremos, portanto, preferência aos dados contidos nas cartas de Paulo e em sua cronologia, que coincide, na maior parte das vezes, com a duração de seus deslocamentos (por exemplo, a data do “Concílio de Jerusalém”).
Pode-se considerar que Paulo tenha cerca de dez anos menos que Jesus.
A seguir, apresentamos as cartas relativas às viagens de Paulo, às quais se segue o relato da vida do apóstolo, em vinte quadros.

24 de agosto de 2008

21° Domingo Comum - Tu és Pedro...

A liturgia deste 21º Domingo do tempo Comum nos convida a refletir sobre a profissão de Fé do Apóstolo Pedro e também sobre a autoridade que lhe é conferida por Jesus. Porém percebemos que o Mestre vai ensinando a comunidade apostólica sobre o seu verdadeiro messianismo. Neste sentido, e a caminho de Cesaréia de Filipe, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16,13).
No tempo de Jesus, muitos esperavam que o seu messianismo fosse responder as expectativas esperadas por Israel. Mas Ele veio para instaurar o Reino de Deus: reino de amor, justiça, paz... um Reino mais humano, justo e fraterno. Assim frente ao questionamento feito aos discípulos, eles responderam: “alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou alguns dos profetas” (Mt 16,14). Mas não basta reconhecer em Jesus outras pessoas que não seja Ele. Na sua escola e nos seus ensinamentos, experiências e vivências é preciso avançar e aprofundar quem de fato Ele é. Por isso que a sua interrogação é para saber se os discípulos estão entendendo o verdadeiro sentido do discipulado. Então Jesus pergunta: “e vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro, em nome da comunidade apostólica, responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Jesus lhe disse: “Feliz és tu Simão... E tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja... Eu te darei as chaves do Reino dos Céus...” (Mt 16,17-19).
Vamos analisar a resposta dos discípulos: Eles respondem o que o povo pensa sobre Jesus. Na verdade a chegada de Jesus trouxe uma “certa confusão”. Eles ficaram confusos pelo seu modo de agir, porque Jesus não correspondia a certos esquemas que a sociedade israelita esperava. Então citavam nomes dos Profetas e de João Batista.
A resposta de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Esta resposta de Pedro significa uma profissão de fé. É reconhecer que o messianismo salvador de Jesus. De fato Jesus veio para redimir toda a humanidade, principalmente uma humanidade ferida pela injustiça, pelo egoísmo e individualismo, pela falta de amor, etc...
A resposta de Jesus é a confirmação de Pedro na sua função de porta-voz da comunidade apostólica, da Igreja, de um líder que, terá pela frente, a continuação da missão de Jesus. Pedro significa pedra, rocha... Neste sentido o apóstolo Pedro é confirmado como a pedra fundamental para guiar a comunidade apostólica e a Igreja. Pedro recebe de Jesus as “chaves do Reino dos Céus”. Elas são um símbolo que significa ministério, serviço, dedicação... portanto, uma realidade no nível da fé. Na expressão “Reino dos Céus”, está contido a realidade do Reino de Deus. Trata-se do Reino de Deus entendido como comunidade de irmãos que celebram a vida e a fé e constroem este Reino, na busca da justiça, da fraternidade “aqui neste chão”.
Sabemos que o secularismo e o individualismo estão presentes com muita força na atualidade. Eles nos desafiam e muitas vezes esperam uma resposta concreta de cada cristão que tem um compromisso e uma opção por Jesus. A pergunta “quem é Jesus Cristo hoje?” ainda continua atual. Algumas realidades procuram uma resposta:
- para os jovens, Jesus representa a novidade, a contestação...;
- para os pobres e oprimidos, Jesus aparece como o libertador e promotor da vida, fazendo a inclusão de todos no seu Reino. Ele é o símbolo de uma esperança viva e de uma vida nova;
- para os agentes das obras sociais, Jesus é um revolucionário, que luta contra a injustiça, a opressão, a exploração do homem pelo homem, criando novas relações entre os seres humanos;
- Para nós, cristãos, Jesus continua a nos inspirar. Muitas pessoas fazem questão de ter uma imagem de Cristo: pode ser de madeira, de gesso, de ferro. Porém esta realidade nos deve levar ir além da própria imagem e se comprometer verdadeira com Cristo, com a sua vida e a sua missão. Tudo isso revela uma realidade positiva: nosso mundo não pode prescindir de Cristo. O Papa João Paulo II insistia que neste novo milênio tudo deveria “começar a partir de Cristo”. A nossa vida e a nossa história estão marcadas por Ele, e isto não se pode ignorar.
Contudo, seria importante fazer um questionamento: quem é Jesus Cristo para mim? Certamente não basta responder com respostas prontas, fórmulas aprendidas na catequese, nos livros, etc. É preciso buscar a resposta no interior do coração, na vida vivida, buscada, celebrada e testemunhada. É preciso descobrir o que, de fato, Jesus representa na minha vida. Ele, portanto, não é um personagem do passado que viveu e morreu. Ele ressuscitou e está vivo, presente em cada celebração da vida da comunidade. Ele está presente, sobretudo, nos pequenos e sofredores, pois o Mestre dirá: “eu estava com fome e me destes de comer, eu estava com sede e me deste de beber, eu era estrangeiro e me acolhestes em casa, eu estava sem roupa e me vestiram, eu estava na prisão e me visitaram” (Mt 25,35-36).
(enviado por fr. João)

20 de agosto de 2008

Papa Bento XVI

“quem reza não perde nunca a esperança, ainda quando chegasse a encontrar-se em situações difíceis e inclusive humanamente desesperadas. Isto nos ensinam as Sagrada Escritura e isto testemunha a história da Igreja“ Bento XVI

Declaração Final do 3º Congresso Americano Missionário (CAM3/Comla8)

A Igreja da América se reuniu na cidade de Quito nestes dias e experimentou um Pentecostes junto à Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa. A crescente consciência missionária de nossas Igrejas locais nos motivou a contemplar o futuro e a presença de Deus, os dons e carismas de nossos povos, a escutar suas necessidades, esperanças e sua profunda experiência de fé.

Na atitude de discípulos, temos observado os caminhos do Mestre, seu estilo de vida e entrega pelos pobres para iluminar nossa conversão pessoal e comunitária. O discipulado implica revestir-se de Cristo, ser seus testemunhos. Estamos prontos a anunciar o Evangelho, “esperança para toda pessoa sedenta de Deus” e juntos construir um mundo fraterno, justo e solidário; e ser colaboradores do Espírito na construção do Reino.

A experiência de Pentecostes nos urge a dialogar com todos os povos com atitude profética, estar abertos às mudanças, reconhecer “as sementes do Verbo” e compartilhar as tradições culturais e religiosas dos povos. Por isso, uma comunidade discípula deve ser acolhedora, integradora e solidária.

A Igreja, comunidade guiada pelo Espírito Santo, nos impulsiona a configurarmos com Cristo, para formar o homem novo, a viver em comunhão fraterna, a ser solidário com o próximo e a evangelizar sem exclusão.

A Igreja, “lugar de encontro” com Jesus Cristo, convoca, envia aos testemunhos do Ressuscitado e forma novos discípulos em comunidades vivas, que testemunham o Reino de Deus. A missão aviva a esperança de que outro mundo é possível, ainda que em situações difíceis. Necessita de profetas e peregrinos que denunciem as situações de pecado e as estruturas injustas, e anunciem os valores da vida plena realizada em Cristo.

À luz destas reflexões, os missionários da América, declaramos:

1. Missão Ad Gentes: A missão Ad Gentes é a “Missão para a humanidade” e se cumpre simultaneamente em ser “Serviço à Igreja” e “Luz das nações”. A missão é serviço ao futuro da humanidade! Por isso, como leigos, religiosos, sacerdotes e bispos da América, assumimos com entusiasmo e co-responsabilidade eclesial a Missão Ad Gentes que implica uma conversão pessoal e a mudança de estruturas pastorais para que o Evangelho chegue a todos os homens e mulheres sedentos de Deus.

2. Missão, Família e Defesa da Vida: Urge uma opção forte pela formação e acompanhamento das famílias cristãs para que sejam evangelizadoras e missionárias com sua vida, fidelidade e comunhão. Nos comprometemos a revitalizar a Pastoral Familiar e apoiar experiências de famílias missionárias Ad Gentes.

3. Missão e Globalização: Reconhecemos que o fenômeno da globalização acarreta conseqüências positivas e negativas para a humanidade. Favorece a expressão plena da Igreja, que não pertence a nenhuma cultura e é de todas. Assumimos uma nova maneira de ser Igreja que alimenta sua vida desde a escuta da Palavra e da realidade, para ser sinal do Reino a partir de cada cultura e cada povo.

4. Missão, Exclusão e Migração: Assumimos que a migração e exclusão são um desafio de primeira categoria, visível na situação de crianças, mulheres, homens e famílias que vivem violações em seus direitos. A Igreja, com coragem, deve promover profeticamente a cultura da dignidade humana.

5. Missão e Laicato: Impulsionados pelo Espírito Santo, os leigos e leigas de todos os povos, etnias e culturas do continente americano, em comunhão com os bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, assumimos o compromisso de uma formação integral: espiritual, pastoral e missionária, que nos faça co-responsáveis da Grande Missão Continental e Ad Gentes.

6. Missão e Juventude: Os jovens, como presente e futuro da Igreja, assumimos o Projeto Missionário Americano com as seguintes dimensões: Espiritualidade, para poder ver onde caminhamos; responsabilidade, para assumir conseqüências e não interromper o caminho; e Mística que integre formação, projeto pessoal e compromisso.

7. Missão, Atividade e Dignidade Humana: Assumis como Igreja o desafio de experimentar e suscitar mudanças concretas e estruturais que promovam verdadeiramente a dignidade humana, desde a formação missionária integral e permanente às novas organizações paroquiais em rede e à abertura de novos espaços missionários.

8. Missão, Culturas e Povos: Como Igreja, valorizamos e respeitamos aos povos indígenas e afros-descendentes do continente, assumimos a urgência de reconhecer seus espaços, expressões e tradições para que tenham seu lugar na sociedade e na Igreja. Nosso espírito missionário se fortalece em escutar, aprender e anunciar explicitamente a Cristo nas diversas culturas.

9. Missão e Ecologia: Anunciamos a Boa Nova para restaurar a ordem na natureza, em comunhão com o que o mundo espera: renovar em todos os povos, culturas e corações o rosto da humanidade mediante a conversão e a salvação; e desenvolver uma consciência crescente em sua luta pela conservação do meio ambiente.

10. Missão e Meios de Comunicação Social: Com a força do Espírito Santo e à luz do mandato de Jesus “Vão e anunciem o Evangelho”, queremos responder as novas situações históricas, sociais e eclesiais, comunicando o amor de Deus e a Boa Nova do Reino como uma comunicação testemunhal, coordenada e integrada na pastoral ordinária, para construir a unidade e a comunhão.

11. Missão, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso: Contemplamos “as sementes do Verbo” em cada povo, cultura, religião e crença: por ele assumimos um diálogo, encontro e cooperação ecumênica e inter-religiosa desde nossa própria identidade de Discípulos, missionários de Jesus Cristo.

12. Missão, Educação e Mundo Intelectual: Somos Igreja educadora e nos comprometemos a criar, com os atores do âmbito educativo, espaços de formação e diálogo profético para ser testemunhos da Boa Nova do Reino no mundo contemporâneo.

13. Espiritualidade Missionária: Queremos viver uma espiritualidade de Discípulos Missionários, uma espiritualidade das bem-aventuranças encarnada na vida: contemplativos, alegres, comunicadores da experiência de Deus, pobres, humildes, itinerantes, capazes de buscar e escutar a todos, com confiança no Espírito.

14. Missão e Fundamentalismo Religioso: Interpelados pelo Senhor da História, que nos chama a unidade do Amor, recusamos toda atitude fundamentalista dentro e fora da Igreja Católica, e nos abrimos ao pluralismo e ao diálogo que reúne as pessoas e os povos na construção da harmonia e da paz.

15. Missão e presença da mulher: Seguindo os passos de Jesus Cristo, reconhecemos e valorizamos a presença e participação ativa da mulher em todos os âmbitos sociais e eclesiais, e propugnamos novas relações não hierarquizadas entre mulheres e homens como riqueza para a humanidade e para a Igreja.

16. Missão, Ciência e Tecnologia: Queremos orientar a incidência da ciência e da tecnologia no desenvolvimento da humanidade, a partir dos valores próprios do Evangelho, para que esteja a serviço da Evangelização e da cultura da vida. Que a ciência e a tecnologia estejam ao alcance de todos, possibilitando reais soluções à exclusão, à desigualdade, à injustiça, à fome e à morte.

17. Missão e vida religiosa: Os religiosos e religiosas, somos chamados a ser Discípulos Missionários com sólida espiritualidade trinitária da ação entre os mais pobres e diferentes; com um coração não dividido e solidário, que ama a todos; encarnados em cada cultura de maneira desprendida e despretendida; propondo vivencial e profeticamente os valores alternativos do Reino; e abertos à Missão e ao envio Ad Gentes.

Missionários da América, hoje, ao concluir o CAM3/Comla8, Jesus nos envia a ser testemunhos, até os últimos confins da terra, de tudo o que temos escutado, aprendido e anunciado. “Vão e façam com que todos os povos sejam meus discípulos.... eu estou com vocês todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20)

América com Cristo: escuta, aprende e anuncia!


São Francisco de Quito, 17 de agosto de 2008

CNBB

A partir desta quarta-feira, 20, o site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentará um novo design. Desenvolvido por Maurício Faustino, sob a coordenação de uma equipe de assessores da CNBB, o novo site entrará no ar a partir das 10h, quando será apresentado aos bispos do Conselho de Pastoral (Consep) e aos assessores da CNBB, reunidos em Brasília.

O Senhor é o meu Pastor


Javé é o meu pastor. Nada me falta. Em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranqüilas me conduz, e restaura minhas forças. Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome. Embora eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois junto a mim estás; teu bastão e teu cajado me deixam tranqüilo. Diante de mim preparas a mesa, à frente dos meus opressores; unges minha cabeça com óleo, e minha taça transborda. Sim, felicidade e amor me acompanham todos os dias da minha vida. Minha morada é a casa de Javé, por dias sem fim. (Sl 23)

Chat Somos Servos

Agora temos um ponto de encontro. Entre em nosso chat. Clique no link: Chat

17 de agosto de 2008

Utopia - Padre Zezinho

Pastoral Familiar - CNBB

Confira o site da Pastoral Familiar.
Rezemos pela família para que seja sempre uma opção de vida plena!

Pastoral Familiar - CNBB

Leituras XX DOMINGO TC

Primeira Leitura
Is:56,1; Is:56,6-7

1. Assim diz Javé: Observem o direito e pratiquem a justiça, porque a minha salvação está para chegar e a minha justiça vai se manifestar.
6. Aos estrangeiros que aderiram a Javé para prestar-lhe culto, para amar a Javé e serem seus servos, que observam o sábado sem profaná-lo e ficam firmes na minha aliança,
7. eu os levarei para a minha montanha santa, vou fazê-los felizes na minha casa de oração; os seus holocaustos e sacrifícios serão aceitos com agrado no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.



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Salmo Responsorial
Sal:67,2-3; Sal:67,5; Sal:67,6; Sal:67,8

2. Deus tenha piedade de nós e nos abençoe, fazendo a sua face brilhar sobre nós,
3. para que na terra se conheça o teu caminho, e em todas as nações a tua salvação.
5. Que as nações se alegrem e exultem, porque julgas o mundo com justiça, julgas os povos com retidão, e governas as nações da terra.
6. Que os povos te celebrem, ó Deus. Que todos os povos te celebrem.
8. Que Deus nos abençoe, e todos os confins da terra o temerão!



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Segunda Leitura
Rom:11,13-15; Rom:11,29-32

13. Portanto, digo a vocês, pagãos: como apóstolo dos pagãos, eu honro o meu ministério,
14. para ver se provoco o ciúme dos que pertencem à minha raça, e se consigo salvar alguns deles.
15. Pois se o fato de eles serem rejeitados trouxe a reconciliação do mundo, o efeito da reintegração deles será a ressurreição dos mortos.
29. porque os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.
30. Vocês foram desobedientes a Deus, e agora, pela desobediência deles, vocês conseguiram misericórdia.
31. Do mesmo modo, também eles agora desobedeceram, a fim de que, pela misericórdia feita a vocês, eles consigam então a misericórdia para eles.
32. Deus encerrou todos na desobediência, para ser misericordioso com todos.



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Evangelho
Mt:15,21-28

21. Jesus saiu daí, e foi para a região de Tiro e Sidônia.
22. Nisso, uma mulher cananéia, que morava nessa região, gritou para Jesus: "Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim. Minha filha está sendo cruelmente atormentada por um demônio."
23. Mas Jesus nem lhe deu resposta. Então os discípulos se aproximaram e pediram: "Manda embora essa mulher, porque ela vem gritando atrás de nós."
24. Jesus respondeu: "Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel."
25. Mas a mulher, aproximando-se, ajoelhou-se diante de Jesus, e começou a implorar: "Senhor, ajuda-me."
26. Jesus lhe disse: "Não está certo tirar o pão dos filhos, e jogá-lo aos cachorrinhos."
27. A mulher disse: "Sim, Senhor, é verdade; mas também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos."
28. Diante disso, Jesus lhe disse: "Mulher, é grande a sua fé! Seja feito como você quer." E desde esse momento a filha dela ficou curada.

16 de agosto de 2008

somosservos Toolbar - Download

Apresentamos para nossos internautas a barra de ferramentas Somos Servos. Façam o download! somosservos Toolbar - Download

Assunção de Nossa Senhora

A Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. O Dogma da Assunção de Maria foi proclamado pelo Papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950, pela Constituição Dogmática “Munificentísimis Deus”. Esta definição foi proclamada após uma consulta feita a todos os bispos do mundo inteiro. Porém existe uma relação entre o Dogma da Assunção com o Dogma da Imaculada Conceição. Assim como Maria não teve nenhum pecado, a Igreja reconhece que ela não deveria sofrer a corrupção corporal.
A realidade da Maternidade Divina de Maria, que significa ser Mãe de Deus, é santificada pela sua resposta ao Plano Salvador de Deus. Ela, dizendo sim a Deus, esteve intimamente associada à obra da redenção e salvação da humanidade. Desta maneira, era natural que ela estivesse, também, ao lado de Cristo Ressuscitado e Glorificado. O Concílio Vaticano II afirma:
Finalmente, a Virgem Imaculada, que fora preservada de toda mancha da culpa original, terminado o curso de sua vida terrena, foi levada à gloria celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do universo, para que se conformasse mais plenamente com seu filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte” (LG 59).
A festa da Assunção de Maria já era celebrada há muito tempo e desde os primórdios do cristianismo. A Igreja do Oriente já celebrava a “dormição”, ou seja, que Maria “adormeceu” seu corpo foi levado de corpo e alma para o céu. Desta maneira seu corpo não sofreu a corrupção, conseqüência do pecado original, que ela não teve. O Dogma da Assunção faz parte dos outros dogmas marianos, a saber: a Virgindade, a Maternidade Divina e a Imaculada Conceição.
2. As Leituras Bíblicas:
a. Apocalipse
A Leitura do Livro do Apocalipse (11,19ª; 12,1.3-6ª.10) apresenta uma série de versículos extraído dos Capítulos 11 e 12, relata a realidade de “uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés”.
Apocalipse significa revelação. O livro do Apocalipse foi escrito entre os anos 90 d.C., período em que os primeiros cristãos sofreram uma perseguição intensa pelo Império Romano. Desta maneira São João utilizou muitos símbolos para descrever a situação e assim dar esperança e fortalecer a fé dos cristãos perseguidos e oprimidos pelo Império. Frente à luta do bem x mal, o convite era para que os cristãos e as comunidades se convertessem ao Evangelho de Jesus dando assim um verdadeiro testemunho da opção pelo Cristo.
Neste sentido o Apocalipse descreve a luta da maldade, representada pelo dragão contra a bondade divina. Assim a disputa nos remete ao paraíso, lembrando a serpente que favorece a expulsão da beleza, divina que habitava no interior do homem e da mulher, para ali colocar o orgulho e a presunção de assumir o lugar de Deus (Gn 3,1-24). Contra o dragão destruidor, a vitória divina acontece na fragilidade humana: uma mulher grávida e um recém-nascido (Ap 12,4-5).
Uma pergunta nasce ao fazer a leitura: Quem é esta mulher? O Livro do Apocalipse não identifica o nome, mas a comunidade que lê este Livro é convidada a interpretar o sinal. Assim poderemos ver prefigurada a realidade de Eva (= mãe dos viventes) de Gênesis 3,15-16, identificado com o Povo de Israel. Mas também poderemos identificar Maria, Mãe de Deus, que dá a luz a Cristo, salvador da humanidade. Neste caso as comunidades do Livro do Apocalipse (Ap 2,1-3,22), são convidadas a identificar essa mulher com a Mãe de Jesus e assim descobrir a raiz do seu ser e da sua missão neste mundo.
Outro sinal marcante do Apocalipse é o Dragão uma força hostil, de origem demoníaca (= aquele que separa, confunde...), aparentemente superior às forças dos cristãos (sete cabeças). As comunidades são convidadas a interpretar o sinal: o Dragão é força do mal que se encarna em pessoas e arranjos sociais, dificultando o testemunho cristão e procurando devorar os frutos e a vida das comunidades proféticas que resistem ao imperialismo romano. “Contudo, apesar de ter aspecto aterrador, seu poder não é absoluto, pois tem dez chifres (número que denota imperfeição) e com a cauda arrasta um terço das estrelas (cifra que denota poder parcial). As comunidades proféticas cristãs, pela força do Cristo ressuscitado, vencerão esse poder do mal que pretende dominar o mundo.
b. Evangelho
A cena do Evangelho, chamada da Visitação de Maria a sua prima Isabel narra o encontro de duas mulheres grávidas. O contexto é das aldeias: Maria é da aldeia de Nazaré e vai a uma aldeia da Judéia para servir. O Evangelista Lucas não pretende, em primeiro lugar, mostrar como isso aconteceu, mas reler esses acontecimentos à luz da morte-ressurreição de Jesus, a fim de iluminar a caminhada das primeiras comunidades cristãs. Não se trata, pois, de curiosidade histórica, mas de leitura teológica. Assim descreveremos alguns aspectos da Visitação destacando o poder do Altíssimo no processo da História da Salvação.
Isabel grávida de João Batista que será último dos profetas. Ele será grande diante do Senhor, desde o ventre de sua mãe (Lc 1,15); ele veio para dar testemunho da luz, porém ele não era a luz (Jo 1,7-8). A sua missão era preparar o caminho do Senhor, proclamando um tempo de conversão, pois o Reino do Céu está próximo (Mt 3,1ss).
Maria estava grávida de Jesus, o Filho do Altíssimo, que será grande, da descendência de Davi e se chamará Jesus, que significa “aquele que salva”.
No encontro entre as duas mulheres grávidas se dá a continuidade do Antigo e do Novo Testamento. Isabel simboliza toda a Tradição do Antigo Testamento que se alegra com a chegada da Boa Notícia em sua casa: “como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,43). Maria, por sua vez, leva consigo o Filho de Deus. Ela é a Arca da Nova Aliança, Aliança que Deus fez com a humanidade. Por isso que existe um clima de alegria e de acolhida simbolizadas e manifestadas nas crianças que saltam/pulam de alegria (Lc 1,44; 1Cro 13,8; 2Sm 6,1-23).
O texto de Lucas mostra que Isabel ficou cheia do Espírito Santo (Lc 1,41). Neste sentido a ação do Espírito de Deus acompanha todos os passos decisivos e importantes da História da Salvação [cfr. a nuvem (Ex 13,21), a sombra (Lc 1,35)]. Ela (Isabel) exclamou: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,45).
Maria, ao escutar esta bem-aventurança da sua prima Isabel, proclama o Magnificat, um cântico inspirado em outros cânticos do Antigo Testamento (1Sm 2,1-10) e um cântico de louvor e gratidão a Deus por tudo o que Ele fez na vida de Maria e da humanidade. Ela participa do triunfo do seu Filho (morte, ressurreição e glorificação), como participou da sua paixão. A sua vida foi um fazer a vontade do Pai, segundo a sua Palavra. Porém, a partir do seu Sim, como Serva da Palavra, foi um sim dado na Anunciação do Anjo (Lc 1,26-38) até a cruz e depois no Cenáculo a espera do Espírito Santo com os Apóstolos (At 1,14). Maria glorificada e assunta ao Céu é a imagem do que nós, como cristãos estamos chamados a ser.
Assim a Solenidade da Assunção mostra que Maria é a criatura que atingiu a plenitude da salvação, até a transfiguração do seu corpo. É a mulher vestida de sol e coroada de doze estrelas. É a mãe que nos espera e convida a caminhar para o reino de Deus. A Mãe do Senhor é a imagem da Igreja que gera um mundo novo e participa da vitória de Cristo sobre o mal.
(fr. João)

14 de agosto de 2008

Família: Santuário da Vida

A vida é dom de Deus. E como o Senhor predispôs, a vida de todas as criaturas foi colocada a serviço do homem e da mulher. Isso colabora para afirmarmos o valor sagrado e fundamental da vida humana. Além do mais, somos os únicos vocacionados a participar da vida divina. Lugar privilegiado para o cultivo da vida humana é a família, instituição esta constituída pelo próprio Senhor. A família é o Santuário da Vida. Assim nos recorda o saudoso Papa João Paulo II. Ela é o lugar sagrado de nascermos, vivermos e morrermos dignamente. Não há outro lugar mais nobre para o ser humano desenvolver-se integralmente. Contemplemos a Família de Nazaré e cuidemos com carinho da família que o Senhor nos deu. Que nela, a vida seja amada e respeitada por todos! Escolher a vida é fazer da família o seu santuário.
(Hora da Família - 12ª edição - 3° tema)

13 de agosto de 2008

Descansar em Deus

"Em seu lugar, eu recorreria a Deus, e poria a minha causa nas mãos dele. Ele faz coisas grandiosas e incompreensíveis, e maravilhas sem conta: dá a chuva para a terra, e rega os campos; levanta os humildes e dá prosperidade aos abatidos." Jó 5, 8-11
O mundo está globalizado, apesar de ter o formato de um globo há muito tempo. Estamos unidos aos quatro cantos da terra através de redes poderosas de comunicação, como este blog, por exemplo. Porém, vivemos ainda numa sociedade que prima pela "posse" do seu espaço. Quanto mais desenvolvidada é uma cidade, maiores são os muros que cercam e dividem espaços que chamamos de "meu". Isso acontece com pequenas residências ou grandes propriedades, pois o importante é que tudo que nos pertence esteja a salvo do olhar ou da ação de outros seres humanos para que não possam penetrar no nosso mundo e nem partilhar de nossa intimidade, atitudes ou sentimentos. Resumindo, nos tornamos auto-suficientes e não necessitamos da presença do nosso semelhante, e sendo assim não precisamos também da presença de Deus já que nosso irmão é também semelhante ao Criador.
Temos construído muros altos entre nós e Deus, entre a vontade de Deus e a nossa vontade. Nos fechamos dentro de nosso espaço e deixamos Deus alheio à nossa intimidade, atitudes e sentimentos, pois de tão livres nos tornamos auto-suficientes, independentes de Deus e do seu Espírito Santo, nos tornamos impacientes com a vontade de Deus e tomamos nossas próprias decisões, e não obstante nos deparamos com situações que deixam-nos com sentimentos frustrados de solidão, vazio e dor. O importante é que nosso "muro" seja imbatível!
A Bíblia fala de Jó, um homem que sofreu muitas angústias através de doenças e perdas dolorosas. Jó sempre foi um servo fiel e quando a dor bateu à sua porta ele não contruiu muros ao seu redor, mas deixou que Deus cuidasse de suas feridas; e o tempo de Deus na vida de Jó não foi o tempo que ele havia sonhado para resolver todos os seus problemas, porém, este servo foi fiel ao tempo de Deus e sofreu com obediência todas as amarguras que a carne e a alma humana podem viver. Jó recorreu a Deus e pôde contemplar as obras maravilhosas do Altíssimo, ele soube viver o tempo de Deus e por isso foi vitorioso.
Assim como Jó temos que colocar nossas causas na mão do Senhor, precisamos recorrer a Ele que nos criou para sermos filhos amados, basta que peçamos colo a Deus! Irmãos, Deus quer sarar nossas feridas e mudar nossas vidas, quer nos tomar em seus braços e dar-nos seu acalento, quer conduzir nossas vidas com carinho de pai e olhando em nossos olhos que falar-nos de seu amor incondicional. Deus nos quer como estamos, Ele nos quer como somos, tantas vezes chagados e abatidos como Jó. Não importa a que ponto cheguemos, Deus sempre está disposto a nos resgatar. Deus quer ser nosso alimento, que ser a voz que diz "vem filho amado, vem em meus braços descansar, pois seguro te conduzirei ao meu altar", apenas precisamos dizer: pai, eu estou aqui, sara-me.
Podem nossas aflições ter mais poder que o amor de Deus? São nossas feridas mais profundas que o poder do Espírito Santo? Temos nós uma visão tão perfeita quanto a de Deus?
É claro que não! Deus está em sua perfeição muito acima de todas as coisas. Nós não somos restos de poeira cósmica ou um simples aglomerado de molélucas, somos criaturas de Deus, temos um Pai que tudo pode para nos salvar das trevas e do abandono, somos templo vivo do Espírito Santo. Nossa herança não é a solidão nem o desânimo que são filhos da mentira e da falta de fé, nossa herança é o amor de Deus e a vida eterna que emana da comunhão fraterna na qual vive a Santíssima Trintade. Somos chamados não a uma vida cercada de muros altos, mas a uma vida plena que reflete a comunhão da Santíssima Trinadade em nós.
Irmãos, se Deus é capaz de molhar a terra com a água da chuva para que nela possam florescer as plantas, o que Ele não pode realizar em nossas vidas? Nosso Deus é capaz de coisas maravilhosas por mim e por você! Por que temer então? Não podemos viver uma fé de palavras vãs e decoradas ou ainda uma fé que busca apenas suprir nossas necessidades sentimentais, mas uma fé viva que se renova a cada dia através de atitudes que vão em direção a vontade de Deus, que nos entende, mas que nos quer somente para fazer sua vontade.
O Livro de Jó diz ainda que "Deus levanta os humildes e dá prosperidade aos abatidos", e essa frase põe fim à nossa reflexão, nos faz calar para esperar somente na vontade Daquele que nos ama e quer bem.
Precisamos estar conscientes de que tudo o que temos, tudo o que somos e tudo o que viermos a ter ou ser vem de Deus, dependemos de Deus e de sua vontande santa. Sofrimentos, angústias, chagas, alegrias, prosperidade, vida longa... tudo vem do Senhor, que nos cerca não com muros altos, mas com a mais perfeita fidelidade que somente um Senhor que se faz amigo de seus servos pode oferecer.
Sendo assim, o que nos resta dizer?
Descansamos em ti Senhor! Dependemos de ti, pois sozinhos nada somos e nada temos. Te amamos Senhor, por tudo que tens sonhado e realizado em nossas vidas. Te bendizemos eternamente, pois Tu és um Deus de bonança, que faz das pedras do caminho nossas companheiras de caminhada, degraus benditos que nos levam a Ti.
Hoje vamos entregar nossas vidas nas mãos do nosso poderoso Deus; sem muros, sem barreiras, entreguemo-nos com a intensidade de filhos que confiam no seu pai e que já não podem mais viver para si mesmos, pois dependem da vontade Daquele que os criou.
Paz irmãos!
Que a Virgem Santíssima interceda por nós e nos ajude a compreender a vontade de Deus em nossa vida.

9 de agosto de 2008

19° Domingo Comum - Deus perto de nós

A liturgia deste 19º Domingo do tempo comum apresenta cenas de uma verdadeira teofania. Teofania significa que Deus se manifesta; em outras palavras teremos uma manifestação plena de Deus e de Jesus. Veremos que o Profeta Elias busca Deus e o encontra na manifestação de Deus (= teofania) na brisa. Os apóstolos e Pedro têm a experiência e a manifestação de Jesus no domínio do mar.
O Evangelista Mateus narra que “Jesus mandou os discípulos para o outro lado do mar” (Mt 14,22). Na verdade os discípulos teriam que atravessar o mar e chegar ao outro lado, que certamente seria um território pagão e ali continuar a missão de Jesus. Portanto, eles iriam a uma realidade diversa, anunciar algo novo, ou seja, boa nova de Jesus. É a realidade da missão universal da comunidade cristã, representada pela comunidade apostólica.
Jesus se retira para orar (Mt 14,23). O importante é perceber a atitude de oração de Jesus. Porém, os evangelistas não informam o conteúdo desta oração. Só dizem o lugar, a montanha e a solidão. O ponto chave desta atitude orante de Jesus será a sua manifestação (= teofania) para a comunidade apostólica. Porém esta oração de Jesus poderia estar relacionada com a missão dos discípulos e os desafios da travessia pelo mar. Durante a travessia eles enfrentaram “os perigos do mar”. O vento contrário são as resistências ao projeto de Deus. A fragilidade da barca, a noite, o vento contrário dão a dimensão exata da fragilidade, obscuridade e desafios enfrentados pelas comunidades cristãs, sementes do reino da justiça e do amor. O mar fala da dimensão itinerante do cristianismo, abrindo caminhos desconhecidos.
Jesus caminha sobre as águas e vai em direção dos discípulos (Mt 14,25). Eles, por sua vez, se assustaram e tiveram medo. “Sabemos que o medo é saudável, desde que seja ‘medo equilibrado’. O medo exagerado acovarda, mas viver sem medo é colocar a vida em risco. O “medo equilibrado” não acovarda e nem põe em risco a vida humana, e pode ser denominado como prudência. O medo, além disso, tem a capacidade de tirar a paz interior e, conseqüentemente, introduzir a insegurança na vida pessoal. A pessoa medrosa é uma pessoa insegura ao extremo. O medo provoca ansiedade e a ansiedade faz crescer o medo. Quando essa combinação vive no interior de alguém, então comportamentos estranhos começam a surgir na pessoa. O medroso cria fantasmas dentro de si e os projeta porque vive ou convive com uma segurança fragilizada e em permanente ameaça. Que segurança oferece uma canoa, no meio da noite, atravessando um lago em tempestade? Ambientes inseguros, como uma tempestade no lago, favorecem o crescimento do medo e, em muitos casos, a agressividade pessoal torna-se defesa de medos interiores. Para todo tipo de medo, interiores ou exteriores, Jesus tem uma Palavra confortadora: ‘Coragem, sou eu. Não tenhais medo’ (Mt 14,27)”.
A experiência do Apóstolo Pedro. Ele vendo Jesus caminhar sobre as águas, disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água” (Mt 14,28). Poderíamos ver nesta cena o anseio da comunidade cristã em participar da condição divina de Jesus. Pedro o reconhece como Senhor que tem poder de superar os desafios. Mas revela também a insegurança e a inconstância dos que, desejando superar os obstáculos, se detêm mais nas dificuldades do que na força do apelo daquele que enviou e chama: “Venha!” Pedro ouviu o chamado “desceu da barca e começou a andar sobre a água em direção a Jesus” (Mt 14,29). Percebemos que ele (Pedro) “abandona sua segurança para ir ao encontro de Jesus. A fé comporta, igualmente, um risco; Pedro arriscou-se ao sair da barca para andar sobre a água. A fé é entregar a vida com plena confiança na Palavra de Jesus. Ao ouvir “vem”, Pedro deixa a segurança da barca, abandona o “medo do fantasma” e caminha até Jesus. Quando a Palavra de Jesus é trocada pela ameaça do mundo (o vento no rosto) ele afunda, e o medo vence. Quando segura na mão de Jesus, Pedro pode caminhar, apoiado em Jesus, sobre a tempestade até a barca. Ai sim, com Jesus na canoa, esta torna-se um lugar seguro.
Para pensar: Depois que Jesus subiu à barca o vento cessou; ou seja, quando a comunidade cristã reconhece que Jesus caminha com ela, nenhum desafio é maior que a força ou a capacidade de superá-lo. A memória da presença do Deus-conosco é determinante para atravessar qualquer tempestade. Essa memória leva ao reconhecimento de quem é Jesus: ajoelharam-se diante dele, dizendo: “De fato, tu és o Filho de Deus” (Mt 14,33).
Uma pergunta: onde encontrar Deus? A experiência do Profeta Elias diz que: “veio um vento impetuoso e forte... porém o Senhor não estava no vento; houve um terremoto... mas o Senhor não estava no terremoto; veio o fogo... mas o Senhor não estava no fogo; ouviu-se um murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isso Elias cobriu o rosto com o manto e saiu e pôs-se à entrada da gruta” (1Rs 19,11-13). É importante perceber como Deus vai se re-velando (= teofania) na vida e na vida da comunidade cristã. Deus pode se manifestar de diversas maneiras: na humildade, na simplicidade, na interioridade, no irmão/ã, no silêncio, etc... Por isso, é preciso calar o ruído excessivo, moderar a atividade desenfreada, encontrar tempo para consultar o coração, para interrogar a Palavra de Deus, para perceber a sua presença e as suas indicações, nos sinais, quase sempre discretos, que ele deixa na nossa história e na vida do mundo.
(enviado por fr. João)

Acima de tudo o amor

"Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se eu não tivesse o amor, seria como sino ruidoso ou como símbalo estridente.
Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu não seria nada.
Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria.
O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho.
Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio intersse, não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado; limitada é também a nossa profecia.
Mas, quando vier a perfeição, desaparecerá o que é limitado.
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança.
Agora vemos como em espelho e de maneira confusa; mas depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas depois conhecerei como sou conhecido.
Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor."
I Coríntios 13, 1-13

3 de agosto de 2008

Agosto - Mês Vocacional

Hoje a Igreja inicia o mês vocacional, onde toda a comunidade reunida celebra a vida através da vocação de cada irmão.
Seja através de uma consagração religiosa ou leiga, o cristão é chamado pela voz da Igreja a vivenciar o amor de Deus pelo próximo e a construir o Reino nesta terra.
Hoje, 1° domingo, lembramos a vocação sacerdotal e comemoramos o Dia do Padre;
No 2° domingo lembramos a vocação familiar e comemoramos o Dia dos Pais;
No 3° domingo lembramos a vocação religiosa; e
No 4° domingo lembramos a vocação leiga.
Toda vocação é um chamado ao serviço, cada vocação tem sua beleza diante do Deus Altíssimo, e por isso nós cristãos católicos devemos, durante todo esse mês, estar mais atentos ao chamado de Deus através da Igreja.
Oremos pelas vocações:
"Jesus, Mestre Divino, que chamastes os apóstolos a vos seguirem, continuai a passar pelos nossos caminhos, pelas nossas famílias, pelas nossas escolas, e continuai a repetir o convite a muito de nossos jovens. Dai coragem as pessoas convidadas, dai forças para que vos sejam fiéis, como apóstolos leigos, como diáconos, padres e bispos, como religiosos e religiosas, como missionários e missionários, para o bem do povo de Deus e de toda a humanidade. Amém."
Vivenciemos com intensidade nossa vocação irmãos, sabendo que antes de nós vai Jesus!
Paz! E feliz mês vocacional!