31 de maio de 2008

9° Domingo Comum - Construir a casa sobre a rocha

O texto da liturgia deste domingo refere-se a conclusão do sermão da montanha, conhecido também, como “as bem-aventuranças”, onde Jesus Cristo oferece à Comunidade Apostólica a nova Lei Ele que orientar o Povo de Deus. O texto está, também, em sintonia com o Evangelho do domingo passado (8º domingo), quando Jesus diz: “não podeis servir a dois senhores: pois ou odiará um e amará o outro...” (Mt 6,24). Neste sentido, o Mestre indica dois caminhos a seguir: a. apenas ouvir (ou anunciar) a Palavra de Deus; e b. ouvir (anunciar) e pôr em prática a Palavra de Deus (Dizer e Fazer). O interessante é perceber que para ingressar no Reino dos Céus é necessário “cumprir a vontade do Pai” (Mt 7,21).

O Evangelista Mateus divide o texto em duas partes, a saber:

Na primeira parte, ele oferece alguns critérios para identificar os falsos profetas, os falsos discípulos, os falsos cristãos: São aqueles que dizem "Senhor, Senhor", mas não fazem a vontade de Deus; profetizam, expulsam demônios, fazem milagres em nome de Deus, mas não mantêm com Deus uma relação de comunhão e de intimidade; têm Deus nos lábios, mas o seu coração está cheio de maldade… Falam muito e bem, mas as suas obras denunciam a sua falsidade. O verdadeiro profeta, o verdadeiro discípulo, o verdadeiro cristão é aquele que, além das palavras que diz, faz a vontade do Pai.

Na segunda parte, o Evangelista narra a parábola das duas casas: uma construída sobre a areia e outra sobre a rocha."Quem ouve as minhas palavras e as põe em prática", constrói sobre a rocha. Ela resistirá aos temporais da vida...

O Evangelho convida a refletir sobre a “opção fundamental”, inicia-se com o Senhorio divino na vida pessoal, presente no início do Evangelho: não basta dizer “Senhor, Senhor” para entrar no Reino dos Céus. Ou seja, é preciso escolher, fazer de Jesus o Senhor da vida. Tal escolha torna-se fundamento e opção de vida; um estilo de viver. “Não basta dizer Senhor, Senhor”, é preciso viver como discípulo deste Senhor. O nome de Jesus pode ser pregado e usado para tantas finalidades (até para ganhar dinheiro), mas isto não será suficiente para entrar no Reino dos Céus (Evangelho). O Reino é para quem escolhe viver como discípulo, aquele que constrói a vida sobre um fundamento firme e seguro (Evangelho).

Contudo, o discípulo missionário é convidado a escolher ou não Deus gera bênção ou maldição (Dt 11,26). Bênção e maldição são forças objetivas, ou seja, redundam em bem ou mal em decorrência da escolha e da fidelidade à escolha feita. A bênção e a maldição não são poderes autônomos, que agem de modo independente na vida pessoal, produzindo benefícios ou malefícios. São, sim, conseqüências de escolhas existenciais. Quem escolhe o caminho de Deus, será protegido pela bênção e porque escolheu viver; quem escolhe o caminho do mal, encontrará a maldade, a maldição e a morte (Dt 11,26-28). O Salmista expressa: “Senhor, eu ponho em vós minha esperança... Sede uma rocha protetora para mim...mostrai serena a vossa face ao vosso servo e fortalecei os coração, tende coragem...” (Salmo 30). Diante de uma realidade onde mostra claramente o risco de morte, o salmista se coloca diante de Deus as suas esperanças e suas vidas. Ele tem consciência que deus virá em seu socorro e não permitirá que morra. Assim o salmista confia em Deus que é a rocha; é a fortaleza onde a morte não tem acesso. O Salmista escolheu a vida, fez sua opção de vida para viver num clima totalmente abençoado pela ação de Javé.

Como estamos vendo, a palavra do Evangelho nos interpela. Hoje precisamos ter uma sintonia muito importante com o Senhor que nos convida a ouvir a Palavra e a colocar em prática (Mt 7,24). Muitos cristãos e católicos estão acostumados a “cumprir” com os preceitos da Igreja e do Evangelho, ser batizado, crismado, etc... Mas muitas vezes o coração está distante do projeto salvador de Deus. Jesus no seu Evangelho é bem claro: "Ser cristão" não é possuir uma identidade que atesta o nosso batismo; mas é procurar viver sempre de acordo com as propostas de Deus, que diz: “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33).

Contudo, a reflexão o estudo e a meditação do evangelho ajudam a compreender que religião e neste caso, a religião católica, é um jeito de viver, que depende da “opção fundamental” pelo Evangelho. Depende de uma escolha e de uma decisão: viver fundamentado no Evangelho; aceitar Jesus como Mestre da vida; fazer-se discípulo de Jesus. O discípulo missionário vive na justiça, na fraternidade, no respeito para com todos, no esforço para fazer um mundo mais humano e fraterno, cultiva os valores da família, não apela para a violência, é construtor da paz... É alguém que pensa com a cabeça de Jesus, com as orientações do Evangelho. O pai e a mãe de família que fazem do Evangelho o seu modo de pensar, partilham o amor, o perdão, as preocupações e as alegrias. Quem tem responsabilidades públicas e pensa como o Evangelho, busca o bem de todos e não o próprio interesse. Religião não é dizer “Senhor, Senhor... mas fazer a vontade do Pai e construir a casa sobre a rocha” (Mt 7,21.24), diz Jesus.
(enviado por fr. João)

29 de maio de 2008

NOTA DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL SOBRE A DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

29 de maio de 2008

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamenta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou a validade constitucional do artigo 5o e seus parágrafos da Lei de Biossegurança, n. 11.105/2005, que permite aos pesquisadores usarem, em pesquisas científicas e terapêuticas, os embriões criados a partir da fecundação in vitro e que estão congelados há mais de três anos em clínicas de fertilização.

A decisão do STF revelou uma grande divergência sobre a questão em julgamento, o que mostra que há ministros do Supremo que, nesse caso, têm posições éticas semelhantes à da CNBB. Portanto, não se trata de uma questão religiosa, mas de promoção e defesa da vida humana, desde a fecundação, em qualquer circunstância em que esta se encontra.

Reconhecer que o embrião é um ser humano desde o início do seu ciclo vital significa também constatar a sua extrema vulnerabilidade que exige o empenho nos confrontos de quem é fraco, uma atenção que deve ser garantida pela conduta ética dos cientistas e dos médicos, e de uma oportuna legislação nacional e internacional.

Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar in vitro ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado esse direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.

No mundo inteiro, não há até hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas científicas com células-tronco obtidas de embriões humanos em pessoas, por causa do alto risco de rejeição e de geração de teratomas.

Ao contrário do que tem sido veiculado e aceito pela opinião pública, as células-tronco embrionárias não são o remédio para a cura de todos os males. A alternativa mais viável para essas pesquisas científicas é a utilização de células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, que já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos tipos de tratamento de doenças degenerativas.

Reafirmamos que o simples fato de estar na presença de um ser humano exige o pleno respeito à sua integridade e dignidade: todo comportamento que possa constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o direito à vida, é considerado gravemente imoral.

A CNBB continuará seu trabalho em favor da vida, desde a concepção até o seu declínio natural.


Brasília, 29 de maio de 2008.






Dom Geraldo Lyrio Rocha

Arcebispo de Mariana

Presidente da CNBB


Dom Luiz Soares Vieira

Arcebispo de Manaus

Vice-Presidente da CNBB


Dom Dimas Lara Barbosa

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Secretário-Geral da CNBB

22 de maio de 2008

Seguindo Corpus Christi

Dias ensolarados e quentes são muito comuns para o povo que vive na zona tropical da Terra, ainda mais quando se está pouco abaixo da Linha do Equador, o Sol derrama seus raios com uma força estoteante sobre a gente que a ele se expõe. E foi neste cenário que alguns cristãos católicos vivenciaram a procissão deste dia de Corpus Christi.
A procissão saiu da igreja, o sol com toda sua potência e magnitude de estrela de grande porte a derramar luz e calor abria o caminho para a passagem do grande Rei da Glória. O incensório ia logo depois a espalhar pelas ruas o delicioso perfume do céu e assim através de sua leve e clara fumaça levava a Deus todas as preces que a boca humana não é capaz de revelar em sua pequenez. E o Corpus Christi dessa forma passava e abençoava todos os que voltavam seu olhar para o precioso Sacramento Eucarístico.
Quanto mais a procissão enveredava pelos caminhos do Rei, mais o sol ardia na pele daqueles que humildemente seguiam Jesus. Quando o sol dos trópicos ardia na pele do povo era possível sentir através de seus raios um certo desconforto, mais também uma energia que demonstra sua força em nossas vidas, pois aquela mesma luz que é preciosa para clarear nossos dias também é inoportuna quando entra em demasia em nossos olhos e nos tira parte da visão, e o mesmo calor que nos aquece e faz tudo crescer e acontecer na Terra, queima a pele do povo e o faz derramar inúmeras gotas de suor, e o faz sentir cansaço, sede, mas até as gotículas de suor que eram produzidas pela pele durante a procissão pareciam bendizer o glorificar a Deus.
O mais incrível meus irmãos, é que nem mesmo um ambiente que poderíamos classificar como inóspito para a ocasião, para uma caminhada, conseguiu tirar daquele momento o encanto que a fé do povo de Deus pode causar. O sol era escaldante, mas os hinos refrescavam o espírito, o chão parecia fumegar, mas a cada Ave-Maria sentia-se o coração palpitar de amor por Cristo. É como nos diz São Paulo, a nós não há mais escolha, não há retorno, já fomos longe demais, somos de Cristo e o sol não pode nos impedir de adorar ao Rei.
Ao viver esta experiência podemos refletir que essa procissão é o retrato da vida que temos com Cristo. Muitas vezes enquanto vivemos e seguimos a Jesus o "sol" é forte demais e queima nossa pele, os raios solares parecem ferir nossa visão, parece que a vida é um ambiente inóspito para nós, parece que o cansaço vai nos vencer. Mas irmãos, se seguimos a Cristo e pregamos Sua palavra temos sobre nós uma couraça que nos protege do calor, e nossa sede sempre é saciada pela fonte de água viva, ou seja, não há o que temer. Mesmo quando o sol parecer queimar a pele de forma irreparável é possível sentir a presença de Deus em nós. Mesmo quando algum infortúnio parace nos tirar a visão e a fé, é possível sentir a presença do Pai. Já fomos longe demais, somos de Cristo, e as barreiras que enfrentamos nessa vida não podem nos impedir de adorar ao Rei.
Com Cristo o sol sempre será a estrela que nos aquece e faz florescer os frutos do amor e os dons do Espírito Santo em nossas vidas. Com Cristo a vida sempre será uma linda experiência de gratidão e confiança Naquele que é fiel e nos chama e sempre cumprirá suas palavras.
Irmãos, se conhecêssemos o dom de Deus, se conhecêssemos o quanto Ele nos ama e os sonhos que Ele tem sonhado para nós, jamais sairíamos pela vida a mendigar amor, e deixaríamos que Deus falasse ao nosso ouvido o que Ele espera de nós. Sigamos a Cristo mesmo debaixo do sol estonteante da zona tropical e saibamos silenciar para entender o que Deus quer de nossas vidas!
Paz irmãos! Que a Virgem Santíssima seja nossa inspiração e intercessora nos céus!


Senhor ,torna meu coração manso e humilde como o Teu.

Quero ser dócil ao teu Espírito Santo durante todas as horas do dia,

Que minhas ações aproximem-se cada vez mais dos teus sonhos para mim,

Pois eu mesma não os conheço.

Mas confio meu Pai,

Que são os melhores.

Tão doces e agradáveis que por mais esforço que eu faça minha limitação humana não me permite enxergar

Ou mesmo imaginar de tão grandiosa perfeição.

Ajudai-me a alcançar a temperança,

A prudência,

A justiça e o Temor a Ti.

Quero de continuar a subir a escada da santidade e mesmo que eu venha a cair dai-me a graça de sempre levantar-me.



Fabiana Ferreira da SilvaRosas.

19 de maio de 2008

Jesus Cristo, a imagem do Pai

“Ele é a imagem do Deus invisível, o Primogênito, anterior a qualquer criatura; porque nele foram criadas todas as coisas, tantos as celestes como as terrestres, as visíveis como as invisíveis: tronos, soberanias, principados e autoridades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e tudo nele subsiste.” (Cl 1,15-17).

São Paulo escreve esta carta aos cristãos da cidade de Colossas. Esta pequena cidade se localizava na Ásia Menor, a 200 km de Éfeso. Estes cristãos eram provenientes do paganismo e se converteram ao cristianismo. Esta Carta foi escrita no período em que o Apóstolo se encontrava na prisão, provavelmente em Éfeso, entre os anos 55 e 57.

Neste sentido a carta do Apóstolo fala que “Cristo é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15). Seria importante para nós aprofundarmos o verdadeiro sentido da “imagem” que a Sagrada Escritura nos transmite.

A cultura da imagem está presente em nossas vidas. Esta cultura ficou muito presente no final do século passado e no início deste novo milênio. Hoje, mais do que nunca, a vida está marcada por diversas situações, na qual a imagem está presente. Porém, a Bíblia Sagrada fala sobre as imagens de diversas maneiras. Vejamos algumas:
  • “Não faça para você ídolos , nenhuma representação daquilo que existe no céu e na terra. Não se prostrem diante desses deuses, nem sirva a eles, porque eu, Javé seu Deus, sou ciumento...” (Ex 20,4-5)
Comentário: estes dois versículos estão situados no contexto do Decálogo (Os Dez Mandamentos), nas qual o Povo de Deus, liberto da escravidão do Egito, fez a Aliança com Deus. Neste sentido Deus proíbe fazer outras imagens, para que o Povo não seja tentado a servir outros falsos deuses e serem manipulados por eles.
  • “Nas duas extremidades da placa, faça dois querubins de ouro batido...” (Ex 25,18).
Comentário: Este versículo é importante para o Povo de Deus, que retrata a idéia de conservação das tradições judaicas. O convite diz respeito a adoração do único Deus libertador. Por isso Javé, o Deus que salva e liberta, mandou construir querubins (= anjos) e colocar nas extremidades.
  • “Fizeram para si um bezerro de metal fundido, e o adoraram, oferecendo a ele sacrifícios e dizendo: Israel, este é o seu deus que tirou você do Egito” (Ex 32,8).
Comentário: A adoração ao “bezerro de ouro” lembra as infidelidades do povo de Deus no deserto e a distância que originou entre Deus e o seu povo. Também podemos perceber o delito cometido pelo povo, logo ao nascer como povo de Deus. Porém Javé insiste com Moisés, seu mediador: “Desça, porque seu povo, que você tirou do Egito, se perverteu. Desviaram-se logo do caminho que eu lhes havia ordenado” (Ex 32,7-8).
  • “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança” (Gn 1,26)
Comentário: A narração do Livro do Gênesis tem duas grandes partes: A origem do mundo e da humanidade (Gn 1 – 11) e a origem do Povo de Deus (Gn 12 – 50). “A narrativa da criação não é um tratado científico, mas um poema que contempla o universo como criatura de Deus. Foi escrito no período do Exílio da Babilônia entre os anos 586-538 a.C.” (cf. a nota da Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Ed. Paulus). O versículo em questão (Gn 1,26), fala sobre a criação do homem e da mulher, como imagem e semelhança de Deus. A estes “Javé Deus soprou-lhes nas narinas um sopro de vida e o homem [e a mulher] tornou-se um ser vivente” (Gn 2,7).

Assim perceberemos que a Sagrada Escritura orienta de distintas maneiras a realidade sobre as imagens. Talvez fosse importante salientar que não poderemos tomar ao “pé da letra” o que a Escritura Sagrada diz sobre as imagens. Não podemos restringir as orientações sobre as imagens apenas num versículo como nos apresenta o livro do Êxodo 20,4, sem ter presente o contexto em que foi escrito.

A imagem lembra outra realidade que não podemos fechar os olhos. A cultura da imagem, presente em nossas vidas, faz com que, à luz da Palavra de Deus, façamos um verdadeiro e profundo discernimento com relação a adoração das imagens. Para nós, que somos cristãos e católicos, e formamos o , Povo de Deus, que é sacerdotal, real e profético, é importante ter a idéia clara sobre a realidade das imagens. As variadas imagens de Nossa Senhora nos lembram que Maria é Mãe de Jesus. Sabemos que não adoramos as imagens de Maria. Mas por outro lado, sabemos que Ela foi a discípula fiel até as últimas conseqüências. São João escreve que a mãe de Jesus disse: “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Contudo, frente a mais variadas imagens que a Escritura nos mostra, aprofundaremos imagem de Cristo Jesus, que é a “imagem do Deus invisível”. No Prólogo de São João encontramos: “Ninguém jamais viu a Deus; quem nos revelou Deus foi o Filho unigênito, que está junto ao Pai” (Jo 1,18). Sendo assim, se quisermos ver a face de Deus, precisaremos conhecer quem é Jesus. Ele nos revela quem é o Pai. Neste caso, não poderíamos ficar com a idéia de que Deus proíbe “fazer e adorar imagens”. São Paulo afirma que “Cristo é a imagem do Deus invisível...” (Cl 1,15). Então, Javé o nosso Deus libertador, se revela em seu filho Jesus Cristo, que por sua vez nos mostra a verdadeira imagem de Deus.

Algumas perguntas para refletir:

Como a Bíblia fala sobre as imagens?
Como São Paulo relata a “imagem do Deus invisível”?
Os católicos adoram imagens?

Frei João Carlos Ribeiro, osm

As imagens na Bíblia

Comumente os irmãos evangélicos acusam os católicos de idolatria, isso em razão dos católicos usarem em seu culto as imagens dos santos, anjos e da Virgem Maria. Para fazer tal acusação se fundamentam principalmente no segundo mandamento bíblico que diz “Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima nos céus, ou embaixo, sobre a terra” (Ex 20,2)
Para dar uma resposta a tal acusação é preciso primeiro dizer que, uma das regras para se interpretar um texto bíblico é considerá-lo a luz dos demais textos bíblicos que tratam do mesmo assunto. Não se pode pegar um único texto das Sagradas Escrituras e formar um juízo de valor ou até uma doutrina, sem levar em conta o conjunto dos demais livros sagrados.

Outra regra para bem interpretar a Bíblia e procurar saber o que é que o autor bíblico queria dizer ao povo daquela época, pois o que ele queria dizer ao povo daquele tempo é o que ele quer dizer ao povo de nosso tempo.

Então vamos aplicar essas regras ao texto do Êxodo 20,2. O que queria Deus proibir com esse mandamento? Queria proibir todo e qualquer tipo de imagens, ou apenas imagens de deuses para servirem para adoração? Se queria proibir todo e qualquer tipo de imagens por que ordenou a Moisés que fizesse dois querubins de ouro e colocasse em cima da Arca da Aliança? (Êxodo 25, 17-18). Outra coisa, porque o rei Salomão ao construir o templo de Jerusalém, colocou no fundo do santuário duas grandes imagens de anjos, além de decorar o templo com leões, bois e querubins? (veja: 1Rs 6,23-25; 7,29). E o que dizer de Moisés que mandou fazer uma serpente de bronze e colocou-a sobre uma haste para curar os israelitas? (Nm 21,8). Estaríamos diante de uma contradição bíblica? Não, a Bíblia na se contradiz. Como explicar isso então? Não é difícil, Deus proibiu somente a confecção de imagens de deuses para o culto de adoração e não outros tipos e imagens com outras finalidades religiosas. Portanto, não há confusão alguma. A confusão se dá quando se faz uma interpretação parcial de um trecho bíblico, tirando-o fora do seu contexto.

Mais, se Deus houvesse mesmo proibido qualquer tipo de imagens, porque no batismo de Jesus o próprio Espírito Santo se faria representar pela imagem de uma pomba? (Mt 3,16). Não podemos esquecer ainda que o Deus invisível se fez imagem na pessoa de Jesus de Nazaré. Jesus “é a imagem de Deus invisível” (Cl 1,l5), diz o apóstolo Paulo. Se ele se fez imagem porque não podemos fazer a sua imagem também?

Finalmente gostaria de lembrar ainda que os primeiros cristãos, que na sua grande maioria morreram martirizados pela fé, decoravam seus túmulos com figuras religiosas. Será que esses primitivos irmãos que conheceram os apóstolos caíram no pecado da idolatria? Com certeza não.
O que a bíblia condena é a confecção de imagens para serem adoradas como deuses, o que não é o caso das imagens existentes na Igreja Católica.

Diácono Geraldo Bueno da Silva
(enviado por fr. João)

18 de maio de 2008

Maria, discípula e missionária

O Concílio Vaticano II orientou a Igreja a aprofundar o Mistério da Virgem Maria na vida de Cristo e na Igreja. Também estimulou os fiéis de toda a Igreja a entender a missão e o lugar de Maria na História da Salvação.

O Documento de Aparecida, na sua redação final, vem orientar os cristãos da América Latina sobre a realidade de sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo. “Como discípulos e missionários, somos chamados a intensificar nossa resposta de fé e anunciar que Cristo redimiu todos os pecados e males da humanidade. (...) A resposta a seu chamado exige entrar na dinâmica do Bom Samaritano (Lc 10,29-37)... A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão a toda a sua pessoa ao saber que Cristo o chama pelo nome. É um sim que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, caminho, verdade e vida (Jo 14,6). É resposta de amor a quem o amou primeiro até o extremo. A resposta do discípulo amadurece neste amor de Jesus: ‘eu te seguirei por onde quer que vás’ (Lc 9,57)” [cf DA num. 134-136].

Maria, a mãe de Jesus, é apresentada como “discípula e missionária” (266-272). Através da sua obediência à vontade de Deus (Lc 1,45), sua constante meditação da palavra e das ações de Jesus (Lc 2,19.51), ela é considerada a discípula mais perfeita do Senhor. Ela entendeu profundamente o projeto salvífico do Pai e se fez serva do Senhor respondendo “sim... faça-se em mim conforme a sua Palavra” (Lc 1,38).

O Documento afirma que: “sua figura de mulher livre e forte, emerge do Evangelho conscientemente orientada para o verdadeiro seguimento de Cristo. Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem estar livre da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai. Alcançou, dessa forma, o fato de estar ao pé da cruz em comunhão profunda, para entrar plenamente no mistério da Aliança” (num. 266).

São Paulo fala que quando chegou a “plenitude dos tempos” (Gl 4,4) Deus enviou seu Filho nascido de uma mulher. Neste sentido perceberemos o cumprimento da esperança dos pobres e o grande desejo da salvação. Vemos assim que a Virgem de Nazaré teve uma missão única na história da salvação, concebendo, educando e acompanhando o seu Filho único até o sacrifício da cruz. E do alto da cruz Jesus Cristo confiou a seus discípulos, representados por João, o dom da maternidade de Maria: “Mulher, eis aí o teu filho, filho eis aí tua mãe... E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,26-27).

A Virgem Maria tem uma missão vital dentro da Igreja. O Documento diz que: “perseverando junto aos apóstolos à espera do Espírito (At 1,13-14), ela cooperou com o nascimento da Igreja Missionária, imprimindo-lhe um selo mariano que a identifica profundamente. Como mãe de tantos, fortalece os vínculos fraternos entre todos, estimula a reconciliação e o perdão e ajuda os discípulos de Jesus Cristo a se experimentarem como família, a família de Deus. Em Maria, encontramo-nos com cristo, com o Pai e com o Espírito Santo, e da mesma forma com os irmãos”. (num. 267).

Assim sendo, “Maria é a grande missionária, continuadora da missão de seu filho e formadora de missionários”. Hoje, mais do que nunca, a Igreja é convidada para direcionar os seus olhares para a vida de Maria. Ela “reúne os filhos dispersos” (Jo 11,52). Como Mãe da Igreja, ela é apresentada como “artífice de comunhão... Ela atrai multidões à comunhão com Jesus e com sua Igreja” (DA 268). Então Maria continua formando os discípulos e missionários para que eles possam responder com fé, dedicação, perseverança e compromisso permanente o grande chamado que seu Filho Jesus Cristo faz a todas as pessoas. Ela nos apresenta a maneira de seguir a Cristo; ela é a grande inspiradora da escola de Jesus; ela nos ensina que o discípulo deve ter um contato permanente com a Palavra de Deus.

Contudo perceberemos a importância de Maria na vida da Igreja e na vida de cada discípulo e discípula do Senhor. Ela é a “imagem esplêndida da conformação ao projeto trinitário que se cumpre em Cristo. Desde a sua Concepção Imaculada até a sua Assunção, recorda-nos que a beleza do ser humano está toda no vínculo do amor com a Trindade, e que a plenitude de nossa liberdade está na resposta positiva que lhe damos” (DA 141).

A vocação ao discipulado missionário é con-vocação à comunhão em sua Igreja. Não há discipulado sem comunhão... A fé nos liberta do isolamento do eu, porque nos conduz à comunhão”. (DA 156). Na realidade do Povo de Deus, “a comunhão e a missão estão profundamente unidas entre si. A comunhão é missionária e a missão é para a comunhão” (DA 163).

Que a vocação ao discipulado missionário, sustentado na nossa consagração batismal, fortaleça a nossa vida e a nossa esperança. Que a presença de Maria, Mãe e discípula do Senhor nos ajude a participar ativamente da ação missionária da Igreja. Que o Espírito de Pentecostes, derramado sobre os Apóstolos, nos anime a sair e anunciar Jesus caminho, verdade e vida.

Fr. João Carlos Ribeiro, osm

17 de maio de 2008

SANTÍSSIMA TRINDADE

A liturgia deste domingo, dia do Senhor, nos convida a celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade. O tempo pascal nos colocou diante dos olhos a unidade da obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sabemos que Cristo veio cumprir a obra do Pai e nos deu seu Espírito, para que ficássemos nele e mantivéssemos o que Ele fundou, renovando-o constantemente, neste mesmo Espírito. Esta solenidade é uma oportunidade para contemplar nosso Deus, que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para fazê-los comungar nesse mistério de amor.

O autor do Quarto Evangelho proclama que a obra de Cristo é o plano de amor do Pai para com o mundo. De fato o texto nos diz que: “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,17). Porém, existe uma exigência de fé: crer. Por isso que o amor de Deus é grande, profundo e infinito. Ele quer a salvação do mundo e não a condenação. Neste sentido Ele não poupou o seu próprio Filho... “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).Quem o aceita na fé e crê está salvo. O Deus que em Jesus Cristo se manifesta (Jo 1,18) é o Deus da graça e verdade (Jo 1,14.16), o que se pode traduzir por amor e fidelidade.
São João escreve que a Deus ninguém jamais viu, mas o Filho unigênito o deu a conhecer (Jo 1,18), pois, quem vê Jesus, vê a Deus. Neste sentido, o mesmo Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus do Novo. Deus é um só: o Deus de amor (1Jo 4,8.16). Nós é que temos, às vezes, visões muito parciais dele. Mas em Cristo, Ele se deu a conhecer como aquele que ama o mundo e não deseja condená-lo.

Assim o mistério que nos envolve na solenidade deste domingo é o da unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, no seu amor pelo mundo. Vejamos a comparação de dois textos:

Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16).

Compreendemos o que é o amor, porque Jesus deu a sua vida por nós; portanto nós também devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16).

Vemos a semelhança e a unidade dos textos. Porém, assim como Jesus morreu para salvar o mundo, o cristão é convidado a dar a vida pelos irmãos. Em outras palavras seria praticar a justiça, o amor, a fraternidade e a partilha.
Mas por que Deus revelou esse mistério?
Certamente Ele deseja que todos participem desta unidade perfeita. É a comunhão de um Deus Trino. Assim Ele nos introduz na vida da sua família divina. Invocar a Trindade é invocar a presença de Deus em nós. Portanto:

- Em nós está o PAI, que nos chamou do nada, nos insuflou o sopro da vida, nos deu um nome, nos confiou uma missão.
- Em nós está o FILHO, que entregou sua vida por nós.
- Em nós está o Espírito Santo que nos ilumina e fortalece nos caminhos de Deus.E toda essa maravilha veio até nós pelo Batismo, porque fomos batizados em nome do PAI+FILHO+ESPÍRITO SANTO.

Ter esse tesouro precioso dentro de nós é uma dignidade, que deve provocar em nós três atitudes:

- ADORAÇÃO: Como não dar glória, bendizer e agradecer o hóspede divino, que faz de nossa alma um verdadeiro Santuário?
- AMOR: Deus, apesar de sua grandeza, fica conosco como um pai amoroso. Como não corresponder a seu amor?
- IMITAÇÃO: O Amor nos levará à imitação da Santíssima Trindade, mesmo com as nossas limitações e pequenez.

Portanto, o estilo de vida cristã, inspirando-se no amor misericordioso de Deus, ganha sua expressão mais evidente na comunidade e na convivência fraterna. Se Deus é amor e se a fé do cristão nasce da contemplação do amor misericordioso de Deus, então é natural sentir a presença de Deus na promoção da paz e da concórdia de uma comunidade. Toda existência cristã consciente, como estilo de vida fundamentado no Evangelho, encontra na comunidade Trinitária seu modo de acolher e conviver com o outro; isto é, viver e conviver comunitariamente. Numa palavra, significa viver como salvados e não como gente que vive para ser salva. Lá onde se age no amor, onde se favorece a concórdia e a comunhão entre as pessoas e se trabalha pela paz, sempre existirá o reflexo do Deus Uno e Trino porque será uma comunidade refletida pela pluralidade, mas fundamentada na unidade profunda do amor. Será uma comunidade refletida na Trindade Santa.
(enviado por fr. João)

Permanecei, Senhor, comigo - São Padre Pio

Permanecei, Senhor, comigo, porque é necessária a Vossa presença para não Vos esquecer. Sabeis quão facilmente Vos abandono.

Permanecei, Senhor, comigo, pois sou fraco e preciso da Vossa força para não cair tantas vezes.

Permanecei, Senhor, comigo, porque Vós sois a minha luz e sem Vós estou nas trevas.

Permanecei, Senhor, comigo, pois Vós sois a minha vida e sem Vós esmoreço no fervor.

Permanecei, Senhor, comigo, para me dares a conhecer a Vossa vontade.

Permanecei, Senhor, comigo, para que ouça a Vossa voz e Vos siga.

Permanecei, Senhor, comigo, pois desejo amar-Vos muito e estar sempre em Vossa companhia.

Permanecei, Senhor, comigo, se quereis que Vos seja fiel.

Permanecei, Senhor, comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, deseja ser para Vós um lugar de consolação e um ninho de amor.

Permanecei, Jesus, comigo, pois é tarde e o dia declina... Isto é, a vida passa, a morte, o juízo, a eternidade se aproximam e é preciso refazer minhas forças para não me demorar no caminho, e para isso tenho necessidade de Vós.

Já é tarde e a morte se aproxima. Temo as trevas, as tentações, a aridez, a cruz, os sofrimentos, e quanta necessidade tenho de Vós, meu Jesus, nesta noite de exílio.

Permanecei, Jesus, comigo, porque nesta noite da vida, de perigos, preciso de Vós. Fazei que, como Vossos discípulos, Vos reconheça na fração do pão, isto é, que a comunhão eucarística seja a luz que dissipe as trevas, a força que me sustente e a única alegria do meu coração.

Permanecei, Senhor, comigo, porque na hora da morte quero ficar unido a Vós, senão pela comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.

Permanecei, Jesus, comigo, não Vos peço consolações divinas porque não as mereço, mas o dom de Vossa presença, ah! Sim, vo-lo peço.

Permanecei, Senhor, comigo, é só a Vós que procuro, Vosso amor, Vossa graça, Vossa vontade, Vosso coração, Vosso Espírito, porque Vos amo e não peço outra recompensa senão amar-Vos mais. Com um amor firme, prático, amar-Vos de todo o meu coração na terra para continuar a Vos amar perfeitamente por toda a eternidade.

Padre Pio


Que a união da tua alma com Jesus Eucarístico seja a luz que dissipa as trevas,

a força que te sustenta

e a única felicidade do teu coração.

5 de maio de 2008

Meditação do dia

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Diante das provações da vida

São Tiago, 1
1. Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da dispersão, saúde!
2. Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações,
3. sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.
4. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma.
5. Se alguém de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus - que a todos dá liberalmente, com simplicidade e sem recriminação - e ser-lhe-á dada.
6. Mas peça-a com fé, sem nenhuma vacilação, porque o homem que vacila assemelha-se à onda do mar, levantada pelo vento e agitada de um lado para o outro.

4 de maio de 2008

Peregrinações aos Santuários Marianos

Em diferentes partes do mundo os cristãos expressam sua devoção à Virgem Maria por meio de peregrinações aos Santuários Marianos. As constantes e numerosas peregrinações a esses santuários, não somente evidenciam a presença de Maria na vida cristã ao longo da história, mas revelam o modo como a religiosidade popular se expressa por experiências existenciais.

Aos santuários marianos, considerados pela religiosidade cristã como lugares fortes de oração e de penitência, se dirigem números e piedosos peregrinos para cumprir promessas realizadas em momentos de dificuldades familiares ou em situações críticas pessoais. Ali recebem os sacramentos, renovam-se as forças espirituais e inebriam a alma pela oração. O testemunho de fé dos peregrinos silencia os que procuram compreender pela razão o fenômeno. Maria é tratada com intimidade e afeição sob diversas práticas de piedade. Antes de deixar o santuário o peregrino deposita aos pés de Maria aquilo que o entristece, preocupa e inquieta. Sente-se tão acolhido que lhe custa desprender-se do regaço acolhedor da Mãe. Quer lhe mostrar o seu próprio olhar, que comunica sua experiência de fé.

Maria é sempre caminho que conduz a Cristo, revela-nos o dato da fé. O povo cristão procura chegar a Deus através da sua Mãe. O encontro com Ela não pode deixar de terminar num encontro com o próprio Cristo. Ela é o refugio.

"Desde remotíssimos tempos – recorda o Concílio Vaticano II – a Bem-aventurada Virgem Maria é venerada sob o título de Mãe de Deus, sob cuja proteção os fiéis se refugiam súplices em todos os seus perigos e necessidades" (Const. Lumen gentium, 66).

É uma visita revestida de caráter penitencial e de sentido apostólico. O caráter penitencial é traduzido muitas vezes num pequeno gesto de sacrifício: fazer o trajeto a pé a partir de um lugar conveniente, ter algum pormenor de sobriedade que custe sacrifício... O sentido apostólico se expressa no propósito de aproximar mais de Deus as pessoas que nos acompanham e rezando juntos com especial piedade o Santo Rosário.

Recomenda o Concílio Vaticano II:

"Todos os fiéis cristãos ofereçam insistentes súplicas à Mãe de Deus e Mãe dos homens para que Ela, que com as suas preces assistiu às primícias da Igreja, também agora, exaltada no Céu sobre todos os bem-aventurados e anjos, na Comunhão de todos os Santos, interceda junto do seu Filho"(LG, 69).

"Dêem grande valor às práticas e aos exercícios de piedade para com a Virgem Maria recomendados pelo Magistério no decurso dos séculos" (LG, 67).

Por isso a devoção mariana e a peregrinação aos santuários marianos estão presentes em todos os continentes, são incentivados pelos frutos espirituais e pela edificação da fé crista. Frutos da piedade e do amor dos cristãos à sua Mãe através dos séculos, os santuários marianos são atualmente incontáveis. Lugares privilegiados de oração, pequenos ou grandes, em que há uma presença especial da Virgem, convertem-se em santuários internacionalmente conhecidos e freqüentados por milhões de pessoas a cada ano. Assim por exemplo, é o exemplo de Nossa Senhora de Guadalupe no México, Nossa Senhora de Fátima em Portugal, Nossa Senhora  de Loreto, na Itália, Lourdes, na França e muitos mais.

O segundo monumento católico mais visitado do mundo, depois do Vaticano é a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe no México, com mais de 14 milhões de visitantes por ano. Trata-se do Santuário Mariano mais visitado do mundo. Sua origem está na aparição da Virgem Maria a um pobre índio da tribo Nahua, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, em Tepeyac, noroeste da Cidade do México. A cada ano, no dia 12 de dezembro, data da aparição da Virgem a Juan Diego, cerca de 4 e 5 milhões de pessoas se aglomeram pelas ruas de México, numa peregrinação pelo noroeste da cidade para a montanha de Tepeyac, onde a aparição ocorreu em 1531. A representação da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe com seu rosto mestiço dá expressão da sua maternidade espiritual. Maria apresentou-se grávida e pobre. Apresentou-se grávida: usava o símbolo da gravidez das mulheres indígenas, uma faixa preta; a gravidez, além do compromisso com a maternidade do Menino Jesus, é o símbolo do compromisso de Maria grávida do projeto de Deus que seu menino vinha para executar; apresentou-se pobre: vestida com roupas próprias das mulheres indígenas. Maria apareceu ao índio Juan Diego: é participante essencial no episódio de Guadalupe como interlocutor e mensageiro de Maria; representa toda a classe pobre que é a destinatária da mensagem de Guadalupe.

Gigantesca, de fato, é a Basílica Nacional de Aparecida, que tem capacidade de abrigar 75 mil pessoas e possui a forma de uma Cruz Grega (de braços iguais) com naves que possuem uma altura de 40 metros. A cúpula mede 70 metros de altura e 78 metros de diâmetro, sendo que sua torre mede 100 metros de altura. Possui área construída total de 23 mil metros quadrados (sendo cobertos 18 mil) e tem capacidade para 45.000 fiéis dentro da basílica e quatro mil ônibus e seis mil carros nos 272 mil metros quadrados de estacionamento. É o local de peregrinação dos trabalhadores. O Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é visitado anualmente por aproximadamente oito milhões de romeiros de todas as partes do Brasil. Tudo começou no século XVIII..., Na segunda quinzena de outubro de 1717, três pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, ao lançarem sua rede para pescar nas águas do Rio Paraíba, colheram a Imagem de Nossa Senhora da Conceição, no lugar denominado Porto do Itaguassu. Filipe Pedroso levou-a para sua casa conservando-a consigo até 1732, quando a entregou a seu filho Atanásio Pedroso. Este construiu um pequeno oratório onde colocou a Imagem da Virgem que ali permaneceu até 1743. Todos os sábados, a vizinhança reunia-se no pequeno oratório para rezar o terço. Devido à ocorrência de milagres, a devoção a Nossa Senhora começou a se divulgar, com o nome dado pelo povo de Nossa Senhora Aparecida.

Seis milhões de peregrinos por ano colocam Lourdes entre os santuários marianos mais visitados no mundo. Lourdes era apenas um pequeno burgo até 11 de Fevereiro de 1858. Neste dia, Bernadette Soubirous viu uma aparição de Nossa Senhora na margem do rio Gave que conferiu à cidade a qualidade de cidade mariana. Quatro anos depois da proclamação do dogma da Imaculada Conceição por parte do Beato Pio IX, Maria mostrou-se pela primeira vez a 11 de Fevereiro de 1858 a Santa Bernadete Soubirous na gruta de Massabielle. Seguiram-se outras aparições acompanhadas por acontecimentos extraordinários, e no final a Virgem Santa despediu-se revelando à jovem vidente, no dialeto local: "Eu sou a Imaculada Conceição". A Mensagem que Nossa Senhora continua a difundir em Lourdes recorda as palavras que Jesus pronunciou no início da sua missão pública: "Convertei-vos e acreditai no Evangelho", rezai e fazei penitência. Neste ano jubilar, celebramos o 150º aniversário das aparições em Lourdes.

Nesses santuários e em muitos outros dedicados a Nossa Senhora, milhares de pessoas alcançaram graças ordinárias e extraordinárias pela intercessão de Mãe de Deus: os fiéis acorrem aos santuários para dar-lhe graças, para louvá-la, para pedir-lhe, e também para começar uma vida nova depois de terem vivido talvez longe de Deus... uns começam uma vida nova, depois de fazerem uma boa confissão dos seus pecados; outros compreendem que o Senhor os chamava a uma entrega mais plena ao serviço dEle e das almas; outros obtém ajuda para vencer graves dificuldades da alma ou do corpo...

De fato, como dizia João Paulo II, a herança de fé mariana de tantas gerações é ponto de partida para Deus. As orações e sacrifícios oferecidos, o palpitar vital de um povo, que manifesta diante de Maria os seus seculares gozos, tristezas e esperanças, são pedras novas que elevam a dimensão sagrada de uma fé mariana.

A fé dos fies adverte: ninguém voltou desses lugares com as mãos vazias.

Na III Conferência do episcopado da América Latina e Caribe, que se realizou em Puebla em 1979, e que tinha como tema «Evangelização no presente e no futuro da América Latina», recorda-se a veneração deste povo por Maria desde o primeiro anúncio do Evangelho:

«O Evangelho foi anunciado ao nosso povo apresentando a Virgem Maria como a sua mais perfeita realização. Desde a origem Maria foi o grande símbolo do vulto materno e misericordioso, da proximidade do Pai e do Cristo, com quem ela nos convida a entrar em comunhão. Maria foi também a voz que fez unir homens e povos. Os santuários marianos do continente americano são símbolos do encontro da fé e da Igreja com a história latino-americana» (282).

Dentre os valores religiosos que impregnaram a cultura desses povos latinos, encontramos sem dúvida a devoção a Maria que, em muitos países, uniu os diversos estratos sociais, contribuindo em maior ou menor grau a criar uma consciência nacional.

Recordemos os principais Santuários e devoções marianas na America Latina:

- Argentina: Nossa Senhora de Luján

- Bolívia: Nossa Senhora de Copacabana

- Brasil: Nossa Senhora de Aparecida

- Chile: Nossa Senhora do Carmo de Maipú

- Colômbia: Nossa Senhora de Chiquinquirá

- Costa Rica: Nossa Senhora dos Anjos

- Cuba: Virgem da Caridade do Cobre

- Equador: Nossa Senhora de El Quinche

- El Salvador: Nossa Senhora da Paz

- Guatemala: Nossa Senhora do Rosário

- Honduras: Nossa Senhora de Suyapa

- México: Nossa Senhora de Guadalupe

- Nicarágua: Nossa Senhora de "El Viejo"

- Panamá: Santa Maria la Antigua

- Paraguai: Nossa Senhora di Caacupé

- Peru: Nossa Senhora das Mercês

- Porto Rico: Nossa Senhora da Divina Providência

- República Dominicana:     Nossa Senhora da Mercede

                 Nossa Senhora de Altagracia

- Uruguai: Virgem dos Trinta e três

- Venezuela: Nossa Senhora de Coromoto

A presença de Maria como mãe na cultura e na religiosidade dos povos latino-americanos se manifesta nas celebrações patronais, que são ocasiões de festa, de peregrinações e de promessas para se obter graças, pela sua materna intercessão. São celebrações da comunidade, que permitem o diálogo entre elementos religiosos e profanos, que não pode deixar de interpelar os fiéis quanto ao seu futuro, quanto à sua dignidade.

As peregrinações aos santuários marianos continuarão sendo profícuas para vida cristã, enquanto permanecem vivos os sinais de convocação para o compromisso com Cristo e a vivência da fraternidade. Maria, Mãe e Serva do Senhor nos remete a Cristo na vivência da fraternidade e na esperança no peregrinar da vida!

Palavras da Virgem a Juan Diego: "Filhinho meu, o mais pequeno, não te aflijas por nada. Acaso não estás no meu colo? Não estou aqui, eu que sou tua mãe?"

MARIA: Figura da Humanidade Redimida

Queridos irmãos e irmãs, chegamos ao mês de maio, período de grandes comemorações: solenidade da Ascensão do Senhor, Corpus Christi, mês das Mães e mês mariano, isto é, período de enorme devoção dedicado a Mãe de Jesus.

Olhando para a vida da Mãe do Cristo, podemos ver o quanto Ela foi fiel a Deus, mesmo diante a todas as situações difíceis que Maria teve que enfrentar desde a Anunciação até a Sua gloriosa Assunção.

Uma lança transpassou o coração do Cristo na Cruz. Uma espada de dor transpassou o coração de Maria no Calvário. Ninguém em toda a terra, em todas as épocas, esteve mais intimamente ligado a Jesus naquele dramático momento que sua Santíssima Mãe.

Silenciosa aos pés da Cruz, com o coração retalhado de dor, Maria é figura da humanidade redimida. Todos nós somos convidados a contemplar o mistério da Cruz de Cristo, através do olhar maternal de Maria. Aos pés da cruz de Jesus, nós, pobres pecadores, somos colocados no coração de Maria como filhos. Toda a humanidade está aos seus cuidados de Mãe.

Como sempre, Maria aceita a vontade de Deus em sua vida, e, neste momento de maior dor, acolhe a todos nós, homens e mulheres pecadores, como verdadeiros filhos. Neste momento da história da Salvação o Pai dá a toda a humanidade uma Mãe: Maria.

A fé que essa grande mulher teve, a fez ver além do que os olhos humanos conseguem ver. Fez com que Ela continuasse a sua missão ao lado dos apóstolos, rogando por aqueles que necessitavam, por isso Lhe deram diferentes nomes: Advogada, Mãe dos aflitos, Rainha da paz, Mãe da Igreja, Auxiliadora, Mãe do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora das Dores etc.

Verdadeiramente, Maria é nossa mãe, e como mãe devemos amá-la, buscando em seu coração amoroso acolhimento e proteção. Desde modo, somos convidados a divulgar e a promover a devoção mariana, através do terço, do rosário, da coroa de Nossa Senhora das Dores, momentos marianos...

Aprendamos também com Maria a sempre dizer SIM aos Planos de Deus em nossa vida. Maria trazia em seu coração a Palavra de Deus e, por isso, podia sempre dizer SIM em tudo o que Ele pedia. É esta mesma Palavra que deve estar guardada em nosso coração. Somente a Palavra de Deus nos dará a força necessária para a vivermos a cada dia, como Maria, a Vontade de Deus.

Frei Fábio M. Luiz - OSM

2 de maio de 2008

Amor Verdadeiro

"Ser feliz não é ter uma vida isenta de frustações, sem problemas ou mesmo dificuldades. É ser alegre mesmo se vier a chorar. É viver intensamente, mesmo no leito de um hospital. É nunca deixar de sonhar, mesmo se tiver pesadelos. É dialogar consigo mesmo, ainda que a solidão o cerque". Augusto Cury

De fato o autor tem razão. Muitas vezes queremos tudo da nossa maneira e na hora em que desejamos. E quando não conseguimos nos sentimos frustados e triste ou deprimidos. Nos envolvemos tanto nessas dificuldades imaginárias que não conseguimos sair delas, justamente porque não existem, são frutos da nossa imaginação. Não podemos lutar contra algo que na realidade não existe é perca de tempo. O tempo vai se passando e não valorizamos as coisas e as pessoas mais importantes da nossa história.

Temos o horrivel costume de sempre esperar dos outros algo que nem sempre podem nos dar. O ideal e não idelizarmos ou mesmo esperarmos nada das pessoas. quando damos, devemos dar por amor, quando amamos não devemos cobrar, pois se existe cobrança já não é amor. Essa visão errada de que quando nos doamos precisamos receber algo em troca é o motivo de muitas frustaçãoes, ninguém é obrigado a amar ninguém com exclusividade ou mesmo da maneira que nós julgamos ser a melhor, não existe uma regra que fale que se eu me doar por amor a alguém é preciso que esse alguém também se doe por mim ainda mais da mesma forma que eu, pois cada um é único, singular. Quando entendemos isso passamos a cobrar menos e a nos doar mais e passamos a ser mais felizes, até porque quanto mais se cobra o amor, menos nos o temos. Quando passamos a nos doar mais automaticamente sem o menor esforço somos amados, pois nasce o amor agapé esse amor puro e verdadeiro.

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