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30 de abril de 2008

Maria - uma mulher de nosso tempo

Maria é o caminho certo, o programa justo, a perfeição sagrada.

Maria nos ensina que fomos feitos para a felicidade; e sim com mais liberdade, com mais sensibilidade, com mais amizade, com mais amor.

Maria nos ensina que fomos feitos para amar,
que é amando que somos felizes,
que aquele que ama só a si mesmo se degrada,
que é dando que se recebe,
que aquele que serve se eleva,
que aquele que se esquece de si mesmo se encontra.

Maria nos ensina que a liberdae é para servir,
que no serviço crescemos,
que no vazio de si mesmo a pessoa se enche.

Ela é o contrário do que Eva significa,
como Cristo é o contrário do que Adão significa.

Em Maria se torna realidade o desejo de chegar a Deus,
mas pelo caminho da fé e da acolhida.

Essa é a perfeição,
esvaziar-se de si mesmo para encher-se de Deus.

(Prieto Ramiro, citado no livro Maria@sempre - uma mulher de nosso tempo, p. 52s, Paulus)

27 de abril de 2008

6° Domingo da Páscoa - Despedida de Jesus

O Texto que estamos refletindo é sobre a despedida de Jesus. Jesus tem consciência da sua volta para o Pai e promete que não deixará órfãos os seus discípulos (Jo 14,18). Neste sentido e frente a eminência da sua partida, os Discípulos são convidados a perseverarem na fé, a manter uma união profunda com o Mestre, viver a realidade do amor e a guardar os mandamentos (Jo 14,15). Para entender melhor a dinâmica da despedida de Jesus, o Autor do Quarto Evangelho propõe a leitura dos Capítulos 13,14,15,16,17, pois eles fazem uma unidade em torno da Glorificação de Jesus. Porém, quando Jesus anuncia a sua despedida, os Discípulos ficaram abalados, tristes e com uma incerteza muito grande com relação ao futuro.

Jesus os tranqüiliza, afirmando que é necessário voltar ao Pai: “quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para que onde eu estiver, estejam vocês também” (Jo 14,3).

Na verdade para compreender este mistério da vida de Jesus, precisa haver numa sintonia profunda entre o Discípulo e o Mestre. Jesus promete o Paráclito, o Defensor para as horas e os momentos difíceis. “Ele é o Espírito da Verdade...” (Jo 14,17), que assiste, defende, oriente, indica... para os Discípulos e para a Igreja o caminho a seguir. Ele ajudará a comunidade eclesial a manter e a interpretar a ação de Jesus em qualquer tempo e lugar.

Nesta despedida Jesus insiste que é preciso “guardar os mandamentos” (Jo 14,15). Aqui não se trata dos “10 Mandamentos”, pois eles já existem desde o Antigo testamento. Porém, existem algumas conseqüências importantes que os Discípulos assumiriam a partir a despedida do Mestre. Jesus já afirmara que toda a Lei e os Profetas se resumem em “amar o senhor teu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento... e ao próximo como a si mesmo” (Mt 22,37.39). Eis algumas conseqüências para a comunidade Apostólica:

- Merece receber o Espírito Santo: "Ele vos dará o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber" (Jo 14,17).
- É alguém amado pelo Pai: "Ele será amado pelo Pai..." (Jo, 14,21).
- Torna-se capaz de perceber a manifestação de Cristo: "Eu o amarei e me revelarei a ele..." (Jo 14,21)
- Sobretudo, torna-se MORADA DE DEUS: "Viremos a ele e faremos nele morada..." (Jo 14,23).

A Comunidade cristã será então a presença de Deus no mundo: Ela e cada um de seus membros se converterão em Morada de Deus, o espaço onde Deus vem ao encontro dos homens. Na Comunidade dos discípulos e através dela, realiza-se a ação salvadora de Deus no mundo.

O "caminho" proposto por Jesus para muitos parece um caminho de fracasso, que não conduz nem à riqueza, nem ao poder, nem ao êxito social, nem ao bem estar material, a tudo o que parece dar verdadeiro sabor à vida dos homens do nosso tempo.

No entanto, Jesus nos garantiu que é nessa identificação com Cristo e nesse "caminho" do amor e da entrega, que se encontra a felicidade plena e a vida definitiva.

Contudo e diante da sua eminência partida, Jesus garantiu aos discípulos o envio de um "defensor", de um "intercessor", que haveria de animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua história. A Comunidade cristã, identificada com Jesus e com o Pai, animada pelo Espírito, é o "Templo de Deus", o lugar onde Deus habita no meio dos homens. Através dela, o Deus libertador continua a concretizar o seu plano de salvação.

Frente a real “separação” entre Jesus e a Comunidade Apostólica nasce outra dimensão que eles terão que assumir daqui pra frente: a realidade da perseverança e manter-se firme na fé. Esta nova realidade implica para eles e hoje para a Igreja o acolhimento do Evangelho na atividade diária. Não se pode perseverar na fé se não acolhe diariamente o Evangelho, se não se tem o Evangelho como luz e caminho da vida. Sem o acolhimento do Evangelho, aliás, não existe fé adulta e, menos ainda, perseverança. Decorrente do acolhimento do Evangelho, a perseverança na fé só é possível para quem vive na intimidade de Deus e abre espaço para abrigar o Espírito de Deus na própria vida. O cimento da perseverança na fé é o amor. É cimentando a vida no amor que se conhece a intimidade de Deus e, conseqüentemente, a perseverança na fé. Aqui o que conta é viver no amor e deixar que o Espírito de Deus habite em nós e ilumine nossa vida.
Assim sendo, perceberemos dois momentos que tem a ver com o confronto e com a contemplação. A perseverança na fé, na fé adulta, bem entendido, cresce e se mantém firme ao confrontar-se com o mundo, o local que não conhece o Espírito de Deus e nem o recebe (Jo 14,17). Neste caso, a perseverança é sustentada na confiança em Deus, na certeza que Jesus não nos deixa órfãos, sempre está conosco, mesmo nas adversidades. O último elemento, a ação de graças, resultante da contemplação, é uma prática natural em quem persevera na fé. Diante de tudo o que Deus realizou em favor do povo, contemplando e meditando a obra divina, como expressa o salmo responsorial: “Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira... Dizei a Deus: como são grandes vossas obras!... toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor de vosso nome! Vinde ver todas as obras do Senhor: seus prodígios estupendos entre os homens” (66/65), especialmente a ressurreição de Jesus, o fiel corresponde pela ação de graças que se traduz de modo concreto na perseverança da fé e na certeza que Deus tudo realiza pela fé.
(fr. João Carlos)

15 de abril de 2008

FELIZ ANIVERSÁRIO FREI CHARLIE

Bem, hoje é um dia muito especial! É o aniversário do nosso amigo e irmão Frei Charlie e não podíamos deixar passar em branco já que ele é o responsavél maior pela criação do nosso Blog.

O Frei Charlie é um homem abençoado!

Nós todos que o conhecemos sabemos bem disso. Seu coração é enorme e muito bom.

É um verdadeiro amigo com o qual podemos contar para todas as horas em todos os momentos mesmo!

Não importa o tamanho da dor ou da alegria.

Se pra rir ele rir,

Se é pra dar bronca ele dá,

Se é pra aconselhar ele aconselha,

Enfim ele não nos abandona nunca, sempre que pedimos socorro ele faz de tudo para ajudar.

E é por isso , Frei Charlie, que em nome de todos nós que fazemos parte do Blog quero te dizer o quanto és importante em nossas vidas e te desejar um FELIZ ANIVERSÁRIO cheinho de muita paz e amor de Deus em seu coração.

E pode ter certeza de uma coisa a distância não apagará o Sr. de nossos corações ao contrário sentimos muita saudades mas tudo é pela grande obra do Senhor!!!

Fique em Paz!



são os votos de toda a equipe do blog SOMOS SERVOS!

11 de abril de 2008

4° Domingo da Páscoa

Neste Quarto Domingo da Páscoa a Igreja convida a todos os fiéis a rezarem pelas vocações da Igreja. Vocação é sempre um chamado que implica uma resposta. Portanto queremos ouvir a voz do Bom Pastor para pertencer e responder com toda a nossa vida a um único Pastor, que o Cristo Jesus.

O texto bíblico sobre o “Bom Pastor” situa-se dentro do contexto em que o autor do Quarto Evangelho coloca os Sinais onde Jesus se revela. Poderíamos perguntar: quais seriam estes Sinais (milagres)? A Comunidade que se formou em torno do “Discípulo Amado” procurou alimentar e aprofundar a sua fé em Jesus Cristo. Aos poucos foram descobrindo que estes Sinais ou Milagres pudessem sustentar que Jesus é o enviado de Deus e que revela o “rosto de Deus”, quando diz: “quem me vê, vê o Pai” (Jo, 14,9). Estes sinais foram distribuídos da seguinte maneira: a. Primeiro Sinal: “Jesus muda a água em vinho” – (Jo 2,1-12); b. Segundo Sinal: “Jesus cura o filho do funcionário do rei” – (Jo 4,46-54); Terceiro Sinal – “Jesus cura o Paralítico”- (Jo 5,1-18); Quarto Sinal: “Jesus multiplica os pães” – (Jo 6,1,14); Quinto Sinal: “Jesus caminha sobre as águas” – (Jo 6,16,21); Sexto Sinal: “Jesus cura o cego de nascimento” – (Jo 9,1-41); Sétimo Sinal: “Jesus ressuscita o amigo Lázaro” – (Jo 11, 1-43).
Neste sentido e dentro do espírito do Sexto Sinal, encontramos o texto do “Bom Pastor”. O ponto de partida para compreender melhor o texto é entender o sentido da cura do cego de nascimento, onde os fariseus se mostraram ser os verdadeiros cegos (Jo 9,41). Eles deveriam ser os verdadeiros pastores de Israel, mas não conseguiram. Deveriam cuidar das ovelhas, do povo de Israel... mas preferiram permanecer na própria mentalidade, muitas vezes legalista, do que se abrir à novidade libertadora do Reino que é a vinda de Jesus Cristo. Por isso que as autoridades judaicas não entenderam a parábola. Ficaram nos seus esquemas próprios e não se abriram à novidade do Reino Novo apresentado por Jesus.

O autor do Quarto Evangelho irá mostrar no Capítulo 10, quem é o verdadeiro pastor e quem não é. O Profeta Ezequiel (34,) narra – profetiza contra os maus pastores(Ez 34,2) – dizendo-lhes: “Ai pastores de Israel que são pastores de si mesmos! Não é do rebanho que os pastores deveriam cuidar? Vocês bebem o leite, vestem a lã, matam as ovelhas gordas, mas não cuidam do rebanho. Vocês não procuram fortalecer as ovelhas fracas, não dão remédio para as que estão doentes, não curam as que se machucam... Pelo contrário, vocês dominam com violência e opressão. Por isso falta pastor, minhas ovelhas se escaparam... se espalharam... e vagaram sem rumo... e ninguém as procura para cuidar delas. Por isso, vocês, pastores, ouçam a palavra de Javé: Minhas ovelhas se tornaram presa fácil e servem de pasto para as feras... Elas não têm pastor...” (Ez 34,1-10). O Profeta ainda continua dizendo: “Assim diz o Senhor Javé: Eu mesmo vou procurar as minhas ovelhas. Como o Pastor conta o seu rebanho... eu mesmo contarei as minhas ovelhas e as reunirei de todos os lugares... Eu as retirarei do meio dos povos... Vou levá-las para pastar nas melhores invernadas... (Ez 34,11-16).

No início do Capítulo 10, Jesus narra uma a parábola (Jo 10,1-6), onde ele compara a função do pastor em contraste com a realidade dos ladrões. Na verdade, “os ladrões e os assaltantes” (v. 1), são considerados os dirigentes e autoridades de Israel (= as instituições), que exploram e dominam o povo de Deus. O texto fala do porteiro (v.3) que abre a porta para o pastor. No Antigo Testamento o porteiro era responsável pela porta do palácio e do templo e pela segurança. Neste sentido, a parábola nos dá a entender que o porteiro não deixa os ladrões entrar, mas abre ao pastor. Outra idéia do texto é a função de “levar para fora” as ovelhas e de guiá-las indo à frente; não fala de reconduzi-las ao redil.

Jesus se revela: “Eu sou o bom Pastor” (Jo 10,11). Ele conhece as suas ovelhas e elas reconhecem a sua voz. Também se revela: “Eu sou a Porta do rebanho” (Jo 10,7). Assim todas as imagens Bíblicas do Pastor se aplicam a Jesus. Ele é o Verdadeiro Pastor de Israel, o verdadeiro “porteiro” que conduz as ovelhas para as verdadeiras pastagens com diz o Salmo 23/22: “em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranqüilas me conduz, e, restauras minhas forças...” (v. 2-3). E seria importante ler e meditar todo este Salmo do “Bom Pastor”, para entender a missão de Jesus como Pastor amado. Diz Jesus: “todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes...” (v.8). O Bom Pastor (= Jesus) tem clara a sua função: cuidar do rebanho (= povo de Deus). As autoridades exerceram sobre o povo (=rebanho) uma relação de domínio e exploração, e muitas vezes levando à morte. O Filho de Deus, revelando-se como “porta”, estará dando um sentido definitivo para a sua missão: conduzir o povo de Deus (= rebanho) à salvação plena. Como? “Eu sou a porta. Quem entra por mim, será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem” (Jo 10,9). É preciso passar pela “porta que é Cristo”. Passando pela porta que é Cristo, significa que o homem estará se aproximando cada vez mais do Mestre, aderindo à sua mensagem e encontrando a vida. Contrapondo a idéia perversa do ladrão (Jo 10,8), Jesus afirma que eles “vem para matar e destruir” (Jo 10,10). Com esta imagem, Jesus denuncia a violência e a dureza dos dirigentes judaicos que exploram o povo (= rebanho) sem medir os estragos que causam e sem nenhum respeito à vida.

Diante dos “maus pastores” que exploram o povo de Deus (= rebanho), Jesus diz: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). A vida que o Bom Pastor traz é a vida plena em todos os sentidos e perpétua; é uma participação na sua vida divina. Foi para isso que Ele veio, pois o homem, na sua fragilidade humana, necessita do Bom Pastor para que ele possa ser conduzido (= guiado) “por bons caminhos, por causa do seu nome. (Salmo 23/22).
(enviado por fr. João)

5 de abril de 2008

Nada é impossível para Deus

3° Domingo da Páscoa

A liturgia deste Terceiro Domingo da Páscoa nos relata a aparição de Cristo ressuscitado aos discípulos que caminhavam de Jerusalém a Emaús. É uma passagem exclusiva de Lucas. Percebemos que o Ressuscitado acompanha os Discípulos, que estão com os corações magoados e desolados. Mas o Peregrino Ressuscitado se revela no espírito da Comunidade que se reúne para “partir o pão” e estimula para que eles sejam as verdadeiras testemunhas da ressurreição.

Neste sentido, se colocar no caminho de Emaús é importante para descobrir e fazer a experiência com Cristo Ressuscitado. O clima de tristeza que abateu nos Discípulos é porque eles abandonaram a Comunidade e estavam voltando para suas casas decepcionados. O assunto entre eles eram: “nós esperávamos que ele fosse libertar Israel... já faz três dias que todas essas coisas aconteceram... Alguns dos nossos foram ao túmulo... A ele, porém ninguém o viu” (Lc 24,21-24). Na verdade, eles esperavam um Messias glorioso, um Rei poderoso, um Vencedor e encontram-se diante de um derrotado, que tinha morrido na cruz. Caminhar até Emaús significaria abandonar a comunidade, voltar decepcionado, frustrado e na vida de sempre, sem ter feito a experiência da ressurreição.
No caminho aparece um Peregrino que caminha com eles e perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” (Lc 24,17). Eles responderam: “O que aconteceu com Jesus, o nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo...” (Lc 24,19), porém teve um fim inesperado. É importante notar que Jesus está junto com eles e não o reconheceram. Seus olhos estavam como que vendados, presos... em outras palavras cegos (Lc 24,16).

A cena de Emaús acontece pouco antes do anoitecer. É o entardecer da fé, que vai perdendo aos poucos a luz da presença histórica, até chegar na escuridão da dúvida. Era preciso fugir dessa situação, ir para longe. Jerusalém tornou-se o lugar da decepção. Aqueles discípulos queriam distância do passado. Caminhavam num estado de tristeza e de dúvida. O túmulo vazio era o fim definitivo de uma esperança acalentada: que ele fosse libertar Israel (Lc 24,21). Na vida daqueles dois, a luz da fé e da esperança começava apagar-se. É quando aparece Jesus para acender a fé, a partir das Escrituras, e colocar neles outra esperança. Jesus não abandona quem foge ou se distancia da fé, mas caminha com eles, explica-lhes as Escrituras, entra e com eles faz refeição: parte o pão, acende a fé e abre os olhos para uma nova realidade: sua presença nos sinais da Palavra e do pão repartido.

Depois que Jesus Ressuscitado “permaneceu” (Lc 24,29) com eles a experiência foi outra. Diz o Evangelista: “os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus” (Lc 24,31). Em seguida se deram conta: “não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho...” (Lc 24,32). É preciso “arder” o coração quando se faz a experiência profunda com Jesus ressuscitado. No Pão partilhado (Lc 24,30), sinal da Eucaristia poderá reconhecer os gestos de uma comunidade reunida em torno do Senhor: A Palavra e o Pão. Agora a missão da Comunidade é testemunhar, por isso eles voltam para Jerusalém (Lc 24,33) e foram anunciar aos irmãos e disseram: “realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” (Lc 24,34).

A experiência do Caminho de Emaús ensina a voltar a crer a partir de dois elementos, especialmente importantes àqueles que são felizes por crer sem ver (Jo 20,29). A fé na ressurreição de Jesus exige do fiel prescindir da presença histórica de Jesus; exige a renúncia da mediação do ver, do tocar, do falar. Jesus ressuscitado se faz encontro e se manifesta na Palavra e nos Sacramentos. Não é um personagem do qual se pode dispor. Ele é a presença silenciosa que fala ao coração, parte o pão, batiza, perdoa, unge, consagra... sacramentalmente. A fé torna-se uma ausência habitada pela presença silenciosa e falante no coração de quem crê.

Talvez fosse importante perguntar: “onde encontrar o ressuscitado?” A experiência dos Discípulos de Emaús nos indica alguns caminhos:

1. A Palavra de Deus... que pode ser escutada, meditada, rezada, partilhada, celebrada, pois Jesus nos indica caminhos e nos aponta novas perspectivas, nos dá a coragem de continuar, depois de nossos fracassos.

2. A Partilha do Pão Eucarístico... A narração apresenta o esquema da Missa: Liturgia da Palavra e do Pão (liturgia eucarística). É na celebração comunitária da Eucaristia, que nós fazemos a experiência do encontro pessoal com Jesus vivo e ressuscitado.

3. A Comunidade: Mesmo com todos os desafios de se reunir e viver em Comunidade, ela sempre foi e continua sendo o lugar privilegiado do encontro com o Senhor. No domingo passado a experiência de Tomé (Jo 20,19-31), foi porque ele não estava na comunidade. Enquanto os discípulos se “alegraram por ver o Senhor”, ele teve que fazer um caminho de fé e professar: “meu Senhor e meu Deus”.
(fr. João Carlos)

1 de abril de 2008

Nome Glorioso

Estamos vivendo o Tempo Pascal, e a Igreja através de sua liturgia nos convida a fazer a experiência de ressuscitar com Cristo. Com a ressurreição de Jesus o Pai selou-nos com a certeza de uma vida nova e eterna, e tornou o nome de Jesus soberano sobre todos os nomes. Jesus é o Rei, e ressurge na madrugada do primeiro dia para se tornar o primeiro em nossas vidas, sendo vencedor sobre a morte e suas trevas que nos prendiam desde o pecado de Adão. A partir de então não há mais dúvidas para nós, Aquele que antes era uma promessa, que antes era um pequeno broto ou o vislumbrar de uma liberdade futura, agora é real, e reina com a soberania de um rei que tudo pode sobre os seus.
Muitos anos se passaram desde que a pedra do túmulo rolou e Maria Madalena pôde ver Nosso Senhor naquele jardim, o sol nasceu e se pôs milhares de vezes, a humanidade acompanhou a dinâmica do universo e com ele "evoluiu". Hoje somos seres globalizados, a comunicação é rápida e eficaz. O mundo segue atencioso aos símbolos do desenvolvimento, que estão estampados em marcas que, economicamente falando, custam muito caro a quem deseja seguir tendências e ser atual. Paga-se milhares de dólares, euros ou reais para estampar em si próprio ou no seu produto os nomes que a sociedade econômica ditou como sendo "lucrativos" e importantes, ou seja, nomes ou logotipos criados por mentes humanas só podem ser utilizados por outros humanos se o seu "criador" receber o que pede por isso. Senão, somos levados aos tribunais e até às cadeias, julgados e punidos por fazer da "marca" criada por alguém uma propriedade nossa.
Você já parou para pensar em Jesus e em como seu nome glorioso é utilizado por gráficas, malharias, editoras, igrejas, homens e mulheres que tentam a cada dia mais se promover através do nome glorioso do Senhor Jesus? É lastimável! Jesus virou uma logomarca? Será que foi pra isso que as gostas preciosas do sangue de Jesus foram derramadas no caminho do calvário? Ou será que foi pra promover economicamento homens e mulheres que Jesus deixou-se pregar naquela cruz e depois ressuscitou vencendo a morte?
A quem devemos pedir licença para abusar do nome santo do Senhor? A que jurisdição devemos recorrer para apropriarmo-nos do nome de Jesus e em seu nome realizar "prodígios" e "milagres"? Será que vivemos a ilusão de não sermos vistos até mesmo no mais secreto do nosso ser?
Meus irmãos, em nome de Jesus muitos em nosso meio agora se dizem "mestres", com direito a discípulos e tudo. Que vergonha! Se o próprio Senhor nos disse que só há um mestre, como podemos agora sermos nós merecedores de discipulado próprio? Isso não é viver a experiência da ressurreição, mas sim, das trevas.
E assim caminha a humanidade, mais perdida que aqueles soldados romanos que mesmo sabendo que era impossível que o túmulo tivesse sido aberto pelos discípulos de Jesus, pois eles mesmos estavam alí por toda a noite e não viram ninguém se aproximar, mesmo sabendo que o corpo não estava mais alí e que as vestes mortuárias estavam intactas, mesmo sabendo que alí havia acontecido um milagre, aqueles soldados obedeceram a voz de seus superiores e proclamaram para toda a sociedade a grande mentira de que Jesus continuava morto e que seu corpo havia sido roubado. Aqueles soldados, conhecedores da verdade, roubaram do povo a oportunidade de conhecer a verdadeira ressurreição que vem de Deus. E ainda hoje muitos irmãos vivem assim, seguindo "soldados romanos" que em nome de seu superior, o dinheiro e o prestígio, espalham a mentira de que Jesus é um Deus disseminador de riquezas e milagres surreais, e assim vão abrindo em cada esquina "galpões" intitulados de igrejas onde estapam o nome de Jesus em letras garrafais e organizam verdadeiros exércitos de "discípulos" que não sabem verdadeiramente que o é o Mestre e quem é o servo.
O povo de Deus sempre precisou caminhar em busca de suas bençãos, e até Jesus precisou caminhar até sua cruz para poder nos salvar, por isso seu nome é tão precioso que não haveria no mundo economista tão eficiente para analisar o real valor e poder de seu glorioso nome. Você acha que só pelo fato de vivermos na era da globalização Deus iria nos poupar de buscar nossa salvação e de pagarmos por nossas faltas?
Irmãos, precisamos ser cautelosos agora, pois não estamos mais sob a jurisdição do império romano, hoje quem nos julga é o Pai, que conhece como ninguém o valor do sangue e do nome do seu Filho Amado, dado em sacrifício por mim e por você! O nome de Jesus não é propriedade nossa, ao contrário, nós é que somos propriedade sua, e desse modo devemos total reconhecimento, obediência e temor. Fiquemos atentos, para que no dia da prestação de contas possamos justificar com zelo nossas falhas e apresentar com franqueza os frutos de nossa missão, podendo assim partipar do banquete eterno, pois a mesa já foi preparada, e o Rei espera com amor por aqueles a quem Ele conhece.
Paz irmãos! Que a Virgem Mãe, humilde serva, seja nosso exemplo e interceda por nós junto ao seu Filho Glorioso.