30 de março de 2008

2° Domingo da Páscoa

Neste segundo domingo da Páscoa a Igreja é convidada a renovar e aprofundar a fé em Jesus ressuscitado. Mais uma vez Ele aparece aos seus discípulos e diz: “A paz esteja convosco” (Jo 20,19.21.26). O relato do evangelho afirma que era o “anoitecer daquele dia, o primeiro da semana” (Jo 20,19). O clima “ainda é o dia da nova Páscoa, e também os discípulos temem ser perseguidos por causa da sua relação com o sentenciado...” (nota da Bíblia do Peregrino). Esta experiência gera nos discípulos medo, dúvida, desânimo, incerteza... falta paz e esperança... De repente Jesus atravessa as barreiras internas e externas do homem. Causa espanto e surpresa. Oferece aos discípulos o Dom da Paz, o Perdão e a vida nova no Espírito.

O autor do Quarto Evangelho diz que os “discípulos se alegraram por verem o Senhor” (Jo 19,20) e Jesus lhes confirma na missão e exige fé: “como o Pai me enviou, também eu vos envio...soprou sobre eles e disse: recebam o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 19,21-23). O evangelho relata que Jesus soprou o Espírito de Deus sobre os discípulos e os enviou ao mundo para continuar a missão. Soprar é um gesto criador; Deus soprou seu Espírito e criou o homem (Gn 2,7). Jesus repete o gesto criador, faz uma nova criação de homens e mulheres que não se fecham timidamente em seus próprios mundos, mas os envia ao mundo para anunciar e testemunhar a ressurreição.

Neste tempo pascal a Igreja destaca a importância da fé na vida pessoal e na vida da comunidade. A fé é a condição indispensável para viver e participar do Espírito da Ressurreição. Sem a dimensão e a profundidade do espírito de fé a comunidade continuará fechada em si mesma, com medo e sem esperança. Assim aparece a pessoa de Tomé. Ele não estava quando Jesus apareceu. Ele não tinha feito ainda a experiência da ressurreição. Ele tinha que “ver para crer” (Jo 19,25). O Apóstolo Tomé pode representar aquela pessoa ou aquela comunidade que está buscando fazer a experiência da ressurreição e que ainda não conseguiu. Muitas vezes somos incrédulos e queremos provas. “Se eu não vir a marca dos pregos e não puser a mão no seu lado não acreditarei” (Jo 19,25). Ele tem necessidade de algo mais palpável e quer identificar Jesus pelas marcas corporais da crucificação. Crer na ressurreição é um caminho de fé. Tomé sentiu esta necessidade e fez o seu caminho até fazer a sua profissão de fé: “meu Senhor e meu Deus” (Jo 19,28). Não basta sentir a ressurreição... é preciso verdadeiramente fazer a experiência de fé.

A partir desta experiência com o Ressuscitado, a comunidade se renova. É na COMUNIDADE que encontramos as provas que Jesus está vivo. Quem não participa da Comunidade não ouve a saudação de Paz, não faz a experiência da alegria da Páscoa do Senhor, nem recebe o dom do Espírito Santo. Quem não se encontra com a Comunidade não se encontra com o Cristo Ressuscitado. Por isso, que a vida nova à luz da Páscoa e numa dimensão profunda da fé, oferece a possibilidade de viver e de relacionar fraternalmente com os outros. Uma comunidade formada por pessoas de fé é uma comunidade fraterna, solidária e preocupada com o bem-estar de seus membros e também, um sinal profético da experiência da ressurreição. Foi assim, que os discípulos e os primeiros cristãos entenderam a fé em Cristo Ressuscitado (At 2,42-47).

Contudo, Jesus envia os seus discípulos repletos do Espírito de Deus, de paz e de alegria. A fé não tira as adversidades e as provações da vida; em alguns contextos sociais, aliás, torna-as mais desafiadores. A fé, vivida e experienciada, não permite que o fiel se intimide diante do desafio; quanto maior o desafio, mais cresce a confiança, fruto da fé.

Agora, toda esta experiência acontece no Primeiro Dia da Semana. É uma alusão ao DOMINGO, dia em que a Comunidade é convocada a celebrar a Eucaristia: é no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o Pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus Ressuscitado. A Eucaristia é o centro da nossa vida cristã. É da Eucaristia que parte todas as nossas ações. Sem Eucaristia o espírito da páscoa fica sem sentido. Por isso que o Domingo é chamado DIA DO SENHOR. É na Eucaristia que ouvimos a Palavra do Senhor e celebramos a Ceia Eucarística.

Que a experiência deste segundo domingo da Páscoa, nos ilumine a aprofundar a nossa fé em Cristo ressuscitado, recebendo o Dom do Espírito Santo e da Paz; a celebrar o Dia do Senhor com mais dignidade e profundidade e a fazer a nossa profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 19,28).
(enviado por fr. João Carlos)

26 de março de 2008

A espiritualidade pascal


Banhados em Cristo, somos uma nova criatura,
as coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo, aleluia, aleluia!
”.

Ir. Veronice Fernandes, pddm

O batismo nos insere no mistério de Cristo morto e ressuscitado. Cada batizado é chamado a seguir Jesus Cristo e a conformar a própria vida a dele, caminhando sempre na novidade de vida (cf. Rm 6,4). A experiência íntima com o Cristo pascal, cresce, desenvolve-se e se consolida, participando da eucaristia, na qual, cada batizado se une com Cristo na oferta da própria vida ao Pai mediante o Espírito. A vida cristã é fundamentalmente vida em Cristo pelo dom do Espírito, fruto da Páscoa.

Ser espiritual significa viver segundo o Espírito de Deus. A espiritualidade tem a ver com tudo o que somos e fazemos, segundo o Espírito. O Espírito acende em nós o amor, a paixão por Jesus Cristo e nos leva a pautar toda a nossa vida pela intimidade com ele. “A espiritualidade cristã, que é o seguimento de Jesus, se alimenta de uma verdadeira paixão por Ele, de uma amizade singular (...) de uma compenetração intimíssima, comunhão mesmo”.[1]

Embora vivamos em tudo segundo o Espírito de Deus, podemos ter momentos específicos para alimentar a vida espiritual.

De acordo com a tradição mais antiga da Igreja, a vida espiritual é ancorada na participação na liturgia. Na liturgia o tempo cronológico é transformado em tempo de Deus – Kairológico. Tempo da ação de Deus, que sempre agiu em favor do seu povo.

Ao fazermos memória da páscoa do Senhor, participamos de seu mistério de morte e ressurreição. Em outras palavras, fazer a memória do Cristo é participar; é entrar em comunhão com o seu corpo (tornar um só corpo com Ele e com os irmãos); é participar do seu destino; é participar da ressurreição na vida que brota da sua entrega. Quando nos reunimos para celebrar o mistério de Cristo, Ele mesmo, por seu Espírito, nos vai moldando à sua estatura, porque assume nossa vida em seu mistério (cf. At 20,7-12).

O caminho de configuração com Cristo se dá pouco a pouco, no itinerário pedagógico-espiritual que o ano litúrgico proporciona. Durante o ano litúrgico, que tem como eixo e fundamento a páscoa, vamos progressivamente inserindo-nos no mistério pascal de Jesus Cristo. “Trata-se da recriação de nosso eu, adquirindo a forma de Jesus Cristo ressuscitado, segundo o Espírito de Deus. É processo lento e sofrido, e ao mesmo tempo alegre e esperançoso, que deverá durar até a nossa morte. Perfazendo seu próprio caminho pascal, cada pessoa está ao mesmo tempo participando e colaborando na páscoa de todo o tecido social, de toda a realidade cósmica (Cf. Rm, 8, 18-25), até à plena comunhão, quando Deus será tudo em todos (Cf. 1Cor 15,28)”.[2]

A celebração litúrgica repercute na vida e a vida é celebrada. Celebração e vida estão intimamente ligadas.

Como seguidores de Jesus Cristo progressivamente nos tornamos uma coisa só com ele. É um processo, como dissemos acima, que atinge todo o universo e que se dá concretamente no cotidiano da nossa história. Cristo, embora tenha passado pela morte, venceu-a. Nós também venceremos. Acreditemos na vida.

Ir. Veronice Fernandes, pddm
Liturgia em Mutirão, ficha 34

[1] Dom Pedro CASALDÁLIGA, Nosso Deus tem um sonho e nós também; carta espiritual às comunidades. In: 10. Encontro Intereclesial, Ilhéus (BA), 11-15 de julho 2000, CEBs: Povo de Deus, 2000 anos de caminhada; Texto-base. Editora Fonte Viva, Paulo Afonso, 1999, p. 75, citado por Ione Buyst, em Espiritualidade Litúrgica, Curso de Atualização em Liturgia, São Paulo, janeiro de 2008.
[2] Ione BUYST. Viver o mistério pascal de Jesus Cristo ao longo do ano litúrgico: um caminho espiritual. Semana de Liturgia, São Paulo. outubro de 2002.
(enviado por fr. João)

23 de março de 2008

Alegria pascal

Páscoa é ser capaz de mudar,
É partilhar a vida na esperança,
É lutar para vencer toda sorte de sofrimento.

Páscoa é dizer sim ao amor e à vida,
É investir na fraternidade,
É lutar por um mundo melhor,
É vivenciar a solidariedade.
Páscoa é ajudar mais gente a ser gente,
É viver em constante libertação,
É crer na vida que vencer à morte.

Páscoa é renascimento, é recomeço,
É uma nova chance pra gente melhorar
As coisas que não gostamos em nós.
Para sermos mais felizes por conhecermos
A nós mesmos mais um pouquinho e vermos
Que hoje somos melhores do que fomos ontem.

Feliz Páscoa!!!

(enviado pela Ir. Eliane, MJC

17 de março de 2008

Viver a Semana Santa

Para muitos, um feriado; para outros, uma devoção; para o comércio, oportunidade fantástica de vendas; para outros ainda, um momento especial de meditação, oração e renovação da fé. E para você, o que significa “viver a semana santa”?

Existe um jeito, um lugar, um momento muito especial no qual aprenderemos a “viver a semana santa”. É o que nos aponta o saudoso Papa Paulo VI: “Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal”.
.
Eis o sentido do que significa “viver a semana santa”: fazer memória do mistério do amor de Deus que se manifestou na entrega confiante de Jesus ao Pai, até a morte na cruz, por fidelidade à sua missão. Mais ainda, significa celebrar o mistério do amor de Deus que sustentou Jesus em seu calvário e o ressuscitou, o glorificou, o fez sentar-se à sua direita, constituindo-o Cristo, Messias e Senhor.

“Viver a semana santa” significa fazermos memória destas ações maravilhosas de Deus. Mais, saber que estamos “re-vivendo” todos estes fatos. “De geração em geração, cada um de nós é obrigado a ver-se a si próprio, com os olhos penetrantes da fé, como tendo ele mesmo estado lá no Calvário, na primeira sexta-feira santa, e diante do sepulcro vazio, na manhã da ressurreição. Hoje, todos nós, aqui reunidos para celebrar a eucaristia, estávamos lá, prontos a morrer na morte de Cristo e a ressuscitar em sua ressurreição. Será exatamente nossa comunhão com o corpo sacramental do verdadeiro Cordeiro que nos tornará realmente presentes àquele eterno presente” (Césare Giraudo, Redescobrindo a Eucaristia. São Paulo, Loyola, 2002, p. 83).

Concluo com uma parte da homilia de S. Gregório de Nazianzo, bispo do séc. IV, que certamente também nos dá uma dica de como “viver a semana santa”: “Se és Simão Cireneu, toma a cruz e segue a Cristo. Se, qual o ladrão, estás crucificado com Cristo, como homem íntegro, reconhece a Deus. Adora aquele que foi crucificado por tua causa. Se és José de Arimatéia, pede o corpo a quem o mandou crucificar; e assim será tua a vítima que expiou o pecado do mundo. Se és Nicodemos, aquele adorador noturno de Deus, unge-o com perfumes para a sua sepultura. Se és Maria, ou a outra Maria, ou Salomé, ou Joana, derrama tuas lágrimas por ele. Levanta-te de manhã cedo, procura ser o primeiro a ver a pedra do túmulo afastada, e a encontrar talvez os anjos, ou melhor ainda, o próprio Jesus (Liturgia das Horas, vol. II, p. 352).

Aí sim, poderemos exclamar: “FELIZ PÁSCOA!”


Pe. Carlos Gustavo Haas
Ficha 33- Liturgia em Mutirão II
(enviado por fr. João Carlos)

15 de março de 2008

Bendito aquele que vem em nome do Senhor

Neste mês dois grandes momentos de espiritualidade a Igreja estará experimentando: a quaresma e a páscoa. A quaresma nos prepara espiritualmente para celebrar o mistério pascal. Um depende do outro. Na quarta-feira de cinzas iniciamos o nosso itinerário quaresmal e agora, no final deste mês desfrutaremos da espiritualidade do tempo pascal.

Jesus, ao entrar em Jerusalém, foi aclamado pelo povo que dizia: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor. Hosana ao Altíssimo!” (Mt 21,9). Jesus entrou na cidade mais importante da Palestina: Jerusalém, que era o centro do poder civil e religioso e onde todo o povo se dirigia para celebrar a Páscoa.

Na semana santa somos convidados a interiorizar a espiritualidade e perceber todo o itinerário de Jesus, desde a sua entrada na cidade santa até o caminho do Calvário e culmina com a sua morte na cruz. Neste itinerário Jesus realiza a vontade do Pai (Lc 22,42). Nesta semana, também se conclui o período da quaresma. Portanto, o itinerário quaresmal se iniciou com a quarta-feira de cinzas e conclui-se com a quarta-feira santa. Contudo, nesta semana santa vários temas nos acompanharão até a páscoa da ressurreição:

1. A característica do Servo de Javé (cf. Is 42,1-9; 49,1-9; 50,4-11; 52,13-53,12). Durante esta semana teremos a oportunidade de identificar quem é este Servo. “Poderá ser uma pessoa; mas alguns identificam de forma coletiva, sendo aplicada ao povo fiel. Mas o Servo é a grande novidade que o Senhor Javé preparou: um povo escolhido e missionário que, graças ao Espírito de Javé, recebe a missão de fazer surgir “um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1).

2. Outra é a característica da Cruz. “quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mt 10,38). A cruz pode ser um símbolo da derrota e do fracasso. De fato, no momento em que Jesus passava deste mundo ao mundo do Pai Ele disse: “’Tudo está consumado’ e, inclinando, entregou o seu espírito”. (Jo 19,30). Jesus ficou só. Os discípulos se dispersaram. Ao pé da cruz estavam apenas o Discípulo amado, Maria, sua mãe e algumas mulheres (Jo 19,25-26). Porém a cruz poderia ser um sinônimo de luz. Cruz significa a vitória, confiança, vida nova, luz que vence as trevas da morte... Assim sendo Jesus foi o grande vencedor da morte, que passou pela dor da cruz e ressurgiu.

3. Ainda poderemos ver, nesta semana, a pessoa de Jesus. Ele assumiu a nossa natureza humana, menos o pecado. Pregou o Evangelho do Reino. Curou muitas pessoas. Fez a vontade do Pai, passou por este mundo fazendo o bem. São Paulo dirá: “humilhou-se a si mesmo tornando-se obediente até a morte e morte de cruz... ao nome de Jesus se dobre todo joelho... e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor” (Fl 2, 8.10-11).

Sabemos que meditar a Semana Santa é aprofundar o mistério da vida de Cristo que morreu para nos salvar. Que em nossos corações possamos acolhê-Lo com fé, esperança e amor, correspondendo com uma vida santa, e expressar com toda a nossa alegria “bendito aquele que vem em nome do Senhor, Hosana ao Filho de Davi” (Mt 21,9).
Feliz Páscoa a todos!

Fr. João Carlos

14 de março de 2008

Domingo de Ramos

Com a celebração do Domingo de Ramos estaremos iniciando a Semana Santa. O tempo da quaresma terminará na quarta-feira santa. O tríduo Pascal marcará o início das celebrações pascais com a missa do lava-pés. Serão dias intensos de uma espiritualidade profunda que nos preparará para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo, que passou pelo mundo “fazendo o bem” (At 10,38).
A entrada de Jesus em Jerusalém é marcada por uma grande alegria. “As multidões que iam à frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” (Mt 21,9-10).
O Evangelista Mateus apresenta o projeto evangelizador de Jesus. Descreve o anúncio central nas suas palavras e nos seus gestos, na qual Ele anuncia o novo mundo que se chama “Reino dos céus” (cf. Mt 4,23-9,35). Do anúncio do “Reino” nasce a comunidade dos discípulos – isto é, nasce um grupo que assimila a sua proposta (cf. Mt 9,36-12,50). Os discípulos são a “comunidade do Reino”: instruídos pelo Mestre, formados na nova mentalidade do “Reino”, eles recebem a missão de testemunhar o “Reino” (cf. Mt 13,1-17,27). Na parte final do seu Evangelho, Mateus descreve a ruptura final de Jesus com o judaísmo (cf. Mt 18,1-25,46) e o final do caminho de Jesus: a paixão, morte e ressurreição (cf. Mt 26,1-28,15).
O texto deste domingo relata a paixão de Jesus. Descreve como a novidade do Reino choca com a mentalidade da opressão e, portanto, conduz à cruz e à morte; no entanto, não podemos dissociar os acontecimentos da paixão daqueles que celebraremos no próximo domingo: a ressurreição é a prova de que Jesus veio de Deus e tinha um mandato do Pai para tornar realidade no mundo o “Reino dos céus”.
Contudo, para realizar a missão que o Pai lhe confiou, a morte de Jesus deve ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida: anunciar o Reino de Deus e a sua justiça, um mundo novo a partir da prática de seus ensinamentos, o amor e a paz entre os seres humanos. Para concretizar esta missão, Jesus passou a sua vida “fazendo o bem” (At 10,38), anunciando uma nova maneira de vida, de viver a liberdade, a dimensão da paz e do amor entre todos. Ensinou que o amor de Deus não excluía ninguém e tampouco os pecadores; que os leprosos, os paralíticos, os cegos, não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; que os pobres e os excluídos são os preferidos de Deus. Avisou aos "ricos" (os poderosos, os instalados), que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte.
O Profeta Isaias apresenta um Servo Anônimo (Is 50,4-7) que, chamado por Deus para ser sua testemunha no meio das nações. Ele é um servo fiel ao Projeto do Pai e enfrenta todo tipo de incompreensão, mas, graças à sua fidelidade, será exaltado e glorificado pelo Pai. A sua missão profética se concretiza na dor. Mesmo diante do sofrimento, aumenta a sua confiança no Senhor. A certeza de que não está só, mas que tem a força de Deus, torna o profeta mais forte do que a dor, o sofrimento, a perseguição. Por isso, o profeta “não será confundido”. Os primeiros cristãos viram neste "servo sofredor" a figura de Jesus. Ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salvação aos homens.
Celebrar a paixão e a morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a realidade das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, traído, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir conosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração daqueles que acreditam na vida nova.
Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, estruturas injustas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa mente os dinamismos da ressurreição.
Diante do aparente fracasso, o Apóstolo Paulo relata aos Filipenses (2,6-11) a realidade do Servo Jesus Cristo, que apesar da sua condição divina, assumiu a nossa condição humana, “humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,7-8). Foi fiel ao projeto de Deus até as últimas conseqüências. “Por isso Deus o exaltou acima de todo nome” (Fl 2,9). Enquanto a desobediência de Adão trouxe fracasso e morte, a obediência de Cristo ao Pai trouxe exaltação e vida. Este despojamento tem um sentido pleno de servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. Esse caminho não levará ao fracasso, mas à glória, à vida plena.
Diante de uma realidade onde a vida está se perdendo e sendo ameçada, a Campanha da Fraternidade nos orienta para “Escolher a Vida”. O refrão do Hino da Campanha é muito claro: “Ponho, então, à tua frente dois caminhos diferentes: vida e morte, escolherás. Sê sensato escolhe a vida! Parte o pão, cura as feridas! Sê fraterno e viverás”. Na leitura da Paixão deste domingo somos convidados a perceber que Cristo morre na cruz para nos vida nova. Diz Jesus: “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32).
(fr. João Carlos)

Chiara Lubich

Nota da CNBB sobre a morte de Chiara Lubich
sexta: 14 de março de 2008


A CNBB recebe com pesar a notícia da morte de Chiara Lubich, ocorrida na madrugada de hoje em Roma, solidarizando-se com todos os membros do Movimento dos Focolares, fundado por ela em 1943 e presente no Brasil desde 1958.

Chiara Lubich, ao longo de sua vida, deu um grande testemunho de fé e humanidade, num empenho constante pela comunhão na Igreja, pelo diálogo ecumênico e pela fraternidade entre todos dos povos.

Recordamos suas diversas visitas ao nosso País, particularmente em 1991 quando propôs a criação da Economia de Comunhão que, no âmbito do Movimento dos Focolares, buscou ser uma resposta aos grandes problemas sociais de nosso povo. Essa experiência logo se consolidou e se expandiu, sendo hoje um modelo de solidariedade e de serviço aos mais pobres em todo o Mundo.

A Deus fazemos chegar nossa prece a fim de que acolha Chiara Lubich entre os eleitos, dando-lhe do banquete preparado para os que, nesta vida, serviram Cristo nos mais pobres e sofredores. Conforte-nos a palavra da Sabedoria: “As almas dos justos estão na mão de Deus (...), eles estão na paz” (Sb 3,1.3c).

Brasília - DF, 14 de março de 2008


Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

8 de março de 2008

5° Domingo da Quaresma - Ressurreição de Lázaro

Nestes últimos domingos a liturgia dominical nos apresentou um caminho batismal onde convidava as pessoas a aprofundar o seu compromisso. Ao apresentar o diálogo de Jesus com a Samaritana (Jo 4,5-42) percebemos que Cristo ofereceu o Dom da Água vida para saciar a sede e a busca de Deus. Depois Cristo apareceu como Luz que brilha diante das trevas. Na liturgia deste domingo, o quinto da quaresma, Cristo ressuscita o amigo Lázaro e aparece como o Senhor da vida.
O Profeta Ezequiel exerceu a sua atividade entre os anos 593 a 571 a.C. no tempo do exílio da Babilônia. É o Profeta da esperança. Certamente a experiência do exílio foi marcante e sofredora. Longe da terra prometida e do “amor de Deus” o povo de Israel foi tomando consciência da sua “situação de morte”. A situação dos israelitas era a seguinte: “nossos ossos estão secos e nossa esperança se foi. Para nós tudo acabou” (Ez 37,11). Assim, através do Profeta, Javé dirá: “vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel... Porei em vós o meu espírito, para que vivais, e vos colocarei em vossa terra. Então sabereis que eu, o Senhor, digo e faço” (Ez 37,12-14). Com este espírito, o Profeta reanima o povo desesperançado e mostra que o Deus de Israel é o Deus da vida e liberta o seu povo de todo tipo de opressão, dando-lhe a oportunidade para se organizar tomar consciência da sua própria dignidade.
O texto bíblico sobre a “Ressurreição de Lázaro” situa-se dentro do contexto em que o autor do Quarto Evangelho coloca os Sinais onde Jesus se revela. Poderíamos perguntar: quais seriam estes Sinais (milagres)? A Comunidade que se formou em torno do “Discípulo Amado” procurou alimentar e aprofundar a sua fé em Jesus Cristo. Aos poucos foram descobrindo que estes Sinais ou Milagres pudessem sustentar que Jesus é o enviado de Deus e que revela o “rosto de Deus”, quando diz: “quem me vê, vê o Pai” (Jo, 14,9). Estes sinais foram distribuídos da seguinte maneira: a. Primeiro Sinal: “Jesus muda a água em vinho” – (Jo 2,1-12); b. Segundo Sinal: “Jesus cura o filho do funcionário do rei” – (Jo 4,46-54); Terceiro Sinal – “Jesus cura o Paralítico”- (Jo 5,1-18); Quarto Sinal: “Jesus multiplica os pães” – (Jo 6,1,14); Quinto Sinal: “Jesus caminha sobre as águas” – (Jo 6,16,21); Sexto Sinal: “Jesus cura o cego de nascimento” – (Jo 9,1-41); Sétimo Sinal: “Jesus ressuscita o amigo Lázaro” – (Jo 11, 1-43).
Assim sendo, o sétimo sinal, que relata a Ressurreição de Lázaro é o mais importante, e situa-se no contexto da festa da Dedicação, na qual eram lidos textos do AT que falavam da ação de Javé-Pastor (cf. Ez 34,1-18; Salmo 23/22; Jo 10,1-21). Nesse sentido, o defunto Lázaro é a ovelha que ouve a voz do Pastor e sai para fora, para a vida. A ressurreição de Lázaro é apenas um sinal que aponta para uma realidade maior e mais profunda: a vitória de Jesus sobre a morte e sua glorificação. Este é o sentido do v. 4: “Esta doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”.
A cena situa-nos em Betânia, uma aldeia a Este do monte das Oliveiras, a cerca de três quilômetros de Jerusalém. O autor do Evangelho coloca-nos diante de um episódio familiar: a morte de um homem. A família mencionada, constituída por três pessoas (Marta, Maria e Lázaro), parece conhecida de Jesus: no vers. 5, diz-se que Jesus amava Marta, a sua irmã Maria e Lázaro. A visita de Jesus a casa desta família é, aliás, mencionada pelo evangelista Lucas (10,38-42); e João tem o cuidado de observar que a Maria, aqui referenciada, é a mesma que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe tinha enxugado os pés com os cabelos (vers. 2, cf. Jo 12,1-8).
A relação de Jesus com Lázaro é de afeto e amizade; mas Jesus não vai imediatamente ao seu encontro; parece, até, atrasar-se deliberadamente (Jo 11,6). Com a sua passividade, Jesus deixa que a morte física do “amigo” se consuma. Provavelmente, na intenção do nosso catequista, o pormenor significa que Jesus não veio para alterar o ciclo normal da vida física do homem, libertando-o da morte biológica; veio, sim, para dar um novo sentido à morte física e para oferecer ao homem a vida eterna.
Depois de dois dias, Jesus resolve dirigir-se à Judéia ao encontro do “amigo”. No entanto, a oposição a Jesus está, precisamente, na Judéia e, de forma especial, em Jerusalém. Os discípulos tentam dissuadi-LO: eles não entenderam, ainda, que o plano do Pai é que Jesus dê vida ao homem enfermo, mesmo que para isso corra riscos e tenha de oferecer a sua própria vida. Jesus não dá atenção ao medo dos discípulos: a sua preocupação única é realizar o plano do Pai no sentido de dar vida ao homem. Jesus não pode abandonar o “amigo”: Ele é o pastor que desafia o perigo por amor dos seus.
Ao chegar a Betânia, Jesus encontrou o “amigo” sepultado há já quatro dias. Quando Jesus chega, Lázaro está, pois, verdadeiramente morto. Jesus não elimina a morte física; mas, para quem é “amigo” de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva.
Por esta altura, entram em cena as “irmãs” de Lázaro. Marta vai ao encontro de Jesus e diz: “Senhor, se tivesses estado aqui meu irmão não teria morrido...” (Jo 11,21). Jesus responde dizendo-lhe: “teu irmão ressuscitará”. Marta pensa nas palavras de Jesus, mas na sua concepção o seu irmão ressuscitaria na ressurreição do último dia (Jo 11,24). Jesus insiste e se revela: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isso?” (Jo 11,25-26). Neste momento Marta faz a sua profissão de fé: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu é o Messias, o Filho de Deus que devia vir ao mundo”. (Jo 11,27). Marta fez um caminho de fé. Fez a sua Páscoa, passando da sua mentalidade judaica e acreditando que Jesus é Filho de Deus.
(fr. João Carlos)
A cena da ressurreição de Lázaro começa com Jesus a chorar (Jo 11,35). Não é pranto ruidoso, mas sereno… Jesus mostra, dessa forma, o seu afeto por Lázaro, a sua saudade do amigo ausente. Ele – como nós – sente a dor, diante da morte física de uma pessoa amada; mas a sua dor não é desespero. Jesus chega junto do sepulcro de Lázaro. A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra (como era costume, entre os judeus). A pedra é, aqui, símbolo da morte definitiva. Separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, cortando qualquer relação entre um e outro.
Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra”: para aqueles que acreditam não se trata de duas realidades sem qualquer relação. Jesus, ao oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física. A morte física não afasta o homem da vida. A ação de dar vida a Lázaro representa a concretização da missão que o Pai confiou a Jesus: dar vida plena e definitiva ao homem.
A família de Betânia representa a comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs. Todos eles conhecem Jesus, são amigos de Jesus, acolhem Jesus na sua casa e na sua vida. Essa família também faz a experiência da morte física. Como é que deve lidar com ela? Com o desespero de quem acha que tudo acabou? Com a tristeza de quem acha que a morte venceu e tudo está perdido? Não. Ser amigo de Jesus é saber que Ele é a ressurreição e a vida e que dá aos seus a vida plena, em todos os momentos. Ele não evita a morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus, apenas a passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva. Para os “amigos” de Jesus – para aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos – não há morte… Podemos chorar a saudade pela partida de um irmão, mas temos de saber que, ao deixar este mundo, ele encontrou a vida plena, na glória de Deus.
A vida é esperança. Estão vivos aqueles que esperam. Depois do momento do nosso nascimento, em que fomos criados, somos habitados pela esperança. Não cessamos de procurar, esperar, desejar. Procuramos os sinais de Deus? Esperamos a sua vinda? Desejamos a sua presença? Neste tempo da Quaresma, somos convidados à conversão. A esperança opera uma mudança nos nossos comportamentos. Não nos contentemos com esperanças que nos podem decepcionar. Nós vivemos de esperança, porque Deus não pode decepcionar-nos. Porque o nosso Deus é um Deus que fala, somos chamados por Ele. A esperança faz-nos escutar os seus apelos e responder-lhes. Estejamos atentos e esperançosos, pois Cristo continua dizendo: “Eu sou a ressurreição e a vida”.
(fr. João Carlos)

6 de março de 2008

Para refletir

Pequena história... leia
- Doutor, o senhor terá de me ajudar num problema muito sério.Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro.
E então o médico perguntou:
- Muito bem. E o que a senhora quer que eu faça?
A mulher, já esperançosa, respondeu:
- Desejo interromper esta gravidez e conto com a ajuda do senhor.
O médico então pensou um pouco e depois do seu silêncio disse a mulher:
- Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.
A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.
E então ele completou:
- Veja bem, minha senhora, para não ter de ficar com os dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, o outro poderá nascer. Se o caso é matar, não há diferença para mim entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco.
A mulher apavorou-se e disse:
- Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime!
O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito.
Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança já nascida e matar uma criança ainda por nascer, mas viva no seio materno.
O CRIME É EXATAMENTE O MESMO E O PECADO, DIANTE DE DEUS, EXATAMENTE O MESMO.
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MOVIMENTO NACIONAL EM DEFESA DA VIDA BRASIL SEM ABORTO
Enviado por Gleidson

4 de março de 2008

Somos Servos - 9° mês


"Meu coração transborda em belo poema.

Eu dedico a minha obra a um rei.

Minha língua é ágil pena de escritor."


Salmo 45/44, 2

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