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25 de fevereiro de 2008

VIA SACRA

1ª Estação

Jesus é condenado à morte

Jesus não é aceito pelas pessoas do seu tempo. Suas idéias não satisfazem aos interesses de muitos, pois ele está do aldo dos pobres, dos injustos, dos marginalizados, dos pecadores.

Por isso, os poderosos do seu tempo decidem que ele não pode continuar no meio do povo, pregando suas idéias, e resolvem matá-lo.

Canto:

A morrer crucificado,
Teu Jesus é condenado,
Por teus crimes, pecador. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)


2ª Estação

Jesus carrega a cruz

A caminhada de Jesus começa. Com a cruz às costas, ele se dirige para o Calvário.

A morte é a amarga realidade que se impõe, não lhe resta alternativas.

Canto:

Com a cruz é carregado
Vai sofrendo resignado.
Vai morrer por teu amor. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)


3ª Estação

Jesus cai pela primeira vez

A noite foi longa, marcada pelo sofrimento. Foram acusações, bofetadas, cusparadas, humilhações, flagelação, fome, sede, abandono...

A fraqueza se impõe, a queda é inevitável.

Canto:

Sob o peso desmedido,
Cai Jesus desfalecido,
Pela tua salvação. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória.


4ª Estação

Jesus se encontra com sua Mãe

A Mãe vai ao encontro do Filho para lhe dar a única coisa que pode: muito amor.

Ela vê seu sofrimento, e não pode fazer mais nada por Ele.

Canto:

Vê a dor da Mãe amada,
Que se encontra desolada,
Com seu Filho em aflição. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-maria e Glória


5ª Estação

Simão Cireneu ajuda Jesus a carregar a cruz

Enfim um auxílio chegou. Agora vai ser possível chegar até o Calvário, pois Jesus não mais carrega sozinho sua cruz.

A solidão na caminhada é uma das maiores dificuldades para que se possa chegar até o fim.

Canto:

No caminho do Calvário,
Um auxílio necessário,
Não lhe nega Cireneu. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


6ª Estação

Verônica enxuga o rosto de Jesus

Alguém vem ao encontro de Jesus para um gesto de solidariedade.

Nós precisamos ir ao encontro das pessoas para manifestar também nossa solidariedade para com elas.

Canto:

Eis o rosto ensanguentado,
Por Verônica enxugado,
Que no pano apareceu. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


7ª Estação

Jesus cai pela segunda vez

A caminhada é longa e difícil. Por isso, as quedas se repetem.

Enquanto as dificuldades aumentam, as forças diminuem.

Canto:

Novamente desmaiado,
Sob a cruz que vai levando,
Cai por terra o Salvador. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


8ª Estação

Jesus consola as mulheres de Jerusalém

As mulheres vão ao encontro de Jesus para chorar, porque ele vai morrer.

A sociedade providencia tudo o que é necessário, para que as coisas aconteçam como devem ser.

Canto:

das mulhres que choravam,
Que fiéis O acompanhavam,
É Jesus consolador. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


9ª Estação

Jesus cai pela terceira vez

A caminhada está no fim, não dá mais para suportar nova queda, a última, antes do Calvário.

É a última queda, a queda que precede o fim.

Canto:

Cai exausto o bom Senhor,
Esmagado pela dor,
Dos pecados e da cruz. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


10ª Estação

Jesus é despido de suas vestes

Tiram tudo o que restava a Jesus, inclusive a túnica que foi tecida por sua Mãe. Não lhe resta mais nada.

Até sua dignidade é violentamente ferida naquele momento.

Canto:

Já do algoz as mãos agrestes,
As sangrentas pobres vestes,
Vão tirar do bom Senhor. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


11ª Estação

Jesus é pregado na cruz

Transpassaram suas mãos e seus pés, e ele foi elevado entre o céu e a terra.

Para atrair todos a si e lhes conceder a salvação.

Canto:

Sois por mim na cruz pregado,
Insultado, blasfemado,
Com cegueira e com furor. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


12ª Estação

Jesus morre na cruz

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.

Está tudo consumado, Jesus cumpriu sua missão.

Canto:

Por meus crimes padecestes,
Meu Jesus por mim morrestes,
Quanta angústia, quanta dor! (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


13ª Estação

Jesus é descido da cruz

Podemos contemplar Jesus no colo de Maria, que sofre com a morte de seu Filho.

Muitas pessoas amam verdadeiramente as pessoas que sofrem quando elas morrem.

Canto:

Do madeiro vos tiraram,
E à Mãe vos entregaram,
Com que dor e compaixão. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


14ª Estação

Jesus é sepultado

Algumas pessoas amavam Jesus, por isso fazem de tudo para que ao menos ele tenha uma sepultara digna.

O amor não cessa com a morte. É sempre capaz de ir além.

Canto:

No sepulcro vos puseram,
Mas os homens tudo esperam,
Do mistério da paixão. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória


15ª Estação

Jesus Ressuscitado

O amor venceu. A vida venceu a morte. Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente e etá entre nós.

Para nos conduzir à verdadeira vida.

Canto:

Meu Jesus, por vossos passos,
Recebi em vossos braços,
A mim, pobre pecador. (bis)

Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus. (bis)

Pai-nosso, Ave-Maria e Glória

23 de fevereiro de 2008

3° Domingo da Quaresma

Estamos celebrando o Terceiro Domingo da Quaresma. Neste domingo, a liturgia nos convida a refletir sobre o diálogo de Jesus com a Samaritana. O autor do Quarto Evangelho [A Comunidade de João] tem um estilo próprio para evangelizar. Diferente dos outros evangelistas (Mateus, Marcos e Lucas). Ele utiliza de situações normais da vida cotidiana, milagres ou sinais para introduzir e iniciar a pessoa num processo de fé, “e ‘acreditar’ que Jesus é o Messias, o filho de Deus” (Jo 20,31).

O relato do encontro de Jesus com a Mulher samaritana está situado no contexto em que “os fariseus ficaram sabendo que Jesus atraia discípulos e batizava mais que João. Ao saber disso, Jesus deixou a Judéia e foi de novo para a Galiléia. Jesus tinha que passar pela Samaria” (Jo 4,1-4). Por que Jesus “tinha que passar pela Samaria?” O versículo nos indica um sentido novo. A região da Samaria era considera uma região pagã, possuía uma cultura de vários povos e sempre foi olhada com hostilidade e desprezo pelos judeus. Mas Jesus tinha uma missão na Samaria e para chegar a Galiléia, prefere passar por esta região.

O texto diz que Jesus chegou ao “Poço de Jacó” por volta do meio dia (hora sexta). “Cansado da viagem sentou-se... então chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe pediu: ‘dê-me de beber’ (Jo 4,5,-7)". A partir deste momento inicia-se todo um diálogo entre Jesus e a Mulher Samaritana. Neste encontro iremos perceber a “sede” da mulher em querer saber quem é este homem que se aproxima e se revela quem ele é.

Sabemos que a Região da Samaria nunca foi vista com bons olhos pelos judeus. Eles consideravam os samariantos como pagãos e “adoradores” de outros deuses. Esta região foi invadida por outros povos (Assíria, etc.). A Mulher Samaritana, que não se sabe qual é o seu nome verdadeiro, simboliza todo um povo, desprezado, esquecido. Ela se espanta quando Jesus lhe pede água e diz: “como é que tu, sendo judeu, pedes a mim, que sou samaritana?” (Jo 4,9). Jesus respondeu: “se conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo de beber, você é que lhe pediria. E ele daria a você água viva” (Jo 4,10). A partir deste momento o diálogo entre os dois se aprofunda a cada momento. A mulher vai buscar água, com o seu cântaro, todos os dias. Jesus lhe oferece outro tipo de água. Buscar água todos os dias significaria que jamais a sede se saciaria. As perguntas de Jesus surpreendem a mulher. Ela já tivera cinco maridos. O diálogo se torna envolvente e profundo. Jesus “questiona” os seus sentimentos. Aos poucos ela vai descobrindo que Jesus é “Senhor” (v. 11), “Profeta” (v. 19), “Messias” (v.25), “salvador do mundo” (v. 42).

Muitos símbolos e sinais aparecem no texto: o poço, a água, o cântaro...

1. O Poço:
Poderia significar toda a tradição dos Patriarcas, da Lei, da pessoa de Moisés, as Instituições judaicas, Jerusalém e ainda uma realidade que mantinha a sede. Por conseguinte, a “samaritana”, simbolizada pelo povo, sempre teria que voltar a buscar água. Por outro lado, a partir do encontro com Jesus, os samaritanos puderam perceber a nova Lei, o dom da água viva, a superação “dos conflitos”, uma nova mentalidade, o novo templo e uma nova maneira de rezar, um novo tipo de encontro e de relacionamento. Por isso que Jesus, no diálogo, insistiu: “quem bebe desta água vai ter sede de novo. Mas aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe darei, vai se tornar dentro dele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. (Jo 4, 13-15).

2. A Água:
No A.T.: a água poderia simbolizar:
- Água da fonte e água viva: (Jr 2, 13; Ez 47,1ss; Is 12, 3; Eclo 15, 1-3; Pr 13, 14.
No N.T.: a água poderia simbolizar: Dom de Deus e dom do Espírito Santo:
- “Se conhecesses do Dom de Deus” (Jo 4,10)
- “Se alguém tem sede, venha a mim e beba...” (Jo 6,37-39)

3. O Cântaro:
É o símbolo do utensílio diário para buscar água. A mulher todos os dias à “hora sexta” se dirigia ao poço para buscar água que jamais saciaria a sua sede e a sede de um povo. No momento em que Jesus se revela que Ele é o Messias, o Cristo..., a Samaritana “deixou o cântaro e foi à aldeia e disse aos vizinhos: venham ver um homem que me disse o que eu fiz. Será que ele não é o Messias?” (Jo 4,28-29). Contudo, depois que a Samaritana deixou o cântaro, ela sentiu totalmente transformada pelo encontro de Jesus e começa a sua campanha divulgando o fato ocorrido. Hoje, diríamos que foi contagiada pelo desejo missionário. Deixou o “cântaro de todos os dias” e partiu para uma vida renovada pelo amor e pelo dom de Deus.
“Os judeus se consideravam escolhidos por Deus, mas não compreenderam a mensagem de Jesus, e até obrigaram a sair da Judéia (Jo 4,1-3). Os samaritanos, que eram considerados um povo marginalizados e herege, acolheram Jesus como salvador do mundo” (Nota da Bíblia Edição Pastoral – Ed. Paulus). Neste encontro profundo com o povo da Samaria, simbolizado na “mulher samaritana”, “sucede uma conversão prodigiosa do povo samaritano. A mulher foi a evangelizadora e depois desencadeou um processo. Ao ouvi-la ‘creram nele’; crendo acorreram a ele; ouvindo-o creram mais e melhor e Fazem a sua profissão de fé, ‘sabemos, conhecemos’ que Jesus é o Salvador do mundo não só dos judeus e samaritanos (Is 45,15.21); não só profeta ou Messias político. O Salvador traz a salvação, revelação e vida” (nota de Bíblia do Peregrino, Ed. Paulus).

Contudo, “os samaritanos foram ao encontro de Jesus e lhe pediram que ficasse com eles. E Jesus ficou aí dois dias. Muitas outras pessoas acreditaram em Jesus ao ouvir a sua palavra. E diziam à mulher: ‘já não acreditamos por causa daquilo que você disse. Agora, nós mesmos ouvimos e sabemos que este é, de fato o salvador do mundo’”. (Jo. 4, 40-42).
(Fr. João Carlos)

22 de fevereiro de 2008


A paz de Jesus e o amor de Maria estejam sempre em nossos corações.

Que tal refletirmos hoje a respeito da vida?

A vida que cada um de nós pode levar aos nossos irmão?

Muitas vezes estamos diante de pessoas que precisam muito da nossa ajuda e não conseguimos perceber. Às vezes nos tornamos frios no amor pois nos deixamos levar pela ideia do ter e esquecemos que o Ser é infinitamente mais importante. Nós não podemos deixar que a sociedade determine um modelo de felicidade ou de sucesso.

Quem foi que disse que para sermos felizes ou sermos bem sucedidos precisamos ser ricos, usar roupas de marca, ter um carro do ano? Quem foi que disse?

Bom eu não sei mas posso afirmar que isso não é verdade.

Todos nós devemos sim lutar por uma vida digna, mas não devemos depositar nossa esperança nas coisas materiais, pois só Deus é a essência de tudo. Não existem modelos humanos a serem seguidos, o único modelo que devemos seguir é o de Jesus.

Não quero dizer que você tenha que se conformar com sua vida material do jeito que ela está, não é isso! Se você tem projetos lute, trabalhe para alcança-los mas por favor não os ponha em primeiro lugar, pois com o passar do tempo o ter não será o suficiente para sua Paz. Sempre estará insatisfeito. Pois o material não preenche o nosso ser.

Fomos criados por Deus para Deus só ele é capaz de nos completar da maneira mais eficaz e eficiente.

Hoje façamos essa reflexão de como estando sendo em relação aos que estão ao nosso redor e conosco mesmo, será que estamos nos esforçando o suficiente para seguirmos o modelo de Jesus?

Devemos ficar atentos pois a pessoa que está ao meu lado pode estar precisando apenas de um Oi ou um abraço para dar um sorriso. Não podemos dar vida isso cabe somente a Deus,mas podemos dar a alegria de viver.

Então não importa a sua condição física, psicologica, emocional.

Deus que te usar hoje para fazer alguém feliz.

Seja feliz

Seja livre

Seja você e não quem querem que você seja.

Não se esconda por trás de uma roupa, dentro de um carro.

Você é mais do que isso.

Sorria e faça seu irmão sorrir.

Louve e faça seu irmão louvar.

Leve a vida,

Leve jesus.

Que Deus possa nos abençoar hoje e sempre!



21 de fevereiro de 2008

A feira dos mortais e dos imortais

Leonardo Boff
Teólogo
Com frequência comparece nas colunas sociais dos periódicos a feira das vaidades. Há disputa para entrar no cercadinho onde estão as celebridades, geralmente, modelos da moda ou artistas conhecidos. Travam-se verdadeiras batalhas para conquistar um lugar na primeira fila e ganhar visibilidade. Na época do carnaval, então, isso chega ao seu paroxismo. Nos palácios de governo, os políticos se acotovelam para estar fisicamente mais perto do chefe. As fotos nas colunas sociais mostram pessoas glamourosas, aparentemente felizes, comendo, bebendo e festejando.



Mas basta vasculhar outras páginas do mesmo jornal para se ver o outro lado da realidade: violência generalizada, enfrentamento entre policiais e gangues da droga, assaltos, assassinatos, escândalos políticos que nunca páram, crescente favelização das cidades e, por fim, as ameaças de devastação que pesam sobre o inteiro Planeta. Como combinar esses dois cenários?



Espontaneamente me vem a mente o relato do dilúvio. Indiferentes à maldade que grassava no mundo, as pessoas, dizem os textos, "comiam e bebiam, sem se dar conta de nada, até que veio o dilúvio que arrebatou a todos".



Não precisamos do dilúvio. Baste-nos a certeza de que todos, também os glamourosos, são mortais. Com o tempo, a beleza se esfuma, os achaques aparecem, o envelhecimento é irrefreável e por fim todos morrem. Carregamos apenas o bem que tivermos feito e nada do glamour e da fama. É a condição humana que importa nunca esquecer para não parecemos frívolos ou ridículos.
Outra cena. Em funão do trabalho de assessoria a grupos populares, encontro outra paisagem social: pessoas das periferias, habitantes de comunidades carentes que chama de "favelas", grande parte trabalhadora e honesta, enfrentando, dia a dia, a dura luta pela sobrevivência. Os rostos vincados, as mãos calosas, o olhar determinado mostram os sinais da luta renhida pela vida.Os glamourosos os vêem com certo desdém, com receio, no máximo, com pena. Mal lembram que são seus semelhantes e imortais.
Olhando-os atentamente, me vem a mente uma cena do Apocalipse. Um dos anciãos pergunta: "Estes, milhares, quem são e de onde vieram? E o Senhor respondeu: estes são os que vêm da grande tribulação... O Cordeiro os apascentará e guiará às fontes de água viva e Deus lhes enxugará toda lágrima dos olhos". Estes, da grande tribulação, mesmo sendo imortais, os vejo em sua dimensão de imortais. Pois, em cada pessoa, mas particularmente nestes, Deus está nascendo dentro deles, fazendo-se seus filhos e filhas e urdindo-lhes um destino de imortalidade.
Se olhássemos nesta ótica, outra seria a nossa atitude. Daríamos uma pequena chance à verdade de triunfar sobre os preconceitos. Descobriríamos que somos todos imortais, também os mortais glamourosos, pois assim fomos feitos e este é o desígnio do Criador. Jesus não quis outra coisa senão que nos tratássemos como irmãos e irmãs e que revelássemos uns aos outros a Deus como Pai e Mãe.
Cada manhã ao levantarmos, temos que decidir: queremos nos comportar como mortais ou imortais? Viver da aparência enganadora ou da realidade pura e simples?
Quão monótona e semelhante é a vida das celebridades mortais"! Quão diversificada e épica é a vida dos simples mortais!




Bom Dia !
A Paz de Jesus meus amados e minhas amadas.
Hoje gostaria de refletir junto com todos vocês um pouquinho sobre quem cada um de nós é.
Sem sombra de dúvidas somos filhos lindos do Pai do céu, que nos criou a sua imagem e semelhança, mas ,quem estamos sendo no dia de hoje?
Será que estamos sendo o que deveríamos ser?
Ou estamos nos deixando contagiar pelo desanimo e pela falta de fé desecadeados pelos problemas que nos rodeiam no dia-a-dia?
Deus sonha conosco e seus sonhos são grandes mas nós temos que acreditar e também sonhar para que eles se tornem realidade. Se acreditar-mos teremos forças para lutar e vontade para nos levantar, não importa onde estejamos caidos.

Tenhamos ânimo!

Se algo está nos desmotivando voltemo-nos para o Pai pois Ele tem a força, o poder do alto que é o Espirito Santo. Sejamos audaciosos e lutemos contra nós mesmos pois muitas vezes essa é a maior guerra, a luta contra si próprio, não se entregue a mesmice, não seja igual.
Faça a diferença, você é único, única não espere que alguém ou até mesmo Deus venha fazer tudo por você, faça você a sua parte!

Todos nós temos problema de diferentes instâncias mas não temos o direito de abater o nosso irmão por causa de nossas adversidades..
Hoje Deus nos quer soldados para lutar em prol da vida eterna e essa luta começa aqui e agora
De certo meus irmãos que não é fácil mas sé possível.
O importante é buscar todos os dias mudar um pouco:

Se está atriste ,busque a alegria no Senhor,
Se está peturbado, busque a paz De Deu
Se está doente , busque a cura do Pai,
Se está confuso, escute a Palavra
Se está magoado, busque o conforto
Se está pesado o fardo , entregue a Jesus
Se quer desistir, lute
Deus está contigo!
Se quer ser amado, ame
Ame, Ame , Ame
Doe-se sem reservas e sentirá o amor
E viverás!
Fiquem em Paz!

Que Deus nos abençoe!


17 de fevereiro de 2008

VOCÊ PODE AJUDAR ALGUÉM


O que podemos fazer para ajudar nosso irmão?

Muitos de nós pensamos não ter nada a oferecer em prol dos outros, existem aqueles casos onde podem mas não querem ajudar é verdade, mas ninguém pode abrir a boca e falar que nada pode fazer pelo seu próximo, pois mesmo quando não temos coisas materias temos o nosso amor e nossa força que podem ser usadas para fazer uma obra de caridade ao próximo.

A sopa que o Grupo de Oração Sal e Luz distribuí por exemplo:
É uma obra possível não só porque os servos se disponibilizam a ir lá na igreja são sebastião toda sexta-feira à noite para prepará-la, é algo maior que isso, pois tem aqueles que não vão preparar mas colaboram com material, com dinheiro e por sua vez já têm outros que não dão coisas materias, não ajudam a preparar mas vão fazer a entrega da sopa àqueles irmaõzinhos que moram nas ruas de nossa cidade. Entende o que quero dizer?

Cada um deu de si o que podia ,mas deu.
O importante é não nos calarmos, não nos conformarmos, não nos omitirmos.
Temos que lutar a cada dia para crescermos e ajudar a todos ao nosso redor a crescer não só na fé mas também na esperança. E isso exige atitude, força de vontade, temos que fazer escolhas e como uma amigo diz : "Eleger prioridades" , prioridades essas que sejam de Deus.
Que a Paz do Senhor esteja sempre conosco.



Momentos de louvor e oração na entrega da sopa! Procuramos dar o alimento para o corpo que é sopa mas tentamos levá-los a Deus através das orações.





Tem Momento de Animação também!!!!
E eles se animam podem acreditar. Não precisamos temê-los eles são simples e gostam de receber além da sopa o calor humano que todos nós precisamos.



Quando perguntei se podia tirar essa foto eles responderam que sim. Que tinham prazer em ajudar para todos conhecerem essa obra de Deus! Fiquei surpresa com a resposta deles. Eles têm fé! Talvez só tenha lhes faltado uma oportunidade.
Nosso papel é acolhe-los e não julgá-los.



E eles oram e se emocionam mesmo, tem uns que são mais desconfiados mas outros se lançam nos braços do Pai e isso é no minimo gratificante . É muito bom vê-los assim!

ESSA OBRA É DE DEUS! TODA HONRA E TODA GLÓRIA A E ELE. POIS SÓ ELE É TRÊS VEZES SANTO.

9 de fevereiro de 2008

As tentações

Estamos no início do itinerário quaresmal que nos lembra os 40 anos de Povo de Deus no Deserto e os 40 dias em que Jesus passou no deserto. É um período importante para a nossa vida cristã e espiritual. Um tempo para cada um pensar no seu Jejum, penitência e uma oração intensa. Assim estaremos nos preparando para as festas da Páscoa com um coração purificado, um espírito renovado e uma disposição mais firme e segura para continuar seguindo o Cristo, nosso Messias Salvador.

    Este Primeiro Domingo da Quaresma fala sobre as tentações de Jesus. São Mateus apresenta Jesus como o "Mestre da Justiça". Os caps. 3 e 4 poderiam ser resumidos da seguinte maneira: "com Jesus, o reino da justiça chegou". No texto Jesus se expressa: "devemos cumprir toda a justiça" (Mt 3,15). No texto de Mateus encontramos: "depois de ser batizado, Jesus logo saiu da água. Então o céu se abriu, e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e pousando sobre ele. E do céu veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho amado, que muito em agrada". Porém, se poderia perguntar: "como realizar a justiça do reino?" Assim, para responder e esclarecer o que significaria a "justiça do reino" o Evangelista Mateus mostra as tentações de Jesus.

    O texto do evangelho diz: "então o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, depois disso, sentiu fome". (Mt 4,1-2). Vemos que Jesus foi conduzido pelo Espírito ao Deserto e lá sofreu as tentações. Deserto... Neste contexto tem um simbolismo muito profundo e lembra: 1. "a gestação do projeto de Deus para o Povo de Deus do Antigo Testamento"; 2. O período em que Moisés ficou na montanha "durante quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água" (Ex 34,28); 3. O Profeta Elias que: "... se levantou, comeu, bebeu e, sustentado pela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até o Horeb, a montanha de Deus" (1Re 19,8); 4. 40 anos do povo no deserto: "Eu fiz vocês caminharem quarenta anos pelo deserto" (Dt 29,4); 5. E por fim, Jesus, no deserto, jejuou durante quarenta dias e quarenta noites (Mt 4,1-20).

    Na atualidade, o deserto é o símbolo de um lugar árido, seco , sem vida... que nos convida a uma interiorização, purificação, reconciliação, encontro consigo mesmo, com Deus e com os irmãos. A Espiritualidade da quaresma nos convida rever toda a nossa vida e depois de fazer a experiência do deserto, renovar a vida à luz do mistério pascal de Cristo.

    O Diabo, no deserto, tentou Jesus. Quais seriam estas tentações? Poderíamos perceber três grandes tentações: 1. Realizar a justiça do Reino mediante a abundância, 2. Realizar a justiça do reino mediante o prestígio e 3. Realizar a justiça do reino mediante o poder.


 

1. Realizar a justiça do Reino mediante a abundância (Mt 4,1-4):

O diabo é aquele que tem um projeto capaz de perverter o projeto de Deus e de Jesus. A proposta que ele faz é de que Jesus realize a justiça do Reino mediante um passe de mágica, utilizando Deus em benefício próprio: "Se és Filho de Deus, manda que essas pedras se tornem pães!" (Mt 4,3). Jesus recusa ser o messias da abundância, do poder... porque o projeto de Deus é mais humano e fraterno: "Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus", ou seja, os mandamentos, instrumento para a criação do novo Povo de Deus em que o pão é partilhado entre todos (v. 4; cf. Dt 8,3). O texto do Deuteronômio citado por Jesus fala do tempo em que o povo vivia no deserto e se contentava em viver assim desde que tivesse pão para comer, mas pão para todos (o maná). A palavra de Javé, porém, tem objetivos mais amplos: conduzir todo o povo à plena posse da liberdade e da vida.


 

2. Realizar a justiça do Reino mediante o prestígio (vv. 5-7)    

O diabo tenta Jesus para que abuse do poder de Deus a fim de se livrar da morte. E desta vez utiliza um texto da Bíblia (Sl 91,11-12). Jesus é convidado a se precipitar do ponto mais alto do Templo de Jerusalém, para demonstrar que Deus está do lado dele e será capaz de libertá-lo da morte. Segundo a crença popular, era nesse lugar que o Messias daria mostras de ser o enviado de Deus.

Jesus recusa ser o messias do prestígio. Recusa-se, sobretudo, a escapar da morte, pois o projeto de Deus, que é realizar a justiça do Reino, passa pela morte do Mestre da Justiça: "Não tentarás o Senhor teu Deus" (v. 7). Ser messias do prestígio é idolatria.


 


 

3. Realizar a justiça do Reino mediante o poder (Mt 4,8-10)


 

O diabo volta à carga, propondo que Jesus realize a justiça do Reino mediante a usurpação do poder: "Eu te darei todos os reinos do mundo e as suas riquezas se te prostrares diante de mim, para me adorar" (vv. 8b-9). Jesus é tentado a realizar a justiça do Reino tornando-se um líder do seu tempo. Ele têm consciência de eu poderá realizar a justiça do Reino assumindo totalmente o projeto de Deus, libertando e promovendo as pessoas.

Jesus recusa ser o messias do poder: "A Escritura diz: Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a ele servirás" (v. 10; cf. Dt 6,13). A citação completa desse versículo do Deuteronômio mostra claramente que absolutizar-se no poder é repetir a ação opressora do faraó. Além disso, a última tentação deixa claro que os reinos do mundo e as suas riquezas são coisas diabólicas. Jesus tem outros caminhos para realizar a justiça do Reino.

O evangelho de hoje termina dizendo que o diabo deixou Jesus, os anjos de Deus se aproximaram e o serviram (v. 11). Vencidas as tentações da abundância, prestígio e poder, ele está pronto a proclamar e instaurar a justiça do Reino, cumprimento da vontade de Deus.


 

A Quaresma é ótima ocasião para abrir os olhos e percebermos a realidade social enquanto tal. E que muitas vezes somos tentados ao acúmulo dos bens (1ª tentação), da busca de prestígio (2ª tentação) e da concentração do poder (3ª tentação). As tentações de Jesus são um alerta para todos nós. Contudo ao iniciarmos a primeira semana da quaresma somos convidados a morrer para o pecado e ressurgir para uma vida nova totalmente voltada para o seguimento de Cristo. Assim teremos "um novo céu e uma nova terra" (Ap 21,1-2).


 


 

(enviado por fr Joao Carlos=

7 de fevereiro de 2008

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2008


1. Com carinho, desenhei este planeta; com cuidado, aqui plantei o meu jardim. Com alegria,

eu sonhei um paraíso, para a vida, dom de amor que não tem fim.


Ponho, então , à tua frente dois caminhos diferentes: vida e morte, e escolherás. Sê sensato: escolhe a vida! Parte o pão, cura as feridas.

Sê fraterno e viverás.


2. Fiz o homem e a mulher à minha imagem; por amor e para o amor, eu os criei. Com meu povo, celebrei uma aliança. O caminho da justiça eu ensinei.


3. Com Tristeza, vejo a vida desprezada nos meus filhos e em toda a natureza. Me entristecem tantas vidas abortadas, dói em mim a violência e a pobreza.


4. Pelas margens desta vida há tanta gente que implora por jusriça e dignidade. Respeitar, cuidar da vida, é o que te peço. Vai! Trnsforma a tua fé em caridade.

5 de fevereiro de 2008

QUARTA-FEIRA DE CINZAS


 

    Estaremos iniciando na quarta-feira de cinzas o ciclo pascal, que compreende dois grandes tempos: o tempo da quaresma e o tempo da páscoa. Por isso, o tempo comum terá uma pausa. No domingo passado, dia 03.02.2008, celebramos o 4º Domingo comum e o próximo quinto domingo será retomado depois da solenidade de pentecostes.

    Mas, qual o significado das cinzas? Existem vários significados. Eis alguns:

- O uso litúrgico das cinzas tem a sua origem no Antigo Testamento. Elas simbolizam dor, morte e penitência. No tempo de Jesus (N.T.), simbolizavam conversão e arrependimento dos pecados. Neste sentido, a Igreja, desde os tempos primitivos continuou com mesmo simbolismo. Na liturgia atual utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Convertei-vos e crede no Evangelho" ou Recorda-te que és pó e em pó te converterás".


 

- As cinzas, celebrada na quarta-feira, marca o início da Quaresma. É o tempo de 40 dias que a Igreja e a liturgia nos convidam para nos preparar para a celebração da Páscoa. Este tempo deveria ser como um grande retiro coletivo, inspirando nos quarenta dias em que Cristo passou no deserto (Mt 4, 1-2; Mc 1,12-13; Lc 4,1-2), revisando a vida, purificando o coração, praticando a caridade, atitude penitencial e rezando intensamente.


 

- "As cinzas são constituídas de uma leveza, a ponto que um leve sopro é capaz de espalhá-las pelo ar. A contradição está que as cinzas tornaram-se um símbolo pesado em nossos dias, que se acostumou a aplaudir a grandiosidade e o sucesso da fama. A cinza torna-se um peso porque recorda nossa condição de criatura e, enquanto tal, somos dependentes de Deus, o Senhor da vida plena. O sucesso da fama é contraposto à debilidade humana que pertence a qualquer ser humano. É difícil ao homem e à mulher de nossos dias conviver com as debilidades físicas, com as deficiências físicas, com as limitações humanas, com as debilidades psicológicas. Por isso, as cinzas tornam-se pesadas e, de acordo com o que se ouve, quase que ridicularizadas entre aqueles que desconhecem seu profundo sentido existencial, o grande e pesado desafio que o símbolo das cinzas lança a cada homem e mulher".


 

- "As cinzas simbolizam a penitência. E colocá-las sobre as nossas cabeças quer dizer que não apaga pecado de ninguém. Para isso existe o Sacramento da Penitência.
As cinzas não apagam pecados, mas convida a reconhecer que o pecado atinge toda a nossa existência e nos torna vulneráveis, tanto do ponto de vista físico como do ponto de visto existencial. Por causa do pecado, muitos perdem o rumo da vida e tantos se atolam e não conseguem mais encontrar uma saída para viver feliz. Pecado é caminhar em caminhos que não são divinos e, por isso, não são capazes de dar sentido pleno e profundo à vida. As cinzas nos fazem reconhecer que somos pecadores e necessitados de conversão, de voltar a caminhar nos caminhos de Deus".


 

- Com a quarta-feira de cinzas se inicia a quaresma. É um tempo oportuno e intenso para a oração, as liturgias penitenciais, a conversão, a prática do jejum, esmola <caridade>, a partilha e a solidariedade fraterna... e porque não fazer uma boa confissão <sacramento da reconciliação> (Catecismo da Igreja Católica, 1438).


 

Fr. João Carlos, osm

4 de fevereiro de 2008

Somos Servos - 8° mês

Cantarei para sempre o amor de Javé,
anunciarei de geração em geração a tua fidelidade.
Pois eu disse:"Teu amor é um edifício eterno.
Tu firmaste a tua fidelidade mais que o céu".
Salmo 89, 2
Somos Servos completa neste mês de fevereiro oito meses de alegrias e conviência fraterna firmada na fidelidade do Senhor!
Paz no Senhor irmãos!

1 de fevereiro de 2008

4° Domingo Comum - As bem-aventuranças

O Evangelho deste Quarto Domingo, São Mateus apresenta o tema das Bem-Aventuranças. É um texto muito conhecido dos católicos cristãos. É o Projeto do Novo Reino que entra em questão. Assim ele apresenta o Evangelho baseado em 5 DISCURSOS de Jesus. Deseja mostrar Jesus como o novo Moisés, que na Montanha promulga a nova LEI (= as bem-aventuranças).
Veremos a seguir o primeiro discurso e um comentário de cada bem-aventurança apresentada pelo nosso evangelista. É bom ter presente que a primeira bem-aventurança está em sintonia com a oitava, porque uma abre e a outra praticamente fecha o tema. As outras – de quatro a nona – são uma explicação destas duas.
- Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus (v.3).
Freqüentemente tentou-se atenuar a força dessa expressão, como se os pobres em espírito fossem pessoas “humildes”, independentemente de sua condição social. A palavra pobre recorda os ‘anawim’ do Antigo Testamento e da época de Jesus: são os que depositaram sua confiança em Deus enquanto última instância, porque a sociedade lhes negava justiça. “O pobre é a pessoa honrada, piedoso, espiritualizado, justo (praticante da justiça, “ajustado diante de Deus), aberto a Deus e por isso feliz”. O Reino é deles porque, vivendo assim, realizam o pedido de Jesus (cf. 4,17: “Convertam-se, porque o reino do céu está próximo). Mas, por outro lado, mundo diz: "felizes os que têm dinheiro e sabem usá-lo para comprar influências, comodidade, poder, segurança e bem-estar". Onde está a verdadeira felicidade? Quem é, realmente, feliz?
- Bem-aventurados ao aflitos, porque serão consolados (v.4).
Esta bem-aventurança precisa ser a partir do premio merecido: o consolo. O consolo é uma realidade que Jesus nos traz e que compreende a dor da pessoa que precisa ser consolada. Esta bem-aventurança esclarece a vitória de Jesus sobre o pecado, a morte e a dor e quando Ele ressuscita fica mais evidente o sentido desta vitória. Neste sentido perceberemos que o Deus de Jesus Cristo é o Deus do Consolo (cf. Is 40, 1-5).
- Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra (v.5).
Não é fácil encontrar um adjetivo que justifique esta bem-aventurança. Porém, ela esta em sintonia com a primeira. Muitas vezes os mansos estão ligados com a realidade dos pobres, humildes. Eles têm a esperança da retribuição. Uma ressonância encontra com o Salmo 37, onde diz: “Não se irrite por causa dos maus, nem tenha inveja dos injustos. Ele são como erva: secam depressa, murcham logo como a relva. Confie em Javé e pratique o bem... Porque os maus vão ser excluídos, e os que esperam em Javé possuirão a terra... e não haverá mais injusto; os pobres vão possuir a terra... o injusto faz intrigas contra o justo, e contra ele range os dentes. (Salmo 37,1-3.9-12). A expressão “herdarão a terra ou possuirão a terra” poderia ser o prêmio do reino dos céus. Porém, este reino começa aqui nesta terra e tem um sentido de que o homem pode se esforçar por um mundo melhor. Não foi assim a vida de Jesus! Ele curou os enfermos, a dor... saciou a fome, a sede, pregou um Reino diferente na terra. E nós...?!?
- Bem aventurado os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (v. 6).
São necessidades sentidas e intensas e que ser inclusive de Deus. Diz o salmista:
> “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando verei a face de Deus?” (Sl 42,2-4); “Ó Deus, tu és o meu Deus, por ti madrugo. Minha alma tem sede de Ti, minha carne te deseja com ardor” (Sl 63, 2).
A fome significa na Bíblia a tendência e a lembrança ao Deus da vida. Jesus disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem acredita em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Os homens acreditam que Deus fará justiça aos que são oprimidos pela injustiça. A situação de “fome e sede de justiça” clamam para que cessem a injustiça atual. A justiça corresponde ao Reinado de Deus sobre tudo e sobre todos. Por que a esperança de justiça se cumpre em Jesus Messias e Salvador na cruz. De fato “Javé é nossa justiça” (Jr 23,6).
- Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (v. 7).
Misericórdia é uma palavra composta por “miséria e coração”. É olhar para a miséria do outro, do próximo, de uma pessoa com o coração e não com a razão. Por isso que os “misericordiosos” têm uma atitude diferente frente a qualquer realidade. Jesus insiste na virtude da misericórdia: “Eu quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9,13). Então aqueles que têm o espírito de Jesus misericordioso terão a mesma atitude de Deus que é amor, perdão, compassivo, compreensão, ajuda, a partilha, a solidariedade... Como recompensa serão felizes e alcançarão a misericórdia.
- Bem-aventurados os de puro coração, porque verão a Deus (v. 8).
Esta bem-aventurança se inspira no salmista, que diz: “aquele que tem mãos inocentes e coração puro,... esse receberá a benção de Javé e do seu Deus salvador receberá a justiça” (Sl 24,4-5). Para os semitas, o coração é a sede das opções profundas que marcam a vida inteira. Ser puro de coração é ter conduta única, em perfeita sintonia com o Reino. Mas Jesus nos alerta: “é do coração que vêm as más intenções: crimes, adultério, imoralidade, roubos, falsos testemunhos, calúnias. Essas coisas é que tornam o homem impuro...” (Mt 15,19-20).
No Antigo Testamento, a pureza dependia de uma série de ritos mediante os quais as pessoas tinham acesso a Deus. Na nova Aliança, a pureza é sinônimo de opção pelo Reino de Deus (=optar por Jesus) e de respeito pela vida das pessoas. Espiritualizando esta bem-aventurança, serei felizes e puros de coração!
- Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (v. 9)
Quem trabalha para alcançar a paz entre os homens atua como Deus, porque Deus é o Deus da Paz (Rm 15,33; 16,20). A promoção da Paz, (do Shalom) é fruto misericórdia e da pureza de coração. Depois da ressurreição Jesus saudou os Discípulos: “a paz esteja com vocês” (Jo 20, 19.21.26). A paz que propõe o Evangelho é a dignidade da vida em todos os sentidos. Não se trata de uma paz meramente pessoal, egoísta... mas também a nível social. Parece até contraditório, mas “somos promotores da paz e do evangelho” e vivemos num clima de guerra, de violência, injustiça, etc... E a nossa sociedade atual estimula: "felizes os que não têm medo de lutar contra os outros, pois só assim podem ser pessoas de sucesso". O que é que torna o mundo melhor: a paz ou a guerra? Pensemos!!
- Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (v.10).
Temos aqui o eco da primeira bem-aventurança... “porque deles é o reino dos céus”. Quem são os perseguidos? São os Discípulos e Missionários de Jesus. E por que são perseguidos? Por causa da justiça. Em outras palavras são aqueles que “são ajustados” diante de Deus. Diz Jesus: “Quando perseguirem vocês numa cidade... / É por isso que eu envio a vocês profetas, sábios e doutores: a uns vocês matarão e crucificarão, a outros torturarão nas sinagogas, e os perseguirão de cidade em cidade” (Mt 10,23; 23,34). Assim permanece a idéia de que “o justo deve sofrer a causa da injustiça”. Contudo, o destino que aconteceu com Jesus (= a cruz) deverá acontecer também com os seus Discípulos.
- Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus (v. 11-12).
A última bem-aventurança revela as tensões e conflitos enfrentados pelas comunidades siro-palestinenses no meio das quais nasceu o Evangelho de Mateus. No tempo em que o evangelho foi escrito, essas comunidades passavam por crise de identidade, com perigo de abandono do projeto de Deus. Os conflitos vinham de fora: a sociedade estabelecida começou a difamar os cristãos, caluniando-os e perseguindo-os. Tornava-se difícil resistir diante das pressões e tribulações de toda espécie. O evangelho lhes lembra que ser discípulo de Jesus é ser como os profetas do Antigo Testamento: “Desse modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês” (v. 12b).
(fr. João - Paróquia São Peregrino/Acre)