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28 de dezembro de 2008

FELIZ 2009

O ano de 2008 dá seus últimos passos!
Mais uma vez temos no coração o sentimento de dever cumprido e um perfume de novidade paira pelo ar. As almas sentem-se ansiosas pela oportunidade de recomeçar e a esperança brilha sobre as vidas daqueles que respiram!
Olhamos para trás e contemplamos quantas coisas vivemos e sentimos, quantas dificuldades e oportunidades tivemos, quantas alegrias e decepções, porém, dentre todas essas coisas é possível contemplar acima de tudo a presença suave e santa do Nosso Senhor Jesus Cristo, que através do Espírito Santo esteve conosco e em nós.
Como é bom poder sentir que em todos os momentos Deus nos procura e nos chama, pois não se importa com a situação que estamos vivendo, para Deus sempre há oportunidade para nós, sempre há um lugar para nós em seu templo santo e em seu coração sagrado.
O blog Somos Servos deseja que no ano de 2009 você seja mais feliz, mais alegre, que supere suas dificuldades, que realize seus sonhos mais lindos, que você esteja cada vez mais perto do coração de Jesus e se coloque sempre disponível para realizar a vontadade do Nosso Senhor, procurando cada dia mais imitar seu coração santo e humilde.
Que em 2009 nossa maior alegria seja tomar uma posição de entrega total à vontade do Pai. Que nosso maior desejo seja viver com Jesus na Eucaristia e promover a paz por onde passamos.
E como o profeta Josué possamos dizer "eu e minha casa serviremos ao Senhor"!
Que 2009 seja um ano de muita fidelidade a Deus, comunhão fraterna e partilha dos dons que recebemos; e que nenhum dos pequeninos de Deus fique sem o alimento da alma por falta de quem queira servir no banquete do Senhor.
Foi muito bom viver com você a partilha da palavra de Deus e de seu amor durante todo este ano de 2008. Agradecemos por sua visita sempre amiga e fraterna, que nos ajuda a espalhar pelo mundo a esperança, a paz e o amor.
FELIZ 2009!
Que Nossa Senhora seja nossa intercessora nos céus e que a paz do Senhor esteja sempre conosco!

19 de dezembro de 2008

4° Domingo do Advento - Alegra-te, cheia de graça

A reflexão bíblica proposta para este domingo, o quarto do advento, é o tema da anunciação, narrada pelo evangelista Lucas. Estamos a poucos dias da celebração do nascimento de Jesus. Lucas procura mostrar que a esperança de todo um povo está na descendência de Davi. Alguns dados nos revelam sobre esta descendência e o próprio texto quando afirma: a. “o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi...” (Lc 1,26-27); b. “o Senhor Deus lhe dará o trono de deu pai Davi” (Lc 1,32); c. “o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1,35). No Evangelho de Mateus, encontramos a Genealogia de Jesus (Mt 1,1-7), que revela a importância de Abraão e Davi como sendo os principais depositários das promessas messiânicas e ressalta a importância de José dentro da descendência davídica. Mateus relata esta realidade afirmando: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher...” (Mt 1,20). Portanto, é importante compreender que a descendência davídica está dentro do plano de salvação e a realização das promessas de Javé terá a sua plenitude no nascimento de Jesus, que significa “aquele que salva”. Por isso Jesus será Salvador da humanidade.
O texto mostra que o anjo Gabriel foi enviado a uma virgem de nome Maria (Lc 1,26-27). O Profeta Isaias fala de um sinal e afirma: “eis que uma virgem concebeu e dará a luz um filho e lhe porá o nome de Emanuel, que significa Deus-conosco” (Is 7,14; Mt 1,23). Maria é noive de José. Para os judeus, o noivado já é juridicamente considerado um matrimônio. O modo extraordinário pelo qual Jesus concebido mostra a realidade do processo da salvação. Maria foi saudada pelo anjo Gabriel com estas palavras: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28). Esta expressão “alegra-te...”, que comumente foi traduzida por “Ave+Maria”, tem um sentido de um apelo às alegrias messiânicas. Neste sentido alguns profetas dirigiam a Sião a esperanças de novos tempos (cf. Is 12,6; Sf 3,14-15; Jl 2,21-27; Zc 2,14; 9,9).
Maria ficou perturbada com as palavras do Anjo (Lc 1,29). Ficou perturbada porque a missão era grande: ser mãe do Salvador. Depois, naquele tempo as mulheres não estavam acostumadas a receber uma saudação tão especial assim. Também grandes personagens da História da Salvação ficaram desconcertados com a proposta de Javé (Abraão, Moisés, Jeremias...). Maria é convidada a não ter medo, porque ela foi agraciada por Javé.
O anjo explica como acontecerá este mistério: “o Espírito do Senhor virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra” (Lc 1,35a). A realidade do Espírito é muito importante neste contexto. Revela a ação de Deus como gerador de vida, quando o autor sagrado cria o homem à sua imagem e semelhança dando um sopro vital [= espírito de vida / sopro de vida], (Gn 2,7). Jesus, ao início da sua vida pública rezou: “O Espírito do Senhor está sobre mim...” (Lc 4,18); na festa de Pentecostes (At 2) vemos a manifestação do Espírito à Comunidade Apostólica reunida no Cenáculo com a presença de Maria (At 1,14). A Sombra evoca a presença de Deus diante do povo que caminhava rumo à terra prometida (Ex 40,34ss). Os Salmos 90 e 139 falam de um pássaro que protege cobrindo com a sombra de suas asas os seus filhotes, mas também para “chocar” os ovos e gerar a vida. Neste sentido Deus “com a sua sombra” envolverá a vida de Maria, que com a força do Espírito, fecundará o seu seio virginal e desenvolverá o princípio criador, gerando para a humanidade o Emanuel – o Deus conosco.
Maria se coloca como “Serva do Senhor” (Lc 1,38). A sua resposta está na perspectiva do projeto salvífico de Deus. Neste sentido ela se torna o protótipo do discípulo/a que é fiel a Javé até as últimas conseqüências. O seu sim ao projeto de Deus vai desde a anunciação (Lc 1,26-38), passa pela realidade da cruz (Jo 19,26-27) e o início da Igreja (At 1,14).
O sim de Maria nos convida a perceber que o discipulado passa pelo serviço e por uma missão. E Maria entendeu esta realidade quando o Anjo Gabriel lhe comunica a gravidez de sua Isabel (Lc 1,36-37), porque para Deus nada é impossível (Lc 1,37). Na sua visita missionária a Isabel ele receberá um título importante para a sua vida: “Bem-aventurada aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (Lc 1,45).
(enviado por fr. João)

15 de dezembro de 2008

Novena de Natal - 1º dia

A raiz de Jessé se erguerá como um sinal entre os povos;
as nações hão de buscá-la, e gloriosa será a sua morada.

Leitura Bíblica
Isaías 11, 1-10

14 de dezembro de 2008

Um dia Jesus subiu a montanha para rezar e quando voltou encontrou uma multidão que o aguardava, e no meio de tantas pessoas estavam alguns doutores da lei e fariseus que traziam uma mulher chamada de adúltera. Sem nome, sem família, sem chance, apenas uma criatura que era alvo das penalidades da lei e aguardava por um apedrejamento. Em resumo, essa era a condição da mulher descrita no Evangelho narrado por São João, não havia mais saída, ela não valia mais nada.
Quando chegou diante do Senhor ela não tinha mais esperanças, não conseguia mais visualizar nenhuma saída para seu problema, já havia sido julgada e condenada pelos homens e pela lei. Podemos até imaginar a cena onde a mulher, abatida por seu pecado, perecia no meio de seus algozes, porém, na sua frente estava o Caminho para sua salvação, Jesus. Quantos traumas, feridas, moléstias espirituais, quanta dor deveria sentir a mulher pecadora, que habituada a viver seu pecado, tinha a visão turva e a vida maculada.
É impressionante o modo como Jesus agiu na vida daquela mulher, pois no instante em que ela lhe foi apresentada Jesus já percebeu o que ela precisava: perdão. Jesus olhou para a mulher e disse: "pode ir, eu também não condeno você".
A experiência da mulher pecadora deixa claro para todos nós que para Jesus o importante não é o que fizemos, mas o que podemos fazer e o que podemos ser diante Dele. Para Jesus o importante é que todo homem e mulher possam viver a salvação.
Sempre que realizava um milagre no meio do povo Jesus dizia "seus pecados estão perdoados", mas como era difícil para as pessoas entenderem o que isso significava Ele dizia "tua fé te curou", ou seja, o perdão que vem de Deus é fonte de cura, e apenas podemos ser curados se vivemos o perdão, recebendo-o e dando-o.
Deus vê o ser humano como criatura primordial e jamais vai condenar alguém, pois não é um juiz condenador, mas um pai amável que é capaz de perdoar até o inacreditável. Para o coração santo de Deus nada é impossível, e ninguém está definitivamente perdido ou condenado. Nós é que as vezes vivemos uma vida de condenação.
Basta olhar também para o ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus no calvário, um homem sem valor, ele servia somente para morrer e Jesus o amou tão profundamente que o levou para o céu no mesmo instante. Jesus nunca tinha visto a mulher adúltera e muito menos o ladrão crucificado, mas foi capaz de dar-lhes o bem mais precioso, o perdão, a salvação. Imagine a nós que Ele conhece, o que não é capaz de fazer!
Nosso Deus é apaixonado pelos miseráveis, doentes e desprezados socialmente. Deus tem a incrível capacidade de amar seres desprezíveis e foi por isso que o Filho do Homem veio habitar nesta terra, para provar que julgar e condenar não é a solução, mas que o amor e o perdão são fontes inesgotáveis de cura e libertação que levam direto para a salvação, direto para o céu.
Portanto, podemos afirmar que qualquer ser humano que habite esta terra tem todas as características necessárias para entrar no reino de Deus, pois somos suas criaturas, feitas a sua imagem e semelhança, e por mais que tenhamos nos afatado dos caminhos que levam aos céus, sempre há esperança e oportunidade para nós.
É provável que tenhamos surpresas ao chegarmos aos céus! Vamos ficar admirados e pensando: este chegou até o céu! este não era o pecador?
Somos tão humanos que não conseguimos compreender o plano divino de salvação que está no coração do Pai, um coração que não exclui ninguém.
Para entrar no céu é necessário viver o perdão. Perdão as vezes fácil de pedir, mas sempre tão difícil de viver.
Estamos no advento, tempo de espera e preparação, e nada melhor que fazer a experiência do perdão para esperar Jesus em sua segunda vinda gloriosa. Ao encontrar-se com Jesus a mulher pecadora viu, um a um, seus algozes indo embora e com eles suas culpas e feridas. Assim também é conosco hoje, quando nos aproximamos de Jesus todas as nossas feridas são curadas e o pecado que outrora ia a nossa frente é vencido pela vida que vem do Salvador.
Que possamos viver a linda experiência do perdão que cura!
Paz dos céus.

8 de dezembro de 2008

Chegou o advento!
Mais uma vez devemos viver a intensidade da espera pelo Príncipe da Paz, que já veio, mas voltará glorioso.
Muitas pessoas devem está pensando que tudo vai se repetir mais uma vez, afinal é tempo das "festas de final de ano", tempo de presente, tempo de reencontros, tempo de aconchego e quem sabe até dá tempo de ir na Missa na véspera de Natal!
Mas, afinal que tempo é esse, que se repete a cada ano?
O advento é o tempo de ver florir o broto de Davi, tempo de ser seta e apontar o caminho que é Jesus. Ficamos esperando Jesus passar em nossas vidas e realizar grandiosos sinais em nós, mas esquecemos que assim como João Batista ou assim como o apóstolo Paulo no advento devemos nos transformar em pontes firmes, pontes por onde tantos filhos de Deus devem caminhar para chegar até o Rei. O advento é uma oportunidade que Deus, através da Igreja, nos dá a cada ano para que possamos recomeçar a contrução da nossa ponte, da nossa vida! Como Jesus pode florir na vida dos irmãos se nós que O conhecemos não servimos de ponte para que haja um maravilhoso encontro entre Jesus e a humanidade. E como nós podemos chegar até Jesus se não construímos aqui uma vida que vislumbre a vida celeste?
O advento não se repete a cada ano! Jesus é que faz renascer em nós a esperança, a humildade e o desejo pela paz que vem dos céus.
Eu desejo a você querido irmão um feliz advento! Que neste tempo de espera você não fique a esperar somente, mas seja ponte por onde muitos filhos possam reencontrar o Pai do céu.
Juntos esperemos felizes e fiéis pelo Príncipe da Paz, pois o Filho do Homem virá, e virá para nos salvar e para conosco contruir a vida eterna!
Paz dos céus para todos nós! Que a Virgem Santa nos ensine a esperar com amor e gratidão!

2º Domingo Advento B

Neste segundo domingo do Advento o Evangelho nos convida a “preparar o caminho do Senhor”. O Evangelista Marcos procurará deixar bem claro “quem é Jesus”. Por isso começa narrando o Evangelho: “início do Evangelho (=boa notícia) de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Então, este será o início de um aprofundamento que iremos encontrar ao longo de toda a narrativa feita por Marcos. Neste domingo será apenas o começo de um itinerário que a comunidade deverá percorrer até descobrir quem é Jesus.

Os versículos seguintes, 2-8, apresentam a pessoa de João Batista, o grande precursor da vinda do Messias, o Salvador. Ele será o grande mensageiro, que irá à frente, como profeta para preparar o caminho do Senhor. O texto diz: “Eis que eu envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!” (Mc 1,2-3). Nestes dois versículos percebemos algumas realidades importantes reveladas no Antigo testamento: a. “Vou enviar um anjo na frente de você para que ele cuide de você no caminho e o leve até o lugar que eu preparei para você” (Ex 23,20); b. “Uma voz grita: Abram no deserto um caminho para o Senhor, aplainem no descampado uma estrada para nosso Deus!” (Is 40,3) e c. “Vejam! Estou mandando o meu mensageiro para preparar o caminho à minha frente” (Ml 3,1). Portanto, João Batista, o Precursor, assume estas realidades para si, e anuncia, com toda força, a realidade dos tempos messiânicos, o início perfeito da boa-nova da vinda definitiva de Deus e o seu Reino, realizados em Jesus Cristo.

O precursor aparece no deserto. A realidade do deserto, tal como apresenta a Escritura Sagrada, é bem distante de nós. Fazendo a “imagem desértica” perceberemos uma realidade de calor intenso, falta de água, sem vegetação (algo verde...), muita areia e as suas tempestades, etc... Além do problema climático, o deserto cria um clima misterioso, as paisagens se modificam... A vastidão impede ver o horizonte e certamente faltariam pontos de referências para orientar-se. Porém o deserto poder ser sempre um lugar do encontro com Deus, no silêncio, na oração, etc...

Qual seria a missão de João Batista? Ser aquele mensageiro que prepara o caminho para a vinda de Jesus Cristo, o Messias Salvador. Porém esta preparação começa pelo deserto, sendo uma voz profética que grita: “preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!” (Mc 1,3). Esta mesma idéia encontramos, também, no profeta Isaías quando ele anima o Povo de Deus a retornar do exílio da Babilônia para Jerusalém. Ele é convidado a consolar o povo (Is 40,1) e a “preparar no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus...” (Is 40,3). Outra missão de João Batista: pregar (=anunciar) um “batismo de conversão para o perdão dos pecados” (Mc 1,4). O batismo de conversão fazia parte da chegada do Reino e predispor as pessoas (= povo) para aceitar definitivamente a novidade que estaria prestes a chegar à pessoa de Jesus Cristo. Era o sinal de conversão e de compromisso. Esta pregação do Precursor fez pensar a população da Judéia e os “moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e ele batizava no Rio Jordão” (Mc 1,4). A realidade da conversão implica uma mudança radical de vida. Significa aceitar um processo de vida diferente, identificar com a proposta de “construir” novos rumos e novas estradas. Esta conversão teria uma repercussão tanto na vida pessoal quanto na vida social. É o que São Pedro afirma na sua carta: “o que esperamos... são novos céus e uma nova terra...” (2Pd 3,14).

Qual seria o perfil de João Batista? O evangelista Marcos o descreve desta maneira: “João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo” (Mc 1,6). João Batista lembra outros profetas do Antigo Testamento: Elias, na sua maneira de vestir (2Rs 1,8; Zc 13,4). Portanto, com um estilo de vida sóbrio, austero e simples, ele denuncia toda uma estrutura de pecado, contrariando o Reino de Deus e anuncia a chegada de Jesus Cristo, o Messias Salvador, afirmando: “eu nem sou digno de abaixar para desamarrar suas sandálias” (Mc 1,7).

Contudo, o Precursor dá um grande testemunho sobre Jesus. Ele diz: “eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1,8). O batismo com água, seria a realidade da purificação e da conversão dos pecados; o batismo no Espírito Santo, a ser realizado por Jesus, seria comunicar as pessoas uma vida nova, transformando-as em novas criaturas.

enviado por frei João

5 de dezembro de 2008

1º Domingo Advento Ano B

Com este domingo, iniciamos um novo Ano Litúrgico. É o ciclo B, na qual iremos caminhar com o Evangelista Marcos, que foi discípulo de São Pedro e companheiro de Paulo e Barnabé durante a primeira viagem missionária. Também este novo ano pode ser o início de uma nova caminhada como discípulos missionários na vinha do Senhor, semear os valores do Reino de Deus na vida e na sociedade.

O Evangelho deste domingo (Mc 13,33-37) orienta os discípulos de Jesus para ficar atentos e despertar para a atitude da vigilância. O exemplo ilustrativo que mostra o Evangelho “é como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa” (Mc 13,34). Portanto O discurso deste capítulo 13º é sobre o final dos tempos. Jesus quer deixar bem claro frente às indagações dos discípulos que melhor atitude é a vigilância: “vigiai porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer” (Mc 13,35).

Outro dado importante é constatar que existe a impossibilidade de conhecer a hora, pois o fim de tudo não é algo pré-fixado ou previsto, mas sim um alerta: “Cuidado! Fiquem atentos...” Uma outra realidade importante: aparece a figura do porteiro. Diz o texto: “E mandou o porteiro ficar vigiando” (Mc 13,34). O porteiro lembra alguém que está atento à porta, ao portão... aquele que entra e sai... Aquele que vigia. Portanto vigiar é testemunhar a presença e ação de Deus no meio das pessoas; vigiar é sentir-se responsável pela “casa de Deus”, protegendo contra as ações do maligno, que só vem para roubar e “destruir”. Vigiar significa assumir os compromissos batismais, tornando-se verdadeiros discípulos missionários de Jesus. Vigiar é estar atentos aos sinais dos tempos. Vigiar é perceber a oportunidade de poder recomeçar o novo ano litúrgico com um espírito renovado.

O texto do Evangelho fala da volta do dono da casa (Mc 13,35). E esta volta poderá ser de repente, sem hora marcada. Portanto aquele que se coloca em vigília não dorme. Marcos alerta neste sentido para não dormir (Mc 13,36). Dormir poderia significar a falta de compromisso com o projeto de Deus. Por isso o convite é permanecer acordados, atentos, vigilantes, pois “não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer” (Mc 13,35).

Assim com o tema do Advento, iniciamos o itinerário para celebrar o nascimento de Jesus. A proposta é de conversão, que significa mudar os rumos da vida e voltar a trilhar os caminhos de Deus e acordar este nosso mundo, muitas vezes secularizado, para as coisas de Deus. Contudo, a comunidade que busca a realidade da conversão, está deixando-se modelar por Deus. Por isso, mesmo diante dos nossos limites, das nossas “imundícies”... “o Senhor é nosso Pai e nós somos o barro; tu o oleiro e nós somos obra de tuas mãos” (Is 64,7). O convite é deixar-se modelar pelo Senhor.

O prefácio do Advento nos ajuda a compreender melhor todo este espírito que o Tempo do Advento nos propõe: “Revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória,ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos.” (Prefácio do Advento I: as duas vindas de Cristo).

Que este tempo precioso do Advento nos ajude a aprofundar o seguimento de Jesus Cristo e a caminhar como Povo de Deus, que se preparava para a primeira vinda do Messias e que hoje renova as esperanças de um novo céu e de uma nova terra (Ap 21,1).

enviado por frei João

22 de novembro de 2008

Jesus Cristo - Rei do Universo

Com a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo estamos concluindo o Ano Litúrgico do Ciclo A, onde caminhamos com o Evangelista Mateus durante este tempo precioso para conhecer, experimentar e vivenciar o encontro com o Mestre de Nazaré. Mateus apresenta Jesus reinando em sua glória, sentado no seu trono glorioso (Mt 25,31). No Evangelho encontramos um título dado a Jesus: “Filho do Homem”. Este título era comum, porém evocava o juízo de Deus com relação ao último dia. Este Filho do Homem é identificado com o Bom Pastor que dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10,11).
Neste sentido, o Profeta Ezequiel nos relata a imagem do Pastor, que é para indicar os reis e os sacerdotes de Israel, que não corresponderam à missão confiada e por isso veio o “dia da catástrofe geral” que foi a destruição de Jerusalém por volta do ano 587 a.C. Por isso que o Profeta denuncia os “maus pastores” que exploram o rebanho (= povo de Deus) e não conduz pelo bom caminho. Contudo o Senhor Javé reconduzirá as ovelhas perdidas e cuidará daquelas ovelhas, principalmente as mais fracas e doentes. (Ez 34,15-16).
O Evangelho narra o conteúdo do “Juízo Final ou o Julgamento das Nações”. Nestes últimos domingos a liturgia nos convidava para a
(WWW.paulinas.org.br)
vigilância e a prudência, pois a vinda do Senhor poderia estar próxima, pois a qualquer momento se escutaria a sua voz.
Na Parábola Jesus é apresentado como Juiz de todas as nações (= humanidade, os povos). Diz o texto: “Todos os povos da terra serão reunidos diante dele” (Mt 25,32). Aqui entre a idéia do Bom Pastor (Jo 10), que separará as ovelhas dos cabritos (Mt 25,32). Então Jesus, como Juiz e Rei do Universo, julgará (= separação) as nações separando alguns para a direita e outra para a esquerda. Os critérios de separação serão as obras de misericórdias. Ou ainda as obras de solidariedade, as obras de misericórdia feitas, sobretudo aos mais pobres, aos pequenos/menores [critério do Evangelho]. “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: venham vocês que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou antes da criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer, eu estava com sede e me deram de beber... (Mt 25,34-36).
É importante lembrar que para o Evangelista Mateus, toda a programação da Vida de Jesus consiste em “cumprir toda a justiça” (Mt 3,15). Contudo os “justos” (Mt 25,37), aqueles que certamente “cumpriram toda a justiça”, perguntaram ao Rei: “Quando foi que te vimos como estrangeiro... sem roupa... sem casa... doente... preso... e fomos te visitar? (Mt 25,38-39). Então o Rei lhes responderá: Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25,29-40). Aos da esquerda o Rei dirá: afastem-se de mim malditos. Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos... pois todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram... (Mt 25,41-45).
Então o critério de separação serão as obras de misericórdias (= solidariedade, justiça...), sobre tudo com os mais pobres e pequenos e que a lei não os amparava. Vemos que Jesus se fez próximo dos necessitados e irmão dos pequenos. Contudo a sentença será pronunciada em forma de benção e maldição: “Venham os que são abençoados (= benditos) por meu pai... Afastem-se de mim, malditos (= maldição)... (Mt 25,34.41). E o destino será: “a herança do Reino” e o “fogo eterno” (Mt 25,34.41).
Portanto, entrar na perspectiva do Reino de Deus anunciado e pregado por Jesus é entrar numa perspectiva diferente do mundo e da sociedade. É compromisso e adesão ao seu Evangelho. É estar totalmente evangelizado. Então veremos que “O Reino de Deus é uma semente que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história através do amor e que terá o seu tempo definitivo, no mundo que há de vir. No entanto, esse Reino já está no meio de nós. E Jesus nos convida a fazer parte dele e a trabalhar para que esse Reino chegue ao coração de todos os homens…” (http://www.buscandonovasaguas.com/). Na Eucaristia deste domingo (solenidade de Cristo Rei) o prefácio reza assim: Reino da Verdade e da Vida; Reino da Santidade e da Graça; Reino da Justiça, do Amor e da Paz… Não seria este o verdadeiro Reino de Cristo e muito mais?
Fr. João Carlos

19 de novembro de 2008

A data do Natal

Esta página do site "Universo Católico" foi-lhe enviada por fr Charlie ( charlieleitao@gmail.com ).

Pode aceder-lhe no seguinte endereço:
http://www.universocatolico.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=770&Itemid=160

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Mensagem

Confira a entrevista de Johan Konings sobre o Sínodo dos bispos 2008.
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A formação integral do Sacerdote Católico

Curso “La Formación Integral del Sacerdote Católico"

¡Inscríbase a este curso gratuito!

Del 19 de noviembre de 2008 al 27 de mayo de 2009

Va creciendo en la Iglesia la conciencia de la necesidad de contar con sacerdotes santos y profundamente preparados, que puedan de verdad servir a todo el pueblo de Dios en su búsqueda de la santidad y en su empeño apostólico por anunciar el Evangelio.

Para ello el sacerdote requiere de una cualificada formación integral. La exhortación apostólica Pastores Dabo Vobis, enfatiza que la formación permanente, precisamente porque es permanente, debe acompañar a los sacerdotes siempre, esto es, en cualquier período y situación de su vida, así como en los diversos cargos de responsabilidad eclesial que se les confíen, todo ello teniendo en cuenta, naturalmente, las posibilidades y características propias de la edad, condiciones de vida y tareas encomendadas.

El curso “La formación integral del Sacerdote Católico”, esta dirigido a colaborar con quienes tienen que realizar en primera persona la experiencia viva de formador al frente de un seminario o centro de formación y al sacerdote que día a día persevera con amor en el camino de seguimiento más cercano a Cristo. Formar sacerdotes y formarse sacerdote es un arte que se realiza en la práctica de cada día al recorrer el camino que lleva al altar y durante la vida de ministerio. Por ello, este curso presenta sobre todo reflexiones y sugerencias prácticas y vivenciales para la formación del sacerdote católico.


Temario y calendario


INTRODUCCIÓN
(19 de noviembre de 2008)

Capítulo Primero
EL SACERDOTE, IDENTIDAD Y MISIÓN
1. Llamado por Dios (22 de noviembre)
2. Puesto en favor de los hombres... (26 de noviembre)
3. Tomado de entre los hombres (29 de noviembre)


Capítulo Segundo
PRINCIPIOS FUNDAMENTALES DE LA FORMACIÓN SACERDOTAL
1. Los protagonistas de la formación sacerdotal (3 de diciembre)
2. Formación como autoformación (10 de diciembre)
3. El amor, motivación fundamental de la formación sacerdotal (13 de diciembre)
4. Formación como transformación (17 de diciembre)
5. Formación comunitaria y personalizada (24 de diciembre)
---PAUSA NAVIDAD/EPIFANÍA---
6. Formación integral y eminentemente pastoral (7 de enero)
7. Realismo antropológico y pedagógico (10 de enero)
8. Formación progresiva y permanente(17 de enero)


Capítulo Tercero
LAS ÁREAS DE FORMACIÓN
I. La formación espiritual del sacerdote
1. El sacerdote, hombre de Dios y las virtudes teologales (24 de enero)
2. Cristo, modelo y centro de la vida sacerdotal (31 de enero)
3. El sacerdote, hombre de Iglesia y su relación con María (7 de febrero)
4. Algunas virtudes sacerdotales (14 de febrero)
5. Algunos recursos generales para la formación espiritual (21 de febrero)

II. La formación humana del sacerdote
1. Desarrollo íntegro, armónico y jerarquizado de las facultades (28 de febrero)
2. Desarrollo íntegro, armónico y jerarquizado de las facultades II (7 de marzo)
3. Formación de la dimensión moral y Formación en el trato y el comportamiento social (14 de marzo)

III. La formación intelectual del sacerdote
1. Formación de las capacidades y los hábitos intelectuales (18 de marzo)
2. La formación filosófica, la formación teológica y una amplia cultura general (21 de marzo)
3. Saber comunicar el mensaje y Algunos recursos para la formación intelectual del seminarista (25 de marzo)

IV. La formación apostólica y pastoral del sacerdote
1. Formación del corazón apostólico (1 de abril)
2. Formación para el ministerio pastoral (8 de abril)
---PAUSA SEMANA SANTA/PASCUA---
3. Recursos para la formación apostólica y pastoral (22 de abril)


Capítulo Cuarto
EL FORMADOR, SU FIGURA Y ACTUACIÓN
1. Cuadro de formadores (25 de abril)
2. La figura del formador (29 de abril)
3. Relación entre formador y formando y Excursus:
la elección y preparación de los formadores (2 de mayo)


Capítulo Quinto
EL AMBIENTE FORMATIVO
1. El ambiente formativo y Ambiente interpersonal (6 de mayo)
2. Ambiente institucional y Ambiente disciplinar (9 de mayo)
3. Ambiente exterior y el contacto con otros ambientes externos al seminario (13 de mayo)


Capítulo Sexto
LAS ETAPAS DE LA FORMACIÓN SACERDOTAL
1. El discernimiento de la vocación sacerdotal y el Seminario menor (16 de mayo)
2. Curso propedéutico y Los estudios filosóficos (20 de mayo)
3. Estudios teológicos y La formación permanente (23 de mayo)


CONCLUSIÓN
(27 de mayo)


INSCRIPCIÓN AL CURSO

1. Llenar la forma de inscripción al curso al enviarla recibirás una respuesta de confirmación. Formulario de inscripción. Click aquí

2. Inscribirse al Foro del curso "La formación integral del sacerdote católico", donde se entregarán los comentarios a las preguntas de discusión sugeridas. Foros del curso. Click aquí

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5. También recibirá una pregunta o un tema de discusión que se comentará en el foro

6. Cada tema será publicado en el Foro del curso "La Formación Integral del Sacerdote Católico" y en la Comunidad de Sacerdotes de Catholic.net

7. Le recomendamos ir al día para sacar el mayor provecho al tema y a las aportaciones publicadas en los foros

8. Durante todo el curso contará con la asesoría del P. Ramón Díaz Guardamino, LC. Recomendamos publicar sus dudas en los foros para que todos los participantes se enriquezcan con todas las preguntas

9. Podrá consultar a otros expertos en este tema en los Consultorios para Sacerdotes


PARA OBTENER EL DIPLOMA DEL CURSO

El Curso es totalmente gratuito para todos formadores y sacerdotes que quieran estudiarlo. Para los que estén interesados no sólo en aprender, sino también en obtener un certificado impreso de haber realizado y acreditado el Curso On line "La Formación Integral del Sacerdote Católico", el Diploma será otorgado por Catholic.net


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1. Llenar el formato de inscripción
2. Estudiar los materiales y cumplir puntualmente con los trabajos y comentarios en los foros
3. Depositar en nuestra terminal virtual, al finalizar el curso, el monto establecido para recibir el diploma, que será de $10 usd. Más adelante les haremos llegar la información completa de cómo realizar este depósito


¡Qué el Espíritu Santo nos ilumine a todos!

Hini Llaguno
Coordinadora
_________________
Catholic.net



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www.santuariodelsocavon.com :: SANTUARIO DE LA MAMITA DEL SOCAVÓN :: ORURO - BOLIVIA ::

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Conheça a história e a devoção de Nossa Senhora de Socavón, e o trabalho pastoral desenvolvido pela família dos Servos em Oruro- Bolívia!

1 de novembro de 2008

Eu o ressuscitarei no último dia - Finados

A Igreja celebra, neste domingo, a comemoração dos Finados, ou dos fiéis defuntos. É uma realidade que nos convida a refletir sobre a nossa existência. Ela é frágil, passageira, vulnerável. Porém, para nós católicos não podemos perder de vista a nossa ressurreição, que é celebrar a Páscoa, a nossa passagem definitiva para o encontro com o Senhor Jesus. O Salmo da liturgia deste domingo nos convida a rezar assim: “O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo?O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?” (Salmo 27/26, 1).
DIA DOS FINADOS: UMA OPORTUNIDADE PARA REZAR PELOS NOSSOS IRMÃOS FALECIDOS, FORTALECER NOSSA FÉ NA RESSURREIÇÃO E FAZER A NOSSA OPÇÃO POR JESUS CRISTO DEFINITIVAMENTE.
“A religião cristã não celebra o culto à morte, mas à vida. Assim o ressalta a liturgia da palavra de hoje com suas muitas leituras. Todo o conjunto nos fala de ressurreição e vida; e a referência onipresente é a Ressurreição de Cristo, da qual participa o cristão pela fé e pelos sacramentos.
Por isso, este dia não é uma comemoração para a tristeza, provocando saudade dos seres queridos que já nos deixaram, mas uma recordação cheia de esperança que expressa e continua a Comunhão dos Santos, que celebramos no dia de ontem. Pois "a fé oferece a possibilidade de uma comunhão com nossos queridos irmãos já falecidos, dando-nos a esperança de que já possuem em Deus a vida verdadeira". (GS 18,2)
Lembramos nosso destino futuro: A Visão cristã da morte dá o verdadeiro valor da vida humana. O discípulo de Cristo identifica a vida futura na qual crê e espera, como um ser vivo, pessoal e amigo que é o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, e de cuja vida participará agora e continuará gozando em seu destino futuro. Instruídos pela palavra de Deus, cremos que: "O Homem foi criado por Deus para um fim feliz, além dos limites da miséria terrestre... Deus chamou e chama o homem para que ele dê sua adesão a Deus na comunhão perpétua da incorruptível vida divina. Cristo conseguiu esta vitória, por sua morte, libertando o homem da morte e ressuscitando para a vida. Para qualquer homem que reflete, a fé lhe dá uma resposta à sua angústia sobre a sorte futura". (GS 18,2)” (WWW.buscandonovasaguas.com).
O Evangelho de João é muito rico em sinais. O texto proposto para a liturgia está dentro do contexto da multiplicação dos pães (Jo 6,1-71).
Quais seriam estes sinais que revelam quem é Jesus? A primeira parte do Evangelho (capítulos 1 ao 12), mostram 7 (sete) sinais. Vejamos: Primeiro sinal: Jesus transforma a água em vinho (Jo 2,1-12); Segundo sinal: Jesus cura o filho do funcionário do rei: (Jo 4,46-54); Terceiro sinal: Jesus cura o paralítico (Jo 5, 1-18); Quarto Sinal: A multiplicação dos pães (Jo 6,1-15); Quinto sinal: Jesus caminha sobre as águas (Jo 6, 6,16-21); Sexto sinal: Jesus cura o cego de nascimento (Jo 9,1-33) e Sétimo sinal: A Ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-57). Todos estes textos e sinais apontam para uma única realidade: a dimensão divina e a vida nova que Jesus veio comunicar. Por isso que a realidade do sinal leva a compreender outra realidade mais profunda ainda. Não basta ficar apenas no sinal externo. As pessoas que se alimentaram do pão multiplicado por Jesus queriam segui-lo porque Ele lhes assegurava o sustento. Faltou o passo de crer e a adesão pessoal. Neste sentido Cristo é muito claro. Fala de fazer a vontade do Pai (Jo 6,38-39) e da ressurreição (6,39.40).
Neste sentido, entender os sinais realizados por Jesus é dar um passo importante para além do mero sinal realizado. É acreditar (ter fé profunda) que Ele traz a vida nova, a novidade do Reino de Deus, que vai além da morte. O sentido da morte é apenas para revelar quem é Jesus, como foi a experiência de Marta, a irmã de Lázaro (Jo 11), onde ela faz uma autêntica profissão de fé, expressando: “Sim, Senhor. Eu acredito que tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir a este mundo” (Jo 11,27).
Nos versículos 39 e 40, apresenta a expressão “último dia”. Sabemos que o Evangelista João e sua comunidade estavam aprofundando o mistério da vida de Jesus. No Prólogo (Jo 1), vemos como João relata a novidade da vinda de Jesus relatando a dimensão do Verbo que “veio habitar entre nós” (Jo 1,14). Inspirado no relato dos dias da criação (Gênesis), o autor praticamente determina e compara o “último dia” com o sexto dia da criação, dia em que foi criado o homem. Portanto, o “último dia” está relacionado com a morte de Jesus, momento em que Ele conclui a obra iniciada, entrega o seu espírito (Jo 19,30) e a vida plena e definitiva começa a ser realidade, pois Ele foi glorificado pelo Pai (Jo 17,1).
Por isso que o Apóstolo Paulo fala da justificação: “a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores. Muito mais agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo” (Rm 5,8-9).
(fr. João)

25 de outubro de 2008

Senhor, quem habitará na tua casa?

(Jatobá)


Quem habitará na tua casa, Senhor, quem repousará na tua santa montanha?

Aquele que caminha, apesar da noite e do vento, e fitando sem cessar, a tua estrela. No céu o acolherás!

Aquele que não deixa o manto da verdade e põe sua força na arma da fé. No céu o acolherás!

Aquele que fecha seus ouvidos à canção do mal e só abre a boca para proferir o bem. No céu o acolherás!

Aquele que não se cansa de estender a mão aos fatigados e sabe repartir o seu pão. No céu o acolherás!

(Jocy Rodrigues - Festas Litúrgicas IV)

23 de outubro de 2008

Jesus - Ele vem com as nuvens e é o caminho

"Ele vem com as nunvens;
e o mundo todo o verá,
até mesmo aqueles que o transpassaram."
(Apocalipse 1, 8)


Ele é o Filho, que vem, que volta para nos revelar a glória definitiva.
Ele é aluz que desce dos céus e ilumina nosso viver, nosso existir.
Já não somos mais seres errantes pela vida, pois temos um caminho a seguir. Caminho que não tem desvios e nem incertezas, mas um caminho feito de um relevo propício à salvação, caminho feito de amor.
Caminho por onde pode-se observar a verdadeira luz, por onde podemos contemplar o frescor da vida plena e abundante.
Caminho que nos revela o grande banquete da vida, a salvação.
Caminho que vem com a nuvens para que todos possam ver, e nenhum olho será privado de tamanha luz, de tamanha graça.
Por isso, por tudo isso, hoje você pode proclamar que a vida é bela e é plena, você pode proclamar que vale a pena caminhar, pois Ele, Jesus, é conosco e nunca nos deixará; e vem com as nunvens para sempre nos iluminar.
Que você tenha um dia feliz cheio da paz que somente Jesus pode oferecer!

Encontro


Encontro

Desencontros

Encontro-Te de novo

Busco o desencontro

Tu me encontras

Fujo de Ti , mesmo sem querer

Tu não se cansa de me encontrar

Encontro-Te

Agora já sou eu.


Normando de Araújo Rosas Junior




Achei lindo esse poema que o Normando fez, ele é nada mais nada menos do que a realidade que acontece conosco no decorrer dessa caminhada com o nosso Pai do céu . Quantas vezes nos perdemos no meio do caminho e ficamos sem saber para onde ir ou mesmo o que fazer para voltarmos aos braços Dele!

Eu particularmente ja perdi as contas de quantas vezes me "perdi".
Algumas vezes conseguimos voltar.... Já outras estamos tão debilitados que Ele mesmo vem e nos trás de volta em seus braços.
Assim é oamor do Pai em nossas vidas!

Espero que cada um se encontre nesse poema, com certeza inspirado por Deus!

Paz e Bem para todos !

22 de outubro de 2008

"A vida é fruto da decisão de cada momento. Talvez seja por isso, que a idéia de plantio seja tão reveladora sobre a arte de viver. Viver é plantar. É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existencia as mais diversas formas de sementes. Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos. Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós,será plantação que poderá ser vista de longe... Para cada dia, o seu empenho. A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa!" Hoje, neste tempo que é seu, o futuro está sendo plantado. As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura. Felicidade talvez seja isso: alegria de recolher da terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos! Infelicidade, talvez seja o contrário. O que não podemos perder de vista é que a vida não é real fora do cultivo. Sempre é tempo de lançar sementes... Sempre é tempo de recolher frutos. Tudo ao mesmo tempo. Sementes de ontem, frutos de hoje, Sementes de hoje, frutos de amanhã! Por isso, não perca de vista o que você anda escolhendo para deixar cair na sua terra. Cuidado com os semeadores que não lhe amam. Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas. Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores... Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa. Cuidado com os amores passageiros... eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam... Cuidado com os invasores do seu corpo... eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem... Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar... eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena... Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí... elas costumam estragar o nosso referencial da verdade... Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos... elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo. Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo. Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz. Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida. Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito... A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem..." Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões. Deus resolveu reformar o mundo, e escolheu o seu coração para iniciar a reforma. Isso prova que Ele ainda acredita em você. E se Ele ainda acredita, quem sou eu pra duvidar... (?)Padre Fábio de Melo

21 de outubro de 2008

Como vencer!

As vezes eu não entendo os vários acontecimentos em minha vida e até quero perguntar o por quê de certas situações. No entanto as respostas não veêm e isso não quer dizer que eu esteja só, mesmo vivendo um daqueles momentos de solidão.
O fato é que esses momentos chegam e nós temos que resistir a eles.
Tenho que lutar e manter viva a chama da fé!
Mesmo quando quero desistir de tudo e ficar largarda.... Pois é aí que vem a graça de Deus: "Quando sou fraco é que sou forte", já dizia Paulo.
E realmente quando nos sentimos fracos, perdidos e sem esperanças, mas nos lançamos nos braços do Pai, Ele vem nos suprir, nos fortalecer e nos animar e aí então percebemos o quanto somos dependentes Dele, vemos que sem Ele não suportaríamos .... Todos podem nos abandonar até mesmo aqueles que pensamos ser nossos amigos que nos amam que se importam... Derepente podemos ter surpresas não muito boas, mas, com Jesus as surpresas sempre e sempre são maravilhosas.
É fácil dizer pra alguém que Deus cuida dela, dificil é se deixar ser usado por Deus para cuidar . E esse deve ser o nosso exercicio diário.
Quantas vezes nos omitimos diante do sofrimento do nosso próximo? Quantas vezes deixamos o nosso coração se tornar frio e egoista não querendo nos envolver porque nossos problemas são demais?
Enfim.... Não é fácil mas devemos continuar a luta para que a cada experiencia boa ou ruim nos possamos aprender a deixar Deus agir em nos e atravez de nós.
Sejamos missionários, testemunhando a ação do Espirito Santo em nós.

12 de outubro de 2008

Bodas de Caná - N.S.Aparecida

INTRODUÇÃO À FESTA
Estamos celebrando a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida a Padroeira Principal do Brasil. Esta devoção teve início por volta de 1700, quando os três pescadores estavam pescando no Rio Paraíba do Sul (SP) sem muito êxito. Após algumas as tentativas pescaram o corpo e depois a cabeça da imagem da Imaculada Conceição. Eles perceberam que não estavam sozinhos. A imagem era de terracota e de cor negra. Com o tempo passou a ser chamada de Nossa Senhora da Conceição Aparecida porque foi encontrada (apareceu) no Rio Paraíba. Em 1888, foi inaugurada a chamada Basílica Velha. Em 1955, foi iniciada a Construção da atual Basílica. Em 1980, o Papa João Paulo II fez a consagração da Basílica. Em 2007, o Santuário foi a sede da V Conferência do Episcopado Latino Americano, onde o Papa Bento XVI fez a abertura solene da Conferência.
O EVANGELHO:
O Evangelho de São João tem duas grandes partes: o livro dos SINAIS (cap 1-12) e o Livro da GLORIFICAÇÃO (13-21) . 1 – O livro dos Sinais, onde Jesus se revela, através dos sinais, quem Ele é. Assim, nesta primeira parte veremos o Prólogo e os Sete sinais, que aos poucos o leitor irá descobrindo quem é Jesus Cristo. 2 – O Livro da Glorificação de Jesus. Nesta segunda parte o leitor descobrirá o que significa a Glória de Jesus. Assim, veremos a sua despedida, a paixão-glorificação e a ressurreição. Então a Comunidade que está perto de São João, descobrirá que o “Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 2,14), que fez os Sinais onde o Mestre se revela e depois confiou a Pedro a grande missão de apascentar “os cordeiros” (Jo 21,17).
O texto que a festa de Nossa Senhora Aparecida propõe é o das Bodas de Caná (Jo 2,1-11), que é o primeiro Sinal que Jesus fez. Jesus, sua mãe e os seus discípulos foram convidados para a festa de casamento. Durante a festa o vinho acabou e a mãe de Jesus disse: “eles não tem mais vinho” (Jo 2,3). Ele respondeu: “Mulher o que tem havei isso comigo. Minha hora ainda não chegou” (Jo Jo 2,4). Maria disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser”. (Jo 2,5). Porém, o texto deverá ser lido nesta perspectiva dos símbolos e dos sinais que Jesus realizara.
O episódio de Caná acontece após uma série de fatos que sucedidos no período de seis dias em que foi “inaugurada a semana simbólica” iniciada no Evangelho de João (Jo 1,19-51).
Esta idéia é importante porque São João retoma os dados característicos do relato da Criação do mundo (Gn 1,26ss), dando origem à humanidade. Assim em Caná irá acontecer um novo tempo inaugurado por Jesus (símbolo da semana inaugural), através do primeiro sinal realizado, transformado a água em vinho, e os discípulos creram nele (Jo 2,11).
Alguns dados do texto:
- O Vinho: símbolo do amor (Ct 1,2); alegra o coração do homem (Sl 104,15); símbolo da novidade: “o vinho novo deve ser colocado em barris novos” (2,22). No contexto das Bodas de Caná, poderemos notar que com a presença de Jesus será inaugurado uma nova etapa da sua missão. E esta missão tem o caráter simbólico do vinho novo, com um sabor novo e transbordante.
- A Água: símbolo da purificação utilizada pelo povo judeu. Agora Jesus transformou esta mesma água em vinho, mostrando que a verdadeira purificação e conversão passam não mais apenas pela água, mas sim através do encontro pessoal com ELE, simbolizado no vinho novo.
- A presença de Maria, Mãe de Jesus: Maria aparece apenas como convidada. Jesus a chama de Mulher, que a muitos podem surpreender este tipo de tratamento, principalmente vindo da sua parte. Porém, Maria está simbolizando a realidade da mulher mãe, que significa todo o povo de Israel, ou ainda a realidade da nova Eva, mãe de todos os viventes que desejam ser fiéis a Cristo. A sua missão é indicar: “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5) e não definir os tempos e as ações de Jesus.
- A realidade da HORA DE JESUS: no Evangelho Jesus disse: “mulher a minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4). Ele será a novidade definitiva dos tempos messiânicos. Portanto a HORA DE JESUS está em sintonia com a sua glorificação e a sua partida definitiva para o Pai. Contudo a hora que não chegou em Caná, chegará no momento da Cruz, momento em que Jesus dirá: “mulher, eis o teu filho, filho eis a tua mãe” (Jo 19,26-27.29).
- A glória de Jesus: A glorificação de Jesus está intimamente unida à glória do Pai. O primeiro Sinal de Caná e os outros seis têm à finalidade de manifestar a Glória de Jesus e de suscitar a fé dos discípulos e daqueles que fazem a opção por Ele (Jo 2,11; 4,50; 9,50; 11,27). No texto chamado “Oração Sacerdotal de Jesus” (Jo 17) Jesus reza assim: “Pai, chegou a hora: Glorifica o teu Filho, para que o Filho glorifique a Ti” (Jo 17,1). “A glória do Pai e a do Filho são correlativas: o Pai glorifica o Filho e essa glória reverte no Pai. O Filho glorifica o Pai, cumprindo a obra de amor que manifesta a plena fidelidade ao projeto salvífico”. Por isso o Filho dirá quando chegar a hora da glorificação definitiva no alto da cruz: “tudo está realizado” (Jo 19,30).
(enviado por fr. João)

8 de outubro de 2008

Não digas não a Deus

Missão é procurar Jesus.
Procurar Jesus é sentir a dor do reino, dor que é feita de amor, é feita de paz, de luz e de cruz, é colocar a mão no arado e não olhar para trás, e as vezes dói demais. Procurar Jesus é se comprometer, e mesmo quando a missão doer dizer sim, para que a paz seja produzida e vivida nesta terra.
Produzir a paz é arriscar no amor de Jesus, vivendo uma fé que não busca interesses seus e que não se preocupa com as consequências de suas ações. Produzir a paz é viver uma fé que é prenúncio daquilo que há de vir, o reino de Deus, onde o Filho reina glorioso e espera por nós.
Deus não precisava de nós, mas nos chama e nos capacita a viver o amor e a paz, para assim sermos herdeiros do reino através da missão!
Que neste mês missionário nossas vidas sejam um lindo florescer do amor de Deus no meio dos irmãos. Que nossos pés trilhem os mesmos caminhos por onde Jesus passou, inclusive pela cruz.
Jesus nunca perguntou onde a estrada levava, apenas disse sim a Deus.
Que possamos dizer: por onde andam teus passos Jesus, andam também os meus.
Feliz mês missionário!
"Não digas não a Deus, mesmo que doa não digas não. Quando é teu Deus quem fala meia resposta não vai valer. Não digas não nem talvez, é do que tu disseres que vais depender." (Pe. Zezinho - Não digas não a Deus)

4 de outubro de 2008

27º Domingo Comum - A vinha do Senhor

O tema da vinha é muito importante na reflexão Bíblica. Muitas vezes Israel é designado como vinha (Jr 2,21; Ez 15,1-8, Sl 79 (80). A realidade da vinha se torna como um exemplo da história da salvação, onde Deus (Javé) revela o seu modo de agir perante o seu povo escolhido.
A parábola deste domingo se encontra também no Evangelista Marcos (12,1-12) e no Evangelista Lucas (20,9-19). Porém o caminho litúrgico mostra a reflexão sobre a vinha nos domingos anteriores (25º e 26º), onde convocava a assembléia cristã a trabalhar na vinha e a fazer a vontade do Pai, agora, esta parábola nos convida a pensar a maneira de como se trabalha na vinha, onde Deus (patrão) espera os frutos de justiça.
O Profeta Isaias fala sobre a realidade da vinha (Is 5,1-7) sob forma de parábola, na qual a vinha representa o povo de Israel e o amado (o senhor da vinha), representa Deus. A parábola lembra a vida no campo e cultivo de parreiras. O autor lembra, também, o insucesso do cultivo e diante das frustrações se pergunta: “o que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz” Eu contava com uvas de verdade, mas, por que produziu ela uva selvagens?” (Is 5,4). Com esta realidade o profeta lembra o que o Povo de Israel não produziu os frutos de justiça que Javé esperava e portanto, dentro de uma realidade simbólica, poderemos ver que: as uvas amargas poderiam ser os pecados, as infidelidades, a opressão e as mentiras; muitas manifestações religiosas solenes, sem uma verdadeira adesão a Deus. Como conseqüência de toda esta experiência, surge o castigo de Deus: a invasão dos assírios e depois dos babilônios, que destruíram a vinha e deportaram os israelitas como escravos.
No Evangelho Jesus está em Jerusalém e no templo, centro do poder político, religioso e econômico daquela época. A parábola, deste domingo, revela um dos grandes conflitos de Jesus com as autoridades judaicas. A história da parábola mostra quem são os verdadeiros vinhateiros: os anciãos do povo e os chefes dos sacerdotes.
Então um Senhor planta uma vinha com todo o cuidado e a confia a uns vinhateiros, conhecedores da profissão. “Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. Os vinhateiros... espancaram a um, mataram
a outro e ao terceiro apedrejaram... Depois enviou seu próprio filho... Eles disseram: é o herdeiro... vamos matá-lo e tomar posse da sua herança
” (Mt 21,34-38). Vemos que os vinhateiros não respeitam o próprio filho, o herdeiro, e chegam a matá-lo, jogando fora da vinha.

Contudo, “a parábola ilustra a recusa de ISRAEL ao projeto de salvação de Deus. A Vinha é o Povo de Deus (Israel). O Dono é Deus, que manifestou muito amor pela sua vinha. Os vinhateiros são os líderes do povo judeu... Os enviados são os profetas... o próprio Cristo "morto fora da vinha". Resultado: A "vinha" será retirada e confiada a outros trabalhadores, que ofereçam ao "Senhor" os frutos devidos e acolham o "Filho" enviado. Reação do Povo: tentam prender Jesus, pois percebem que a Parábola se refere a eles... Não entregam os frutos e maltratam os enviados... A "Vinha" não será destruída, mas os trabalhadores serão substituídos”.
Um questionamento surge: “para quem será entregue a Vinha?” “Quem será o povo que produzirá os frutos de justiça, amor e paz?
Certamente a Igreja é a mais indicada para levar adiante, depois da morte de Jesus, a missão de produzir os frutos de Justiça segundo o plano Salvador de Deus. A Igreja é o novo Povo de Deus, que somos todos nós, participantes da única missão de Jesus enquanto sacerdote, profeta e rei. A Igreja, Povo de Deus, tem a missão de continuar profetizando e anunciando a Boa Nova de Jesus. Porém é preciso estar sempre em estado de alerta, porque facilmente poderemos produzir os frutos que o Senhor Jesus se decepcionaria. Hoje a Igreja trabalha na Vinha do Senhor e pede que transformemos esta vinha (=mundo/sociedade...). Porém Ele pede que olhemos vinha, chamando atenção para ver a produção de uvas selvagens, uvas que sem gosto, amargas e sem aparência agradável. Os frutos selvagens são aqueles frutos que nos fazem perder a referência fraterna na comunidade. Quando perdemos o respeito pelos outros, a comunidade produz frutos selvagens, amargos, azedos... É muito amargo, é um azedume viver numa comunidade sem laços fraternos. O Evangelho deste domingo e as leituras convidam cada um de nós para olhar para a vinha e analisar quais frutos nós estamos produzindo: frutos bons ou frutos amargos. Isso poderá ser feito também dentro de sua família: que frutos têm ali: selvagens, que torna o sabor da família amargo e azedo ou, frutos bons, nos quais viver em família é muito gostoso é saboroso?
Nós estamos celebrando o mês missionário. Missão (= sair de si) tem a ver com o sentido de se enviado. Portanto, somos enviados a trabalhar na vinha do Senhor e produzir frutos de amor, justiça, solidariedade, etc... Nossa grande missão consiste em cultivar os valores do Evangelho entre nós (= comunidade eclesial). “Não existe jeito melhor de crer e participar da comunidade do que semear a justiça divina, cultivar a bondade entre nós, cultivar a fraternidade, cultivar a alegria e paz que afasta qualquer tipo de agressividade e violência... Isso é ser cristão, é ser discípulo de Jesus; é ser missionário”.
(enviado por fr. João)

CNBB - Começa o Mês Missionário, no Brasil - Notícias CNBB - Notícias

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CNBB - Semana Nacional da Vida acontece em outubro - Notícias CNBB - Notícias

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29 de setembro de 2008

Um só amor, uma só alma

Portanto, se há um conforto em Cristo, uma consolação no amor, se existe uma comunhão de espírito, se existe ternura e compaixão, completem a minha alegria: tenham uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento. Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. Que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros. Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo... e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.
Filipenses 2, 1-5.11

20 de setembro de 2008

25° Domingo Comum - Vão vocês também para a minha vinha

O Evangelista Mateus coloca o Capítulo 20 no contexto da “vinda definitiva do Reino de Deus”, explicando que o caráter do Reino de Deus é universal. Neste sentido, esclarecendo e comparando a “natureza do Reino”, ele narra a parábola dos trabalhadores da vinha, que é exclusividade sua e não é narrada pelos outros evangelistas. Assim, perceberemos no relato da Parábola que Deus oferece a salvação a todos, sem considerar o itinerário de fé ou os “chamados” créditos pela missão realizada.
Na parábola narrada por Mateus, ele procura deixar bem claro que os primeiros beneficiários da salvação foram os judeus da Aliança selada desde os tempos de Abraão. Porém, eles não devem sentir-se “os privilegiados” por tal salvação. O anúncio da Boa Nova é direcionado a todas as pessoas, principalmente para os pecadores. Neste sentido eles são também convidados a participar do banquete festivo do Reino definitivo de Deus.
Mateus, para explicitar a realidade do Reino do Céu, narra a história de “um patrão, que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha” (Mt 20,1). Assim, o “patrão” saiu e foi contratando, em vários momentos, trabalhadores para a sua vinha: as nove (Mt 20,3), ao meio dia e às três da tarde (Mt 20,5) e combinou pagar uma “moeda de prata por dia e o que for justo” (Mt 20,2.4). Depois, no final da tarde, o patrão encontrou alguns trabalhadores que estavam na praça e disse-lhes “por que vocês estão aí o dia inteiro desocupados?” Eles responderam: porque ninguém nos contratou. O patrão lhes disse: vão vocês também para a minha vinha” (Mt 20,6-7). No final da jornada o patrão chamou o administrador e disse: “chame os trabalhadores e pague uma diária a todos. Comece pelos últimos, e termine pelos primeiros” (Mt 20,8). Houve um murmúrio total, porque aqueles que apenas trabalharam um pouco receberam o mesmo tanto do que aqueles que trabalharam toda a jornada. O patrão, percebendo a insatisfação de alguns disse: “amigo, eu não fui injusto contigo. Acaso não combinados uma moeda de prata? Por acaso não tenho direito de fazer o que eu quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque estou sendo generoso? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,13-16).
Diante da postura do Patrão, surge uma pergunta: “QUAL SERIA A LÓGICA DO REINO DE DEUS? OU AINDA: O QUE A PARÁBOLA ESTÁ QUERENDO DIZER?
Para compreender melhor o sentido da parábola seria importante ter presente o cap 3,15 do Evangelho de Mateus, que diz: “porque devemos cumprir toda a justiça”. Assim para Mateus, Jesus é o verdadeiro Mestre da Justiça. Neste sentido, todos aqueles que participaram da Escola de Jesus, deveriam praticar o que Ele (Jesus) ensinou: “se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não poderão entrar no Reino do Céu” (Mt 5,20).
Mateus escreveu o seu Evangelho para os judeus convertido ao cristianismo. Assim os primeiros trabalhadores chamados a trabalhar na vinha do Senhor eram os cristãos vindos do judaísmo; os últimos eram os não-judeus, certamente os pecadores, os doentes, os pobres... ou seja, todas as pessoas que se abriam ao convite para participar da vinha do Senhor. Porém, Mateus, irá mostrar no seu evangelho os grandes conflitos de Jesus com os Mestres da Lei, os Fariseus, os saduceus, etc. Este grupo, social, político e religioso eram muitos apegados à Lei. Jesus, o Mestre da Justiça, acolhia a todos, principalmente os pecadores e os publicanos. Os judeus foram os primeiros a serem chamados, por fazer parte da Antiga Aliança, do povo das promessas messiânicas; os últimos (pecadores, publicanos, doentes, etc...), foram convidados, porque entraram no ambiente da misericórdia de Deus... “bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão a misericórdia” (Mt 5,7). Para Deus, não há Judeus ou gregos, escravos ou livres, cristãos da primeira hora ou da última hora. Não há graus de antiguidade, de raça, de classe social, de merecimento… Todos são filhos amados do mesmo Pai. Porém permanece o grande convite do Patrão: “Ide, também vós, para a minha vinha” (Mt 20,7).
Hoje, trabalhar na vinha do Senhor tem um sentido muito amplo. O próprio Jesus afirma: “muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” (Mt 22,14); ou ainda: “a colheita é grande, mas os operários são poucos” (Lc 10,2). Neste sentido a “vinha do Senhor” é muito grande e faltam trabalhadores que anunciem o verdadeiro Reino de Deus. Porém primeiramente é preciso entender que a fé e a religião cristã não é passividade, mas atividade transformadora da sociedade iluminada pelo Evangelho. O profeta Isaias já alertava o povo de Deus dizendo: “meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos” (Is 55,8). Assim somos convidados a entrar na ótica de Deus, que quer a dignidade, a justiça, o amor para todos... “os últimos serão os primeiros e os primeiros serão últimos” (Mt 20,16).
“Para quem tem fé, para quem conhece o mínimo do Evangelho não pode conformar-se com essa situação de injustiça, com a crescente insensibilidade para com a pessoa, o desrespeito para com o povo mais simples e pobre... isso não está de acordo com os pensamentos de Deus. O motivo pelo qual trabalhamos na vinha do Senhor, portanto, é para que os pensamentos de Deus estejam presentes em nossos pensamentos e, evidentemente, nas nossas atitudes”.
Percebemos no texto que Deus não quer ninguém desocupado, apenas sentado na praça. Cristo continua convidando: "Ide também vós para a minha vinha!..." Qual será a nossa resposta ao chamado de Deus? Qual é o nosso lugar na vinha do Senhor?
Contudo, a “praça pode ser apenas um local para ver. Por acomodar-se na praça é incapaz de alguma atitude transformadora através do trabalho na vinha do Senhor”. Portanto, aqueles que trabalham na vinha do Senhor esforçam-se para transformar a realidade, ajudando as pessoas e a sociedade enquanto tal a assumirem a lógica da justiça divina, do Reino que se caracteriza pela bondade, dignidade, misericórdia, etc... Assim sendo, trabalhar na Vinha do Senhor significa “gerar modelos culturais alternativos para a sociedade atual” (Doc. Aparecida, 480).
(frei João)

14 de setembro de 2008

O papa em Lourdes

"Em Lourdes, Maria revelou o mistério da universalidade do amor de Deus pelos homens. Ela convida todos os homens, todos os que sofrem em seu coração e seu corpo, a erguerem os olhos para a cruz, para encontrar nela a fonte da vida, a fonte da salvação"

Exaltação da Santa Cruz


Nossa glória é a cruz, onde nos salvou Jesus!

10 de setembro de 2008

Bem-aventurados!

"Jesus, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: 'Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus! Bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir! Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome por causa do Filho do homem! Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. Mas ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas'."
Lucas 6, 20-26
Assim seja!

5 de setembro de 2008

Dia de preservar

5 de setembro de 2008, Dia da Amazônia.
A Amazônia ocupa uma área de mais de 6,5 milhões de quilômetros quadrados e faz parte de nove países americanos: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, sendo que 85% de toda essa imensa floresta está sob a responsabilidade do povo brasileiro, cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados da mais diversificada fauna e flora do planeta. A nação brasileira tem em suas mãos parte grandiosa de um tesouro incalculável que Deus deixou para a humanidade.
E neste dia tão especial a Liturgia da Igreja, através da Carta de São Paulo aos Coríntios, vem nos falando sobre os servidores de Cristo que administram o tesouro, o mistério de Deus aqui nesta terra. Os servidores de Cristo (que breve voltará) somos nós, que temos sob nossa responsabilidade 85% da Amazônia! Não é incrível?
Diariamente a voz da Igreja clama por servos que tenham zelo pelo serviço, servos sensíveis ao Reino de Deus, servos preenchidos da mais perfeita caridade capaz de lutar para renovar o que já está se perdendo, servos que são pontinhos de luz no meio da escuridão. Diarimente milhões de católicos espalhados pelo mundo meditam sobre a palavra e a vontade de Deus em suas vidas, porém, o tesouro que Deus deixou sob nossa responsabilidade cada dia é mais sacrificado por nossas ambições ou descaso. Ou será que lugares como a Amazônia não fazem parte do tesouro de Deus? O fato é que temos nos preocupado demais com templos lotados de fiéis, com joelhos marcados pela adoração, com lágrimas derramadas em nome de Jesus mas estamos esquecendo que fé é decisão, é ação e cuidado com a criação de Deus. Parece que temos esquecido que Igreja é povo que se organiza e luta pela libertação dos oprimidos e pela preservação do mundo no qual vivemos e do qual necessitamos.
Em poucos dias o mundo vai ser palco de uma grande experiência. Um grupo de cientistas patrocinados por várias nações irá produzir algo semelhante ao BIG BANG, a grande explosão que segundo teorias científicas parece ter gerado a energia da qual somos provenientes; um lugar imenso, são quilômetros construídos debaixo do solo onde pequenas partículas produzirão uma grande explosão a partir da qual será gerada muita energia, e nem temos certeza do que pode ocasionar! Você já imaginou quantos anos de estudo e quantos bilhões de dólares são necessários para que isso aconteça? Imagine quanto esforço e inteligência humana serão necessários para o sucesso dessa experiência! Certamente não é pouco. O homem tem evoluído muito, pois não é suficiente pisar na Lua ou instalar sondas em Marte, agora queremos reviver o BIG BANG. Queremos criar outro universo? Será que é isso? Será que somos capazes?
Este fato vem nos ensinar que estamos gastando tempo e dinheiro em querer criar um universo nosso e que mais uma vez estamos querendo passar adiante de Deus e de sua criação, porém, ao mesmo tempo que queremos brincar de Deus estamos também a destruir o que Ele criou. Afinal, quantos bilhões de dólares são necessários para não jogar lixo nos rios? Quantos bilhões de dólares são necessários para compreender que a floresta não vai resistir se não pararmos de desmatar e deixar viver a fauna? Quantos bilhões de dólares são necessários para entender que o povo da floresta precisa da floresta para viver? Quantas vidas ainda precisam ser ceifadas para que a humanidade compreenda que precisa de oxigênio para manter o organismo funcionando? E do que adianta a preocupação em descobrir como o universo foi criado se não estamos preocupados em cuidar do que já temos? Parece ser um passo atrás.
Os "clarões" dentro da Amazônia cada dia são maiores, os rios outrora caudalosos agora sofrem com mais intensidade na época da estiagem e as plantas e bichos sofrem o medo da extinção. Irmãos, também nós somos passíveis de extinção. Pois sem as plantas, rios e bichos quem é o homem? O ser fisicamente mais frágil dentre toda a criação, feito a imagem e semelhança de Deus, mas tantas vezes desprovido do sentimento de responsabilidade de cuidar daquilo que Deus lhe deu como herança.
Você pode está se perguntando o que o cristão tem a ver com todo esse discurso sobre BIG BANG, criação do universo e pesquisas científicas. Temos tudo a ver com isso. Somos responsáveis pela conscientização do povo de Deus, somos responsáveis pela preservação da floresta e do planeta, pois o mundo não é resposabilidade apenas dos governos ou das grandes organizações privadas que realizam campanhas ambientais para obter incentivos fiscais do governo, o planeta é responsablidade nossa! Sobretudo é responsabilidade do povo brasileiro e cristão católico que vive e se beneficia diariamente dos recursos que a Amazônia oferece caridosamente. O cristão precisa fazer a diferença levando ao mundo o discurso de Paulo que diz que precisamos ser administradores fiéis do Reino de Deus, sem jamais esquecer que a Terra, e mais especificamente a Amazônia é responsabilidade do cristão, pois a floresta nada mais é do que uma pontinha do céu aqui nesta vida.
O que vamos responder quando Deus perguntar sobre o que fizemos para cuidar do Reino aqui?
Se não somos capazes de cuidar do meio ambiente será que seremos capazes de cuidar das coisas do alto? Se não temos sensibilidade para preservar a vida, será que teremos sensibilidade para entrar no paraíso e viver na glória de Deus?
Precisamos refletir e não tardar em cuidar.
Paz irmãos! Que a Virgem Santíssima interceda por nós nos céus, e hoje em especial, que interceda pela Floresta Amazônica.

30 de agosto de 2008

22° Domingo Comum - Seguimento - Renúncia - Cruz

A liturgia deste domingo (22º) quer mostrar a importância do seguimento de Cristo. No domingo passado Pedro fez uma profissão de fé profunda dizendo: “Tu é o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus, por sua vez, respondeu a Pedro com estas palavras: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16,16.18).
A cena do Evangelho de hoje está situada no contexto da parte narrativa do Reino dos céus, cujo tema é o seguimento de Cristo. Neste sentido, os discípulos desejam seguir o Mestre. Porém, Jesus vai fazendo uma catequese doutrinal e ensina o que significa segui-lo e anuncia o seu primeiro anúncio da paixão, nestes termos: “Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16,21). Neste versículo, o 21, poderemos perceber as quatro etapas do caminho da cruz: a primeira: ir a Jerusalém; a segunda: o sofrimento causado pelas autoridades (anciãos, sumos sacerdotes, e doutores da Lei); a terceira: ser morto pelo supremo tribunal; a quarta a ressurreição.
Jesus tem consciência do enfrentamento com o Sinédrio e começa a mostrar isso aos discípulos. Pedro, por sua vez, quer propor alternativas messiânicas “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” (Mt 16,22). E por isso começa a repreendê-lo dizendo: “vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens” (Mt 16, 23).
Uma realidade que nos chama a atenção é a reação do discípulo Pedro. “Na celebração do último Domingo ele era proclamado solenemente “pedra” sobre a qual Jesus iria construir sua Igreja; agora é rejeitado como “pedra de tropeço”. Pedro apresenta-se com uma mentalidade tão mundana a ponto de interferir no projeto de vida de Jesus, de realizar a vontade do Pai. Estabeleceu-se um confronto claro entre dois projetos: o de Pedro, que pensava como o mundo, e o de Jesus, que pensava como o Pai. Jesus expulsa Pedro de sua frente por querer sobrepor a mentalidade do mundo à vontade de Deus, impossibilitando-o de assumir a Cruz, símbolo da fidelidade ao projeto divino. Para Pedro e para seus discípulos, Jesus deixa claro que o projeto do Reino é diferente da mentalidade do mundo e que o confronto entre as duas mentalidades é inevitável”.
Jesus vai mostrando claramente as condições para o seguimento. De fato Ele afirma: “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Segui-lo significa uma adesão pessoal que implica renúncia, aceitação e compromisso. Para estar com ele, são exigidas duas condições: renunciar a si mesmo e tomar a própria cruz. Renunciar a si mesmo é deixar de lado toda ambição pessoal. Carregar a própria cruz é enfrentar, com as mesmas disposições de Jesus, o sofrimento, perseguição e morte por causa da justiça que provoca o surgimento do Reino. Neste sentido, poderemos ver uma sintonia com a penúltima bem-aventurança, “bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10). Ser discípulo de Jesus, portanto, é reviver a síntese das bem-aventuranças.
Contudo, no ensinamento sobre a realidade do seguimento, Jesus mostra que a sua proposta é um caminho para todo cristão que esteja disposto a segui-lo. Por isso que Ele usa as expressões “salvar-perder”, “perder-encontrar”. Ele diz: “quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 16,25). As suas orientações não são loucura, mas sim uma opção de vida que supõe um risco muito sério e profundo: “De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida” (Mt 16,26). Os discípulos tinham uma concepção errada do messianismo de Jesus e do modo de ser discípulo dele. Jesus vai ao encontro da cruz para depois voltar em sua glória.
Mas, há quem espere a salvação do sucesso terreno, das coisas, de “ganhar o mundo inteiro”, e, portanto, organize sua vida e sua atividade neste sentido; e há quem espere a salvação das mãos de Deus e a Ele se entregue totalmente, vivendo na fidelidade à sua palavra e a seu chamado, embora aos olhos do mundo esteja “perdendo a vida”...
Nesta realidade do seguimento de Cristo o Documento de Aparecida fala que é preciso estar “Parecidos com o Mestre” (4.2). “No seguimento de Jesus Cristo, aprendemos e praticamos as bem-aventuranças do Reino, o estilo de vida do próprio Jesus: seu amor e obediência filial ao Pai, sua compaixão entranhável frente à dor humana, sua proximidade aos pobres e aos pequenos, sua fidelidade à missão encomendada, seu amor serviçal até a doação de sua vida (...) Identificar-se com Jesus Cristo é também compartilhar seu destino: ‘onde eu estiver, aí estará também o meu servo’ (Jo 12,26). O cristão vive o mesmo destino do Senhor, inclusive até a cruz: ‘se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e me siga’ (Mc 8,34)” [Doc. Aparecida, 139-140).
(enviado por fr. João)

25 de agosto de 2008

O martírio de Paulo em Roma

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Il martirio a Roma

A abertura da Aliança para todos

O primeiro gesto de Paulo na capital do Império e também suas últimas palavras, anotadas nos Atos, foram lançar — mais uma vez — um apelo aos judeus. Como já havia escrito aos romanos: “O Evangelho é uma força salvadora de Deus para todo aquele que crê, primeiro para o judeu, mas também para o grego” (Rm 1,16). De forma que, no final de sua missão, aquele que o Senhor quis Apóstolo das Nações não quer se esquecer nem do “menor de meus irmãos” (Mt 25,40). “Estou carregando estas algemas exatamente por causa da esperança de Israel” (At 28,20). Ele lança um último e vibrante chamado à “conversão” de seu povo, à reviravolta que ele mesmo conheceu. Em Cristo, a Aliança de Deus está de agora em diante aberta a todos.

A palavra final não é a morte de Paulo, uma vez que se trata, ao contrário, do desenvolvimento do cristianismo e da Boa Nova levados para todos os lados pela grande testemunha do Ressuscitado, que se tornou, à sua imagem, “Luz das Nações” (Is 49,6; At 13,47).

A viagem do cativério de Paulo

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Il viaggio della cattività

No coração da tempestade

Eis o mais fabuloso relato do Novo Testamento. De Cesaréia a Roma, “a navegação já se tornava perigosa” (At 27,9) depois da festa das Expiações — que introduz o outono. De fato, o navio navega à deriva por quinze dias de Creta a Malta, não se podendo orientar “nem pelo sol nem pelas estrelas” (At 27,20). O prisioneiro Paulo se revela mais livre que os 276 membros da tripulação, capitão, piloto, centurião e marinheiros; ele está acostumado ao mar e à experiência de três naufrágios (2Cor 11,25) e, sobretudo, tem uma segurança que lhe vem de Deus: “Não haverá perda de vida alguma dentre vós, a não ser a perda do navio” (At 27,22), afirma a seus companheiros, quando tudo parece perdido. “Pois esta noite apareceu-me um anjo do Deus ao qual pertenço e a quem adoro, o qual me disse: ‘Não temas, Paulo. [...] Deus te concede a vida de todos os que navegam contigo’” (At 27,23-24).

Malta

Todos chegam à ilha, alguns a nado, alguns graças a uma tábua ou caibro. Essa etapa simples e idílica (“Os nativos trataram-nos com extraordinária humanidade, acolhendo a todos nós junto a uma fogueira que tinham aceso”; At 28,2) simboliza a acolhida que o mundo pagão fará ao Evangelho. Depois do perigo e do naufrágio, a escala maravilhosa em Malta tem, para Lucas, o gosto da aurora de uma ressurreição. Uma víbora morde a mão de Paulo enquanto atiça o fogo; ele a lança no braseiro sem nenhuma dor... e o povo o toma por um Deus. Paulo, ainda, cura o pai de seu hóspede, impondo-lhe as mãos, como também a multidão de doentes que acorre. Finalmente, “cumularam-nos com muitos sinais de estima; e, quando estávamos para partir, levaram a bordo tudo o que nos era necessário” (At 28,10).

Roma

Depois disso, vem Siracusa, Régio e Putéoli. Paulo tem a alegria de ser acolhido por três irmãos — percorreram 50 km a pé —, já que o Apóstolo não é um desconhecido: eles receberam dele, três anos antes, sua grande Carta aos Romanos. Em Roma, ele encontra também uma comunidade de cristãos, cuja origem se ignora, e da qual Lucas diz ser numerosa e célebre por sua fé e suas obras. O cristianismo foi sem dúvida trazido a Roma muito cedo, por mercadores judeus, e continuou, sem ser notado, perto de algumas sinagogas. Quando Cláudio morreu, Roma tinha cerca de 50 mil judeus vindos de regiões muito diferentes, dispersos pela vasta aglomeração de diversas sinagogas.

Paulo chega a Roma em 61, para aqui ser julgado. Depois de dois anos de prisão domiciliar, no coração da cidade, perto do Tibre (o atual bairro judeu), que ele emprega em evangelizar e escrever, o processo se dissolve por falta de acusadores. Mas, depois do incêndio de 64, Nero acusa os cristãos de serem os autores do incêndio. Paulo, assim, é preso, acorrentado no cárcere Marmetino e condenado à decapitação, que terá lugar fora dos muros aurelianos, na via Ostiense, mais provavelmente entre 65 e 67.

Paulo em Jerusalém

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Il ritorno a Gerusalemme:

"Jerusalém: um líder das Igrejas
Paulo volta pela terceira vez a Jerusalém para prestar contas aos Anciãos acerca de sua missão entre os pagãos. Ele chefia uma delegação de pessoas que representam as Igrejas por ele fundadas, geralmente pagão-cristãs, mas também discípulos judeus, como Timóteo. Tornou-se o líder reconhecido (1Cor 12-14) de um grupo de comunidades locais em contestação com as sinagogas e que levam, no seio das comunidades pagãs, uma existência autônoma. Ele dá a elas o nome de Igrejas, segundo a tradição deuteronômica, reivindicando para cada uma a dignidade de assembléia do povo escolhido por Deus reservada em primeiro lugar à Igreja de Jerusalém. Paulo exerce a autoridade de um apóstolo de Jesus Cristo (1Cor 1-21; 2Cor 1,1), título ao qual é muito ligado.
Mas agora, na capital do judaísmo e diante da Igreja de Jerusalém presidida por Tiago, onde “milhares de judeus abraçaram a fé” (At 21,20), pedem-lhe que prove seu apego aos antepassados. Ele havia escrito aos Coríntios: “Tudo suportamos” (1Cor 9,12). Por isso, dirige-se ao Templo, para se purificar com um grupo de nazarenos, “assim todos saberão que tu também é observante da Lei” (At 21,24). E é aí que será preso.
Prisão no Templo de Jerusalém
Tudo está pronto para a explosão: o temor levantado pelas pregações de Paulo nas sinagogas e o desenvolvimento desse cristianismo que ameaça as estruturas e as leis. Estouram alguns incidentes durante a chegada de Paulo ao Templo"