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2 de abril de 2014

Lectio Divina Ressureição de Lázaro V Domingo da Quaresma

Cântico de invocação ao Espírito Santo...
Oração inicial...
Leitura do Evangelho...
1.      A relação de Jesus com Lázaro é de afecto e amizade; mas Jesus não vai imediatamente ao seu encontro; parece, até, atrasar-se deliberadamente (vers. 6). Com a sua passividade, Jesus deixa que a morte física do “amigo” se consuma. Provavelmente, na intenção do nosso catequista, o pormenor significa que Jesus não veio para alterar o ciclo normal da vida física do homem, libertando-o da morte biológica; veio, sim, para dar um novo sentido à morte física e para oferecer ao homem a vida eterna. Depois de dois dias, Jesus resolve dirigir-se à Judeia ao encontro do “amigo”.
2.      Por outro lado, notemos a forma como é descrita a relação entre Jesus e esta família de irmãos. Trata-se de uma família amiga de Jesus, que Jesus conhece e que conhece Jesus, que ama Jesus e que é amada por Jesus, que dão hospitalidade a Jesus em sua casa.
3.      Um facto abala a vida desta família: um irmão (Lázaro) está gravemente doente. As “irmãs” mostram o seu interesse, preocupação e solidariedade para com o “irmão” doente e informam Jesus.
4.      Betânia, segundo a própria narração (v. 18), ficava a menos de 3 km de distância de Jerusalém. Essa propriedade pertencente à família de Lázaro havia sido utilizada por Jesus com frequência, quase todas as vezes que devia ir a Jerusalém, não só por sua proximidade, mas até mesmo pelo conforto. Essa é também a razão de ali se encontrarem muitos judeus (v. 19).
5.      Ao chegar a Betânia, Jesus encontrou o “amigo” sepultado há já quatro dias. De acordo com a mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia. Quando Jesus chega, Lázaro está, pois, verdadeiramente morto. Jesus não elimina a morte física; mas, para quem é “amigo” de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva.
6.      Por esta altura, entram em cena as “irmãs” de Lázaro. Marta é a primeira. Vem ao encontro de Jesus e insinua a sua reprovação: Jesus podia ter evitado a morte do amigo, se tivesse estado presente, pois onde Ele está reina a vida. No entanto, mesmo agora, Jesus poderá interceder junto de Deus, Deus atendê-lo-á e devolverá a vida física a Lázaro.
7.      Jesus inicia a sua catequese dizendo-lhe: “teu irmão ressuscitará” (v 23). Marta pensa que as palavras de Jesus são uma consolação banal e que Ele se refere à crença farisaica, segundo a qual os mortos haveriam de reviver, no final dos tempos. Isso ela já sabe; “eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia” (v 24), mas não chega: esse último dia ainda está tão longe. Jesus, no entanto, não fala da ressurreição no final dos tempos. Ele fala da sua identidade: “eu sou a Ressurreição e a Vida, quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viver” (v25-26). Para quem tem fé, a morte física é apenas a passagem desta vida para a vida eterna. Jesus não evita a morte física; mas Ele oferece ao homem essa vida que se prolonga para sempre. Para que essa vida eterna possa chegar ao homem é necessário, no entanto, que o homem tenha fé em Jesus.
8.      Confrontada com esta catequese: “acreditas nisto?” (26), Marta manifesta a sua adesão ao que Jesus diz e professa a sua fé no Senhor que dá a vida: “acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (v 27). Marta acredita em Deus; acredita que Jesus é um profeta, através de quem Deus actua no mundo; mas ainda não tem consciência de que Jesus é a vida do Pai e que Ele próprio dá a vida.
9.      Maria, a outra irmã, tinha ficado em casa. Está imobilizada, paralisada pela dor sem esperança. Marta – que falara com Jesus e encontrara n’Ele a resposta para a situação que a fazia sofrer – convida a irmã a sair da sua dor e a ir,  “o mestre está cá e chama-te” (v28b), por sua vez, ao encontro de Jesus. Maria vai rapidamente, sem dar explicações a ninguém: ela tem consciência de que só em Jesus encontrará uma solução para o sofrimento que lhe enche o coração. Também nas palavras de Maria há uma reprovação a Jesus pelo facto de Ele não ter estado presente, impedindo a morte física de Lázaro. “Senhor se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!” (v 32b). Jesus não pronuncia qualquer palavra de consolo. Ele é a “ressurreição e a vida”.
10.  A cena da ressurreição de Lázaro começa com o verso (“Jesus chorou” v 35). Jesus mostra, dessa forma, o seu afecto por Lázaro “vedê como o amava” (v36) a sua saudade do amigo ausente. Ele – como nós – sente a dor, diante da morte física de um ente querido; mas a sua dor não é desespero. Alguns judeus, que outrora tinham testemunhado o poder de Jesus interrogam-se entre si: “Não podia Ele que abriu os olhos ao cego, fazer também que ele não morresse?” (v 37).
11.  Jesus chega junto do sepulcro de Lázaro. A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra (como era costume, entre os judeus para simbolizar a plenitude da morte), que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra” (v 39): para saciar as questões dos judeus presentes. Jesus, ao oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física.
12.  A acção de dar vida a Lázaro representa a concretização da missão que o Pai confiou a Jesus: dar vida plena ao homem. É por isso que Jesus, antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, ergue os olhos ao céu e recita a oração de acção de graças ao Pai (vv. 41b-42): a sua oração demonstra a sua comunhão com o Pai e a sua obediência na concretização do plano do Pai.
13.  “Lázaro sai fora” (v 43b). Aqui Jesus mostra Lázaro vivo na morte, provando à comunidade dos crentes que a morte física não interrompe a vida plena do discípulo que ama Jesus e O segue. Mais uma vez os crentes vêm a “Glória” de Deus. Os que não têm fé como os judeus que estavam presentes, acham um escândalo.
Amigos de Jesus são aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos.
Silêncio e cântico: “Com minha mãe estarei”
·         Com minha mãe estarei na santa glória um dia / Ao lado de Maria no céu triunfarei
No céu, no céu com minha mãe estarei / No céu, no céu / com minha mãe estarei
·         Com minha mãe estarei aos anjos se ajuntando / Do onipotente ao mando hosanas lhe darei
·         Com minha mãe estarei e então coroa digna de mão tão benigna feliz receberei
·         Com minha mãe estarei e sempre neste exílio de seu piedoso auxílio com fé me valerei

Oração espontânea – depois o “Pai-Nosso” para finalizar.
frei Dionisio Chaxiua, noviço osm