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21 de abril de 2014

LECTIO DIVINA COMUNITÁRIA (Jo 20, 19- 31) 2º Domingo páscoa

LECTIO DIVINA COMUNITÁRIA (Jo 20, 19- 31)   2º Domingo páscoa

Canto: Invocação ao Espírito Santo

Introdução:

O entusiasmo evangelizador da primeira comunidade cristã, com o passar do tempo, cede lugar aos desafios do dia a dia, inclusive com perseguições e martírios.
Para não ceder era importante crer, mesmo sem ver, crer que Jesus é o Filho do Homem, o vitorioso da morte e expressar e dizer como Tomé: “meu Senhor e meu Deus!”.
1 – O Evangelho de hoje está divido em duas partes, e nos apresenta duas das aparições do ressuscitado:
2 – Na primeira parte do evangelho, Jesus comunica aos discípulos o seu Espírito e com Ele dá-lhes o poder de vencer as forças do mal (Jo 19-23). Na segunda parte, João (20, 24-31) relata o famoso episódio de Tomé.
3- Na aparição aos onze o evangelista inicia destacando o espaço temporal no qual o Ressuscitado apareceu, ou seja, “na tarde do primeiro dia da semana” (Jo 20, 19). Com este enfoque João quer nos mostrar que os cristãos desde sempre se reuniam no primeiro dia da semana.
4- Os discípulos estavam com as portas fechadas. Teriam eles motivos para estarem de portas fechadas? O Evangelista diz que: “estando as portas fechadas, por medo dos judeus...” Ora, Jesus não tinha anunciado vida fácil para os seu discípulos, Ele mesmo havia dito: “Neste mundo vocês terão aflições, coragem eu venci o mundo” ( Jo 16, 33).
5- Mas qual a razão principal que se enfatiza as portas fechadas? Isto se dá porque João quer mostrar com o seu enfoque teológico que o Ressuscitado é o mesmo Jesus que os apóstolos viram, conheceram  e tocaram, mais agora ele se encontra diferente... é o Cristo Ressuscitado no seu corpo glorioso. É importante salientar que a ressurreição da carne não é equivalente à ressurreição de um corpo. O apóstolo Paulo explica a ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição em Cristo dizendo que: “o corpo semeado corruptível ressuscita incorruptível, semeado na desonra é ressuscitado na glória, semeado na fraqueza é ressuscitado cheio de força e semeado terreno é ressuscitado corpo espiritual” (1Co 15, 42-44).
6- Jesus mostra as mãos e o lado e “os discípulos ficaram cheios de alegria” (Jo 20, 20), não pelo fato de Jesus está no meio deles, mas, sobretudo porque Jesus havia ressuscitado e vencido a morte.
7-Jesus pela segunda vez disse: a paz esteja convosco, e soprou sobre eles o Espírito Santo, concedendo-lhes o poder de perdoar pecados. Mas o que significa perdoar pecados? O perdão dos pecados que Jesus concede aos seus discípulos não se restringe só a absolvição dos pecados, este poder é muito mais amplo e diz respeito a todos os seus discípulos que animados pelo seu Espírito tem a missão de purificar o mundo de todo o mal.
8- O Evangelista relata que os discípulos deram um testemunho para Tome: “Vimos o Senhor”, porém ele não acreditou. Oito dias depois Jesus apareceu novamente e com a saudação própria do ressuscitado e disse: a paz esteja convosco, e dirigindo-se a Tomé, o discípulo incrédulo,  pediu-lhe que o tocasse e visse a suas mãos. João coloca Tomé como símbolo das pessoas e das comunidades que encontram dificuldades para acreditar na Ressurreição de Cristo. É preciso fazer um caminho de fé, como Marta, Pedro, Maria Madalena e tantas outras pessoas que após um encontro pessoal com Cristo expressam com convicção: “eu creio que Tu és o Cristo Filho do Deus vivo”.
9-No Evangelho de João, nós encontramos três intervenções de Tomé: a primeira é quando Jesus recebe a notícia da morte de lázaro, e decide ir á Judeia, Tomé pensa que seguir o Mestre significa perder a vida, não compreende que Jesus é o Senhor da vida, e desconsolado exclama: “Vamos nós também para morrermos com Ele” ( Jo 11, 16). Outra intervenção ocorre durante a Última Ceia, quando Jesus fala do caminho que está a percorrer, um caminho que passa pela morte para introduzir a vida. Tomé questiona: “Senhor não sabemos para onde vais, como podemos conhecer o caminho?” ( Jo 14, 5). Tomé está perplexo de hesitações e de dúvidas, não consegue aceitar aquilo que não entende. A terceira intervenção ocorre no episódio narrado no trecho de hoje.
10- Tomé ao tocar e ver as cicatrizes reconhece o ressuscitado e a sua incredulidade dá lugar a mais bela profissão de fé: “meu Senhor e meu Deus” (Jo 20, 28). Tomé é o primeiro a reconhecer a divindade de Jesus, ele reconhece Jesus como o seu Senhor e como o seu Deus. Tomé compreendeu o que Jesus queria dizer quando usava a expressão: eu e o pai somos um; ao crer na ressurreição e ao crer no ressuscitado não existe mais espaço para dúvida.
11- Mas será que foi Tomé o único dos discípulos a ter duvidado da ressurreição de cristo?
No Evangelho de Marcos diz-se que Jesus apareceu aos onze e censurou-lhes por serem incrédulos e duros de coração por não terem acreditado naqueles que O tinham visto ressuscitado, (Mc 16, 14).
Na verdade todos duvidaram, não foi só o pobre Tomé, mas porque razão João dá tanto destaque à incredulidade de Tomé?
Devemos ter presente que o Evangelho de João foi escrito por volta do ano 95, e o evangelista usa Tomé como exemplo procurando responder as interrogações e objeções de seu tempo, pois se tratava de cristãos da terceira geração que não tinham visto Cristo, e muitos deles sequer conheceram nem um dos apóstolos e muitos tinham dificuldades em crer, e faziam vários questionamentos como:
Quais são as razões que nos induzem a acreditar? Ainda é possível para nós hoje fazermos experiência do ressuscitado? Há prova de que Ele esteja vivo? Por que já não aparece?

Também são as perguntas que ainda hoje muitas pessoas fazem.

Ivan Siqueira e Percy Astopillo, noviços osm