4 de abril de 2014

Jo 1, 1-45 Lectio Divina

Lectio Divina Pessoal Jo 11, 1-45. 

ORAÇÃO INICIAL: “Ó Espírito Santo, Amor do Pai e do Filho, Inspirai-me sempre o que devo pensar, o que devo dizer. O que devo calar, o que devo escrever, Como devo agir. O que devo fazer para obter a Vossa Glória, o bem das almas e a minha própria santificação.” São Tomas de Aquino

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen

 

Estamos no V Domingo da Quaresma e a antífona da comunhão diz: “Aquele que vive e crê em Mim não morrerá para Sempre diz o Senhor”. Só  nos restam duas semanas para a Páscoa, e todas as Leituras bíblicas deste domingo falam da ressurreição. Não ainda da Ressurreição de Jesus, que irromperá a história humana, como uma novidade absoluta, mas da nossa, aquela pela qual aspiramos e que precisamente Cristo nos doou, ressurgindo dos mortos. Com efeito, a morte representa para nós como que um muro que nos impede de ver além; contudo o nosso coração olha para além deste muro, e mesmo se não podemos conhecer o que ele esconde, contudo pensamo-lo, imaginamo-lo, expressando com símbolos o nosso desejo de eternidade.

Hoje São João deseja apresentar-nos Jesus como fonte da vida. A perícope de hoje como nas perícopes dos dois domingos precedentes ( Samaritana e o cego de  nascença)tratam-se de narrações únicas que encontramos não encontramos nos Sinópticos, somente São João nos oferece essas narrações.

Com esta cena que acabamos de escutar conclui-se o “livro dos sinais” (cf. Jo 4,1-11,56),  onde São Joãoapresenta recorrendo aos “sinais”, um conjunto de catequeses sobre a acção criadora e vivificadora  de Cristo aos catecumenos, como fonte de àgua (no episódio da Samaritana cf. Jo 4,1-5,47); como pão que alimenta a nossa fome(cf. Jo 6,1-7,53), como fonte de luz (na cena do cego de nascença cf. Jo 8,12-9,41) como pastor (cf. Jo 10,1-42) e hoje  apresenta Jesus como fonte, alias autor da Vida (com a Ressureição de Lázaro cf. Jo 11,1-56).

O Lazaro que São João nos fala é diferente do “pobre Lazaro” que São Lucas, nos fala no seu capitulo 16, 1-31.

Trata-se do último grande “sinal” realizado por Jesus, depois do qual os sumos sacerdotes reuniram o Sinédrio e decidiram matá-lo; e decidiram matar também o próprio Lázaro, que era a prova viva da divindade de Cristo, Senhor da vida e da morte. Na realidade, esta página evangélica mostra Jesus como verdadeiro Homem e verdadeiro Deus.

Esta perícope decorre  em  Judiéa (Jo 11,7) concretamente  em Betânia (Jo 11,18) uma aldeia a Este do monte das Oliveira, aproximadamente 3 quilometros de Jerusálem.

São João coloca-nos diante da morte que é de per si uma realidade existente nas nossas familia na humanidade, neste caso a família mencionada, pelo nosso evangelista é constituída por três pessoas (Marta, Maria e Lázaro), parece conhecida de Jesus alias é conhecida por Jesus. No versículo 5, diz-se que Jesus amava Marta, a sua irmã Maria e Lázaro

Trata-se de uma família amiga, querida e amada por Jesus, que Jesus conhece e que  por sua vez essa familia conhece e ama Jesus, e recebe-o em sua casa. A visita de Jesus a casa desta família é, aliás, mencionada em Lc 10,38-42; e João tem o cuidado de observar que a Maria, aqui referenciada, é a mesma que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe tinha enxugado os pés com os cabelos(Jo 11,2; cf. Jo 12,1-8).

O evangelista insiste sobre a amizade de Jesus com Lázaro e com as irmãs Maria e Marta. Ele ressalta o facto de que “Jesus era muito amigo” deles (Jo 11, 5), e por isso quis realizar o grande prodígio. “O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou acordá-lo” (Jo 11, 11) disse aos discípulos, expressando com a metáfora do sono o ponto de vista de Deus sobre a morte física: Deus vê-a precisamente como um sono, do qual nos pode despertar. Jesus demonstrou um poder absoluto em relação a esta morte: vê-se isto, quando restitui a vida ao filho da viúva de Naim (cf. Lc 7, 11-17) e à menina de doze anos (cf. Mc5, 35-43). Precisamente dela, disse: “Não morreu, está a dormir” (Mc 5, 39), atraindo sobre si o escárnio dos presentes. Mas na verdade é exactamente assim: a morte do corpo é um sono do qual Deus pode acordar-nos em qualquer momento.

Ao chegar em Betânia, Jesus encontrou o “amigo” sepultado há já quatro dias. De acordo com a mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia. Quando Jesus chega, Lázaro está, pois, verdadeiramente morto. Jesus não elimina a morte física; mas, para quem é “amigo” de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva.

Este dominio sobre a morte não impediu que Jesus sentisse compaixão pela dor da separação.

Ao ver Marta e Maria a chorar e quantos tinham vindo para as consolar, também Jesus “suspirou profundamente e comoveu-se” (Jo 11, 33.35).

O Coração de  Jesus Cristo é divino-humano: nele, Deus e Homem encontraram-se perfeitamente, sem separação nem confusão. Ele é a Encarnação do Deus que é amor, misericórdia e ternura paterna e materna do Deus que é Vida. De facto, afimou solenemente a Marta: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá para sempre”. Depois, acrescentou: “Crês nisto?” (Jo 11, 25-26).

Ao povo judaico, no exílio longe da terra de Israel, o profeta Ezequiel anuncia que Deus abrirá os sepulcros dos deportados e fá-los-á voltar à sua terra, para nela repousar em paz (cf. Ez 37, 12-14). Esta aspiração ancestral do homem por ser sepultado juntamente com os seus pais é desejo de uma «pátria» que o acolha no final das canseiras terrenas.

Esta concepção ainda não inclui a ideia de uma ressurreição pessoal da morte, que só aparece nos finais do Antigo Testamento, e até na época de Jesus não era aceite por todos os Judeus. De resto, também entre os cristãos, a fé na ressurreição e na vida eterna é acompanhada por tantas dúvidas, confusões, porque se trata sempre de uma realidade que ultrapassa os limites da nossa razão, e exige um acto de fé.

No Evangelho de hoje  a ressurreição de Lázaro nós ouvimos a voz da fé pronunciada por Marta, a irmã de Lázaro. A Jesus que diz: “O teu irmão ressuscitará”, ela responde: “Sei que ressuscitará na ressurreição do último dia” (Jo 11, 23-24).

Mas Jesus responde: “Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em Mim, mesmo se morrer, viverá” (Jo 11, 25-26). Eis a verdadeira novidade, que escancara e supera qualquer barreira! Cristo abate o muro da morte, n’Ele habita toda a plenitude de Deus, que é vida, vida eterna. Por isso a morte não teve poder sobre Ele; e a ressurreição de Lázaro é sinal do seu domínio pleno sobre a morte física, que diante de Deus é como um sono (cf. Jo 11, 11).

“Crês nisto?” (Jo 11, 25-26), aliás credes vós nisto?

É uma pergunta crucial que Jesus dirige a cada um de nós; uma interrogação que certamente nos supera, ultrapassa a nossa capacidade de compreender e exige que confiemos nele, como Ele confiou no Pai.

A resposta de Marta é exemplar: “Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (Jo 11, 27). Sim, ó Senhor! Também nós acreditamos, não obstante as nossas dúvidas e as nossas obscuridades; cremos em ti, porque Tu tens palavras de vida eterna; desejamos acreditar em ti, que nos infundes uma confiável esperança de vida para além da vida, de vida autêntica e repleta no teu Reino de luz e de paz.

Jesus, antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, ergue os olhos para o alto e rende graças ao Pai (Jo 11,41b-42): a sua oração demonstra a sua (Koinonia) comunhão com o Pai e a sua obediência na realização do plano de Deus Pai.A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra (como era costume, entre os judeus). A pedra é, aqui, símbolo que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, cortando qualquer relação entre um e outro. Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra”: para os crentes, não se trata de duas realidades sem qualquer relação. Jesus, ao oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física. A morte física não afasta o homem da vida.

Porém há outra morte, que custou a Jesus a luta mais dura, inclusive o preço da cruz: é a morte espiritual, o pecado, que ameaça arruinar a existência de cada homem. Para vencer esta morte Jesus morreu, e a sua Ressurreição não é o regresso à vida precedente, mas a abertura de uma realidade nova, uma «nova terra», finalmente reunida com o Céu de Deus. De facto São Paulo escreve: “Se o Espírito de Deus, que ressuscitou Jesus dos mortos, habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo dos mortos dará a vida também aos vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que habita em vós” (Rm 8, 11).

Confiemos, dirijamo-nos queridos irmãos a Maria Santíssima que participa desta Ressurreição, para que nos ajude, com a sua intercessão a revigorar a nossa fé e a nossa esperança em Jesus, especialmente nos momentos de maior provação e dificuldade, posamos dizer: Sim, ó Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo11, 27).

ORAÇÃO FINAL de São Tomás de Aquino: Dá-me, Senhor Deus, um coração vigilante, que nenhum pensamento curioso arraste para longe de Ti; um coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite; um coração recto que nenhuma intenção equívoca desvie; um coração firme, que nenhuma adversidade abale; um coração livre, que nenhuma paixão subjugue.

Concede-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que Te conheça, uma vontade que Te busque, uma sabedoria que Te encontre, uma vida que te agrade, uma perseverança que Te espere com confiança
uma confiança que Te possua, enfim. Amén

 

 

 Frei Jeremias, noviço osm


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