22 de março de 2014

O episódio da Samaritana - Evangelho do 3º Domingo da Quaresma ano A

LECTIO DIVINA  COMUNITÁRIA 19.03.2014  Jo 4, 1-42

INVOCAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO: “Mandai o vosso Espírito Santo Paráclito às nossas almas e fazei-nos compreender as Escrituras por Ele inspiradas: e concedei-me interpretá-las de maneira digna para que os fieés aqui reunidos delas tirem proveito”.

1. O evangelho de João, deseja apresentar Cristo como fonte de luz e vida para os homens. A manifestação da luz apresenta-se também na perícope da mulher samaritana (4,1-42)
2. A perícope da mulher samaritana é nos oferecidos somente pelo autor do quarto evangelho. O encontro entre Jesus e a mulher samaritana ocorre durante o retorno de Jesus de Judeia para à Galileia. O texto em si é cheio de elementos que nos exigem olhar para o Antigo Testamento
3. Primeiro  o texto diz que era necessário passar por Samaria isto provoca em nós inúmeras perguntas o porque Jesus deveria passar da Samaria?
3.1 O Antigo Testamento informa-nos que os samaritanos são resultados de um processo de colonização promovido pela dominação assíria, que trazia pessoas de outras regiões colonizadas, neste caso foram cinco povoamentos pagãos, e as misturava com os habitantes locais. Tal processo gerou reações de desprezo e rivalidades entre aquelas pessoas que se consideram "legítimos filhos de Israel" e aquelas que são "misturadas". Podemos encontrar estes relatos em 2Reis 17,24-31, Eclesiástico 50,26 e Esdras 4,2-9. Os cincos maridos que a mulher tiverá simbolizam estes cinco povoamentos pagãos.
4. O segundo facto é que Jesus está a conversar com uma mulher. E que mulher e onde estão a conversar?
4.1 Ela é mulher e é samaritana. Sua condição de gênero impede que converse com um homem em lugar público e, especialmente, perto do poço (no imaginário daqueles grupos, o poço é um lugar mítico, simbólico da erótica, relacionamento amoroso - Gênesis 24 e 29; Êxodo 2,11-22). Sua pertença a um povo resulta em problemas para estabelecer relações de amizade e confiança, de ajuda e solidariedade com alguém do povo inimigo.
5. O terceiro ponto, é que a cena decorre junto ao poço que preludia a conclusão de um matrimônio, (Gn 29,1s; Ex 2,15s); convertendo-se, a Samaria renovará o laço matrimonial que a unia a Deus (Os 1,2+).
5.1 Neste relato Jesus desempenha o papel do servo enviado por Abraão a fim de procurar uma esposa para Isaac; a samaritana desempenha o papel de Rabeca. Deus por meio de Jesus Cristo quer de novo unir-se novamente com os samaritanos.
6. O quarto ponto é em que lugar se deve realizar o culto?
6.1 De acordo com os Samaritanos seria no monte Garizim onde se encontra Deus e para os judeus Deus se encontra no templo de Jesusalém (Jo 20), porém Jesus transforma essa concepção habitual do Templo como lugar de encontro com Deus. Para Jesus o homem serve a Deus “em espírito e verdade” (Jo 4,21). Somente o Espírito, princípio do novo nascimento ( Jo 3,5), é também o princípio do novo culto espiritual. Esse culto é “em verdade, porque só ele responde à revelação que Deus fez por meio de Jesus.
7. O quinto facto é que Jesus depois de ter sido convidado para ficar com os Samaritanos não precisou realizar por ai milagres ou sinais. Porquê não os realizou?
7.1 Para os samaritanos se unirem a Cristo e crer em sua missão não foram necessários milagres (4,48); a palavra que Cristo transmitiu-lhes da parte de Deus, bastou para convencer-lhes, como o texto nos diz: «Bem mais numerosos foram os que creram por causa da palavra dele e diziam à mulher: “Já não é por causa de teus dizeres que cremos. Nós próprios o ouvimos, e sabemos que é verdadeiramente o salvador do mundo”» (cf Jo 4,41+-42)
Neste contexto de conflito, o encontro e o diálogo entre Jesus e a samaritana rompem barreiras étnico-geográficas.
O início da conversa da mulher explicita o conflito. Não há intenção de esconder, nem de empurrar o conflito para longe. Apesar das rivalidades, os dois querem conversar. Talvez seja por causa do conflito que o diálogo acontece.
O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza!
Deus está apaixonado pelo ser humano, tem sede do pobre amor dos nossos corações. Essa sede de Deus por cada pessoa humana ficou claramente expressada naquele grito que somente o evangelista João conservou no Evangelho: “Tenho sede” (Jo 19,28).  Deus tem sede de que nós tenhamos sede do seu Espírito, da sua vida, da sua graça, da sua glória. Ele tem água abundante, mas tem sede de que nós a bebamos.
O coração de Deus tem sede relativamente ao homem. Deus espera-nos, no poço como fez com a mulher samaritana. Anda à nossa procura. Também Ele não descansa enquanto não nos tiver encontrado. O coração de Deus tem sede do homem, e foi por isso que se pôs a caminho até junto de nós – até Belém, até ao Calvário, de Jerusalém até à Galileia e aos confins do mundo. Deus vive inquieto connosco, anda à procura de pessoas que se deixem contagiar por esta sua sede, pela sua paixão por nós; pessoas que vivem a busca que habita no seu coração e, ao mesmo tempo, se deixam tocar no coração pela busca de Deus a nosso respeito. Deixemo-nos tocar pela sede de Deus, a fim de que o anseio de Deus pelo homem possa ser satisfeito. Jesus é que nos dá essa àgua.
Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho”. O nosso coração tem sede de Deus, e não pode ser doutro modo, embora hoje se procure, com «narcóticos» muito eficazes, libertar o homem desta inquietação.
"Senhor... Dá-me desta água, para que eu não sinta mais sede" (Jo 4, 15; cf. Cântico ao Evangelho). O episódio da Samaritana traça o itinerário de fé que todos somos chamados a percorrer. Jesus continua ainda hoje a "ter sede", isto é, a desejar a fé e o amor da humanidade. Do encontro pessoal com Ele, reconhecido e acolhido como o Messias, surge a adesão à sua mensagem de salvação e o desejo de o manifestar ao mundo.
A revelação acolhida com fé pede para se tornar palavra proclamada ao próximo e testemunhada através das escolhas concretas de vida. Eis a missão dos crentes, que nasce e se desenvolve a partir do encontro pessoal com o Senhor.

ORAÇÃO FINAL: “Deus Salvador, nós Vos pedimos: Mandai sobre nós o Espírito Santo; o Senhor Jesus venha visitá-nos, fale à mente de todos e abra os corações à fé e conduza para Vós as nossas almas, Deus das Misericórdias".

frei Jeremias Mugabe, noviço da Ordem dos Frades Servos de Maria



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