27 de março de 2014

LECTIO DIVINA PESSOAL: Jo 9,1-41. O Cego de Nascença “Cristo Fonte de Luz"

LECTIO DIVINA PESSOAL: Jo 9,1-41. 

 

INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO:

Vem, ó Espírito Santo, e da tua luz celeste,soltando raios piedosos nossos ânimos reveste. Vem ó luz dos corações, amparar a nossa natureza. Ò fonte de luz divina, enche nossos corações e nossas almas ilumina.


Estamos celebrando o IV domingo também chamado domingo «Laetare», convida a alegrar-nos, a rejubilar, assim como diz a antífona da entrada: «Alegra-te, Jerusalém e vós todos que a amais, reuni-vos. Exultai e rejubilai, vós que estáveis de luto por ela: alimentar-vos-eis da abundância do vosso conforto» (cf. Is 66, 10-11). Qual é a razão profunda desta alegria? A resposta é-nos dada pelo Evangelho de hoje, (Jo 9, 1-41) no qual Jesus cura um homem cego de nascença.

Como é do nosso conhecimento o Evangelho de João no seu todo quer nos apresenta Jesus como fonte de luz que veio iluminar o mundo das trevas.

O trecho de Evangelho de hoje intitulado “cura do cego de nascença” é nos oferecido somente pelo autor do quarto Evangelho. Cristo fonte de Luz que vem iluminar as nossas ceguiras espirituais. A catequese sobre a “luz” é colocada no contexto da “Festa de Sukkot” (a festa das colheitas); um dos ritos mais populares dessa festa era, exactamente, a iluminação dos quatro grandes candelabros do átrio das mulheres, no Templo de Jerusalém.

Essa cena decorre algures de Jerusalém (ao passar…)lembrar que estamos na festa judaica das tendas e Jesus não podia circular pela Judéia, porque os judeus o queriam matar. (Jo 7,1). De antemão Jesus não queria subir para Jerusalém, os seus irmãos o insitiram e Ele permaneceu na Galileia (cf.Jo,10), porém misteriosamente o evangelho nos informa que Jesus subiu, para Jerusalém não publicamente mas às ocultas (cf Jo 7,10). E é lá onde ocorre essa nossa perícope.

O trecho em sí coloca-nos inumeras perguntas, porém meditaremos sobre algumas que acho fundamentais.

A primeira pergunta, qual era a condição dos cegos naquele então?

Conforme, 2Sm 5,6-8, quando David conquistou a cidade de dos Jerusalem jebuseus, conta-se que está cidade era guardada pelos cegos e coxos que protegiam a cidade e David detestava os cegos e coxos. Em memória desse evento os cegos e coxos eram proibidos de entrar no templo. A partir de outros textos, sabemos também que a condição de cegueira tem um significado denso nos Evangelhos. Representa o homem que tem necessidade da luz de Deus – a luz da fé – para conhecer verdadeiramente a realidade e caminhar pela estrada da vida. Condição essencial é reconhecer-se cego, necessitado desta luz; caso contrário, permanece-se cego para sempre (cf. Jo 9, 39-41).

 

A segunda pergunta como eram vistos as doenças naquele então?

Para os Judeus daquele então a doença neste caso a ceguira tinha a sua raiz no pecado como afirmam os fariseus ao cego : “Tu nasceste todo em pecado…” (Jo 9,34). Por isso que os discípulos de Jesus perguntam:“Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego”? (Jo 9,2) Ao que Jesus respondeu: “Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus”. Jesus Cristo, inverte a concepção vigente da epoca e através da cura do Cego de nascença, dá a conhecer aos homens seu poder e sua misericórdia.

terceira pergunta, qual é o possivel significado daafirmação de Jesus Sou a luz do mundo” (Jo 9,5)? O que os judeus de então ou mesmos os actuais consideram como luz?

No Antigo Testamento, a Lei, a Sabedoria e a Palavra de Deus iluminavam o caminho dos homens para Deus. Porém hoje neste evangelho Jesus apresenta-se como “luz do mundo” (Jo 9,5) é a partir dessa frase que entenderemos o sentido do milagre (Jo 9,37). Jesus é a luz e só Ele pode nos tirar das trevas do pecado, da falta do conhecimento de Deus e nos fazer entender o projeto de salvação que o Senhor tem para cada um de nós. A Palavra diz: “Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. ( Jo 8, 12) Ao sermos batizados somos convidados a ser luz no  mundo. Luz que vem de Cristo e que deve se espalhar e iluminar tudo ao nosso redor.

A quarta pergunta qual é o significado dos gestos realizados por Jesus na cura do cego?

“Cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego” (Jo 9,6). Papa Bento XVI diz nos que: Este gesto recorda-nos à criação do homem, que a Bíblia narra com o símbolo da terra plasmada e animada pelo sopro de Deus (cf. Gn 2, 7). "Adão", de facto, significa “barro, e o corpo humano é composto de elementos da terra. Curando o homem, Jesus realiza uma nova criação. Mas aquela cura suscita um debate animado, porque Jesus o realiza no sábado, transgredindo, segundo os fariseus, o preceito festivo. Assim, no final da narração, Jesus e o cego são "expulsos" pelos fariseus: um porque violou a lei e o outro porque, apesar da cura, permanece marcado como pecador desde o nascimento.

A quinta pergunta, que tem a ver com Jesus a piscina de Siloé?

A piscina de Siloé criada aproximadamente a 700 a.C. pelo rei Ezequias para abastecer de água Jerusalém durante os cercos dos assírios (cf. 2Rs 20:20+). A agua da piscina vinha da fonte de Gion (cf. 1Rs 1,33) ficava fora da cidade o rei Ezequias mandou cavar na rocha um túnel para lá conduzir a água a piscina de Siloé (Jo 9,7) o “reservatório” de Is 22,11 e Eclo 48,17, no interior das muralhas. A referência ao banho na piscina do “enviado” «o autor do evangelho tem a atenção de explicar que Siloé significa “enviado”» ele, faz uma alusão à água de Jesus (o enviado do Pai), essa água que torna os homens novos, livres das trevas e da escravidão. A comunidade joanina pretende, fazer aqui uma catequese sobre o baptismo: quem quiser sair das trevas para viver na luz, como Homem Novo, tem de aceitar a água do baptismo – isto é, tem de optar por Jesus e acolher a proposta de vida que Ele oferece.

 

sexta pergunta qual era a sanção daquele que se declarava seguidor de Jesus?

Conforme com o texto, todo aquele que  reconhecesse Jesus como Cristo, seria expulso da sinagoga. Vemos isso de modo claro quando os fariseus perguntaram aos pais do cego e eles responderam por medo dizendo “Ele já tem idade; interrogai-o” (Jo 9,23). A sinagogo, ou o templo era um lugar de encontro com Deus, toda a vida de Israel gira em volta disso, era um lugar de relação com os demais. Quem não participava da sinagoga era considerado excluído da sociedade. Portanto quem considerava Jesus o Cristo estava fora desse quadro de relações.

MENSAGUEM

“Rabi quem pecou, ele ou os seus pais, para que nascesse cego?”(Jo 9,2), perguntaram os discipulos. Respondeu Jesus: "Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim, para se manifestarem as obras de Deus" (Jo 9, 3). Que conforto nos oferecem estas palavras! Elas fazem-nos ouvir a voz viva de Deus, que é Amor providente e sábio! Perante o homem marcado pelo limite do sofrimento, Jesus não pensa em eventuais culpas, mas na vontade de Deus que criou o homem para a vida. E por isso declara solenemente: "Convém que Eu faça as obras d'Aquele que me enviou... Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo" (Jo 9, 4-5). Cristo é a verdadeira luz "cujos raios dão a vida” (Lumen Fidei n:1). Somente esta Luz – Jesus Cristo – é a luz verdadeira, mais verdadeira que o fenómeno físico da luz. Ele é a Luz pura: é o próprio Deus, que faz nascer uma nova criação no meio da antiga, transforma o caos em cosmos.

Procuremos compreender isto um pouco melhor ainda. Porque é que Cristo é Luz dos Povos? No Antigo Testamento, a Torah era considerada como a luz vinda de Deus para o mundo e para os homens. Aquela separa, na criação, a luz das trevas, isto é, o bem do mal. Aponta ao homem o caminho justo para viver de modo autêntico. Indica-lhe o bem, mostra-lhe a verdade e conduz-lo para o amor, que é o seu conteúdo mais profundo. Aquela é «lâmpada» para os passos, e «luz» no caminho (cf. Sal119/118, 105). Ora, os cristãos sabiam que, em Cristo está presente a Torah: a Palavra de Deus está presente n’Ele como Pessoa. A Palavra de Deus é a verdadeira Luz de que o homem necessita. Esta Palavra está presente n’Ele, no Filho. O Salmo 19 comparara a Torah ao sol, que, nascendo, manifesta a glória de Deus visivelmente em todo o mundo. Os cristãos compreendem: sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz sobre o mundo. Cristo é a grande Luz, da qual provém toda a vida. Ele faz-nos reconhecer a glória de Deus de um extremo ao outro da terra. Indica-nos a estrada. Ele é o dia de Deus que agora, crescendo, se difunde por toda a terra. Agora, vivendo com Ele e por Ele, podemos viver na luz.

A luz de Deus entra em nós; assim nos tornamos nós próprios filhos da luz. Esta luz da verdade que nos aponta o caminho, não deixemos que se apague. Protejamo-la contra todas as forças que pretendem extingui-la para nos lançar novamente na escuridão de Deus e de nós mesmos. De vez em quando a escuridão pode-nos parecer cómoda. Posso esconder-me e passar a minha vida dormindo. Nós, porém, não somos chamados a viver nas trevas, mas na luz.  

 

Jesus Cristo não só cura a cegueira física, mas também a cegueira espiritual. O Papa Bento XVI esclareceu sobre a cegueira espiritual: “Queridos irmãos, deixemo-nos curar por Jesus, que pode doar-nos a luz de Deus! Confessemos as nossas cegueiras, as nossas miopias, e sobretudo as que a Bíblia chama a "grande falta" (cf. Sl 18, 14): o orgulho.

A pergunta que o Senhor Jesus dirige àquele que tinha sido cego constitui o ápice da narração: «Tu crês no Filho do Homem?» (Jo 9, 35). Aquele homem reconhece o sinal realizado por Jesus e passa da luz dos olhos para a luz da fé: «Creio, Senhor» (Jo 9, 38). Deve ser evidenciado como uma pessoa simples e sincera, de modo gradual, realiza um caminho de fé: num primeiro momento encontra Jesus como um «homem» entre os outros, depois considera-o um «profeta», por fim os seus olhos abrem-se e proclam-n’O «Senhor». Em oposição à fé do cego curado está o endurecimento do coração dos fariseus que não querem aceitar o milagre, porque rejeitam em acolher Jesus como o Messias 


Oração Final de São Clemente de Alexandria: «Até agora errei na esperança de encontrar Deus, mas porque Vós me iluminais, ó Senhor, encontro Deus por meio de Vós, e de Vós recebo o Pai, torno-me herdeiro convosco, porque não Vos envergonhastes de me ter por irmão. Cancelemos, portanto, cancelemos o esquecimento da verdade, a ignorância; e, removendo as trevas que nos impedem de ver como a névoa nos olhos, contemplemos o verdadeiro Deus…; já que, sobre nós sepultados nas trevas e prisioneiros da sombra da morte, brilhou uma luz do céu [luz] mais pura que o sol, mais doce que a vida nesta terra » (Protrettico, 113, 2–114, 1).

 

Frei Jeremias Mugabe, noviço osm

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