27 de março de 2014

LECTIO DIVINA PESSOAL: Jo 9,1-41. O Cego de Nascença “Cristo Fonte de Luz"

LECTIO DIVINA PESSOAL: Jo 9,1-41. 

 

INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO:

Vem, ó Espírito Santo, e da tua luz celeste,soltando raios piedosos nossos ânimos reveste. Vem ó luz dos corações, amparar a nossa natureza. Ò fonte de luz divina, enche nossos corações e nossas almas ilumina.


Estamos celebrando o IV domingo também chamado domingo «Laetare», convida a alegrar-nos, a rejubilar, assim como diz a antífona da entrada: «Alegra-te, Jerusalém e vós todos que a amais, reuni-vos. Exultai e rejubilai, vós que estáveis de luto por ela: alimentar-vos-eis da abundância do vosso conforto» (cf. Is 66, 10-11). Qual é a razão profunda desta alegria? A resposta é-nos dada pelo Evangelho de hoje, (Jo 9, 1-41) no qual Jesus cura um homem cego de nascença.

Como é do nosso conhecimento o Evangelho de João no seu todo quer nos apresenta Jesus como fonte de luz que veio iluminar o mundo das trevas.

O trecho de Evangelho de hoje intitulado “cura do cego de nascença” é nos oferecido somente pelo autor do quarto Evangelho. Cristo fonte de Luz que vem iluminar as nossas ceguiras espirituais. A catequese sobre a “luz” é colocada no contexto da “Festa de Sukkot” (a festa das colheitas); um dos ritos mais populares dessa festa era, exactamente, a iluminação dos quatro grandes candelabros do átrio das mulheres, no Templo de Jerusalém.

Essa cena decorre algures de Jerusalém (ao passar…)lembrar que estamos na festa judaica das tendas e Jesus não podia circular pela Judéia, porque os judeus o queriam matar. (Jo 7,1). De antemão Jesus não queria subir para Jerusalém, os seus irmãos o insitiram e Ele permaneceu na Galileia (cf.Jo,10), porém misteriosamente o evangelho nos informa que Jesus subiu, para Jerusalém não publicamente mas às ocultas (cf Jo 7,10). E é lá onde ocorre essa nossa perícope.

O trecho em sí coloca-nos inumeras perguntas, porém meditaremos sobre algumas que acho fundamentais.

A primeira pergunta, qual era a condição dos cegos naquele então?

Conforme, 2Sm 5,6-8, quando David conquistou a cidade de dos Jerusalem jebuseus, conta-se que está cidade era guardada pelos cegos e coxos que protegiam a cidade e David detestava os cegos e coxos. Em memória desse evento os cegos e coxos eram proibidos de entrar no templo. A partir de outros textos, sabemos também que a condição de cegueira tem um significado denso nos Evangelhos. Representa o homem que tem necessidade da luz de Deus – a luz da fé – para conhecer verdadeiramente a realidade e caminhar pela estrada da vida. Condição essencial é reconhecer-se cego, necessitado desta luz; caso contrário, permanece-se cego para sempre (cf. Jo 9, 39-41).

 

A segunda pergunta como eram vistos as doenças naquele então?

Para os Judeus daquele então a doença neste caso a ceguira tinha a sua raiz no pecado como afirmam os fariseus ao cego : “Tu nasceste todo em pecado…” (Jo 9,34). Por isso que os discípulos de Jesus perguntam:“Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego”? (Jo 9,2) Ao que Jesus respondeu: “Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus”. Jesus Cristo, inverte a concepção vigente da epoca e através da cura do Cego de nascença, dá a conhecer aos homens seu poder e sua misericórdia.

terceira pergunta, qual é o possivel significado daafirmação de Jesus Sou a luz do mundo” (Jo 9,5)? O que os judeus de então ou mesmos os actuais consideram como luz?

No Antigo Testamento, a Lei, a Sabedoria e a Palavra de Deus iluminavam o caminho dos homens para Deus. Porém hoje neste evangelho Jesus apresenta-se como “luz do mundo” (Jo 9,5) é a partir dessa frase que entenderemos o sentido do milagre (Jo 9,37). Jesus é a luz e só Ele pode nos tirar das trevas do pecado, da falta do conhecimento de Deus e nos fazer entender o projeto de salvação que o Senhor tem para cada um de nós. A Palavra diz: “Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. ( Jo 8, 12) Ao sermos batizados somos convidados a ser luz no  mundo. Luz que vem de Cristo e que deve se espalhar e iluminar tudo ao nosso redor.

A quarta pergunta qual é o significado dos gestos realizados por Jesus na cura do cego?

“Cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego” (Jo 9,6). Papa Bento XVI diz nos que: Este gesto recorda-nos à criação do homem, que a Bíblia narra com o símbolo da terra plasmada e animada pelo sopro de Deus (cf. Gn 2, 7). "Adão", de facto, significa “barro, e o corpo humano é composto de elementos da terra. Curando o homem, Jesus realiza uma nova criação. Mas aquela cura suscita um debate animado, porque Jesus o realiza no sábado, transgredindo, segundo os fariseus, o preceito festivo. Assim, no final da narração, Jesus e o cego são "expulsos" pelos fariseus: um porque violou a lei e o outro porque, apesar da cura, permanece marcado como pecador desde o nascimento.

A quinta pergunta, que tem a ver com Jesus a piscina de Siloé?

A piscina de Siloé criada aproximadamente a 700 a.C. pelo rei Ezequias para abastecer de água Jerusalém durante os cercos dos assírios (cf. 2Rs 20:20+). A agua da piscina vinha da fonte de Gion (cf. 1Rs 1,33) ficava fora da cidade o rei Ezequias mandou cavar na rocha um túnel para lá conduzir a água a piscina de Siloé (Jo 9,7) o “reservatório” de Is 22,11 e Eclo 48,17, no interior das muralhas. A referência ao banho na piscina do “enviado” «o autor do evangelho tem a atenção de explicar que Siloé significa “enviado”» ele, faz uma alusão à água de Jesus (o enviado do Pai), essa água que torna os homens novos, livres das trevas e da escravidão. A comunidade joanina pretende, fazer aqui uma catequese sobre o baptismo: quem quiser sair das trevas para viver na luz, como Homem Novo, tem de aceitar a água do baptismo – isto é, tem de optar por Jesus e acolher a proposta de vida que Ele oferece.

 

sexta pergunta qual era a sanção daquele que se declarava seguidor de Jesus?

Conforme com o texto, todo aquele que  reconhecesse Jesus como Cristo, seria expulso da sinagoga. Vemos isso de modo claro quando os fariseus perguntaram aos pais do cego e eles responderam por medo dizendo “Ele já tem idade; interrogai-o” (Jo 9,23). A sinagogo, ou o templo era um lugar de encontro com Deus, toda a vida de Israel gira em volta disso, era um lugar de relação com os demais. Quem não participava da sinagoga era considerado excluído da sociedade. Portanto quem considerava Jesus o Cristo estava fora desse quadro de relações.

MENSAGUEM

“Rabi quem pecou, ele ou os seus pais, para que nascesse cego?”(Jo 9,2), perguntaram os discipulos. Respondeu Jesus: "Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim, para se manifestarem as obras de Deus" (Jo 9, 3). Que conforto nos oferecem estas palavras! Elas fazem-nos ouvir a voz viva de Deus, que é Amor providente e sábio! Perante o homem marcado pelo limite do sofrimento, Jesus não pensa em eventuais culpas, mas na vontade de Deus que criou o homem para a vida. E por isso declara solenemente: "Convém que Eu faça as obras d'Aquele que me enviou... Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo" (Jo 9, 4-5). Cristo é a verdadeira luz "cujos raios dão a vida” (Lumen Fidei n:1). Somente esta Luz – Jesus Cristo – é a luz verdadeira, mais verdadeira que o fenómeno físico da luz. Ele é a Luz pura: é o próprio Deus, que faz nascer uma nova criação no meio da antiga, transforma o caos em cosmos.

Procuremos compreender isto um pouco melhor ainda. Porque é que Cristo é Luz dos Povos? No Antigo Testamento, a Torah era considerada como a luz vinda de Deus para o mundo e para os homens. Aquela separa, na criação, a luz das trevas, isto é, o bem do mal. Aponta ao homem o caminho justo para viver de modo autêntico. Indica-lhe o bem, mostra-lhe a verdade e conduz-lo para o amor, que é o seu conteúdo mais profundo. Aquela é «lâmpada» para os passos, e «luz» no caminho (cf. Sal119/118, 105). Ora, os cristãos sabiam que, em Cristo está presente a Torah: a Palavra de Deus está presente n’Ele como Pessoa. A Palavra de Deus é a verdadeira Luz de que o homem necessita. Esta Palavra está presente n’Ele, no Filho. O Salmo 19 comparara a Torah ao sol, que, nascendo, manifesta a glória de Deus visivelmente em todo o mundo. Os cristãos compreendem: sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz sobre o mundo. Cristo é a grande Luz, da qual provém toda a vida. Ele faz-nos reconhecer a glória de Deus de um extremo ao outro da terra. Indica-nos a estrada. Ele é o dia de Deus que agora, crescendo, se difunde por toda a terra. Agora, vivendo com Ele e por Ele, podemos viver na luz.

A luz de Deus entra em nós; assim nos tornamos nós próprios filhos da luz. Esta luz da verdade que nos aponta o caminho, não deixemos que se apague. Protejamo-la contra todas as forças que pretendem extingui-la para nos lançar novamente na escuridão de Deus e de nós mesmos. De vez em quando a escuridão pode-nos parecer cómoda. Posso esconder-me e passar a minha vida dormindo. Nós, porém, não somos chamados a viver nas trevas, mas na luz.  

 

Jesus Cristo não só cura a cegueira física, mas também a cegueira espiritual. O Papa Bento XVI esclareceu sobre a cegueira espiritual: “Queridos irmãos, deixemo-nos curar por Jesus, que pode doar-nos a luz de Deus! Confessemos as nossas cegueiras, as nossas miopias, e sobretudo as que a Bíblia chama a "grande falta" (cf. Sl 18, 14): o orgulho.

A pergunta que o Senhor Jesus dirige àquele que tinha sido cego constitui o ápice da narração: «Tu crês no Filho do Homem?» (Jo 9, 35). Aquele homem reconhece o sinal realizado por Jesus e passa da luz dos olhos para a luz da fé: «Creio, Senhor» (Jo 9, 38). Deve ser evidenciado como uma pessoa simples e sincera, de modo gradual, realiza um caminho de fé: num primeiro momento encontra Jesus como um «homem» entre os outros, depois considera-o um «profeta», por fim os seus olhos abrem-se e proclam-n’O «Senhor». Em oposição à fé do cego curado está o endurecimento do coração dos fariseus que não querem aceitar o milagre, porque rejeitam em acolher Jesus como o Messias 


Oração Final de São Clemente de Alexandria: «Até agora errei na esperança de encontrar Deus, mas porque Vós me iluminais, ó Senhor, encontro Deus por meio de Vós, e de Vós recebo o Pai, torno-me herdeiro convosco, porque não Vos envergonhastes de me ter por irmão. Cancelemos, portanto, cancelemos o esquecimento da verdade, a ignorância; e, removendo as trevas que nos impedem de ver como a névoa nos olhos, contemplemos o verdadeiro Deus…; já que, sobre nós sepultados nas trevas e prisioneiros da sombra da morte, brilhou uma luz do céu [luz] mais pura que o sol, mais doce que a vida nesta terra » (Protrettico, 113, 2–114, 1).

 

Frei Jeremias Mugabe, noviço osm

22 de março de 2014

O episódio da Samaritana - Evangelho do 3º Domingo da Quaresma ano A

LECTIO DIVINA  COMUNITÁRIA 19.03.2014  Jo 4, 1-42

INVOCAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO: “Mandai o vosso Espírito Santo Paráclito às nossas almas e fazei-nos compreender as Escrituras por Ele inspiradas: e concedei-me interpretá-las de maneira digna para que os fieés aqui reunidos delas tirem proveito”.

1. O evangelho de João, deseja apresentar Cristo como fonte de luz e vida para os homens. A manifestação da luz apresenta-se também na perícope da mulher samaritana (4,1-42)
2. A perícope da mulher samaritana é nos oferecidos somente pelo autor do quarto evangelho. O encontro entre Jesus e a mulher samaritana ocorre durante o retorno de Jesus de Judeia para à Galileia. O texto em si é cheio de elementos que nos exigem olhar para o Antigo Testamento
3. Primeiro  o texto diz que era necessário passar por Samaria isto provoca em nós inúmeras perguntas o porque Jesus deveria passar da Samaria?
3.1 O Antigo Testamento informa-nos que os samaritanos são resultados de um processo de colonização promovido pela dominação assíria, que trazia pessoas de outras regiões colonizadas, neste caso foram cinco povoamentos pagãos, e as misturava com os habitantes locais. Tal processo gerou reações de desprezo e rivalidades entre aquelas pessoas que se consideram "legítimos filhos de Israel" e aquelas que são "misturadas". Podemos encontrar estes relatos em 2Reis 17,24-31, Eclesiástico 50,26 e Esdras 4,2-9. Os cincos maridos que a mulher tiverá simbolizam estes cinco povoamentos pagãos.
4. O segundo facto é que Jesus está a conversar com uma mulher. E que mulher e onde estão a conversar?
4.1 Ela é mulher e é samaritana. Sua condição de gênero impede que converse com um homem em lugar público e, especialmente, perto do poço (no imaginário daqueles grupos, o poço é um lugar mítico, simbólico da erótica, relacionamento amoroso - Gênesis 24 e 29; Êxodo 2,11-22). Sua pertença a um povo resulta em problemas para estabelecer relações de amizade e confiança, de ajuda e solidariedade com alguém do povo inimigo.
5. O terceiro ponto, é que a cena decorre junto ao poço que preludia a conclusão de um matrimônio, (Gn 29,1s; Ex 2,15s); convertendo-se, a Samaria renovará o laço matrimonial que a unia a Deus (Os 1,2+).
5.1 Neste relato Jesus desempenha o papel do servo enviado por Abraão a fim de procurar uma esposa para Isaac; a samaritana desempenha o papel de Rabeca. Deus por meio de Jesus Cristo quer de novo unir-se novamente com os samaritanos.
6. O quarto ponto é em que lugar se deve realizar o culto?
6.1 De acordo com os Samaritanos seria no monte Garizim onde se encontra Deus e para os judeus Deus se encontra no templo de Jesusalém (Jo 20), porém Jesus transforma essa concepção habitual do Templo como lugar de encontro com Deus. Para Jesus o homem serve a Deus “em espírito e verdade” (Jo 4,21). Somente o Espírito, princípio do novo nascimento ( Jo 3,5), é também o princípio do novo culto espiritual. Esse culto é “em verdade, porque só ele responde à revelação que Deus fez por meio de Jesus.
7. O quinto facto é que Jesus depois de ter sido convidado para ficar com os Samaritanos não precisou realizar por ai milagres ou sinais. Porquê não os realizou?
7.1 Para os samaritanos se unirem a Cristo e crer em sua missão não foram necessários milagres (4,48); a palavra que Cristo transmitiu-lhes da parte de Deus, bastou para convencer-lhes, como o texto nos diz: «Bem mais numerosos foram os que creram por causa da palavra dele e diziam à mulher: “Já não é por causa de teus dizeres que cremos. Nós próprios o ouvimos, e sabemos que é verdadeiramente o salvador do mundo”» (cf Jo 4,41+-42)
Neste contexto de conflito, o encontro e o diálogo entre Jesus e a samaritana rompem barreiras étnico-geográficas.
O início da conversa da mulher explicita o conflito. Não há intenção de esconder, nem de empurrar o conflito para longe. Apesar das rivalidades, os dois querem conversar. Talvez seja por causa do conflito que o diálogo acontece.
O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza!
Deus está apaixonado pelo ser humano, tem sede do pobre amor dos nossos corações. Essa sede de Deus por cada pessoa humana ficou claramente expressada naquele grito que somente o evangelista João conservou no Evangelho: “Tenho sede” (Jo 19,28).  Deus tem sede de que nós tenhamos sede do seu Espírito, da sua vida, da sua graça, da sua glória. Ele tem água abundante, mas tem sede de que nós a bebamos.
O coração de Deus tem sede relativamente ao homem. Deus espera-nos, no poço como fez com a mulher samaritana. Anda à nossa procura. Também Ele não descansa enquanto não nos tiver encontrado. O coração de Deus tem sede do homem, e foi por isso que se pôs a caminho até junto de nós – até Belém, até ao Calvário, de Jerusalém até à Galileia e aos confins do mundo. Deus vive inquieto connosco, anda à procura de pessoas que se deixem contagiar por esta sua sede, pela sua paixão por nós; pessoas que vivem a busca que habita no seu coração e, ao mesmo tempo, se deixam tocar no coração pela busca de Deus a nosso respeito. Deixemo-nos tocar pela sede de Deus, a fim de que o anseio de Deus pelo homem possa ser satisfeito. Jesus é que nos dá essa àgua.
Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho”. O nosso coração tem sede de Deus, e não pode ser doutro modo, embora hoje se procure, com «narcóticos» muito eficazes, libertar o homem desta inquietação.
"Senhor... Dá-me desta água, para que eu não sinta mais sede" (Jo 4, 15; cf. Cântico ao Evangelho). O episódio da Samaritana traça o itinerário de fé que todos somos chamados a percorrer. Jesus continua ainda hoje a "ter sede", isto é, a desejar a fé e o amor da humanidade. Do encontro pessoal com Ele, reconhecido e acolhido como o Messias, surge a adesão à sua mensagem de salvação e o desejo de o manifestar ao mundo.
A revelação acolhida com fé pede para se tornar palavra proclamada ao próximo e testemunhada através das escolhas concretas de vida. Eis a missão dos crentes, que nasce e se desenvolve a partir do encontro pessoal com o Senhor.

ORAÇÃO FINAL: “Deus Salvador, nós Vos pedimos: Mandai sobre nós o Espírito Santo; o Senhor Jesus venha visitá-nos, fale à mente de todos e abra os corações à fé e conduza para Vós as nossas almas, Deus das Misericórdias".

frei Jeremias Mugabe, noviço da Ordem dos Frades Servos de Maria



16 de março de 2014

SOMOS SERVOS MARÇO 2014

Somos Servos
Revista OSM – Comunidade Santa Maria dos Servos – Matola





A FRATERNIDADE SERVITA
O PADRE E O FREI
NOSSA SENHORA DA ANUNCIAÇÃO
AS TENTAÇÕES DE JESUS
TESTEMUNHO VOCACIONAL
UM OLHAR SOBRE AS NOVAS IGREJAS EM MOÇAMBIQUE
TEMOS SEDE DE UMA SOCIEDADE MAIS HUMANA
CRÔNICAS E NOTÍCIAS ECLESIAIS
OS FORMANDOS DA COMUNIDADE SANTA MARIA DOS SERVOS


Número 2 – Março de 2014 

EDITORIAL

Q
ueridos irmãos leitores, com alegria publicamos o segundo número da Revista OSM – Comunidade Santa Maria dos Servos – Matola, intitulada “Somos Servos”. Uma revista que foi muito bem acolhida pelos nossos irmãos e amigos da Ordem dos Servos de Maria e das igrejas locais onde nos encontramos. Agradecemos a todos o apoio e o incentivo recebidos, esperando corresponder às vossas expectativas.
Na quarta-feira de Cinzas Deus nos convidou exortando-nos por meio da oração mais intensa, da prática do Jejum e da Esmola a nos preparar para o encontro com o Senhor Ressuscitado, Aquele que venceu a morte e nos mostrou a todos o caminho da salvação. Procuremos, pois, ir ao encontro do Senhor, com os corações rasgados e totalmente dispostos a acolhê-Lo em nossa vida, na pessoa dos nossos irmãos e irmãs. Assim o nosso jejum e a nossa esmola serão de facto agradáveis ao Senhor nosso Deus.
No texto inspirador da mensagem do papa Francisco para a Quaresma, “Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (cf. 2 Cor 8, 9), se intui a perspectiva de um encontro singular na história da humanidade: o encontro da natureza divina com a natureza humana no evento da encarnação do Filho de Deus, que abre de um modo definitivo o cenário conclusivo da história de salvação. Somos todos atingidos por este encontro, que marca a nossa vida profundamente, pois nos revela aquilo que somos, como criaturas diante do seu Criador, e nos aponta o sentido pleno da nossa existência, isto é, o encontro definitivo com o nosso Deus!

Nesta edição vamos apresentar o carisma dos Servos de Maria; no âmbito da vida Consagrada, a distinção entre Padre e frei; aproveitando a espiritualidade da Quaresma, um artigo sobre as tentações de Jesus, entre outras reflexões. Recordaremos a celebração da Anunciação do Senhor por meio de Nossa Senhora da Anunciação. O testemunho vocacional desde mês será feito pelo noviço Percy, de origem peruana e faremos a apresentação dos nossos formandos. Ademais acenaremos nas crônicas eclesiais os momentos mais significativos que celebramos e celebraremos neste período de preparação para a celebração da Páscoa do Senhor. Desejamos a todos uma boa leitura e um tempo quaresmal profícuo!

A FRATERNIDADE SERVITA

Três elementos caracterizam as comunidades da Ordem dos Servos de Maria:
1. O serviço: É um aspecto essencial do carisma a Ordem dos servos de Maria, que tem as suas raízes, mais profundas na Sagrada Escritura. Para concretizar seu ideal de serviço, os Servos de Maria inspiram se primeiramente no exemplo de Cristo, que encarna a figura do “Servo do Senhor”, (Is 42,1-7. 49,19), que veio para servir e dar a vida em resgate de muitos (Mc 10,45) e que se colocou no meio dos discípulos como aquele que serve (Lc 22,27; Jo 13,3- 17) e, em segundo lugar na humilde atitude de Santa Virgem Maria que, convidada por Deus para colaborar no projeto salvífico da Encarnação do Verbo, declarou se Serva do Senhor (Lc 1,38). Servir é acolher os irmãos, especialmente os mais humildes, é dar assistência aos idosos, enfermos e aos necessitados. Servir é empenhar-se para manter diante de todas as criaturas, atitudes de paz, de misericórdia, de justiça e de amor construtivo.
2. Fraternidade: Nas nossas Constituições enfatizam claramente a importância da comunhão fraterna em nossa vida. A oração de Jesus ao Pai para que seus discípulos sejam como Ele e o Pai que são um só (Jo  17,11), o testemunho da primeira comunidade cristã na qual, os nossos   Sete Primeiros Pais transmitido pela Legenda de Origine Ordinis, fazem  da comunhão fraterna um aspecto essencial da nossa vida. Portanto, sem ela, não seriamos autênticos Servos de Maria. A comunhão fraterna caracteriza o nosso modo de testemunhar o Evangelho. Dá forma ao nosso estilo de vida, ao trabalho e a oração. Determina o estilo do governo da Ordem, confere uma marca peculiar ao nosso serviço apostólico. E o campo que testemunhamos a pobreza Evangélica e vivemos o nosso compromisso da obediência a Palavra de Deus e as decisões comunitárias. Por fim, a comunhão fraterna é o clima indispensável para a formação de um Frade Servo de Maria e para o crescimento integral da sua personalidade.
3. Dimensão Mariana: A dedicação total a Virgem Santa Maria, ʺrefúgio especial, e Senhora própria dos seus Servos”, outro elemento essencial para vida Ordem, que tem suas raízes no acto praticado pelos Sete Primeiros Pais no inicio do seu caminho Espiritual. Os Sete decidiram colocar-se humildemente a si mesmo e aos seus corações, com toda devoção, aos pés da Rainha do Céu, a Gloriosa Virgem Santa Maria para que ela, como Medianeira e Advogada, os reconciliasse a Ele. A iconografia dos Servos de Maria aparece com freqüência a Imagem da Mãe da Misericórdia que acolhe os seus servos e os protege de todo mal  físico e espiritual, interpretando lhe a Graça e Misericórdia (Cf. Site da OSM – www.servidimaria.net). 
Frei Cosme,osm e postulante Wilson Wiliam

O PADRE E O FREI

A
ssim como a medicina, a advocacia, a política, possuem uma linguagem e terminologia próprias, assim também acontece no universo da religião. Há gente que pergunta com frequência sobre a diferença entre padre e frei.
É variado e abrangente o leque do que chamamos de vocação: vocação à vida, vocação cristã, vocação sacerdotal, vocação religiosa, vocação matrimonial, como também as vocações ás diversas profissões. Neste escrito vamos compreender a diferença entre padre e frei. A vocação sacerdotal e vocação religiosa são completas em si mesmas. Quem abraçou as duas é padre e frei, quem abraçou uma das duas, ou é padre ou frei. Exemplo: O Padre Gilberto é só padre, o Frei Chico é padre e frei. Nada de status.  
Quem é o padre: É aquele que recebeu o sacramento da Ordem, em força do qual torna-se o dispensador dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia e Penitência. Ele é chamado de "diocesano", porque está ligado diretamente a um bispo diocesano, a quem deve plena obediência. No ocidente, por lei eclesiástica, assume livremente o celibato, renunciando ao matrimônio. Para exercer o ministério, o candidato deve está preparado, por este motivo deve cursar Filosofia e Teologia. O padre diocesano não tem a obrigatoriedade de morar com outros irmãos de ministério.
Quem é o frade: Frei é uma palavra que vem do Latim “Frater” que significa “irmão”. Entre si e perante os outros, os frades se chamam de “frei”, uma abreviação de frade.   É aquele que professa numa comunidade religiosa os conselhos evangélicos, ou seja, os votos de castidade (equivalente ao celibato), obediência (aos seus superiores) e pobreza (não pode possuir bens no seu nome). A comunidade religiosa é uma forma mais radical de observar os conselhos evangélicos. É uma forma de vida que vem desde os primórdios do cristianismo para testemunhar a fraternidade, o serviço e a oração. Depois de concluir todas as etapas da formação, professa os primeiros votos. É a partir da profissão dos votos que o candidato é acolhido entre os frades. O frade vive em comunidade juntamente com os outros confrades, seguindo o carisma do instituto. É uma obrigatoriedade viver em comunidade. A finalidade primeira das comunidades era de ser constituída somente de “irmãos”, mas diante das necessidades da Igreja, viu-se necessário preparar também os frades para o presbitério. Na comunidade religiosa, o frade tem a livre decisão de se tornar presbítero ou não.
Ambos estilos de vida estão empenhados pela causa do Reino de Deus. Eles possuem a missão de transmitir a todos a mensagem do Reino e a testemunhá-la.
Frei Gerson, osm

NOSSA SENHORA DA ANUNCIAÇÃO

N
o dia 25 de Março vamos celebrar a Solenidade da Anunciação na qual Nossa Senhora é escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador. Trata-se do primeiro dos mistérios mais sublimes e importantes da história da salvação: a chegada do Messias, profetizada séculos antes no Antigo Testamento.
 A Festa da Anunciação do Anjo à Virgem Maria (Lc 1, 26-38) é comemorada desde o século V no Oriente e a partir do século VI no Ocidente, onde a celebração ocorre nove meses antes do Natal e só é transferida quando coincide com a semana santa.
A visita do Anjo Gabriel à Virgem Maria se dá em Nazaré, Cidade da Galileia e marca o início de toda uma trajetória que cumpriria as profecias do Antigo Testamento, e daria ao mundo um novo caminho, trazendo-lhe a salvação.
Ali nasceu também a oração que estaria para sempre na boca e no coração de todos os cristãos: a Ave-maria.  “Alegra-te ó cheia de graça o Senhor está contigo” (Lc 1, 28). É com esta nobre saudação que Maria recebe o anúncio de que Ela é a escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador.
Ao perguntar como poderia ficar grávida, se não conhecia homem algum, recebeu do Anjo Gabriel a explicação de que seria fecundada pelo Espírito Santo, por graças do Criador. Sua resposta foi tão simples e humilde como sua vida de fé: “Eis-me aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” ( Lc 1, 38). Com esta resposta, Maria aceitou a dignidade e a honra da maternidade divina, mas ao mesmo tempo também os sofrimentos, os sacrifícios que a Ela estavam ligados. Declarou-se pronta a cumprir a vontade de Deus em tudo como sua serva, num voto de total entrega a vontade de Deus.
Maria aceitou sua parte na missão que lhe fora solicitado, demonstrando toda confiança em Deus e em seus desígnios, para o cumprimento da profecia e mostrou porque foi a escolhida para ser instrumento Divino nos acontecimentos que iriam mudar o destino da humanidade.
Maria é a fonte geradora da Graça da Salvação, pois é por seu intermédio que recebemos a própria Palavra de Deus personificada na pessoa do Salvador. Portanto, na Anunciação, Maria acolhe a divindade em si mesma, Deus  que na origem do mundo criou todas as coisas com sua Palavra, desta vez escolheu  uma  humilde serva,  para  realizar a encarnação do Verbo Redentor da humanidade.
Frei Ivan, osm e postulante Hermínio Cidade 

AS TENTAÇÕES DE JESUS
O
 evangelista são Mateus apresenta-nos três tentações feitas a Jesus no deserto. Este mundo é também um deserto e a nossa vida é uma contínua quaresma, onde todos nós somos provados como uma forma de purificação para melhor recebermos a recompensa que o Pai nos preparou.
Quando o demónio soube que Jesus teve fome, dirigiu-lhe a primeira tentação: “se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pães!” (Mt 4,3). Aqui Jesus é tentado de falsificar a própria missão, para realizar uma actividade que busque satisfazer as necessidades imediatas, para certificar o seu poder e a sua relação com o Pai diante do demónio. Mas como Jesus é a sabedoria personificada e o seu projecto era o Reino de Deus, encontrou uma brecha para catequizar o demónio: “A Escritura diz não só do pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Os homens na sua maioria não resistem tentação como esta porque se deixam escravizar pelo seu corpo enquanto já foi dito: “buscai o Reino de Deus e a sua Justiça...” (Mt 7,33).
A segunda tentação obrigava a Jesus tentar o Senhor seu Deus como é o normal de muitos pedirem sinal da parte de Deus para alimentar a sua fé.  Mas não deve ser por um milagre que podemos crer na existência de Deus e no seu poder. Pois a sua existência e o seu poder tampouco dependem de nós. Pelo contrário nós é que dependemos d’Ele em tudo. Ele é, e a nossa fé nada diminui e nada aumenta em Deus. Foi por isso que Jesus responde ao demónio dizendo: “a Escritura também diz ‘não tente o Senhor teu Deus” (Mt 4,7). Essas respostas de Jesus podem ser de certa forma uma verdadeira surpresa para nós, porque em tentações de gênero temos caído quando orgulhosamente queremos provar aos outros que temos poder de fazer isto ou aquilo para alcançarmos a fama.
Por último, o demónio pede que Jesus lhe adore prometendo uma remuneração (todos os reinos do mundo e as suas riquezas) e Jesus expulsa o demónio “vai-te satanás” e introduz-lhe a catequese sobre os mandamentos da lei de Deus: “adorarás o Senhor teu Deus e somente a Ele servirás” (Mt 4,10). Reflitamos sobre aquelas vezes que substituímos o lugar de Deus pelos nossos chefes porque esses podem nos promover no serviço; as vezes que conjugamos o verbo adorar para os nossos amigos porque nos deram uma rosa ou um telemóvel. Não estaríamos a fazer tal pessoa nosso Deus? Portanto, se nos sentimos fracos, ao menos recitemos em todo o tempo e lugar a oração que o Senhor nos ensinou: “não nos deixeis cair em tentação”, ou ainda o conselho do Doutor da graça (Santo Agostinho) quando diz: “leia a Sagrada Escritura mesmo que não compreenda, o diabo foge”. E que nós também não tentemos os outros.
Frei Dionisio, osm


TESTEMUNHO VOCACIONAL
C
aríssimos amigos, desejo-vos uma boa caminhada quaresmal rumo a Páscoa da Ressurreição do Senhor. Chamo-me Percy Astopillo Toro, nascido aos 5 de Setembro de 1982, natural de Huallccay, Churcampa Huancavelica, de nacionalidade Peruana. Meus pais chamam-se Ceferino Astopillo Murillo e Teofila Toro Bizarro. Tenho sete irmãos.
Neste momento, Deus me concedeu a oportunidade de estar longe do meu país, porém, estou feliz comigo mesmo, por estar a viver esta experiência ímpar da minha vida na qual sou convidado a aprofundar o meu chamado a Servir aos irmãos, a estilo de Maria na Ordem dos Servos de Maria. Ordem esta que me permitiu entrar em contacto com as outras comunidades, de modo particular com a comunidade de Matola, desfrutando de um clima caloroso e da maravilhosa alegria do povo moçambicano. Vejo nisso a vontade de Deus, de facto, é isso que quero. 
Conheci a Ordem dos Servos de Maria em Lima, na Paróquia de Virgen del Rosario Manchay em 2004. O que mais me encantou nos frades foi o estilo de vida simples, e pela devoção Mariana que nutre a vida da Ordem. Depois de um longo tempo de conhecimento e aprofundamento da vontade de Deus na minha vida, em 2011 pedi para fazer uma experiência com os frades que aceitaram o meu pedido e me enviaram para a comunidade de Postulantado dos frades Servos em Bolívia na cidade de Cochabamba onde frequentei o Seminário Señor de los Compadres. Em 2013 fui admitido ao pré-noviciado. Neste período que estive em Cochabamba pude conhecer melhor a Ordem, tive contacto com as diversas pessoas de diferentes países, com diversos institutos religiosos, isso enriqueceu muito a minha visão sobre a vida religiosa.
Em 2014 tive a oportunidade de conhecer a Província dos frades do Brasil, onde estive preparando-me para a viagem a Moçambique na Comunidade de Matola. Depois de muitas lutas consegui o visto para entrar no território moçambicano. No dia 09 de Fevereiro de 2014 cheguei pela primeira vez em Moçambique, meu primeiro contacto com o amado povo africano. No dia 10 de Fevereiro tivemos o rito de entrada no noviciado na presença do Provincial do Brasil, um rito simples, mas cheio de significado espiritual. Posso dizer que estou feliz apesar do calor que é muito intenso para mim! O povo moçambicano me marca bastante pela sua alegria e sua forma de estar na celebração litúrgica, viva e animada.
Agradeço a Deus e a minha Província Santa María de los Andes e a todas as comunidades dos frades, por tudo que me concedem, que Deus lhes abençoe. Desejo a todos os fiéis uma feliz Páscoa da Ressurreição do Senhor, que nos preparemos santamente com a frequente participação na Eucaristia a fim de que vivamos intensamente este mistério da nossa salvação. Estamos unidos em oração com Maria Mãe de Jesus e nossa Mãe.
Frei Percy, osm


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UM OLHAR SOBRE AS NOVAS IGREJAS EM MOÇAMBIQUE
C
ontava-me o meu amigo Lenquequé sobre a sua experiência no mercado de Zimpeto em busca de um alimento que sempre via os seus vizinhos consumir frequentemente, mas ele ainda não tinha provado. As cebolas. Quando chegou no mercado, viu muitas variedades de cebolas: as cebolas grandes de origem sul africana, cebolas vermelhas de Gorongosa, cebolinhas de Malema e mais, pelo que criou-lhe um dilema na escolha da melhor cebola. O que ele sabia era de que todas eram cebolas e comestíveis. Fez muitas voltas no interior do mercado, mas não se precipitou em comprar alguma variedade sob o risco de se arrepender mais tarde. Como um homem prudente, decidiu voltar para casa e perguntar na vizinhança que tipo de cebola poderia ele comprar. Chegado a casa dirigiu-se ao senhor Nhanfumo que desde sua infância gostou de cebolas. Lenquequé apresentou a sua inquietação ao velho Nhamfumo, e este recomendou a comprar as cebolinhas de Malema embora pequenas. E assim Lenquequé começou a gostar das cebolas de Malema.
Esse dilema, que passou Lenquequé, experimentam também muitos moçambicanos que querem pela primeira vez professar a sua fé, sobretudo na religião cristã. Hoje em Moçambique, vemos a presença de muitas instituições religiosas e até outras que não sabemos qual é a sua doutrina e tampouco compreendemos o seu objectivo. Creio que se fossem empresas, ninguém estaria desempregado.
Quando passamos em cada rua principalmente nas cidades, vemos aí: Igreja evangélica do céu; Igreja do poder de Deus, Igreja internacional dos milagres de Deus, Igreja Assembleia de Deus Africana, Igreja do Jesus da cruz e muitas outras, que se eu for a citar não poderei terminar. De entre essas não conseguimos ver qual é a verdadeira ou por outra qual delas nos mostrará o Caminho, a Verdade e a Vida (Jesus). Pois se formos a perguntar a cada membro de cada Igreja, receberemos um enxame de respostas. Uns poderão dizer: “aqui se invoca o Deus vivo; operamos milagres porque o pastor fala a língua de Deus; outros dizem: aqui é onde está a mão de Deus; outros aqui o milagre é algo natural e outros ainda vão dizer esta Igreja é mãe e os milagres não dependem dos pastores, mas sim, da fé da própria pessoa”. Justamente o que quer entrar pela primeira vez enfrentará um dilema forte. Isto me recorda o trecho da Sagrada Escritura que diz: “acautelai-vos para que ninguém vos iluda. Surgirão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu. E seduzirão a muitos” (Mt 13, 5-6).
De certa forma estas igrejas parece terem algo em comum, difundir a mensagem de Cristo, mas o que nos resta saber é: com qual finalidade fazem essa difusão do evangelho? Por outra parte se contradizem entre si, porque umas dizem que invocam o Deus vivo, como se as outras igrejas invocassem um Deus morto. Outras igrejas têm presente à mão de Deus, razão pela qual operam milagres, como se Deus fosse corrupto e que apenas agrada uma parte de seus filhos. De vez em quando tenho me questionado: se essas Igrejas operam milagres, como cura dos doentes, então porque não visitam os hospitais para curar todos doentes que provocam engarrafamento naquelas instituições? Porque não ressuscitam os mortos como Jesus ressuscitara Lázaro? Talvez seja como quando alguém me disse que os milagres acontecem consoantes a quantia do dízimo que cada um dá. Se for o caso, então porque não convidam o governo para pagar o dízimo apropriado para todos os doentes.
São igrejas provenientes de países desenvolvidos por uma rejeição, mas quando chegam a Moçambique são bem vindas como se fossem empresas que oferecem oportunidades aos desempregados. Apenas para confundir a escolha certa de muitos.
Pena dos moçambicanos que um dia, quando descobrirem a Igreja fundada por Cristo e edificada sob o fundamento dos apóstolos, sentirão a necessidade de repetir as palavras de Santo Agostinho: “tarde vos amei beleza tão antiga, mas sempre nova. Eu vos procurava fora enquanto habitáveis dentro de mim”. 
Frei Lafim, osm

TEMOS SEDE DE UMA SOCIEDADE MAIS HUMANA


N
os séculos passados alguém disse que “o homem é um animal social por natureza”, e foi aplaudido por assim concluir porque em justificativa mostrava a necessidade que o homem tinha de viver em sociedade. Para a felicidade do homem, a sociedade era indispensável. Até em algumas partes do mundo, houve a necessidade da assinatura de um contrato social. O ser humano por si não era suficiente, e não contar com ajuda do seu semelhante supunha-se ser Absoluto (Deus) ou um irracional. Isso exaltava a relação “eu e tu”, onde o eu dependia do “tu” e vice versa.
Hoje, embora com muitos especialistas em ética, muitos religiosos que proclamam dia a dia a vivência dos valores evangélicos, nota-se com muito brilho o rompimento da relação “eu e tu”, e uma abstinência cruel do temor a Deus e isto, gera uma constante onda de criminalidades (abortos; violência; consumo de drogas; abuso sexual; etc). Será que foi esta a sociedade que Deus quis criar para os seus filhos muito amados?
Não matar. É uma máxima que todos conhecemos sem precisar de uma catequese sobre os mandamentos da lei de Deus, pois a vida é um dom gratuito de Deus e um direito para cada ser humano, seja ele branco ou negro, rico ou pobre e independentemente de seu gênero, pelo que ninguém tem o direito de tirar-lhe a vida. Mas em nossa sociedade, matar e praticar outros males parece um direito para alguns que em seus corações respiram violência por causa do dinheiro. O que tira a tranquilidade na sociedade. Pois, por ser religioso ou pertencer um partido político, ter emprego e até o ser um simples pobre desocupado, pode ser motivo suficiente para ser dado fim a sua vida. Os cidadãos constroem suas casas com portas de grades, edificam muros e põem garrafas quebradas por cima deles ou ferros bem afiados, não que tenham medo dos animais ferozes, mas por medo de seus semelhantes. Outros electrificam os muros e os que têm um pouco de condição, procuram outros homens para estarem de vigilância vinte e quatros horas por dia. Mesmo assim a tranquilidade não reside no coração dos donos. O homem continua sendo “lobo do outro homem” como outrora salientou Tomas Hobbes. Afinal de contas onde reside a imagem e semelhança de Deus?
Vemos alguns homens a buscarem uma convivência com os animais ferozes, porque parece mais fácil fazer isso, do que tornar mais humana a nossa sociedade. A confiança rompeu-se entre os humanos. Muitos até revestem-se de uma face piedosa, enquanto são mais ferozes que os selvagens. Fazer um favor a alguém pode ser causa do martírio de quem o fez. Nos tempos já idos, quando pouco a pouco se desenvolvia a maldade no mundo, um pensador reduziu a dignidade do homem para um simples selvagem nessas palavras: “outrora éreis macacos e agora sois muito mais macacos que os próprios macacos”. Há quem pode dizer o mesmo para o nosso tempo.
Clamamos por uma sociedade mais humana que respeite a Deus e a dignidade da pessoa humana. Uma sociedade em que a felicidade do homem deve provir dessa relação com o Absoluto e com o próximo. Esta é tarefa de todos começando por mim e por ti.
Os ecticistas que desempenhem a sua função da melhor forma e os homens de Deus que rezem sem cessar pela perfeição dos homens todos e pela conservação da bondade reconhecida por Deus após a criação do ser humano.
Frei Lafim, osm

CRÔNICAS E NOTÍCIAS ECLESIAIS


ü  Dia 5 de Março, às 16:30 o Santo Papa presidiu o Statio e a procissão penitencial, a partir da Igreja de Santo Anselmo. Às 17 horas, na basílica de Santa Sabina, na colina do Aventino, como manda a tradição, o Papa Francisco presidiu a Missa de abertura da Quaresma, com a bênção e imposição das Cinzas. No angelus da Quarta-Feira de Cinzas, o Bispo de Roma disse que o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, é coração do mistério da nossa salvação. A Quaresma nos prepara para este momento tão importante, por isto é um tempo “forte”, um ponto de reviravolta que pode favorecer em cada um de nós a mudança, a conversão. Todos nós temos necessidade de melhorar, de mudar para melhor. A Quaresma nos ajuda e assim saímos dos hábitos cansados e do preguiçoso costume ao mal que nos engana. No tempo quaresmal, a Igreja nos dirige dois importantes convites: adotar uma consciência mais viva da obra redentora de Cristo; viver com mais empenho o próprio Baptismo.
ü  Dia 7 de Março, na Paróquia São Gabriel Arcanjo da Matola ocorreu a cerimônia da Instituição dos 40 ministros da Esperança e da Eucaristia, cerimônia esta que foi presidida pelo Senhor Arcebispo Dom Francisco Chimoio.
ü  Dia 8 de Março, celebramos 20 anos da Inauguração do Lar Nova Esperança, nesta festividade contamos com a presença da Mamã Verônica. O Lar Nova Esperança, como bem enfatizou frei José, pela sua natureza se destina a acolher crianças órfãs, a fim de fazer brilhar neles a Esperança que brilha da Luz de Cristo. 
ü  Os religiosos da Matola se prepararam para a quaresma com um retiro na casa dos Servos de Maria no dia 8 de Março. Frei Charlie orientou o retiro enfatizando a quaresma como um encontro com Senhor! No dia 16 os formandos da Matola também dedicarão o dia para o retiro quaresmal.
ü  Dia 9 de Março, I domingo da Quaresma, ocorreram os Exercícios Espirituais do Papa com a Cúria Romana, numa Casa de Retiros de Ariccia, até à sexta-feira seguinte, 14 de Março.
ü  Dia 12 de Março celebramos o primeiro aniversário da eleição do Papa Francisco. Oremos por Ele e pela Igreja!
ü  Dia 16 de Março, II domingo da Quaresma, Papa Francisco realiza, de tarde, uma visita pastoral à paróquia romana de “Santa Maria da Oração”.
ü  Dia 13 de Abril, Domingo de Ramos, a partir das 9.30, na praça de São Pedro, bênção e procissão dos Ramos, seguida da Missa correspondente.

frei Jeremias, osm

OS FORMANDOS DA COMUNIDADE SANTA MARIA DOS SERVOS

N
a comunidade Santa Maria dos Servos temos a presença dos seguintes formandos em três etapas de formação inicial segundo o plano de Formação da Província São Peregrino (Brasil – Moçambique):
·         quatro aspirantes - Domingos Gravata, Inácio Armando, João Orlando e Manuel Gregório, que cursam o propedêutico no Seminário Cristo Rei;
·         sete postulantes: Bernardo Acácio, Camilo Cossa, Carlos Rafael, Gonçalves Sebastião, Herminio Cidade, Manuelinho José Moreira e Wilson Wiliam, que freqüentam os cursos de Filosofia e Ética, Educação de Infância e Acção social, no Instituto Superior Maria Mãe de África;
·         e um candidato ao pré-noviciado: Hanereque Mário, que frequenta o terceiro ano de Filosofia no Seminário Filosófico Interdiocesano Santo Agostinho.
Todos eles exercem actividades pastorais nas comunidades da Paróquia São Gabriel Arcanjo da Matola e demonstram muito interesse em servir ao povo de Deus na Vida Consagrada e Sacerdotal. Rezemos pela perseverança de cada um deles e, na medida do possível, colaboremos com a formação dos mesmos.


Somos Servos da Virgem Gloriosa!

Movidos pelo Espírito comprometemo-nos, como nossos primeiros Pais, a testemunhar o Evangelho em comunhão fraterna e a colocar-nos a serviço de Deus e do homem, inspirando-nos constantemente em Maria, Mãe e Serva do Senhor (Const. 1)


Somos chamados a estar aos pés das infinitas cruzes da humanidade para levar conforto e cooperação redentora
(Const. 319)

Entre em contacto connosco e seja você também um Servo de Maria:

Comunidade Santa Maria dos Servos – Matola servosmc@gmail.com
826756357 - 847704141


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