ZENIT - O mundo visto de Roma

Fides News Português

Gaudiumpress Feed

3 de julho de 2014

Meu Senhor e meu Deus

Das Homilias de São Gregório Magno, papa, sobre os Evangelhos (Hom. 26, 7-9: PL 76, 1201-1202) (Sec. VI) Meu Senhor e meu Deus Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Só este discípulo estava ausente; e, ao voltar e ouvir contar o que acontecera, negou-se a acreditar no que ouvia. Veio outra vez o Senhor e apresentou ao discípulo incrédulo o seu lado para que lhe pudesse tocar, mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz das suas chagas, curou a ferida daquela incredulidade. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Julgais porventura ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que ao voltar ouvisse contar, que ao ouvir duvidasse, que ao duvidar tocasse e que ao tocar acreditasse? Tudo isto não aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A bondade de Deus actuou de modo admirável, a fim de que aquele discípulo que duvidara, ao tocar as feridas do corpo do seu Mestre curasse as feridas da nossa incredulidade. Mais proveitosa foi para a nossa fé a incredulidade de Tomé do que a fé dos discípulos que não duvidaram; porque, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde tocar, a nossa alma põe de parte toda a dúvida e confirmase na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e tocou, tornouse testemunha da realidade da ressurreição. Tocou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus. Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, acreditaste. Ora, como o apóstolo Paulo diz: A fé é o fundamento dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se vêem, torna-se claro que a fé é a prova da verdade daquelas coisas que não podemos ver. Pois aquilo que se vê já não é objecto de fé, mas de conhecimento directo. Então, se Tomé viu e tocou, porque é que lhe diz o Senhor: Porque me viste, acreditaste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e fez profissão de fé na sua divindade exclamando: Meu Senhor e meu Deus. Portanto, tendo visto acreditou, porque tendo à sua vista um homem verdadeiro, exclamou que era Deus, a quem não podia ver. Muita alegria nos dá o que se segue: Felizes os que não viram e acreditaram. Por esta frase, não há dúvida que somos nós especialmente visados, pois não O vimos em sua carne, mas possuímo-l'O no nosso espírito. Somos nós visados, desde que as obras acompanhem a nossa fé. Na verdade só acredita verdadeiramente aquele que procede segundo a fé que professa. Pelo contrário, daqueles que têm fé apenas de palavras, diz São Paulo: Professam conhecer a Deus, mas negam-n’O por obras. A este respeito diz São Tiago: A fé sem obras é morta.

3 de junho de 2014

Às vésperas de Pentecostes, com o coração cheio de ardor, comemoramos o sétimo ano de Somos Servos da Virgem Gloriosa, onde singelamente Deus tem proclamado seu amor.



25 de maio de 2014

Despertar vocacional

Despertando vocações para o serviço a Deus e aos irmãos, como Maria, Mãe e Serva do Senhor

24 de abril de 2014

SOMOS SERVOS ABRIL 2014












EDITORIAL
Q
ueridos irmãos, exultantes com a celebração do Mistério Pascal de Cristo, oferecemos aos nossos leitores o terceiro número da Revista “Somos Servos”, que vai se desenvolvendo a cada dia por meio das sugestões e observações recebidas no nosso email (somosservos@gmail.com), na web com o blog Somos Servos (www.somosservos.blogspot.com) e principalmente no encontro com tantos irmãos e irmãs.
Na celebração do Mistério Pascal de Cristo somos chamados a renovar a graça de nosso batismo, reconhecendo a adoção filial e a redenção oferecidas por Deus a todos os homens. O Mistério Pascal da Cruz e da Ressurreição de Cristo está no centro da Boa Nova que devemos anunciar ao mundo. Durante sua vida terrestre, Jesus anunciava este Mistério por seu ensinamento e o antecipava por seus actos. A Cruz é o único sacrifício de Cristo, "único mediador entre Deus e os homens"! Pelo facto da sua encarnação uniu a si mesmo todos os homens oferecendo-lhes a possibilidade de serem associados à sua morte e ressurreição. Por sua morte Jesus nos liberta do pecado, por sua Ressurreição Ele nos abre as portas de uma nova vida. Por isso, na Liturgia, a Igreja celebra principalmente o Mistério Pascal pelo qual Cristo realizou a obra da nossa salvação.
Nesta edição da nossa revista vamos evidenciar o Mistério Pascal de Cristo, referindo-nos principalmente às celebrações litúrgicas do Tríduo Pascal. Queremos viver com mais sensibilidade espiritual a celebração da Páscoa do Senhor, para a qual nos preparamos durante o tempo da Quaresma, conscientes de que o Mistério Pascal de Cristo é actualizado em nossa vida e na Liturgia pela efusão do Espírito Santo...
Desejamos a todos uma boa leitura!
Feliz Páscoa e um tempo pascal
na presença do Senhor Ressuscitado!

Escreva para somosservos@gmail.com e receba a revista em formato PDF
Versão ONLINE no Blog Somos Servos: www.somosservos.blogspot.com


MISSA CRISMAL
A
 Missa Crismal ou dos “Santos Óleos” acontece na Quinta-feira Santa, mas por motivos pastorais, esta celebração pode ser antecipada. A Missa Crismal reúne em torno do Bispo o clero da diocese (padres e diáconos) e todo o povo de Deus, ou ao menos uma boa representação das comunidades paroquiais que formam a diocese. Uma vez que esta missa caracteriza-se como uma grande acção de graças a Deus pela instituição do ministério sacerdotal na Igreja, nela, os padres presentes renovam as promessas sacerdotais.
Qual o significado do óleo? A palavra “Óleo” é de origem latina, “oleum”, derivada do grego “élaion”, que faz referência ao óleo extraído dos olivais (élaia). Este tem a finalidade de fazer brilhar o rosto (Sl 103,15) e é símbolo da alegria (Sl 44,8). Ser ungido pelo óleo significa a consagração de um ser a Deus, em vista da realeza, do sacerdócio ou de uma missão profética (Ex 29,7). O ungido por excelência é o Messias, o Cristo, que é o Rei, o Sumo Sacerdote e o Profeta. Até mesmo edifícios e objetos podem ser consagrados com a unção do óleo (Gn 28,18). Símbolo da alegria e da beleza, sinal de consagração, o óleo também alivia as dores e fortalece os cristãos, tornando-os mais ágeis e menos vulneráveis.
Quais são os óleos usados na Liturgia? Na Liturgia da Igreja evidenciam-se três óleos: Óleo dos ENFERMOS, dos CATECÚMENOS e do Santo CRISMA. Os dois primeiros Santos Óleos são abençoados, e o terceiro é consagrado pelo Bispo que celebra com todo o seu presbitério na Quinta-feira Santa pela manhã.
O Óleo dos Catecúmenos concede a força do Espírito Santo àqueles que serão batizados, para que possam como Cristo, serem fortalecidos contra o mal. Na falta deste óleo, outro poderá ser abençoado pelo padre antes de ser usado. O batizando é ungido com o óleo dos catecúmenos, no peito.
O Óleo dos Enfermos, que em caso de necessidade poderá ser abençoado pelo padre antes da unção do enfermo, é um sinal sensível utilizado na Unção dos Enfermos, que traz o conforto e a força do Espírito Santo para o doente no momento de seu sofrimento. O doente é ungido na fronte e na palma das mãos.
O Santo Crisma é um óleo perfumado, utilizado nas unções consecratórias: o batizado é ungido na fronte; na Confirmação é o símbolo principal da consagração, também na fronte; são ungidas as palmas das mãos do neo-sacerdote;  o novo bispo é ungido sobre a cabeça. Também é usado em outros ritos consecratórios, como na dedicação de uma Igreja, na consagração de um altar, quando o Santo Crisma é espalhado sobre o altar e sobre as cruzes de consagração que são colocadas nas paredes laterais das igrejas dedicadas (consagradas).  Os Santos Óleos, de modo particular o Santo Crisma, têm caráter sacramental.
Frei Gerson Junior, osm

A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA
A
 Quinta-Feira Santa é o grande dia da instituição da Sagrada Eucaristia, dom do Céu para os homens; o dia da instituição do sacerdócio, nova prenda divina que assegura a presença real e actual do Sacrifício do Calvário em todos os tempos e lugares, tornando possível que nos apropriemos dos seus frutos.
Aproximava-se o momento em que Jesus vai oferecer a sua vida pelos homens. Tão grande era o seu amor, que na sua Sabedoria infinita encontrou o modo de ir e de ficar, ao mesmo tempo.
Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não deixa um símbolo, mas uma realidade. Fica Ele mesmo. Embora vá para o Pai, permanece entre os homens. Sob as espécies do pão e do vinho consagrados está Ele, realmente presente, com o seu Corpo, o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade.
Na celebração da Instituição da Eucaristia, contemplamos Jesus que se coloca a serviço dos seus discípulos e nos dá mais uma prova de amor, nos deixando o memorial de sua paixão, morte e ressurreição.
Jesus antes de tomar a ceia com os seus apóstolos retira seu manto, toma consigo um jarro e uma toalha para lavar os pés de seus discípulos, e assim mostra que ninguém deve querer ser o maior ou aparecer mais que o outro, pois se o Mestre e Senhor que deveria ser servido está servindo, eles devem lavar os pés uns dos outros, lembrando que não é o servo maior que o seu Senhor.
Nesta celebração somos convidados a viver o mandamento do amor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” ( Jo 15, 12).
Nesta mesma ceia, Jesus institui o ministério daqueles que nos propiciarão comer deste Corpo e beber deste Sangue: o Sacerdócio. É necessário rezar pelo Papa, pelos Bispos, pelos sacerdotes, e rogar que haja muitas vocações no mundo inteiro.
Neste dia, a celebração eucarística se encerra com a adoração eucarística; esse gesto se deve em solidariedade ao Senhor que sofre e padece no monte das oliveiras, soando sangue e se sentindo abandonado pelo Pai do Céu. É o nosso momento de nos fazermos presentes na vida do Senhor que nunca nos abandona.
Frei Percy M. Astopillo toro, osm

A PAIXÃO DE CRISTO
Q
uantas perguntas surgem ao meditarmos sobre a Paixão de Cristo! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos a juízes de Deus e da história. Porventura, nós não continuamos hoje, fazer Cristo sofrer a Paixão? Ainda continuamos crucificando a Cristo quando ao longo da história, inocentes sejam maltratados, condenados e mortos. Quando nós preferimos o sucesso à verdade, a nossa reputação à justiça. Quando as insígnias do poder trazidas pelos poderosos deste mundo é um insulto à verdade, à justiça e à dignidade do homem! Quando os nossos rituais e as nossas palavras, verdadeiramente, não passam de pomposas mentiras, uma caricatura do dever que nos incumbe por força do seu cargo. Nós hoje também contribuímos para que Cristo sofra em vez de completar o que falta na sua Paixão em nossa carne (cf Col 1,24), e prolongamos a sua Paixão.
A Paixão de Cristo não mostra somente o silêncio de Jesus como sua última palavra ao Pai, mas revela também que Deus fala por meio do silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da “distância” do Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra encarnada. Suspenso no madeiro da cruz, o sofrimento que lhe causou tal silêncio fê-lo lamentar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15, 34; Mt 27, 46). A Paixão de Cristo é profundamente reveladora da situação do homem que reza: depois de ter ouvido e reconhecido a Palavra de Deus, devemos medir-nos também com o silêncio de Deus. Muitas vezes, na nossa oração, encontramo-nos diante desse silêncio, experimentamos quase um sentido de abandono, parece-nos que Deus não ouve e não responde. Mas este silêncio de Deus, como aconteceu também para Jesus, não marca a sua ausência. Na Bíblia, a experiência de Job é particularmente significativa.  Job, na sua relação com Deus, fala com Deus, clama a Deus; na sua oração, não obstante tudo, conserva intacta a sua fé e, no fim, descobre o valor da sua experiência e do silêncio de Deus. E assim, dirigindo-se ao Criador, conclui: «Eu tinha ouvido falar de ti, mas agora são os meus olhos que te vêem» (Jb 42, 5).
Diante da Paixão de Jesus, a nossa resposta é o silêncio da adoração. Assim nos entregamos a Ele, colocamo-nos em Suas mãos, pedindo-Lhe que nada, tanto na nossa vida como na nossa morte, possa nos separar jamais Dele (cf. Rm 8, 38-39). Durante a solene Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”, este silêncio será rompido pelo cântico do “Aleluia”, que anuncia a ressurreição de Cristo e proclama a vitória da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte. A Igreja rejubilará no encontro com o seu Senhor, entrando no dia da Páscoa que o Senhor inaugura, ressuscitado dos mortos.
Frei Jeremias M. Mugabe, osm

A HORA DE MARIA
A
 Hora de Maria é a etapa decisiva na fé de Maria onde é purificada com uma “aparente ausência” de Deus. No silêncio Ela espera a Ressurreição do Filho. Ela, que havia acolhido o Anjo na Anunciação agora diante desse silêncio, poderia, humanamente falando, interrogar-se: Então como irão cumprir-se aquelas palavras? De que modo reinará Ele sobre a casa de David? E como será possível não ter fim o seu reinado? Maria, porém, recorda a resposta que dera então depois de ter ouvido o anúncio do Anjo: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).
Ao pé da cruz, Maria padece o seu martírio no Espírito. Aquele martírio que aflige a alma com dores mais atrozes, do que o sofrimento do corpo. Ela seguiu Jesus, não apenas na alegria das consolações, mas também na angústia dos sofrimentos. Ela via o seu Filho, o mais belo entre os filhos dos homens, sem nenhuma aparência humana e sem dignidade. Contemplava o Santo dos Santos crucificado entre dois malfeitores, via a cabeça daquele que tudo sustenta, caída sobre o ombro. Via a face de Deus desfigurada, e sua beleza extinta. Grande foi a dor de Maria, ao receber nos seus braços o corpo de Jesus já morto. Grande foi Maria na dor, ao sepultar seu Filho e lentamente viu a pedra rolar o sepulcro.
Tudo parece ter chegado ao fim. Maria volta para casa, a desolação é total, sem marido e sem filho. Ela estava só!Iluminada pelo Espírito Santo, Maria não duvidava que seu Filho havia de Ressuscitar. Só a fé sustentava Maria, naquele momento tremendo. É mediante a fé Maria deposita a sua esperança no Senhor, aquele é capaz também de ressuscitar o seu Filho.
Maria, esperando a ressurreição, simboliza a humanidade inteira dos justos que esperam o Senhor, que é para eles a única esperança. Essa espera de Jesus ressuscitado por meio de Maria foi cheia de ansiedade, fascínio e tremor, pois Ela sendo uma pobre de Nazaré foi na obediência e no desenrolar dos acontecimentos que descobrir qual era a vontade de Deus na sua Vida. Deste modo na sua espera torna-se para nós modelo de perseverança.
Maria também hoje espera por nós como outrora esperou o seu Filho. Espera que nós também esperemos o seu Filho que há de se manifestar no fim da história, com uma fé que não esmorece, com uma fé viva, uma fé inquebrantável. Maria espera por nós e intercede por nós diante do seu Filho.
Queridos irmãos e irmãs, não caminhamos só temos diante de nós uma grande advogada, Maria conhece o sofrimento humano até as suas últimas conseqüências, deixemo-nos guiar por Maria, e trilhemos com Ela até ao encontro de Cristo Ressuscitado. 
Fr.Cosme M, osm e Postulante Wilson Wiliamo


A VIGÍLIA PASCAL
A
 noite que brilha como o dia e a escuridão que é clara como a luz, assim podemos definir a solene celebração da Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias e  coração do ano litúrgico. É noite em que pela graça que recebemos em Cristo Novo Adão, nos levantamos da queda provocada pelo primeiro Adão. Ele que é o princípio e o fim da nossa história, iluminando todo o tempo, particularmente a cada ano da Salvação. Por isso mesmo a Igreja convida-nos a fazer memória da noite em que foram libertos os filhos de Israel do cativeiro do Egipto, passando a pé enxuto sobre o Mar Vermelho e a esperar em Vigília e oração a Ressurreição de Jesus Cristo Nosso Senhor que dá sentido a nossa fé.
A celebração da Vigília pascal respeita quatro momentos significativos:
O primeiro momento é a cerimônia da Luz. Esta cerimônia consiste na bênção do fogo, na preparação do círio e na proclamação do precónio pascal. O lume novo e o círio pascal simbolizam a luz da Páscoa, que é Cristo, luz do mundo. O texto do precónio afirma que “a luz de Cristo dissipa as trevas de todo o mundo”. A única Luz que faz brilhar a vida e aclara as trevas que nos dão medo no nosso dia a dia.
O segundo momento é a liturgia da Palavra que propõe sete leituras do Antigo Testamento, que nos recordam os grandes e importantes acontecimentos da história da salvação, e duas leituras do Novo Testamento que interpretam o mistério pascal de Cristo. Toda a escuta da Palavra é feita à luz do acontecimento-Cristo, simbolizado no círio pascal colocado junto ao Ambão ou perto do Altar.
O terceiro momento é a liturgia baptismal que é parte em que os catecúmenos fazem o seu Êxodo para uma Vida Nova por Cristo, com Cristo e em Cristo, das trevas para a Luz. Oportunidade para a celebração do Baptismo dos catecúmenos e para a renovação das promessas baptismais dos cristãos com as velas acesas nas mãos.
O quarto momento é a liturgia eucarística que é o momento culminante da Vigília, onde celebramos a vitória do verdadeiro cordeiro sobre o poder da morte.
Portanto, nesta solene liturgia celebramos a Ressurreição do nosso Salvador, “o centro da Boa-Nova que os apóstolos e a Igreja, na esteira deles, devem anunciar ao mundo” (CIC 571), o antegozo da Páscoa eterna.
Frei Lafim, osm e postulante Hermínio.

AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO
M
ediante o testemunho dos apóstolos, as aparições de Jesus após a sua morte, são evidências de facto que Cristo ressuscitou dos mortos. Os quatro evangelhos narram os episódios das aparições de Jesus cada um com o seu enfoque teológico e mistagógico.
Enfatizaremos aqui de forma sucinta três das aparições.
Segundo a narrativa do Evangelho de Mateus a primeira aparição, que Jesus realizou foi para as mulheres (Mt 28, 1-10), porém, nas  narrativas de Marcos (Mc 16, 9-10) e de João (Jo 20, 11-18) mencionam que Jesus apareceu primeiro e exclusivamente a Maria Madalena e Jesus a  envia para anunciar aos discípulos que Ele havia ressuscitado. Neste sentido Maria torna-se a primeira missionária, a anunciar o Cristo ressuscitado.
A aparição aos discípulos de Emaús, (Lc 24, 13-34) nos apresenta um profundo significado mistagógico do Cristo ressuscitado. Nesta aparição os discípulos realizam actos de amor, hospedam o homem desconhecido que lhes falava do Messias no percurso do caminho, partilham com ele em ceia fraterna o pouco alimento que dispunham e no partir o pão eles reconhecem o Senhor, e imediatamente vão anunciar à comunidade dos apóstolos reunida em Jerusalém. Assim a fração do pão na ceia dos discípulos de Emaús torna-se símbolo do Cristo ressuscitado.
Na aparição de Jesus aos onze, (Lc 24, 36-43) eles não o reconhecem e cogitam ser um fantasma. Então Jesus mostra-lhes as mãos e os pés, todavia eles ainda permanecem subjugados pela alegria e surpresos, e como se ainda não acreditassem, Jesus solicita algo para comer e eles lhe oferecem peixe, Jesus tomou e comeu a vista deles, então Jesus lhes abre a inteligência e eles reconhecem o ressuscitado. Jesus se dá a conhecer ao comer com os discípulos, mostrando que a vida brota onde se partilha, onde há colaboração a serviço da vida e onde acontece actos de amor.
Mediante as aparições do ressuscitado somos exortados nesta Páscoa a meditarmos e a vivermos os mistérios do Cristo ressuscitado, a repartimos e compartilharmos com os nossos irmãos os nossos dons, o nosso alimento, a nossa paz e a nossa alegria.
Os evangelhos narram o testemunho dos discípulos, e diante destes testemunhos é impossível interpretar a ressurreição de Cristo (e as aparições) fora da ordem física e não reconhecê-la como um facto histórico (cf. CIC. 643).
Frei Ivan M. Siqueira, osm

TESTEMUNHO VOCACIONAL
Q
uem sou eu? O que estou fazendo na vida religiosa? O mais importante é que Alguém me escolheu e eu escolhi a Ele, por isso estou aqui... Sabes por quê? Posso não saber explicar, mas escolhê-Lo faz-me um homem feliz, e desde que O escolhi senti a liberdade de optar por minha plena realização. Claro que para a sociedade cometi a maior loucura da minha vida, mas considero a coisa mais importante. Gostaria de apresentar-me.
Oi! Sou Dionísio António Manuel, tenho 26 anos de idade, nasci na cidade de Nampula-Moçambique. Sou o terceiro filho na família de sete irmãos. Cresci como qualquer criança do meu bairro. Nada de especial em mim dava a entender da minha futura escolha de consagrar-me a Deus. Tenho quatro anos de caminhada formativa com os frades Servos de Maria, seguindo Cristo a exemplo dos Sete santos fundadores desta amada Ordem.
Conheci os Servos de Maria através das irmãs Monjas Servas de Maria de Nampula, uma presença positiva naquela terra que me acompanharam espiritualmente antes do meu ingresso no convento Santa Maria dos Servos da Matola. Aproveito para agradecer as irmãs e os irmãos que me ajudaram a conhecer esta família. Agradeço em particular desde o íntimo do meu coração a cada uma e cada um, pois, na sua maneira simples de apresentar o estilo de vida dos frades, descobri que era aqui onde eu queria. Também agradeço ao saudoso frei Horácio, formador, com o qual tive o meu primeiro contacto e ao frei Custódio que acolheu de bom grato a notícia do meu ingresso, na altura prior da comunidade. Certamente não foram anos fáceis, mas nem difíceis, pois a cada dia que passa é uma oportunidade e uma aventura, na qual me dou conta do que quero.
Sim, ainda que pareça estranho, quero dizer que não escolhi ser consagrado, escolho a cada dia, pois “nesta caminhada as crises são comuns e quem não as tem, não é pessoa”, como alguém referiu um dia, e passar essas crises é normal lembrando que há dificuldades em todo ramo de trabalho e em todo tipo de vocação. A única forma de superar as crises vocacionais por mim encontradas é sem dúvida a oração.
Caro leitor, peço humildemente a sua oração para que eu possa ser fiel ao Senhor, também que reze para que o Senhor envie mais operários para a sua messe. Asseguro as minhas orações a todos os leitores desta revista “Somos Servos”, ainda que não os conheça. Com uma saudação muito cordial desde a cidade da Matola.
Frei Dionísio António Manuel,osm

CRÔNICAS E NOTÍCIAS ECLESIAIS
Dia 01 de Abril - chegada do frei João Carlos M. Ribeiro (servo de Maria da província São Peregrino – Brasil/Moçambique) para incorporar-se na comunidade Santa Maria dos Servos.
Dia 06 de Abril - via sacra dos religiosos nas irmãs de Nossa Senhora dos desamparados, com a presença de Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo.
Dia 11 de Abril - Festa de Nossa Senhora ao Pé da Cruz com a celebração Eucarística na Paróquia São Gabriel Arcanjo.
Dia 13 de Abril  - domingo de ramos e dia mundial da juventude.
Dia 16 de Abril  - frei Charlie viaja para Chókwé para passar a semana santa e a festa da Páscoa com as irmãs Servas de Maria de vida contemplativa (monjas).
Dia 17 de Abril – quinta feira santa, dia do sacerdote; missa crismal na Sé Catedral de Maputo pela manhã e de tarde a instituição da Eucaristia (última ceia).
Dia 18 de Abril - Sexta feira santa - ofício de leituras e laudes na Paróquia São Gabriel Arcanjo pela manhã. Pelas 15 horas celebração da paixão do Senhor.
Dia 19 de Abril - Sábado santo – ofício de leituras e laudes na Paróquia São Gabriel Arcanjo. Pela noite celebração da Vigília Pascal (19h início).
Dia 20 de Abril – Ressurreição do Senhor (Páscoa).
Dia 25 de Abril – festa de São Marcos Evangelista.
Dia 27 de Abril – canonização em Roma dos Beatos João Paulo II e João XXIII. No mesmo dia comemora-se o 150º aniversário de fundação das Irmãs do Amor de Deus. Ainda no mesmo dia haverá convívio dos formandos da Matola na casa dos Irmãos Maristas.
Dia 04 de Maio – Festa de São Peregrino Laziozi, Patrono contra o mal do Câncer (para os servos de Maria e os lugares que lhe têm por padroeiro).
Dias 17/18 de Maio - peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima de Namaacha.
Frei Lafim, osm.
Somos Servos da Virgem Gloriosa!
Movidos pelo Espírito comprometemo-nos, como nossos primeiros Pais, a testemunhar o Evangelho em comunhão fraterna e a colocar-nos a serviço de Deus e do homem, inspirando-nos constantemente em Maria, Mãe e Serva do Senhor (Const. 1)
Somos chamados a estar aos pés das infinitas cruzes da humanidade para levar conforto e cooperação redentora
(Const. 319)

Entre em contacto connosco e seja você também um Servo de Maria:
Comunidade Santa Maria dos Servos – Matola / servosmc@gmail.com
826756357 - 847704141

21 de abril de 2014

LECTIO DIVINA COMUNITÁRIA (Jo 20, 19- 31) 2º Domingo páscoa

LECTIO DIVINA COMUNITÁRIA (Jo 20, 19- 31)   2º Domingo páscoa

Canto: Invocação ao Espírito Santo

Introdução:

O entusiasmo evangelizador da primeira comunidade cristã, com o passar do tempo, cede lugar aos desafios do dia a dia, inclusive com perseguições e martírios.
Para não ceder era importante crer, mesmo sem ver, crer que Jesus é o Filho do Homem, o vitorioso da morte e expressar e dizer como Tomé: “meu Senhor e meu Deus!”.
1 – O Evangelho de hoje está divido em duas partes, e nos apresenta duas das aparições do ressuscitado:
2 – Na primeira parte do evangelho, Jesus comunica aos discípulos o seu Espírito e com Ele dá-lhes o poder de vencer as forças do mal (Jo 19-23). Na segunda parte, João (20, 24-31) relata o famoso episódio de Tomé.
3- Na aparição aos onze o evangelista inicia destacando o espaço temporal no qual o Ressuscitado apareceu, ou seja, “na tarde do primeiro dia da semana” (Jo 20, 19). Com este enfoque João quer nos mostrar que os cristãos desde sempre se reuniam no primeiro dia da semana.
4- Os discípulos estavam com as portas fechadas. Teriam eles motivos para estarem de portas fechadas? O Evangelista diz que: “estando as portas fechadas, por medo dos judeus...” Ora, Jesus não tinha anunciado vida fácil para os seu discípulos, Ele mesmo havia dito: “Neste mundo vocês terão aflições, coragem eu venci o mundo” ( Jo 16, 33).
5- Mas qual a razão principal que se enfatiza as portas fechadas? Isto se dá porque João quer mostrar com o seu enfoque teológico que o Ressuscitado é o mesmo Jesus que os apóstolos viram, conheceram  e tocaram, mais agora ele se encontra diferente... é o Cristo Ressuscitado no seu corpo glorioso. É importante salientar que a ressurreição da carne não é equivalente à ressurreição de um corpo. O apóstolo Paulo explica a ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição em Cristo dizendo que: “o corpo semeado corruptível ressuscita incorruptível, semeado na desonra é ressuscitado na glória, semeado na fraqueza é ressuscitado cheio de força e semeado terreno é ressuscitado corpo espiritual” (1Co 15, 42-44).
6- Jesus mostra as mãos e o lado e “os discípulos ficaram cheios de alegria” (Jo 20, 20), não pelo fato de Jesus está no meio deles, mas, sobretudo porque Jesus havia ressuscitado e vencido a morte.
7-Jesus pela segunda vez disse: a paz esteja convosco, e soprou sobre eles o Espírito Santo, concedendo-lhes o poder de perdoar pecados. Mas o que significa perdoar pecados? O perdão dos pecados que Jesus concede aos seus discípulos não se restringe só a absolvição dos pecados, este poder é muito mais amplo e diz respeito a todos os seus discípulos que animados pelo seu Espírito tem a missão de purificar o mundo de todo o mal.
8- O Evangelista relata que os discípulos deram um testemunho para Tome: “Vimos o Senhor”, porém ele não acreditou. Oito dias depois Jesus apareceu novamente e com a saudação própria do ressuscitado e disse: a paz esteja convosco, e dirigindo-se a Tomé, o discípulo incrédulo,  pediu-lhe que o tocasse e visse a suas mãos. João coloca Tomé como símbolo das pessoas e das comunidades que encontram dificuldades para acreditar na Ressurreição de Cristo. É preciso fazer um caminho de fé, como Marta, Pedro, Maria Madalena e tantas outras pessoas que após um encontro pessoal com Cristo expressam com convicção: “eu creio que Tu és o Cristo Filho do Deus vivo”.
9-No Evangelho de João, nós encontramos três intervenções de Tomé: a primeira é quando Jesus recebe a notícia da morte de lázaro, e decide ir á Judeia, Tomé pensa que seguir o Mestre significa perder a vida, não compreende que Jesus é o Senhor da vida, e desconsolado exclama: “Vamos nós também para morrermos com Ele” ( Jo 11, 16). Outra intervenção ocorre durante a Última Ceia, quando Jesus fala do caminho que está a percorrer, um caminho que passa pela morte para introduzir a vida. Tomé questiona: “Senhor não sabemos para onde vais, como podemos conhecer o caminho?” ( Jo 14, 5). Tomé está perplexo de hesitações e de dúvidas, não consegue aceitar aquilo que não entende. A terceira intervenção ocorre no episódio narrado no trecho de hoje.
10- Tomé ao tocar e ver as cicatrizes reconhece o ressuscitado e a sua incredulidade dá lugar a mais bela profissão de fé: “meu Senhor e meu Deus” (Jo 20, 28). Tomé é o primeiro a reconhecer a divindade de Jesus, ele reconhece Jesus como o seu Senhor e como o seu Deus. Tomé compreendeu o que Jesus queria dizer quando usava a expressão: eu e o pai somos um; ao crer na ressurreição e ao crer no ressuscitado não existe mais espaço para dúvida.
11- Mas será que foi Tomé o único dos discípulos a ter duvidado da ressurreição de cristo?
No Evangelho de Marcos diz-se que Jesus apareceu aos onze e censurou-lhes por serem incrédulos e duros de coração por não terem acreditado naqueles que O tinham visto ressuscitado, (Mc 16, 14).
Na verdade todos duvidaram, não foi só o pobre Tomé, mas porque razão João dá tanto destaque à incredulidade de Tomé?
Devemos ter presente que o Evangelho de João foi escrito por volta do ano 95, e o evangelista usa Tomé como exemplo procurando responder as interrogações e objeções de seu tempo, pois se tratava de cristãos da terceira geração que não tinham visto Cristo, e muitos deles sequer conheceram nem um dos apóstolos e muitos tinham dificuldades em crer, e faziam vários questionamentos como:
Quais são as razões que nos induzem a acreditar? Ainda é possível para nós hoje fazermos experiência do ressuscitado? Há prova de que Ele esteja vivo? Por que já não aparece?

Também são as perguntas que ainda hoje muitas pessoas fazem.

Ivan Siqueira e Percy Astopillo, noviços osm

4 de abril de 2014

Jo 1, 1-45 Lectio Divina

Lectio Divina Pessoal Jo 11, 1-45. 

ORAÇÃO INICIAL: “Ó Espírito Santo, Amor do Pai e do Filho, Inspirai-me sempre o que devo pensar, o que devo dizer. O que devo calar, o que devo escrever, Como devo agir. O que devo fazer para obter a Vossa Glória, o bem das almas e a minha própria santificação.” São Tomas de Aquino

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen

 

Estamos no V Domingo da Quaresma e a antífona da comunhão diz: “Aquele que vive e crê em Mim não morrerá para Sempre diz o Senhor”. Só  nos restam duas semanas para a Páscoa, e todas as Leituras bíblicas deste domingo falam da ressurreição. Não ainda da Ressurreição de Jesus, que irromperá a história humana, como uma novidade absoluta, mas da nossa, aquela pela qual aspiramos e que precisamente Cristo nos doou, ressurgindo dos mortos. Com efeito, a morte representa para nós como que um muro que nos impede de ver além; contudo o nosso coração olha para além deste muro, e mesmo se não podemos conhecer o que ele esconde, contudo pensamo-lo, imaginamo-lo, expressando com símbolos o nosso desejo de eternidade.

Hoje São João deseja apresentar-nos Jesus como fonte da vida. A perícope de hoje como nas perícopes dos dois domingos precedentes ( Samaritana e o cego de  nascença)tratam-se de narrações únicas que encontramos não encontramos nos Sinópticos, somente São João nos oferece essas narrações.

Com esta cena que acabamos de escutar conclui-se o “livro dos sinais” (cf. Jo 4,1-11,56),  onde São Joãoapresenta recorrendo aos “sinais”, um conjunto de catequeses sobre a acção criadora e vivificadora  de Cristo aos catecumenos, como fonte de àgua (no episódio da Samaritana cf. Jo 4,1-5,47); como pão que alimenta a nossa fome(cf. Jo 6,1-7,53), como fonte de luz (na cena do cego de nascença cf. Jo 8,12-9,41) como pastor (cf. Jo 10,1-42) e hoje  apresenta Jesus como fonte, alias autor da Vida (com a Ressureição de Lázaro cf. Jo 11,1-56).

O Lazaro que São João nos fala é diferente do “pobre Lazaro” que São Lucas, nos fala no seu capitulo 16, 1-31.

Trata-se do último grande “sinal” realizado por Jesus, depois do qual os sumos sacerdotes reuniram o Sinédrio e decidiram matá-lo; e decidiram matar também o próprio Lázaro, que era a prova viva da divindade de Cristo, Senhor da vida e da morte. Na realidade, esta página evangélica mostra Jesus como verdadeiro Homem e verdadeiro Deus.

Esta perícope decorre  em  Judiéa (Jo 11,7) concretamente  em Betânia (Jo 11,18) uma aldeia a Este do monte das Oliveira, aproximadamente 3 quilometros de Jerusálem.

São João coloca-nos diante da morte que é de per si uma realidade existente nas nossas familia na humanidade, neste caso a família mencionada, pelo nosso evangelista é constituída por três pessoas (Marta, Maria e Lázaro), parece conhecida de Jesus alias é conhecida por Jesus. No versículo 5, diz-se que Jesus amava Marta, a sua irmã Maria e Lázaro

Trata-se de uma família amiga, querida e amada por Jesus, que Jesus conhece e que  por sua vez essa familia conhece e ama Jesus, e recebe-o em sua casa. A visita de Jesus a casa desta família é, aliás, mencionada em Lc 10,38-42; e João tem o cuidado de observar que a Maria, aqui referenciada, é a mesma que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe tinha enxugado os pés com os cabelos(Jo 11,2; cf. Jo 12,1-8).

O evangelista insiste sobre a amizade de Jesus com Lázaro e com as irmãs Maria e Marta. Ele ressalta o facto de que “Jesus era muito amigo” deles (Jo 11, 5), e por isso quis realizar o grande prodígio. “O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou acordá-lo” (Jo 11, 11) disse aos discípulos, expressando com a metáfora do sono o ponto de vista de Deus sobre a morte física: Deus vê-a precisamente como um sono, do qual nos pode despertar. Jesus demonstrou um poder absoluto em relação a esta morte: vê-se isto, quando restitui a vida ao filho da viúva de Naim (cf. Lc 7, 11-17) e à menina de doze anos (cf. Mc5, 35-43). Precisamente dela, disse: “Não morreu, está a dormir” (Mc 5, 39), atraindo sobre si o escárnio dos presentes. Mas na verdade é exactamente assim: a morte do corpo é um sono do qual Deus pode acordar-nos em qualquer momento.

Ao chegar em Betânia, Jesus encontrou o “amigo” sepultado há já quatro dias. De acordo com a mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia. Quando Jesus chega, Lázaro está, pois, verdadeiramente morto. Jesus não elimina a morte física; mas, para quem é “amigo” de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva.

Este dominio sobre a morte não impediu que Jesus sentisse compaixão pela dor da separação.

Ao ver Marta e Maria a chorar e quantos tinham vindo para as consolar, também Jesus “suspirou profundamente e comoveu-se” (Jo 11, 33.35).

O Coração de  Jesus Cristo é divino-humano: nele, Deus e Homem encontraram-se perfeitamente, sem separação nem confusão. Ele é a Encarnação do Deus que é amor, misericórdia e ternura paterna e materna do Deus que é Vida. De facto, afimou solenemente a Marta: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá para sempre”. Depois, acrescentou: “Crês nisto?” (Jo 11, 25-26).

Ao povo judaico, no exílio longe da terra de Israel, o profeta Ezequiel anuncia que Deus abrirá os sepulcros dos deportados e fá-los-á voltar à sua terra, para nela repousar em paz (cf. Ez 37, 12-14). Esta aspiração ancestral do homem por ser sepultado juntamente com os seus pais é desejo de uma «pátria» que o acolha no final das canseiras terrenas.

Esta concepção ainda não inclui a ideia de uma ressurreição pessoal da morte, que só aparece nos finais do Antigo Testamento, e até na época de Jesus não era aceite por todos os Judeus. De resto, também entre os cristãos, a fé na ressurreição e na vida eterna é acompanhada por tantas dúvidas, confusões, porque se trata sempre de uma realidade que ultrapassa os limites da nossa razão, e exige um acto de fé.

No Evangelho de hoje  a ressurreição de Lázaro nós ouvimos a voz da fé pronunciada por Marta, a irmã de Lázaro. A Jesus que diz: “O teu irmão ressuscitará”, ela responde: “Sei que ressuscitará na ressurreição do último dia” (Jo 11, 23-24).

Mas Jesus responde: “Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em Mim, mesmo se morrer, viverá” (Jo 11, 25-26). Eis a verdadeira novidade, que escancara e supera qualquer barreira! Cristo abate o muro da morte, n’Ele habita toda a plenitude de Deus, que é vida, vida eterna. Por isso a morte não teve poder sobre Ele; e a ressurreição de Lázaro é sinal do seu domínio pleno sobre a morte física, que diante de Deus é como um sono (cf. Jo 11, 11).

“Crês nisto?” (Jo 11, 25-26), aliás credes vós nisto?

É uma pergunta crucial que Jesus dirige a cada um de nós; uma interrogação que certamente nos supera, ultrapassa a nossa capacidade de compreender e exige que confiemos nele, como Ele confiou no Pai.

A resposta de Marta é exemplar: “Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (Jo 11, 27). Sim, ó Senhor! Também nós acreditamos, não obstante as nossas dúvidas e as nossas obscuridades; cremos em ti, porque Tu tens palavras de vida eterna; desejamos acreditar em ti, que nos infundes uma confiável esperança de vida para além da vida, de vida autêntica e repleta no teu Reino de luz e de paz.

Jesus, antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, ergue os olhos para o alto e rende graças ao Pai (Jo 11,41b-42): a sua oração demonstra a sua (Koinonia) comunhão com o Pai e a sua obediência na realização do plano de Deus Pai.A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra (como era costume, entre os judeus). A pedra é, aqui, símbolo que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, cortando qualquer relação entre um e outro. Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra”: para os crentes, não se trata de duas realidades sem qualquer relação. Jesus, ao oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física. A morte física não afasta o homem da vida.

Porém há outra morte, que custou a Jesus a luta mais dura, inclusive o preço da cruz: é a morte espiritual, o pecado, que ameaça arruinar a existência de cada homem. Para vencer esta morte Jesus morreu, e a sua Ressurreição não é o regresso à vida precedente, mas a abertura de uma realidade nova, uma «nova terra», finalmente reunida com o Céu de Deus. De facto São Paulo escreve: “Se o Espírito de Deus, que ressuscitou Jesus dos mortos, habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo dos mortos dará a vida também aos vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que habita em vós” (Rm 8, 11).

Confiemos, dirijamo-nos queridos irmãos a Maria Santíssima que participa desta Ressurreição, para que nos ajude, com a sua intercessão a revigorar a nossa fé e a nossa esperança em Jesus, especialmente nos momentos de maior provação e dificuldade, posamos dizer: Sim, ó Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo11, 27).

ORAÇÃO FINAL de São Tomás de Aquino: Dá-me, Senhor Deus, um coração vigilante, que nenhum pensamento curioso arraste para longe de Ti; um coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite; um coração recto que nenhuma intenção equívoca desvie; um coração firme, que nenhuma adversidade abale; um coração livre, que nenhuma paixão subjugue.

Concede-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que Te conheça, uma vontade que Te busque, uma sabedoria que Te encontre, uma vida que te agrade, uma perseverança que Te espere com confiança
uma confiança que Te possua, enfim. Amén

 

 

 Frei Jeremias, noviço osm


2 de abril de 2014

Lectio Divina Ressureição de Lázaro V Domingo da Quaresma

Cântico de invocação ao Espírito Santo...
Oração inicial...
Leitura do Evangelho...
1.      A relação de Jesus com Lázaro é de afecto e amizade; mas Jesus não vai imediatamente ao seu encontro; parece, até, atrasar-se deliberadamente (vers. 6). Com a sua passividade, Jesus deixa que a morte física do “amigo” se consuma. Provavelmente, na intenção do nosso catequista, o pormenor significa que Jesus não veio para alterar o ciclo normal da vida física do homem, libertando-o da morte biológica; veio, sim, para dar um novo sentido à morte física e para oferecer ao homem a vida eterna. Depois de dois dias, Jesus resolve dirigir-se à Judeia ao encontro do “amigo”.
2.      Por outro lado, notemos a forma como é descrita a relação entre Jesus e esta família de irmãos. Trata-se de uma família amiga de Jesus, que Jesus conhece e que conhece Jesus, que ama Jesus e que é amada por Jesus, que dão hospitalidade a Jesus em sua casa.
3.      Um facto abala a vida desta família: um irmão (Lázaro) está gravemente doente. As “irmãs” mostram o seu interesse, preocupação e solidariedade para com o “irmão” doente e informam Jesus.
4.      Betânia, segundo a própria narração (v. 18), ficava a menos de 3 km de distância de Jerusalém. Essa propriedade pertencente à família de Lázaro havia sido utilizada por Jesus com frequência, quase todas as vezes que devia ir a Jerusalém, não só por sua proximidade, mas até mesmo pelo conforto. Essa é também a razão de ali se encontrarem muitos judeus (v. 19).
5.      Ao chegar a Betânia, Jesus encontrou o “amigo” sepultado há já quatro dias. De acordo com a mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia. Quando Jesus chega, Lázaro está, pois, verdadeiramente morto. Jesus não elimina a morte física; mas, para quem é “amigo” de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva.
6.      Por esta altura, entram em cena as “irmãs” de Lázaro. Marta é a primeira. Vem ao encontro de Jesus e insinua a sua reprovação: Jesus podia ter evitado a morte do amigo, se tivesse estado presente, pois onde Ele está reina a vida. No entanto, mesmo agora, Jesus poderá interceder junto de Deus, Deus atendê-lo-á e devolverá a vida física a Lázaro.
7.      Jesus inicia a sua catequese dizendo-lhe: “teu irmão ressuscitará” (v 23). Marta pensa que as palavras de Jesus são uma consolação banal e que Ele se refere à crença farisaica, segundo a qual os mortos haveriam de reviver, no final dos tempos. Isso ela já sabe; “eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia” (v 24), mas não chega: esse último dia ainda está tão longe. Jesus, no entanto, não fala da ressurreição no final dos tempos. Ele fala da sua identidade: “eu sou a Ressurreição e a Vida, quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viver” (v25-26). Para quem tem fé, a morte física é apenas a passagem desta vida para a vida eterna. Jesus não evita a morte física; mas Ele oferece ao homem essa vida que se prolonga para sempre. Para que essa vida eterna possa chegar ao homem é necessário, no entanto, que o homem tenha fé em Jesus.
8.      Confrontada com esta catequese: “acreditas nisto?” (26), Marta manifesta a sua adesão ao que Jesus diz e professa a sua fé no Senhor que dá a vida: “acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (v 27). Marta acredita em Deus; acredita que Jesus é um profeta, através de quem Deus actua no mundo; mas ainda não tem consciência de que Jesus é a vida do Pai e que Ele próprio dá a vida.
9.      Maria, a outra irmã, tinha ficado em casa. Está imobilizada, paralisada pela dor sem esperança. Marta – que falara com Jesus e encontrara n’Ele a resposta para a situação que a fazia sofrer – convida a irmã a sair da sua dor e a ir,  “o mestre está cá e chama-te” (v28b), por sua vez, ao encontro de Jesus. Maria vai rapidamente, sem dar explicações a ninguém: ela tem consciência de que só em Jesus encontrará uma solução para o sofrimento que lhe enche o coração. Também nas palavras de Maria há uma reprovação a Jesus pelo facto de Ele não ter estado presente, impedindo a morte física de Lázaro. “Senhor se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!” (v 32b). Jesus não pronuncia qualquer palavra de consolo. Ele é a “ressurreição e a vida”.
10.  A cena da ressurreição de Lázaro começa com o verso (“Jesus chorou” v 35). Jesus mostra, dessa forma, o seu afecto por Lázaro “vedê como o amava” (v36) a sua saudade do amigo ausente. Ele – como nós – sente a dor, diante da morte física de um ente querido; mas a sua dor não é desespero. Alguns judeus, que outrora tinham testemunhado o poder de Jesus interrogam-se entre si: “Não podia Ele que abriu os olhos ao cego, fazer também que ele não morresse?” (v 37).
11.  Jesus chega junto do sepulcro de Lázaro. A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra (como era costume, entre os judeus para simbolizar a plenitude da morte), que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra” (v 39): para saciar as questões dos judeus presentes. Jesus, ao oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física.
12.  A acção de dar vida a Lázaro representa a concretização da missão que o Pai confiou a Jesus: dar vida plena ao homem. É por isso que Jesus, antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, ergue os olhos ao céu e recita a oração de acção de graças ao Pai (vv. 41b-42): a sua oração demonstra a sua comunhão com o Pai e a sua obediência na concretização do plano do Pai.
13.  “Lázaro sai fora” (v 43b). Aqui Jesus mostra Lázaro vivo na morte, provando à comunidade dos crentes que a morte física não interrompe a vida plena do discípulo que ama Jesus e O segue. Mais uma vez os crentes vêm a “Glória” de Deus. Os que não têm fé como os judeus que estavam presentes, acham um escândalo.
Amigos de Jesus são aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos.
Silêncio e cântico: “Com minha mãe estarei”
·         Com minha mãe estarei na santa glória um dia / Ao lado de Maria no céu triunfarei
No céu, no céu com minha mãe estarei / No céu, no céu / com minha mãe estarei
·         Com minha mãe estarei aos anjos se ajuntando / Do onipotente ao mando hosanas lhe darei
·         Com minha mãe estarei e então coroa digna de mão tão benigna feliz receberei
·         Com minha mãe estarei e sempre neste exílio de seu piedoso auxílio com fé me valerei

Oração espontânea – depois o “Pai-Nosso” para finalizar.
frei Dionisio Chaxiua, noviço osm