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19 de junho de 2013

Mãe e modelo das comunidades femininas dos Servos de Maria





Juliana nasceu em Florença no século XIII, quando ain­da viviam alguns dos frades que haviam iniciado a nossa Ordem. Dizse até que pertencia à família dos Falconieri.

As poucas notícias históricas a seu respeito chegaram até nós principalmente através de dois opúsculos, escritos por frei Paulo Attavanti na segunda metade do século XV: o "Diálogo sobre a origem da Ordem dos Servos de Maria", e uma coletânea incompleta de pregações quaresmais, inti­tulada "Paulina praedicabilis". O autor, entre outras coi­sas, registra a tradição corrente sobre a figura desta santa de Florença. Eis, em síntese, os dados de que dispomos.

Aos quinze anos, ao ouvir uma pregação de Santo Aleixo sobre o juízo final, Juliana ficou de tal maneira to­cada por suas palavras que decidiu entregarse totalmente à contemplação divina e ao seguimento de Cristo. Fre­quentando a igreja dos Servos de Maria, cuja Ordem esta­va então iniciando, sentiase edificada, em modo particu­lar, pela autenticidade evangélica da vida dos frades. Por isso, tanto suplicou à Rainha do céu e a seus pais, que lhe foi concedido vestir o hábito dos Servos de Maria. Com outras jovens e mulheres de vida santa, que nutriam o mes­mo propósito de conversão e de caridade, frequentava a igreja dos Servos de Maria de Cafaggio, às portas da cida­de. Participavam da liturgia, cantavam os louvores da Vir­gem Maria e serviam os irmãos, principalmente os mais pobres. Juliana era a orientadora de suas companheiras e, juntas, aspiravam viver mais radicalmente o exemplo de Cristo, sob a proteção da Virgem Maria. É por isso que como diz frei Paulo Attavanti "... é tida como a ilustre fundadora das irmãs e das monjas da Ordem dos Servos de Maria".

Verdadeira discípula de Jesus e de sua Mãe, repelia de­cididamente o egoísmo, o espírito mundano e as tentações do demónio. Embora de jovem idade, superava os adultos em virtude. Sua santidade manifestouse em muitos prodí­gios operados em vida e, sobretudo, na hora da morte, quando, extenuada pelos jejuns, cilícios, vigílias de oração e outras penitencias corporais, não podia ingerir qualquer tipo de alimento. Ela, porém, ardentemente desejava rece­ber o Corpo de Cristo; por isso, pediu com insistência que a Hóstia consagrada lhe fosse colocada sobre o peito. Na Idade Média essa prática de piedade era muito comum, para conforto dos enfermos que desejavam receber a co­munhão, mas não podiam fazêlo pela gravidade de doença. O sacerdote acompanhava o rito com uma oração: pedia a Deus, que havia infundido a alma no corpo, que santificasse a alma do doente, mediante o Corpo do seu Filho. Isso feito, Juliana expirou, cheia de alegria por ter sido atendida. Diz a tradição que a santa Hóstia desapare­ceu como se houvera penetrado misteriosamente em seu peito.

Seu corpo repousa na basílica da Santíssima Anunciada, em Florença. Foi canonizada por Clemente XII em 1737.

Ao longo dos séculos até os dias de hoje, muitas mulhe­res têm abraçado o estilo de vida dos Servos de Maria, de­sejosas de seguir a Cristo e de servir a Virgem Mãe. Algu­mas viveram ou vivem em suas casas e outras em comuni­dades. Todas, depois de Nossa Senhora, têm Santa Juliana como mestra de vida espiritual e de serviço apostólico. E ela, que não fundou nenhuma família religiosa, é invocada e venerada por todas como "mãe".