29 de novembro de 2009

Carta de Natal do prior geral da Ordem dos Servos de Maria


 


 

Ave Maria 


 


 

Ó Sabedoria, que saindo da boca do Altíssimo

atinges o universo de uma extremidade a outra,

e dispõe forte e suavemente todas as coisas:

vinde ensinar-nos o caminho da prudência

(17 de dezembro, Vésperas, antífona ao Magnificat). 


 


 

Aos irmãos da nossa Ordem 


 

Queridos irmãos,


 

por ocasião do Natal e do início do Ano Novo, gostaria de apresentar-lhes os meus votos e, no âmbito do ano sacerdotal (19 de junho 2009-2010) proclamado pelo Papa Bento XVI, refletir com vocês sobre a dimensão pastoral da nossa vida e da vocação cristã. 


 

Deus se faz próximo

Na liturgia da noite de Natal o evangelista Lucas nos relata que, ao nascer Jesus, havia naquela região pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho. Um anjo do Senhor lhes apareceu, e a glória do Senhor os envolveu de luz (Lc 2, 8-9).

Os primeiros a tomar conhecimento do nascimento do Cristo-Messias são pastores, homens desprezados, considerados ignorantes e "não praticantes", inclusive porque, devido à sua ocupação, não participavam às catequeses nas sinagogas, não respeitavam o "repouso ritual" do sábado e não cumpriam peregrinações ao templo de Jerusalém. Àqueles pastores se apresentou o anjo e a glória do Senhor os envolveu de luz; sim, a glória, aquela presença de Deus reservada ao templo de Jerusalém, envolveu os pobres e desprezados pastores. Deus se faz próximo aos afastados e aos últimos.

Àqueles que pensam que Deus habita somente no templo e ali somente se possa encontrá-lo, é dada uma mensagem importante. Deus, pastor supremo, não quer perder nenhuma de suas ovelhas, mas quer fazer-se vizinho a todas, particularmente àquelas afastadas, e por isso sai de sua 'morada', o templo, e "vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la"
(Lc 15, 4). É exatamente este mistério da proximidade de Deus que se celebra no Natal; Jesus mesmo, o Messias, o comunicará com palavras e fatos, por isso será criticado pelos fariseus e escribas: se aproximará dos últimos, dos publicanos e dos pecadores (cf. Lc 7, 34). Deles
cuidará, e estes, visitados e envolvidos (cf. Lc 2, 8) pela luz verdadeira, que vindo ao mundo a todos ilumina
(Jo 1, 9), verão com mais claridade e saberão orientar o seu caminho em direção a Deus, em direção ao seu Reino. Na noite do mundo, Deus ilumina os pastores, a nós e a nossa ação pastoral: convida-nos a prestar atenção aos últimos, a nos aproximarmos deles, saindo do templo, da própria morada, em busca da ovelha afastada, perdida, … Tudo aquilo que fizestes a um destes pequeninos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes
(Mt 25, 40), dirá o Filho do homem. 


 

Uma grande alegria

Na noite de Natal o anjo disse aos pastores: "Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor! E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura"(Lc 2, 10-12).

Sim, uma grande alegria foi anunciada aos pastores, uma boa-nova para todo o povo: o nascimento do Salvador Cristo Senhor, cuja vida será um ensinamento novo, será "Evangelho", boa notícia. Nasceu o Salvador não no templo de Jerusalém, mas na cidade de Davi, isto é, em Belém (cf. Mq 5, 1-4), na qual nasceu e cresceu o jovem pastor escolhido por Deus e ungido pelo profeta Samuel (cf. 1 Sm 16, 1-13). Observem o singelo sinal: um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura
(Lc 2, 12); isso acena já à sepultura, na qual o corpo de Jesus será envolto em um lençol e colocado num túmulo escavado na rocha (Lc 23, 53). Ninguém podia suspeitar que da manjedoura se levantasse o bom pastor que daria a vida pelas suas ovelhas (cf. Jo 10, 11), e que, depois de três dias, do sepulcro ressuscitaria, primogênito entre os ressuscitados, para a alegria da humanidade inteira. A nossa ação pastoral é motivada pelo desejo de levar a todos a "alegre notícia", a grande alegria de saber que Deus, por meio do seu Filho, faz-se um de nós e doa-se para que vivamos; a alegria de crer nele, o Emanuel e o nosso Salvador, vencedor do mal e da morte.  


 

Paz na terra

Na noite de Natal aos pastores juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste cantando a Deus: "Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado!" (Lc 2, 13-14).

Pelas vozes celestes, Deus é louvado pelo grande evento: o Salvador recém-nascido agirá para a glória de Deus e será glorificado pelo Pai (cf. Jo 17, 1; 12, 28); ensinará aos seus discípulos a serem misericordiosos (cf. Lc 6, 35-37) e a dar a saudação de paz em qualquer casa que entrarem (cf. Lc 10, 5-6); Príncipe da Paz
(Is 9, 5), entrará em Jerusalém montado num jumentinho (cf. Lc 19, 35), sinal de humildade e de serviço, e doará aos seus a paz (cf. Jo 14, 27). Ao canto celeste dos anjos no nascimento de Jesus ecoará o grito festivo da multidão dos discípulos na entrada de Jesus em Jerusalém: Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor. Paz no céu e glória nas alturas!
(Lc 19, 38).

No serviço pastoral somos chamados a agir para a glória de Deus; visibilizar a paz querida por Deus sobre a terra; para sermos ministros da reconciliação, seguindo o exemplo de são Felipe Benício, fiel discípulo de Cristo; sermos promotores de concórdia e de paz, como os Sete primeiros Pais; sermos atentos em promover a justiça no meio dos homens (cf. Const. 77); e ansiosos em promover a fraternidade entre os homens de hoje divididos pela idade, nação, raça, religião, riqueza e educação
(Const. 74)


 

Vemos e referimos!

Na noite de Natal os pastores disseram uns aos outros: Vamos a Belém, para ver o que aconteceu, segundo o que o Senhor nos comunicou. Foram, pois, às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Quando o viram, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino.  Todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam. Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração (Lc 2, 15-19).

Os pastores foram às pressas, como mais tarde foram solícitos à missão os discípulos de Jesus admoestados a não saudar ninguém pelo caminho (cf. Lc 10, 4) para não tardar no anúncio do Reino. Os pastores encontraram Maria e José e o "sinal" indicado pelo anjo: o recém-nascido deitado na manjedoura, pobre entre os pobres, nascido fora de casa, fora da cidade, rejeitado desde o seu nascimento pelos seus conterrâneos (cf. Lc 2, 7; Jo 1, 11). No Filho do homem que não tinha onde reclinar a cabeça
(Lc 9, 58), privado de tudo e ainda sem palavra, os pastores reconheceram o Salvador prometido, a Palavra, o Verbo, através do qual Deus fala aos homens de cada tempo, e contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino (Lc 2, 17). Todos ficavam admirados com aquilo que contavam (Lc 2, 18). Sim, Deus se fez igual a nós, para fazer-nos iguais a Ele!

Maria, ressalta o evangelista Lucas, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração (Lc 2, 19). Maria foi a primeira a crer na inaudita novidade da proximidade do Deus Emanuel: acreditou em Nazaré quando ninguém ao seu redor acreditava; em Belém, onde nasceu Jesus, filho de Davi
(Mt 1, 1; Lc 18, 38-39), quando não havia lugar para eles na hospedaria
(Lc 2, 7); e ainda em Jerusalém acreditou no Filho, e o seguiu até à cruz (cf. Jo 19, 25-27) e esteve com os seus discípulos (cf. At 1, 14). Maria, mãe do Salvador, crente, é figura da Igreja, capaz de guardar a verdadeira novidade do Natal, a proximidade de Deus a cada homem.

No nosso serviço pastoral, na Igreja e no mundo, somos chamados a meditar com Maria sobre o mistério do Emanuel, Deus conosco, vindo para ensinar-nos um caminho incomparavelmente superior (1 Cor 12, 31), aquele da caridade, acolhida, simplicidade e do dom de si mesmo por amor. Como os pastores de Belém, somos chamados a guardar e a referir aquilo que de Jesus nos foi dito… e que vimos.

 
 

Queridos irmãos, desejo-lhes neste Natal que possam permitir que Deus se aproxime de vocês; que possam acolher com alegria o Dom dos dons, Jesus, o Salvador, que é o Cristo Senhor, e deixarem-se transformar pela sua presença. 


 

Feliz e Natal e próspero ano novo! 


 


 


 


 

    frei Ángel M. Ruiz Garnica, o.s.m.

    Prior geral


 


 


 


 


 

Ruteng, 29 de novembro de 2009,

Primeiro Domingo do Advento.


 


 


 

Prot. 692/2009 

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