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26 de agosto de 2009

Missão dos noviços servitas em Sena Madureira


A fim de concretizar um pouco mais carisma do serviço e presença junto ao povo, de viver na prática as teorias que o noviciado oferece, os noviços de Rio Branco (AC), fizeram alguns dias de missão junto ao povo ribeirinho do Rio Purus, no imenso território da paróquia de Sena Madureira. A proposta era partilhar com eles um pouco da formação básica para missionários elaborada pela Diocese de Rio Branco, incluindo os seguintes temas: Evangelho de Marcos, Igreja, Santos, Imagens, Devoção à Nossa Senhora, Compromissos do Batismo, etc. Ao final, retornaram enriquecidos pela valiosa simplicidade daquelas comunidades acolhedoras.

No dia 15 de julho partiram de Rio Branco para Sena Madureira. Ao chegarem, foram hospedados no Centro de Treinamento da respectiva paróquia. A quinta-feira, dia 16, foi o momento de prepararem os cartazes, os mapas; organizar as equipes; arrumar tudo o que levariam nos dias seguintes para a pequena estadia à beira do Rio Purus. Ao amanhecer do dia 17, após uma oração de envio, partiram de Sena Madureira. A embarcação era uma canoa aberta motorizada, pois o batelão havia ficado do outro lado da balsa, e não havia possibilidades de buscá-lo. A viagem foi boa, com toda a bela vista que a floresta amazônica oferece, mas o sol não teve piedade. Chegaram à primeira comunidade, na Praia dos Paus, por volta das 13h no horário de Rio Branco – 12h no horário local. Ali desembarcaram os freis Davi, Moisés, Victor (noviços) e Vilson (da OSSM de Turvo). Os demais, isto é, freis Ezequiel, Josemir e Pedro seguiram em viagem até às 16h, quando chegaram à comunidade São Miguel.

1. Comunidade São Lucas
A primeira turma (Davi, Moisés, Victor e Vilson) ficou na Praia dos Paus, onde se encontra uma igreja em construção dedicada a São Lucas. Eles foram hospedados junto à simpática família do coordenador da comunidade, que aproveitou desta primeira tarde para mostrar-lhes a localidade. Na tardezinha, quando o sol começava a declinar, reuniu-se a comunidade na pequena igreja para uma dinâmica de apresentação, músicas e oração, além de decidir os horários dos dias seguintes. No sábado, levantaram cedo, e já encontraram o pessoal da comunidade trabalhando, voltando do rio carregando seus peixes, preparando o café, e tudo o mais. Na parte da manhã e à tarde se encontravam com a comunidade para formação. Terminavam o dia com uma oração na capela. No domingo, a parte da manhã foi semelhante. À tarde, por volta das 15h fizeram a celebração da Palavra para encerrar o encontro. Aproveitaram o restante da tarde para visitar todas as casas da comunidade acompanhados por uma moradora e algumas crianças. Aliás, o número de crianças superava o número de adultos na comunidade.

A comunidade visitada deixou nos missionários a impressão de um povo simples, mas muito acolhedor, fraterno e devoto. A alegria que aqueles ribeirinhos compartilharam com os visitantes deixou nestes a disposição para retornarem mais vezes no futuro.



2. Comunidade São Miguel
Nesta comunidade estavam frei Pedro Lucietti e os noviços Ezequiel e Josemir. Foram bem acolhidos pela comunidade, que já os esperava, e alegremente foram se reunindo ao chegar a noite. Naquele dia, 17 de Julho, rezaram o Terço na capela da comunidade e combinaram as atividades do dia seguinte. Encontraram um povo paciente, com uma mentalidade mais tranqüila, sem se preocupar com a correria do dia-a-dia da cidade, mas comprometido com sua fé e preocupado em esclarecer e aprofundar seus conhecimentos.

Foi assim que iniciaram a partilha de alguns tópicos da formação básica da Diocese de Rio Branco, que se estendeu de Sexta até Domingo pela manhã, sendo o Domingo de tarde reservado a um belo passeio de cavalo. Um outro aspecto que muito chamou atenção foi a vivência comunitária e a partilha entre aquelas pessoas que se consideravam como uma só família, preocupando-se uns com os outros. No Domingo à noite, reuniu-se o pessoal da comunidade para ir à uma outra nas proximidades para fazer em comum a celebração.

3. Conclusão

Na segunda-feira pela manhã, os dois grupos se reuniram e retornaram à Sena Madureira alegres e enriquecidos pela nova experiência. Foram apenas três dias de missão, mas o suficiente para alimentar nos noviços o desejo de repetir e ampliar esta experiência no futuro, uma experiência pastoral feita em comunidade, aos moldes dos Sete Primeiros Pais. Uma experiência que os fez conhecer um pouco a face Missionária da Igreja.





Frei Davi M. Dagostim Minatto
Frei Ezequiel M. Zanelatto Minatto
Frei Josemir Alcioni Cardoso
Frei Moisés de Oliveira Coelho
Frei Victor Jaime

Espiritualidade

Muitos agentes de pastoral nas avaliações de grupos e nos encontros com o pároco comentam, alguns com legítima inquietude, a falta de espiritualidade! Será que está faltando espiritualidade nas pastorais, movimentos, serviços e grupos de nossa paróquia?

É verdade que todos estamos empenhados em reuniões, encontros e assembléia, nas visitas aos doentes e aos mais pobres... É também verdade que às vezes temos dificuldades no relacionamento interpessoal, problemas de empatia e de aceitação em relação àqueles que trabalham conosco... Mas é por isso que estamos nos sentindo vazios e desmotivados? É por isso que nos sentimos desanimados e queremos largar tudo? Se a nossa resposta é afirmativa, talvez esteja faltando espiritualidade! É essa deve ser uma prioridade na vida paroquial.

Vamos entender o que significa espiritualidade. Temos a percepção que, antes de tudo, a espiritualidade tem a ver com o nosso entusiasmo e com a nossa motivação. É o cerne da nossa vida, aquilo que permanece quando tudo termina. É uma resposta pessoal à presença de Deus, uma experiência interior, por meio de um encontro pessoal e profundo, que transforma a nossa vida.

Espiritualidade vem de espírito. No Antigo Testamento, o termo que traduz espírito é ruah, que significa hálito. A respiração é concebida como um princípio ou como um sinal de vida. No Gênesis, o espírito da vida é o hálito de Deus, o sopro que é comunicado ao homem por insuflação divina (Gn 2,7). É assim que Deus realiza seus desígnios de salvação, suscitando a vida, a lei e a profecia, profundamente permeadas pelo seu Espírito. No Novo Testamento, o termo que traduz espírito é pneuma: é o movimento do ar, principalmente sopro ou vento. A novidade é que o espírito é apresentado como força de Deus, presente na pessoa de Jesus e posteriormente nos apóstolos e na comunidade cristã, na Igreja. O Espírito é comunicado a Jesus no batismo, confirmando-o na sua missão, e no dia de Pentecostes, aos apóstolos, enviados para evangelizar o mundo. No Evangelho de João aparece como o Paráclito, o espírito de verdade que o mundo não conhece, mas que irá revelar a verdade plena, que é Jesus.

Assim compreendemos que espiritualidade é a vida segundo o Espírito, que se contrapõe à vida segundo à carne. Isso exige que todos nós tenhamos uma adesão constante a Cristo e uma opção fundamental pelos valores do Reino.

Podemos viver segundo a carne e seus imperativos: conformando nossa mentalidade e organizando a vida segundo as diretrizes do mundo presente, que é débil, caduco e mortal; considerando a vida no mundo como a única realidade e obedecendo aos mecanismos e aos mecanismos da cultura de morte. Fechando-nos sobre nós mesmos, desfrutando egoisticamente dos bens terrenos e atendendo indistintamente às exigências das paixões humanas. Não vislumbrando nada para além do nascimento e da morte. Tudo se resume em construir este mundo, assegurá-lo o mais possível preservado da morte, embora jamais o consigamos. Para quem vive assim a ganância de acumular é inteligência, a furto é esperteza, a trapaça é habilidade, a corrupção é astúcia nos negócios e na política, exploração do outro é sabedoria de um trabalho lucrativo, e assim por diante. Mas as conseqüências da vida segundo a carne são tremendas: impureza, ódios, discórdias, ciúmes, invejas, divisões. (Cf. Gl 5, 19-21). Isso destrói a nossa comunhão, divide-nos e gera muito mal estar entre nós, porque nos afaste de Deus e não nos permite viver com a autenticidade.

Viver segundo o espírito é a opção fundamental para a plena existência humana, que encontra em Deus a sua plenitude. Isso não quer dizer que quem vive segundo o espírito não esteja livre do peso do dia-a-dia, das tribulações, da dor, da cruz e da angústia. Mas quem vive segundo o Espírito assume sem murmurações e lamúrias a condição humana, com todas as suas vicissitudes, alegria e tristeza, saúde e doença... Sabe acolher com humildade a mortalidade e a pequenez. Para tal pessoa, o mundo não fornece o sentido último daquilo que busca o coração humano, das coisas que trazem felicidade e realização plena. Somente Deus é o descanso do coração inquieto, diz Agostinho. A pessoa espiritual vê este mundo com os olhos da eternidade, com os olhos de Deus. O envelhecer e o morrer pertencem à vida, não matam a vida, mas a transfiguram. Por isso, viver segundo o espírito é viver a relação filial com Deus, na obediência à sua vontade, provocando certo esquecimento de si, generosidade, desapego das coisas, relatividade dos acontecimentos. É viver a fraternidade com todos os irmãos, sem exclusão. É aceitar o Senhor da vida e da história.

A vida segundo o espírito não consiste em recalcar ou negar a própria realidade da criação. Ao invés exige um acolhimento e aceitação humilde do mundo criado. Então não se trata de mortificar a carne e renegar o mundo, mas de vivificá-los. Alguém que dá comida a um faminto movido por Deus, faz um ato espiritual. Nessa situação a conseqüência é sempre o triunfo da vida, pois é o Espírito que gera a vida e a paz (Jo 6,33; Rm 8,6).

Portanto, espiritualidade é viver segundo o Espírito do Senhor, tentando fazer novas todas as coisas, acolhendo e cultivando de modo ativo na prática cotidiana a presença de Deus em nossa vida. Presença que envolve todo nosso ser: corpo, sexualidade, afetividade, inteligência, vontade, liberdade, relação com os outros, com as coisas, com o mundo. É condição para uma vida integrada e integradora, que está sempre motivada por ser centrada em Deus e no amor ao próximo.

24 de agosto de 2009

Lançado o livro sobre a Catedral de frei André Ficarelli

Lançado o livro "50 anos da Catedral Nossa Senhora de Nazaré - Você faz parte dessa história!" de Frei André Ficarelli, osm. Dia 14 de agosto de 2009. Auditório frei André. Clique na foto com link para o álbum!


lancamento livro 14 agosto 2009

20 de agosto de 2009

FÓRMULAS DE DOUTRINA CATÓLICA

Os dois mandamentos de caridade

1. Amarás o Senhor teu Deus,
com todo o teu coração,
com toda a tua alma
e com toda a tua mente.

2. Amarás ao próximo como a ti mesmo.

A regra de ouro (Mt 7, 12)

Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também.

As Bem-aventuranças (Mt 5, 3-12)

Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sereis quando vos insultarem,
vos perseguirem e, mentindo,
disserem toda a espécie de calúnias contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque será grande a vossa recompensa nos céus.

As três virtudes teologais:

1. Fé
2. Esperança
3. Caridade.

As quatro virtudes cardeais:

1. Prudência
2. Justiça
3. Fortaleza
4. Temperança.

Os sete dons do Espírito Santo:

1. Sabedoria
2. Entendimento
3. Conselho
4. Fortaleza
5. Ciência
6. Piedade
7. Temor de Deus.

Os doze frutos do Espírito Santo:

1. Amor
2. Alegria
3. Paz
4. Paciência
5. Longanimidade
6. Benignidade
7. Bondade
8. Mansidão
9. Fé
10. Modéstia
11. Continência
12. Castidade.

Os cinco preceitos da Igreja:

1. Participar na Missa, aos domingos e festas de guarda e abster-se de trabalhos e actividades que impeçam a santificação desses dias.
2. Confessar os pecados ao menos uma vez cada ano.
3. Comungar o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa.
4. Guardar a abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja.
5. Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as possibilidades.

As sete obras de misericórdia corporais:

1. Dar de comer a quem tem fome
2. Dar de beber a quem tem sede
3. Vestir os nus
4. Dar pousada aos peregrinos
5. Visitar os enfermos
6. Visitar os presos
7. Enterrar os mortos.

As sete obras de misericórdia espirituais:

1. Dar bons conselhos
2. Ensinar os ignorantes
3. Corrigir os que erram
4. Consolar os tristes
5. Perdoar as injúrias
6. Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo
7. Rezar a Deus por vivos e defuntos.

Os sete pecados capitais:

1. Soberba
2. Avareza
3. Luxúria
4. Ira
5. Gula
6. Inveja
7. Preguiça.

Os quatro novíssimos:

1. Morte
2. Juízo
3. Inferno
4. Paraíso.

O Apóstolo Paulo, catequeses Paulinas

A Livraria Editora Vaticana editou o livro, intitulado L’Apostolo Paolo, catechesi paoline (O Apóstolo Paulo, catequeses Paulinas).

O livro apresenta a figura de São Paulo em seu contexto histórico, religioso e cultural.

O Papa desenvolve uma análise de diferentes momentos de sua vida assim como de diferentes temas filosóficos de seu pensamento.

O Papa dedica dois capítulos ao tema da justificação: das obras à fé e da fé às obras.

17 de agosto de 2009

O Amor – A doutrina da Igreja!


Compreendi que a Igreja tinha um corpo, composto de diferentes membros, não lhe faltava o membro mais nobre e mais necessário (o coração). Compreendia que a Igreja tinha um coração, e que este coração ARDIA DE AMOR. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja agirem, que, se o Amor viesse a se apagar, os Apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar seu sangue... Compreendi que o Amor encerrava todas as vocações, QUE O AMOR ERA TUDO, que ele abraçava todos os tempos e todos os lugares... Em uma palavra, que ele é eterno!"

(Santa Teresinha do Menino Jesus)



Com essas palavras, Santa Teresinha encontra uma explicação simples para a tão perfeita doutrina da Igreja Católica.
Em João 4, lemos que Deus é Amor. Portanto, nada mais certo do que a doutrina da Igreja fundada pelo próprio Filho de Deus ser exatamente o Amor.
Às vezes reflito na perfeição de Deus. Nós, seres humanos, passamos toda a nossa vida procurando continuamente por uma mesma coisa: o Amor perfeito. Essa é a prova do quanto somos atraídos por Deus. Inconscientemente, passamos a nossa vida na busca de Deus! E, como se já não se bastasse, o próprio Deus nos dá a Igreja como uma lanterna, que Ele mesmo usa para iluminar, dar sentido, fazer-nos entender nossa realidade longe das trevas.
A Igreja é guiada pelo Amor e para o Amor. Não fazemos nada, não renunciamos, não nos entregamos, não somos felizes senão no Amor! Toda existência da Igreja ao longo de tanto tempo é baseada no Amor. Tudo, absolutamente TUDO nela gira em torno do Amor. No parágrafo 25 do Catecismo da Igreja Católica, lemos: “Toda finalidade da doutrina e do ensinamento deve ser posta no AMOR QUE NÃO SE ACABA.” E este amor é Deus.
Portanto, busquemos a doutrina da Igreja! Ela é presente de Deus para nós. Concluo com outra frase de Santa Teresinha, proveniente da mesma reflexão do início:



“Enfim encontrei a minha vocação na Igreja: a minha vocação é o amor!”



Busquemos nossa vocação de Amor, busquemos a nossa felicidade em Deus!

15 de agosto de 2009

Família

No contexto da Semana da Família no Brasil, o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, fez um convite a que as famílias humanas busquem ser como a família trinitária.

“Sendo a família humana uma instituição de origem divina, com semelhança da família trinitária, ela somente readquirirá a dignidade perdida quando voltar a ser o reflexo da família trinitária, na qual Deus não só é Pai, mas paternidade, Jesus Cristo não é apenas filho, mas filiação e o Espírito Santo, não é somente união, mas unidade”, afirma o arcebispo, em seu artigo semanal.

14 de agosto de 2009

São Maximiliano Kolbe


São Maximiliano Kolbe, nome de batismo é Raimundo Kolbe, O.F.M. Conv. (Zduńska Wola (Polónia), 8 de Janeiro de 1894 - Auschwitz, 14 de Agosto de 1941), foi um frade franciscano da Polónia que se voluntariou para morrer de fome em lugar de um pai de família no campo de concentração nazi de Auschwitz, como castigo pela fuga de um prisioneiro.

Franciscano desde 1907, fundou em 16 de Outubro de 1917 a Milícia da Imaculada, associação destinada ao apostolado católico e mariano. Instalou uma tipografia católica e editou a revista mariana "Cavaleiro da Imaculada" que alcançou a tiragem de um milhão de exemplares. Chegou a instalar uma emissora de rádio e a estender suas atividades apostólicas até o Japão: entre 1930 e 1936 foi missionário em Nagasaki.

Durante a Segunda Guerra Mundial deu abrigo a muitos refugiados, incluindo cerca de 2000 judeus. Em 17 de Fevereiro de 1941 é preso pela Gestapo, já que os nazistas temiam a sua influência na Polónia. É transferido para Auschwitz em 25 de Maio como prisioneiro #16670.

Em Julho de 1941, um homem do bunker de Kolbe foge e como represália, os nazis enviam para uma cela isolada 10 outros prisioneiros para morrer de fome e sede (o prisioneiro fugitivo é mais tarde encontrado morto, afogado numa latrina). Um dos dez lamenta-se pela família que deixa, dizendo que tinha mulher e filhos, e Kolbe pede para tomar o seu lugar. O pedido é aceite. Na realidade, o Padre Kolbe aceitava o martírio para praticar heroicamente seu múnus sacerdotal, dando assistência religiosa e ajudando a morrer virtuosamente aqueles pobres condenados. Duas semanas depois, só quatro dos dez homens sobrevivem, incluindo Kolbe. Os nazis decidem então executá-los com uma injecção de ácido carbólico.

Foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 10 de Outubro de 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, o homem cujo lugar tomou e que sobreviveu aos horrores de Auschwitz.

Sua festa é comemorada em 14 de Agosto.
Seu ideal era: "CONQUISTAR O MUNDO INTEIRO A CRISTO ATRAVÉS DA MEDIAÇÃO DE MARIA IMACULADA".

10 de agosto de 2009

Oração pela família

Senhor Jesus Cristo,
vivendo em família com Maria, tua Mãe,
e com São José, teu pai adotivo,
santificaste a família humana.
Vive também conosco, em nosso lar,
e assim formaremos uma pequena Igreja,
pela vida de fé e oração,
amor ao Pai e aos irmãos,
união no trabalho,
respeito pela santidade do matrimônio
e esperança viva na vida eterna.

tua vida divina,
alimentada nos sacramentos,
especialmente na Eucaristia
e na tua palavra,
nos anime a fazer o bem a todos,
de modo particular
aos pobres e necessitados.
Em profunda comunhão de vida
nos amemos na verdade,
perodoando-nos quando necessário,
por um amor generoso,
sincero e constante.

Atesta dos nossos lares,
Senhor Jesus,
o pecado da infidelidade,
do divórcio,
do aborto,
do egoísmo,
da desunião
e toda influência do mal
e do demônio.

Desperta em nossas famílias
vocações para o serviço
e ministério dos irmãos,
em especial,
vocações sacerdotais e religiosas.
Que os nossos jovens,
conscientes e responsáveis,
se preparem dignamente
para o santo matrimônio.
Senhor Jesus Cristo, dá, enfim,
às nossas famílias,
coragem nas lutas,
conformidade nos sofrimentos,
alegria na caminhada
para a casa do Pai.
Amém!

Que nesta Semana da Família possamos interceder ao Pai por esta célula do amor, onde a Igreja tem seu início e a fraternidade, sob a inspiração da Santíssima Trindade, vive sua plenitude.
Paz irmãos! Que Maria Santíssima, exemplo de mãe e membro da Família Sagrada, interceda por nossas famílias.

Ano Sacerdotal

CARTA DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI
PARA A PROCLAMAÇÃO DE UM ANO SACERDOTAL
POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DO DIES NATALIS DO SANTO CURA D’ARS


Amados irmãos no sacerdócio,

Na próxima solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, sexta-feira 19 de Junho de 2009 – dia dedicado tradicionalmente à oração pela santificação do clero – tenho em mente proclamar oficialmente um «Ano Sacerdotal» por ocasião do 150.º aniversário do «dies natalis» de João Maria Vianney, o Santo Patrono de todos os párocos do mundo.[1] Tal ano, que pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo, terminará na mesma solenidade de 2010. «O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus»: costumava dizer o Santo Cura d’Ars.[2] Esta tocante afirmação permite-nos, antes de mais nada, evocar com ternura e gratidão o dom imenso que são os sacerdotes não só para a Igreja mas também para a própria humanidade. Penso em todos os presbíteros que propõem, humilde e quotidianamente, aos fiéis cristãos e ao mundo inteiro as palavras e os gestos de Cristo, procurando aderir a Ele com os pensamentos, a vontade, os sentimentos e o estilo de toda a sua existência. Como não sublinhar as suas fadigas apostólicas, o seu serviço incansável e escondido, a sua caridade tendencialmente universal? E que dizer da fidelidade corajosa de tantos sacerdotes que, não obstante dificuldades e incompreensões, continuam fiéis à sua vocação: a de «amigos de Cristo», por Ele de modo particular chamados, escolhidos e enviados?

Eu mesmo guardo ainda no coração a recordação do primeiro pároco junto de quem exerci o meu ministério de jovem sacerdote: deixou-me o exemplo de uma dedicação sem reservas ao próprio serviço sacerdotal, a ponto de encontrar a morte durante o próprio acto de levar o viático a um doente grave. Depois repasso na memória os inumeráveis irmãos que encontrei e encontro, inclusive durante as minhas viagens pastorais às diversas nações, generosamente empenhados no exercício diário do seu ministério sacerdotal. Mas a expressão utilizada pelo Santo Cura d’Ars evoca também o Coração traspassado de Cristo com a coroa de espinhos que O envolve. E isto leva o pensamento a deter-se nas inumeráveis situações de sofrimento em que se encontram imersos muitos sacerdotes, ou porque participantes da experiência humana da dor na multiplicidade das suas manifestações, ou porque incompreendidos pelos próprios destinatários do seu ministério: como não recordar tantos sacerdotes ofendidos na sua dignidade, impedidos na sua missão e, às vezes, mesmo perseguidos até ao supremo testemunho do sangue?

Infelizmente existem também situações, nunca suficientemente deploradas, em que é a própria Igreja a sofrer pela infidelidade de alguns dos seus ministros. Daí advém então para o mundo motivo de escândalo e de repulsa. O máximo que a Igreja pode recavar de tais casos não é tanto a acintosa relevação das fraquezas dos seus ministros, como sobretudo uma renovada e consoladora consciência da grandeza do dom de Deus, concretizado em figuras esplêndidas de generosos pastores, de religiosos inflamados de amor por Deus e pelas almas, de directores espirituais esclarecidos e pacientes. A este respeito, os ensinamentos e exemplos de S. João Maria Vianney podem oferecer a todos um significativo ponto de referência. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: «Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina».[3] Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: «Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia».[4] E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: «Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu».[5] Estas afirmações, nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco, podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim: «Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. (…) Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra (…) Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, senão houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecónomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. (…) O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós».[6]

Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: «Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós». Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando a sua ternura salvífica: «[Meu Deus], concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!»: foi com esta oração que começou a sua missão.[7] E, à conversão da sua paróquia, dedicou-se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas ideias a formação cristã do povo a ele confiado. Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus a graça de podermos também nós assimilar o método pastoral de S. João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é a sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a sua acção salvífica era e é expressão do seu «Eu filial» que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à sua vontade. Com modesta mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objectiva do ministério e a subjectiva do ministro. O Cura d’Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo «habitar», mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: «Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. (…) Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá»: lê-se na primeira biografia.[8]

O exagero devoto do pio hagiógrafo não deve fazer-nos esquecer o facto de que o Santo Cura soube também «habitar» activamente em todo o território da sua paróquia: visitava sistematicamente os doentes e as famílias; organizava missões populares e festas dos Santos Patronos; recolhia e administrava dinheiro para as suas obras sócio-caritativas e missionárias; embelezava a sua igreja e dotava-a de alfaias sagradas; ocupava-se das órfãs da «Providence» (um instituto fundado por ele) e das suas educadoras; tinha a peito a instrução das crianças; fundava confrarias e chamava os leigos para colaborar com ele.

O seu exemplo induz-me a evidenciar os espaços de colaboração que é imperioso estender cada vez mais aos fiéis leigos, com os quais os presbíteros formam um único povo sacerdotal[9] e no meio dos quais, em virtude do sacerdócio ministerial, se encontram «para os levar todos à unidade, “amando-se uns aos outros com caridade fraterna, e tendo os outros por mais dignos” (Rm 12, 10)».[10] Neste contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros para que «reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da actividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos». [11]

O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia.[12] «Para rezar bem – explicava-lhes o Cura –, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração».[13] E exortava: «Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver d’Ele para poderdes viver com Ele».[14] «É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!».[15] Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a comunhão adquiria um eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) Contemplava a Hóstia amorosamente».[16] Dizia ele: «Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da Missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus».[17] Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: «A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse um coisa ordinária!».[18] E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: «Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!».[19]

Esta sintonia pessoal com o Sacrifício da Cruz levava-o – por um único movimento interior – do altar ao confessionário. Os sacerdotes não deveriam jamais resignar-se a ver os seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por este sacramento. Na França, no tempo do Santo Cura d’Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer os seus paroquianos redescobrirem o significado e a beleza da Penitência sacramental, apresentando-a como uma exigência íntima da Presença eucarística. Pôde assim dar início a um círculo virtuoso. Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitá-lo, indo até lá visitar Jesus, e ao mesmo tempo estivessem seguros de que lá encontrariam o seu pároco, disponível para os ouvir e perdoar. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes, provenientes de toda a França, haveria de o reter no confessionário até 16 horas por dia. Dizia-se então que Ars se tinha tornado «o grande hospital das almas».[20] «A graça que ele obtinha [para a conversão dos pecadores] era tão forte que aquela ia procurá-los sem lhes deixar um momento de trégua!»: diz o primeiro biógrafo.[21] E assim o pensava o Santo Cura d’Ars, quando afirmava: «Não é o pecador que regressa a Deus para Lhe pedir perdão, mas é o próprio Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele».[22] «Este bom Salvador é tão cheio de amor que nos procura por todo o lado».[23]

Todos nós, sacerdotes, deveríamos sentir que nos tocam pessoalmente estas palavras que ele colocava na boca de Cristo: «Encarregarei os meus ministros de anunciar aos pecadores que estou sempre pronto a recebê-los, que a minha misericórdia é infinita».[24] Do Santo Cura d’Ars, nós, sacerdotes, podemos aprender não só uma inexaurível confiança no sacramento da Penitência que nos instigue a colocá-lo no centro das nossas preocupações pastorais, mas também o método do «diálogo de salvação» que nele se deve realizar. O Cura d’Ars tinha maneiras diversas de comportar-se segundo os vários penitentes. Quem vinha ao seu confessionário atraído por uma íntima e humilde necessidade do perdão de Deus, encontrava nele o encorajamento para mergulhar na «torrente da misericórdia divina» que, no seu ímpeto, tudo arrasta e depura. E se aparecia alguém angustiado com o pensamento da sua debilidade e inconstância, temeroso por futuras quedas, o Cura d’Ars revelava-lhe o segredo de Deus com um discurso de comovente beleza: «O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, já sabe que voltareis a pecar e todavia perdoa-vos. Como é grande o amor do nosso Deus, que vai até ao ponto de esquecer voluntariamente o futuro, só para poder perdoar-nos!».[25] Diversamente, a quem se acusava de forma tíbia e quase indiferente, expunha, através das suas próprias lágrimas, a séria e dolorosa evidência de quão «abominável» fosse aquele comportamento. «Choro, porque vós não chorais»:[26] exclamava ele. «Se ao menos o Senhor não fosse assim tão bom! Mas é assim bom! Só um bárbaro poderia comportar-se assim diante de um Pai tão bom!».[27] Fazia brotar o arrependimento no coração dos tíbios, forçando-os a verem com os próprios olhos o sofrimento de Deus, causado pelos pecados, quase «encarnado» no rosto do padre que os atendia de confissão. Entretanto a quem se apresentava já desejoso e capaz de uma vida espiritual mais profunda, abria-lhe de par em par as profundidades do amor, explicando a inexprimível beleza de poder viver unidos a Deus e na sua presença: «Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus. (...) Como é belo!»[28] E ensinava-lhes a rezar assim: «Meu Deus, dai-me a graça de Vos amar tanto quanto é possível que eu Vos ame!».[29]

No seu tempo, o Cura d’Ars soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor. Também hoje é urgente igual anúncio e testemunho da verdade do Amor: Deus caritas est (1 Jo 4, 8). Com a Palavra e os Sacramentos do seu Jesus, João Maria Vianney sabia instruir o seu povo, ainda que frequentemente suspirava convencido da sua pessoal inaptidão a ponto de ter desejado diversas vezes subtrair-se às responsabilidades do ministério paroquial de que se sentia indigno. Mas, com exemplar obediência, ficou sempre no seu lugar, porque o consumia a paixão apostólica pela salvação das almas. Procurava aderir totalmente à própria vocação e missão por meio de uma severa ascese: «Para nós, párocos, a grande desdita – deplorava o Santo – é entorpecer-se a alma»,[30] entendendo, com isso, o perigo de o pastor se habituar ao estado de pecado ou de indiferença em que vivem muitas das suas ovelhas. Com vigílias e jejuns, punha freio ao corpo, para evitar que opusesse resistência à sua alma sacerdotal. E não se esquivava a mortificar-se a si mesmo para bem das almas que lhe estavam confiadas e para contribuir para a expiação dos muitos pecados ouvidos em confissão. Explicava a um colega sacerdote: «Dir-vos-ei qual é a minha receita: dou aos pecadores uma penitência pequena e o resto faço-o eu no lugar deles».[31] Independentemente das penitências concretas a que se sujeitava o Cura d’Ars, continua válido para todos o núcleo do seu ensinamento: as almas custam o sangue de Cristo e o sacerdote não pode dedicar-se à sua salvação se se recusa a contribuir com a sua parte para o «alto preço» da redenção.

No mundo actual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d’Ars, é preciso que os presbíteros, na sua vida e acção, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico. Observou, justamente, Paulo VI que «o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas».[32] Para que não se forme um vazio existencial em nós e fique comprometida a eficácia do nosso ministério, é preciso não cessar de nos interrogarmos: «Somos verdadeiramente permeados pela Palavra de Deus? É verdade que esta é o alimento de que vivemos, mais de que o sejam o pão e as coisas deste mundo? Conhecemo-la verdadeiramente? Amamo-la? De tal modo nos ocupamos interiormente desta palavra, que a mesma dá realmente um timbre à nossa vida e forma o nosso pensamento?».[33] Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregar, assim também nos nossos dias os sacerdotes são chamados a assimilar aquele «novo estilo de vida» que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Apóstolos.[34]

Foi precisamente a adesão sem reservas a este «novo estilo de vida» que caracterizou o trabalho ministerial do Cura d’Ars. O Papa João XXIII, na carta encíclica Sacerdotii nostri primordia – publicada em 1959, centenário da morte de S. João Maria Vianney –, apresentava a sua fisionomia ascética referindo-se de modo especial ao tema dos «três conselhos evangélicos», considerados necessários também para os presbíteros: «Embora, para alcançar esta santidade de vida, não seja imposta ao sacerdote como própria do estado clerical a prática dos conselhos evangélicos, entretanto esta representa para ele, como para todos os discípulos do Senhor, o caminho regular da santificação cristã».[35] O Cura d’Ars soube viver os «conselhos evangélicos» segundo modalidades apropriadas à sua condição de presbítero. Com efeito, a sua pobreza não foi a mesma de um religioso ou de um monge, mas a requerida a um padre: embora manejasse com muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados não deixavam de se interessar pelas suas obras sócio-caritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus órfãos, as meninas da sua «Providence»,[36] as suas famílias mais indigentes. Por isso, ele «era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo».[37] Explicava: «O meu segredo é simples: dar tudo e não guardar nada».[38] Quando se encontrava com as mãos vazias, dizia contente aos pobres que se lhe dirigiam: «Hoje sou pobre como vós, sou um dos vossos».[39] Deste modo pôde, ao fim da vida, afirmar com absoluta serenidade: «Não tenho mais nada. Agora o bom Deus pode chamar-me quando quiser!».[40] Também a sua castidade era aquela que se requeria a um padre para o seu ministério. Pode-se dizer que era a castidade conveniente a quem deve habitualmente tocar a Eucaristia e que habitualmente a fixa com todo o entusiasmo do coração e com o mesmo entusiasmo a dá aos seus fiéis. Dele se dizia que «a castidade brilhava no seu olhar», e os fiéis apercebiam-se disso quando ele se voltava para o sacrário fixando-o com os olhos de um enamorado.[41] Também a obediência de S. João Maria Vianney foi toda encarnada na dolorosa adesão às exigências diárias do seu ministério. É sabido como o atormentava o pensamento da sua própria inaptidão para o ministério paroquial e o desejo que tinha de fugir «para chorar a sua pobre vida, na solidão».[42] Somente a obediência e a paixão pelas almas conseguiam convencê-lo a continuar no seu lugar. A si próprio e aos seus fiéis explicava: «Não há duas maneiras boas de servir a Deus. Há apenas uma: servi-Lo como Ele quer ser servido».[43] A regra de ouro para levar uma vida obediente parecia-lhe ser esta: «Fazer só aquilo que pode ser oferecido ao bom Deus».[44]

No contexto da espiritualidade alimentada pela prática dos conselhos evangélicos, aproveito para dirigir aos sacerdotes, neste Ano a eles dedicado, um convite particular para saberem acolher a nova primavera que, em nossos dias, o Espírito está a suscitar na Igreja, através nomeadamente dos Movimentos Eclesiais e das novas Comunidades. «O Espírito é multiforme nos seus dons. (…) Ele sopra onde quer. E fá-lo de maneira inesperada, em lugares imprevistos e segundo formas precedentemente inimagináveis (…); mas demonstra-nos também que Ele age em vista do único Corpo e na unidade do único Corpo».[45] A propósito disto, vale a indicação do decreto Presbyterorum ordinis: «Sabendo discernir se os espíritos vêm de Deus, [os presbíteros] perscrutem com o sentido da fé, reconheçam com alegria e promovam com diligência os multiformes carismas dos leigos, tanto os mais modestos como os mais altos».[46] Estes dons, que impelem não poucos para uma vida espiritual mais elevada, podem ser de proveito não só para os fiéis leigos mas também para os próprios ministros. Com efeito, da comunhão entre ministros ordenados e carismas pode brotar «um válido impulso para um renovado compromisso da Igreja no anúncio e no testemunho do Evangelho da esperança e da caridade em todos os recantos do mundo».[47] Queria ainda acrescentar, apoiado na exortação apostólica Pastores dabo vobis do Papa João Paulo II, que o ministério ordenado tem uma radical «forma comunitária» e pode ser cumprido apenas na comunhão dos presbíteros com o seu Bispo.[48] É preciso que esta comunhão entre os sacerdotes e com o respectivo Bispo, baseada no sacramento da Ordem e manifestada na concelebração eucarística, se traduza nas diversas formas concretas de uma fraternidade sacerdotal efectiva e afectiva.[49] Só deste modo é que os sacerdotes poderão viver em plenitude o dom do celibato e serão capazes de fazer florir comunidades cristãs onde se renovem os prodígios da primeira pregação do Evangelho.

O Ano Paulino, que está a chegar ao fim, encaminha o nosso pensamento também para o Apóstolo das nações, em quem refulge aos nossos olhos um modelo esplêndido de sacerdote, totalmente «doado» ao seu ministério. «O amor de Cristo nos impele – escrevia ele –, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram» (2 Cor 5, 14). E acrescenta: Ele «morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles» (2 Cor 5, 15). Que programa melhor do que este poderia ser proposto a um sacerdote empenhado a avançar pela estrada da perfeição cristã?

Amados sacerdotes, a celebração dos cento e cinquenta anos da morte de S. João Maria Vianney (1859) segue-se imediatamente às celebrações há pouco encerradas dos cento e cinquenta anos das aparições de Lourdes (1858). Já em 1959, o Beato Papa João XXIII anotara: «Pouco antes que o Cura d’Ars concluísse a sua longa carreira cheia de méritos, a Virgem Imaculada aparecera, noutra região da França, a uma menina humilde e pura para lhe transmitir uma mensagem de oração e penitência, cuja imensa ressonância espiritual há um século que é bem conhecida. Na realidade, a vida do santo sacerdote, cuja comemoração celebramos, fora de antemão uma viva ilustração das grandes verdades sobrenaturais ensinadas à vidente de Massabielle. Ele próprio nutria pela Imaculada Conceição da Santíssima Virgem uma vivíssima devoção, ele que, em 1836, tinha consagrado a sua paróquia a Maria concebida sem pecado e havia de acolher com tanta fé e alegria a definição dogmática de 1854».[50] O Santo Cura d’Ars sempre recordava aos seus fiéis que «Jesus Cristo, depois de nos ter dado tudo aquilo que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros de quanto Ele tem de mais precioso, ou seja, da sua Santa Mãe».[51]

À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a acção do Santo Cura d’Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua quotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles próprios e com os leigos que é tão necessário hoje, como o foi sempre. Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre actual a palavra de Cristo aos seus apóstolos, no Cenáculo: «No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33). A fé no divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo actual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz.

Com a minha bênção.

Vaticano, 16 de Junho de 2009.


BENEDICTUS PP. XVI




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[1] Assim o proclamou o Sumo Pontífice Pio XI, em 1929.
[2] «Le Sacerdoce, c’est l’amour du cœr de Jésus», in Le Curé d’Ars. Sa pensée – son cœur, obra cuidada por Abbé Bernard Nodet (ed. Xavier Mappus, Foi Vivante, 1966), pág. 98. Em seguida, será citada: Nodet. A mesma frase aparece no Catecismo da Igreja Católica, n. 1589.
[3] Nodet, 101.
[4] Ibid., 97.
[5] Ibid., 98-99.
[6] Ibid., 98-100.
[7] Ibid., 183.
[8] MONNIN A., Il Curato d’Ars. Vita di Gian-Battista-Maria Vianney, vol. I (ed. Marietti, Turim 1870), pág. 122.
[9] Cf. Lumen gentium, 10.
[10] Presbyterorum ordinis, 9.
[11] Ibid., 9.
[12] «A contemplação é o olhar de fé, fixado em Jesus. “Eu olho para Ele e Ele olha para mim” – dizia, no tempo do seu santo Cura, um camponês d’Ars em oração diante do sacrário» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2715).
[13] Nodet, 85.
[14] Ibid., 114.
[15] Ibid., 119.
[16] MONNIN A., o.c., II, pág. 430ss.
[17] Nodet, 105.
[18] Ibid., 105.
[19] Ibid., 104.
[20] MONNIN A., o.c., II, pág. 293.
[21] Ibid., II, pág. 10.
[22] Nodet, 128.
[23] Ibid., 50.
[24] Ibid., 131.
[25] Ibid., 130.
[26] Ibid., 27.
[27] Ibid., 139.
[28] Ibid., 28.
[29] Ibid., 77.
[30] Ibid., 102.
[31] Ibid., 189.
[32] Evangelii nuntiandi, 41.
[33] BENTO XVI, Homilia na Missa Crismal (9 de Abril de 2009).
[34] Cf. BENTO XVI, Discurso à Assembleia plenária da Congregação do Clero (16 de Março de 2009).
[35] Parte I.
[36] Este foi o nome que deu à casa onde fez alojar e educar mais de 60 meninas abandonadas. Para mantê-la, a nada se poupava: «J’ai fait tous les commerces imaginables» - dizia ele sorrindo (Nodet, 214).
[37] Nodet, 216.
[38] Ibid., 215.
[39] Ibid., 216.
[40] Ibid., 214.
[41] Cf. ibid., 112.
[42] Cf. ibid., 82-84.102-103.
[43] Ibid., 75.
[44] Ibid., 76.
[45] BENTO XVI, Homilia na Vigília de Pentecostes (3 de Junho de 2006).
[46] N. 9.
[47] BENTO XVI, Discurso aos Bispos amigos do Movimento dos Focolares e da Comunidade de Santo Egídio (8 de Fevereiro de 2007).
[48] Cf. n. 17.
[49] Cf. JOÃO PAULO II, Exort. ap. Pastores dabo vobis , 74.
[50] Carta enc. Sacerdotii nostri primordia, parte III.
[51] Nodet, 244.

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2 de agosto de 2009

Penso que os sofrimentos do momento presente não se comparam com a glória futura que deverá ser revelada em nós. A própria criação espera com impaciência a manifestação dos filhos de Deus. Entregue ao poder do nada - não por sua própria vontade, mas por vontade daquele que a submeteu -, a criação abriga a esperança, pois ela também será liberta da escravidão da corrupção, para participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.
Romanos 8, 18-21
Só por hoje procurarei viver exclusivamente este dia, sem tentar resolver de imediato o problema de toda minha vida.

João XXIII