19 de abril de 2009

DOM DA PAZ

O DOM DA PAZ - 2º Domingo da Páscoa-B

Neste segundo domingo da Páscoa a Igreja é convidada a renovar e aprofundar a fé em Jesus ressuscitado. Mais uma vez Ele aparece aos seus discípulos e diz: “A paz esteja convosco” (Jo 20,19.21.26). O relato do evangelho afirma que era o “anoitecer daquele dia, o primeiro da semana” (Jo 20,19). O clima “ainda é o dia da nova Páscoa, e também os discípulos temem ser perseguidos por causa da sua relação com o sentenciado...” (nota da Bíblia do Peregrino). Esta experiência gera nos discípulos medo, dúvida, desânimo, incerteza... falta paz e esperança... De repente Jesus atravessa as barreiras internas e externas do homem. Causa espanto e surpresa. Oferece aos discípulos o Dom da Paz, o Perdão e a vida nova no Espírito.
O autor do Quarto Evangelho diz que os “discípulos se alegraram por verem o Senhor” (Jo 19,20) e relata que Jesus soprou o Espírito de Deus sobre os discípulos e os enviou ao mundo para continuarem a missão. Soprar é um gesto criador; Deus soprou seu Espírito e criou o homem (Gn 2,7). Jesus repete o gesto criador e recria o homem novo e a nova comunidade a partir da ressurreição. Assim sendo, Cristo ressuscitado transmite aos discípulos o poder que Ele mesmo recebeu do Pai, dizendo: “como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21). Neste sentido, a comunidade apostólica fica confirmada e enviada ao mundo para anunciar e testemunhar Jesus Cristo ressuscitado e glorificado pelo Pai.
Neste tempo pascal a Igreja destaca a importância da fé na vida pessoal e na vida da comunidade. A fé é a condição indispensável para viver e participar do Espírito da Ressurreição. Sem a dimensão e a profundidade do espírito de fé a comunidade continuará fechada em si mesma, com medo e sem esperança. Assim aparece a pessoa de Tomé. Ele não estava quando Jesus apareceu. Ele não tinha feito ainda a experiência da ressurreição. Ele tinha que “ver para crer” (Jo 19,25). O Apóstolo Tomé pode representar aquela pessoa ou aquela comunidade que está buscando fazer a experiência da ressurreição e que ainda não conseguiu. Muitas vezes somos incrédulos e queremos provas. “Se eu não vir a marca dos
pregos e não puser a mão no seu lado não acreditarei” (Jo 19,25). Ele tem necessidade de algo mais palpável e quer identificar Jesus pelas marcas corporais da crucificação. Crer na ressurreição é um caminho de fé. Tomé sentiu esta necessidade e fez o seu caminho até fazer a sua profissão de fé: “meu Senhor e meu Deus” (Jo 19,28). Não basta sentir a ressurreição... é preciso verdadeiramente fazer a experiência de fé.
A partir desta experiência com o Ressuscitado, a comunidade se renova. É na COMUNIDADE que encontramos as provas que Jesus está vivo. Quem não participa da Comunidade não ouve a saudação de Paz,
não faz a experiência da alegria da Páscoa do Senhor, nem recebe o dom do Espírito Santo. Quem não se encontra com a Comunidade não se encontra com o Cristo Ressuscitado. Por isso, a vida nova à luz da Páscoa e numa dimensão profunda da fé oferece a possibilidade de se viver e de se relacionar fraternalmente com os outros. Uma comunidade formada por pessoas de fé é uma comunidade fraterna, solidária e preocupada com o bem-estar de seus membros, e também um sinal profético da experiência da ressurreição. Foi assim que os discípulos e os primeiros cristãos entenderam a fé em Cristo Ressuscitado (At 2,42-47).
Contudo, Jesus envia os seus discípulos repletos do Espírito de Deus, de paz e de alegria. A fé não tira as adversidades e as provações da vida; em alguns contextos sociais, aliás, torna-as mais desafiadoras. A fé, vivida e experimentada, não permite que o fiel se intimide diante do desafio; quanto maior o desafio, mais cresce a confiança, fruto da fé.
Agora, toda esta experiência acontece no Primeiro Dia da Semana. É uma alusão ao DOMINGO, dia em que a Comunidade é convocada a celebrar a Eucaristia: é no encontro fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o Pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus Ressuscitado. A Eucaristia é o centro da nossa vida cristã. É da Eucaristia que parte todas as nossas ações. Sem Eucaristia o espírito da páscoa fica sem sentido. Por isso que o Domingo é chamado DIA DO SENHOR. É na Eucaristia que ouvimos a Palavra do Senhor e celebramos a Ceia Eucarística. Será que estamos valorizando o DOMINGO como dia do Senhor? Qual o sentido que se está dando ao Domingo? Estamos conscientes de que no Domingo estamos celebrando a Páscoa do Senhor Jesus?
Outro convite é para redescobrir o verdadeiro sentido do Domingo como dia dedicado ao Senhor. “A Igreja celebra a cada oito dias o mistério pascal. Esse dia chama-se dia do Senhor. Nesse dia, pois, os cristãos devem reunir-se para, ouvindo a palavra de Deus e participando da eucaristia, lembrarem-se da paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus. Por isso, o domingo é um dia de festa primordial que deve ser lembrado e inculcado à piedade dos fiéis” (SC 106).
Que a experiência deste segundo domingo da Páscoa nos ilumine a aprofundar a nossa fé em Cristo ressuscitado, recebendo o Dom do Espírito Santo e da Paz; a celebrar o Dia do Senhor com mais dignidade e profundidade e a fazer a nossa profissão de fé dizendo: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 19,28).
(Frei João)

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