25 de fevereiro de 2009

Quarta-feira de Cinzas

Com a liturgia das cinzas iniciamos um novo tempo litúrgico, a Quaresma. É um momento importante para refletirmos sobre a nossa caminhada de cristãos. Quaresma é um tempo de preparação para celebrar os mistérios pascais. Quaresma lembra os quarenta anos do povo de Israel caminhando pelo deserto rumo a terra prometida (Ex 16,35); quaresma lembra os quarenta dias em que Jesus Cristo ficou jejuando no deserto antes de iniciar a sua vida pública. Quaresma: um tempo apropriado para o jejum, a oração e a caridade; quaresma: um tempo para a conversão, mudar de vida... um tempo para parar, pensar e se perguntar: como estou? Como está a minha vida? Como está a minha família, a minha pastoral, minha comunidade? Afinal um tempo apropriado para renovar a vida, o espírito, os ânimos, etc...

O Evangelho lembra três práticas da religiosidade judaica e que é recomendada na quaresma: a esmola, a oração e o jejum.

a. A Esmola: deveria ser um gesto feito em “segredo” e não fazer alarde para que as outras pessoas possam perceber. Afirma Jesus: “que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita” (Mt 6,3).

b. A Oração: não deveria ser uma repetição de palavras, gritarias, etc. Porém diz Jesus: “quando orardes, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E teu Pai, que vê o escondido, te dará a tua recompensa”. (Mt 6,6).

c. O Jejum: para os judeus a prática do jejum era ficar com o rosto triste (Mt 6,16). Jesus incentiva: “quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto... e teu Pai, que está oculto te dará a devida recompensa” (Mt 6,17-18).

As cinzas lembram a nossa vulnerabilidade. O ser humano é “pó” diante de Deus. Com o ritual das cinzas a liturgia deseja expressar que é importante a atitude de conversão, mudança de vida. O nosso mundo vive uma realidade subjetivista. A esmola, a oração e o jejum podem ser um “remédio” contra o mal existente no mundo.

Contudo, iniciando este espírito quaresmal, a oração do dia (coleta) do primeiro domingo nos exorta: “concedei-nos, Ó Deus onipotente, que, ao longo desta quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa”. Portanto, que ao final do tempo da quaresma, todos tenham aprofundado seriamente sobre a vida de Jesus Cristo.

Neste tempo da quaresma a Igreja do Brasil lembra a Campanha da Fraternidade que versará sobre o tema: “Fraternidade e a Segurança Pública” e o seu lema: “A paz é fruto da justiça” (Is 32,7). O Objetivo Geral da Campanha é “suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade a fim de que todos empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos”.

Neste sentido e dentro do espírito da Campanha da Fraternidade, é um convite a todas as pessoas para entrarem no dinamismo da cultura da paz. Nós vemos em todas as partes o espírito da violência, da guerra, da competição, da injustiça, etc... gerando na vida humana a chamada cultura da morte. A Campanha quer despertar em nós a cultura da paz. E você poderá contribuir muito para que este espírito – a cultura da paz – possa entrar nas nossas vidas, nos nossos relacionamentos, principalmente quando se trata de um relacionamento humano.

São Paulo nos exorta para a reconciliação: “em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20). Uma pessoa reconciliada será sempre uma pessoa reconciliadora. Da mesma maneira, uma comunidade, uma sociedade. Perdão e reconciliação caminham juntos. Portanto a quaresma é um tempo favorável para vivenciar e exercitar a reconciliação e o perdão.
(frei João)

Seguidores

Google+ Followers

Viva Nossa Senhora!

Wikipedia

Resultados da pesquisa

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Follow by Email