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18 de janeiro de 2009

2° Domingo Comum - Mestre, onde moras?

Estamos no Segundo Domingo do tempo Comum, no qual o Senhor nos convida a segui-Lo. São João coloca a vocação destes primeiros discípulos dentro de uma semana inaugural. É o inicio de uma atividade na qual João Batista, começando um outro dia, uma nova atividade, cede a Jesus os seus discípulos. De fato, “vendo Jesus passar, disse: eis o Cordeiro de Deus!” (Jo 1,35-36). Os discípulos, André e Filipe, seguem timidamente o Cristo. Jesus percebeu que eles estavam seguindo-o, volta para eles e pergunta: “o que estais procurando?” A partir deste momento se inicia um diálogo, certamente profundo e questionador entre Jesus e os discípulos André e Filipe. Eles responderam: “Mestre, onde moras?” E Jesus em seguida respondeu: “Vinde e vede?” O texto afirma: eles foram, viram onde Jesus morava e permaneceram com ele todo o dia. Depois André irá ao encontro de seu irmão Simão Pedro e testemunha: “encontramos o Messias, que significa Cristo”.
Esta experiência de João Batista, Jesus e os primeiros discípulos fazem parte de uma semana chamada “inaugural” onde João Batista vê Jesus passar e testemunha como o Cordeiro de Deus. Esta “semana inaugural” é importante porque o evangelista, através de muitos sinais, o revela a muitas pessoas, entre elas, André, Filipe, Simão Pedro e outros, que fizeram a opção de seguir o Mestre. A conclusão desta semana inaugural termina com o episódio das Bodas de Cana (Jo 2,1-11), onde Jesus manifestou a sua glória e se revelou, e os discípulos acreditaram nele (Jo 2,11).
Percebemos que o testemunho de João Batista foi fundamental para que os discípulos seguissem o Cristo. O Evangelista mostra que a dinâmica vocacional e o chamado passa por uma outra experiência. Os outros Evangelistas mostram a realidade do chamado na vida cotidiana, no trabalho, na busca, etc. Neste caso, São João quer afirmar a realidade do discipulado. Existe uma indagação, um questionamento, um aprofundamento do mistério de quem é Jesus. Por isso o texto mostra a realidade do dinamismo: eles foram, viram e permaneceram, e depois testemunharam: encontramos o Messias.
Portanto, para iniciar o caminho do discipulado, na perspectiva de São João é importante permanecer com o Mestre. O texto diz que os discípulos “permaneceram com ele naquele dia... Era por volta das quatro da tarde” (Jo 1,39). O verbo permanecer é muito importante para São João. Por ora os discípulos permaneceram com Jesus. Mais adiante Jesus dirá: “permaneçam em mim” (Jo 15,5ss); “permanecei no meu amor” (Jo 15,9); “quem permanece com ele não peca” (1Jo 3,6); “se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele e ele com Deus” (1Jo 4,15).
O Evangelho mostra que a experiência com Jesus é importante, é profunda e vale a pena: “era por volta das quatro da tarde” (Jo 1,39). As “quatro da tarde” ou a “hora décima” é uma linguagem simbólica... ou seja: é a hora da plenitude, do cumprimento das profecias. Para os antigos, o número dez seria um número perfeito. Portanto, para a tradição bíblica, Jesus é a perfeição e a plenitude. Assim sendo, quem busca o Mestre, terá um encontro pleno, profundo e significativo pois Ele é o único revelador do Pai: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9)
Hoje se questiona sobre a realidade do discipulado missionário. O texto de João mostra uma característica. Portanto, discípulo é aquele que é capaz de reconhecer no Cristo que passa o Messias Salvador e Libertador; que está disponível para segui-Lo no caminho do amor e da entrega; que é capaz de testemunhá-lo e de anunciá-lo aos demais irmãos; que é capaz de viver em comunhão com ele...
Portanto, aprofundamos o nosso chamado de sermos discípulos missionários de Jesus. Ainda hoje Ele convida: vinde e vede... A Igreja é chamada a responder ao seu chamado evangelizador e anunciar com toda força que Jesus é Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6). Somos chamados a permanecer sempre com o Mestre. Ele sustentará a nossa resposta e dará força para testemunhar: “Encontramos o Messias salvador”.
fr. João