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19 de dezembro de 2008

4° Domingo do Advento - Alegra-te, cheia de graça

A reflexão bíblica proposta para este domingo, o quarto do advento, é o tema da anunciação, narrada pelo evangelista Lucas. Estamos a poucos dias da celebração do nascimento de Jesus. Lucas procura mostrar que a esperança de todo um povo está na descendência de Davi. Alguns dados nos revelam sobre esta descendência e o próprio texto quando afirma: a. “o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi...” (Lc 1,26-27); b. “o Senhor Deus lhe dará o trono de deu pai Davi” (Lc 1,32); c. “o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1,35). No Evangelho de Mateus, encontramos a Genealogia de Jesus (Mt 1,1-7), que revela a importância de Abraão e Davi como sendo os principais depositários das promessas messiânicas e ressalta a importância de José dentro da descendência davídica. Mateus relata esta realidade afirmando: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher...” (Mt 1,20). Portanto, é importante compreender que a descendência davídica está dentro do plano de salvação e a realização das promessas de Javé terá a sua plenitude no nascimento de Jesus, que significa “aquele que salva”. Por isso Jesus será Salvador da humanidade.
O texto mostra que o anjo Gabriel foi enviado a uma virgem de nome Maria (Lc 1,26-27). O Profeta Isaias fala de um sinal e afirma: “eis que uma virgem concebeu e dará a luz um filho e lhe porá o nome de Emanuel, que significa Deus-conosco” (Is 7,14; Mt 1,23). Maria é noive de José. Para os judeus, o noivado já é juridicamente considerado um matrimônio. O modo extraordinário pelo qual Jesus concebido mostra a realidade do processo da salvação. Maria foi saudada pelo anjo Gabriel com estas palavras: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28). Esta expressão “alegra-te...”, que comumente foi traduzida por “Ave+Maria”, tem um sentido de um apelo às alegrias messiânicas. Neste sentido alguns profetas dirigiam a Sião a esperanças de novos tempos (cf. Is 12,6; Sf 3,14-15; Jl 2,21-27; Zc 2,14; 9,9).
Maria ficou perturbada com as palavras do Anjo (Lc 1,29). Ficou perturbada porque a missão era grande: ser mãe do Salvador. Depois, naquele tempo as mulheres não estavam acostumadas a receber uma saudação tão especial assim. Também grandes personagens da História da Salvação ficaram desconcertados com a proposta de Javé (Abraão, Moisés, Jeremias...). Maria é convidada a não ter medo, porque ela foi agraciada por Javé.
O anjo explica como acontecerá este mistério: “o Espírito do Senhor virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra” (Lc 1,35a). A realidade do Espírito é muito importante neste contexto. Revela a ação de Deus como gerador de vida, quando o autor sagrado cria o homem à sua imagem e semelhança dando um sopro vital [= espírito de vida / sopro de vida], (Gn 2,7). Jesus, ao início da sua vida pública rezou: “O Espírito do Senhor está sobre mim...” (Lc 4,18); na festa de Pentecostes (At 2) vemos a manifestação do Espírito à Comunidade Apostólica reunida no Cenáculo com a presença de Maria (At 1,14). A Sombra evoca a presença de Deus diante do povo que caminhava rumo à terra prometida (Ex 40,34ss). Os Salmos 90 e 139 falam de um pássaro que protege cobrindo com a sombra de suas asas os seus filhotes, mas também para “chocar” os ovos e gerar a vida. Neste sentido Deus “com a sua sombra” envolverá a vida de Maria, que com a força do Espírito, fecundará o seu seio virginal e desenvolverá o princípio criador, gerando para a humanidade o Emanuel – o Deus conosco.
Maria se coloca como “Serva do Senhor” (Lc 1,38). A sua resposta está na perspectiva do projeto salvífico de Deus. Neste sentido ela se torna o protótipo do discípulo/a que é fiel a Javé até as últimas conseqüências. O seu sim ao projeto de Deus vai desde a anunciação (Lc 1,26-38), passa pela realidade da cruz (Jo 19,26-27) e o início da Igreja (At 1,14).
O sim de Maria nos convida a perceber que o discipulado passa pelo serviço e por uma missão. E Maria entendeu esta realidade quando o Anjo Gabriel lhe comunica a gravidez de sua Isabel (Lc 1,36-37), porque para Deus nada é impossível (Lc 1,37). Na sua visita missionária a Isabel ele receberá um título importante para a sua vida: “Bem-aventurada aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (Lc 1,45).
(enviado por fr. João)