ZENIT - O mundo visto de Roma

Fides News Português

Gaudiumpress Feed

8 de dezembro de 2008

2º Domingo Advento B

Neste segundo domingo do Advento o Evangelho nos convida a “preparar o caminho do Senhor”. O Evangelista Marcos procurará deixar bem claro “quem é Jesus”. Por isso começa narrando o Evangelho: “início do Evangelho (=boa notícia) de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Então, este será o início de um aprofundamento que iremos encontrar ao longo de toda a narrativa feita por Marcos. Neste domingo será apenas o começo de um itinerário que a comunidade deverá percorrer até descobrir quem é Jesus.

Os versículos seguintes, 2-8, apresentam a pessoa de João Batista, o grande precursor da vinda do Messias, o Salvador. Ele será o grande mensageiro, que irá à frente, como profeta para preparar o caminho do Senhor. O texto diz: “Eis que eu envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!” (Mc 1,2-3). Nestes dois versículos percebemos algumas realidades importantes reveladas no Antigo testamento: a. “Vou enviar um anjo na frente de você para que ele cuide de você no caminho e o leve até o lugar que eu preparei para você” (Ex 23,20); b. “Uma voz grita: Abram no deserto um caminho para o Senhor, aplainem no descampado uma estrada para nosso Deus!” (Is 40,3) e c. “Vejam! Estou mandando o meu mensageiro para preparar o caminho à minha frente” (Ml 3,1). Portanto, João Batista, o Precursor, assume estas realidades para si, e anuncia, com toda força, a realidade dos tempos messiânicos, o início perfeito da boa-nova da vinda definitiva de Deus e o seu Reino, realizados em Jesus Cristo.

O precursor aparece no deserto. A realidade do deserto, tal como apresenta a Escritura Sagrada, é bem distante de nós. Fazendo a “imagem desértica” perceberemos uma realidade de calor intenso, falta de água, sem vegetação (algo verde...), muita areia e as suas tempestades, etc... Além do problema climático, o deserto cria um clima misterioso, as paisagens se modificam... A vastidão impede ver o horizonte e certamente faltariam pontos de referências para orientar-se. Porém o deserto poder ser sempre um lugar do encontro com Deus, no silêncio, na oração, etc...

Qual seria a missão de João Batista? Ser aquele mensageiro que prepara o caminho para a vinda de Jesus Cristo, o Messias Salvador. Porém esta preparação começa pelo deserto, sendo uma voz profética que grita: “preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!” (Mc 1,3). Esta mesma idéia encontramos, também, no profeta Isaías quando ele anima o Povo de Deus a retornar do exílio da Babilônia para Jerusalém. Ele é convidado a consolar o povo (Is 40,1) e a “preparar no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus...” (Is 40,3). Outra missão de João Batista: pregar (=anunciar) um “batismo de conversão para o perdão dos pecados” (Mc 1,4). O batismo de conversão fazia parte da chegada do Reino e predispor as pessoas (= povo) para aceitar definitivamente a novidade que estaria prestes a chegar à pessoa de Jesus Cristo. Era o sinal de conversão e de compromisso. Esta pregação do Precursor fez pensar a população da Judéia e os “moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e ele batizava no Rio Jordão” (Mc 1,4). A realidade da conversão implica uma mudança radical de vida. Significa aceitar um processo de vida diferente, identificar com a proposta de “construir” novos rumos e novas estradas. Esta conversão teria uma repercussão tanto na vida pessoal quanto na vida social. É o que São Pedro afirma na sua carta: “o que esperamos... são novos céus e uma nova terra...” (2Pd 3,14).

Qual seria o perfil de João Batista? O evangelista Marcos o descreve desta maneira: “João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo” (Mc 1,6). João Batista lembra outros profetas do Antigo Testamento: Elias, na sua maneira de vestir (2Rs 1,8; Zc 13,4). Portanto, com um estilo de vida sóbrio, austero e simples, ele denuncia toda uma estrutura de pecado, contrariando o Reino de Deus e anuncia a chegada de Jesus Cristo, o Messias Salvador, afirmando: “eu nem sou digno de abaixar para desamarrar suas sandálias” (Mc 1,7).

Contudo, o Precursor dá um grande testemunho sobre Jesus. Ele diz: “eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1,8). O batismo com água, seria a realidade da purificação e da conversão dos pecados; o batismo no Espírito Santo, a ser realizado por Jesus, seria comunicar as pessoas uma vida nova, transformando-as em novas criaturas.

enviado por frei João