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4 de outubro de 2008

27º Domingo Comum - A vinha do Senhor

O tema da vinha é muito importante na reflexão Bíblica. Muitas vezes Israel é designado como vinha (Jr 2,21; Ez 15,1-8, Sl 79 (80). A realidade da vinha se torna como um exemplo da história da salvação, onde Deus (Javé) revela o seu modo de agir perante o seu povo escolhido.
A parábola deste domingo se encontra também no Evangelista Marcos (12,1-12) e no Evangelista Lucas (20,9-19). Porém o caminho litúrgico mostra a reflexão sobre a vinha nos domingos anteriores (25º e 26º), onde convocava a assembléia cristã a trabalhar na vinha e a fazer a vontade do Pai, agora, esta parábola nos convida a pensar a maneira de como se trabalha na vinha, onde Deus (patrão) espera os frutos de justiça.
O Profeta Isaias fala sobre a realidade da vinha (Is 5,1-7) sob forma de parábola, na qual a vinha representa o povo de Israel e o amado (o senhor da vinha), representa Deus. A parábola lembra a vida no campo e cultivo de parreiras. O autor lembra, também, o insucesso do cultivo e diante das frustrações se pergunta: “o que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz” Eu contava com uvas de verdade, mas, por que produziu ela uva selvagens?” (Is 5,4). Com esta realidade o profeta lembra o que o Povo de Israel não produziu os frutos de justiça que Javé esperava e portanto, dentro de uma realidade simbólica, poderemos ver que: as uvas amargas poderiam ser os pecados, as infidelidades, a opressão e as mentiras; muitas manifestações religiosas solenes, sem uma verdadeira adesão a Deus. Como conseqüência de toda esta experiência, surge o castigo de Deus: a invasão dos assírios e depois dos babilônios, que destruíram a vinha e deportaram os israelitas como escravos.
No Evangelho Jesus está em Jerusalém e no templo, centro do poder político, religioso e econômico daquela época. A parábola, deste domingo, revela um dos grandes conflitos de Jesus com as autoridades judaicas. A história da parábola mostra quem são os verdadeiros vinhateiros: os anciãos do povo e os chefes dos sacerdotes.
Então um Senhor planta uma vinha com todo o cuidado e a confia a uns vinhateiros, conhecedores da profissão. “Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. Os vinhateiros... espancaram a um, mataram
a outro e ao terceiro apedrejaram... Depois enviou seu próprio filho... Eles disseram: é o herdeiro... vamos matá-lo e tomar posse da sua herança
” (Mt 21,34-38). Vemos que os vinhateiros não respeitam o próprio filho, o herdeiro, e chegam a matá-lo, jogando fora da vinha.

Contudo, “a parábola ilustra a recusa de ISRAEL ao projeto de salvação de Deus. A Vinha é o Povo de Deus (Israel). O Dono é Deus, que manifestou muito amor pela sua vinha. Os vinhateiros são os líderes do povo judeu... Os enviados são os profetas... o próprio Cristo "morto fora da vinha". Resultado: A "vinha" será retirada e confiada a outros trabalhadores, que ofereçam ao "Senhor" os frutos devidos e acolham o "Filho" enviado. Reação do Povo: tentam prender Jesus, pois percebem que a Parábola se refere a eles... Não entregam os frutos e maltratam os enviados... A "Vinha" não será destruída, mas os trabalhadores serão substituídos”.
Um questionamento surge: “para quem será entregue a Vinha?” “Quem será o povo que produzirá os frutos de justiça, amor e paz?
Certamente a Igreja é a mais indicada para levar adiante, depois da morte de Jesus, a missão de produzir os frutos de Justiça segundo o plano Salvador de Deus. A Igreja é o novo Povo de Deus, que somos todos nós, participantes da única missão de Jesus enquanto sacerdote, profeta e rei. A Igreja, Povo de Deus, tem a missão de continuar profetizando e anunciando a Boa Nova de Jesus. Porém é preciso estar sempre em estado de alerta, porque facilmente poderemos produzir os frutos que o Senhor Jesus se decepcionaria. Hoje a Igreja trabalha na Vinha do Senhor e pede que transformemos esta vinha (=mundo/sociedade...). Porém Ele pede que olhemos vinha, chamando atenção para ver a produção de uvas selvagens, uvas que sem gosto, amargas e sem aparência agradável. Os frutos selvagens são aqueles frutos que nos fazem perder a referência fraterna na comunidade. Quando perdemos o respeito pelos outros, a comunidade produz frutos selvagens, amargos, azedos... É muito amargo, é um azedume viver numa comunidade sem laços fraternos. O Evangelho deste domingo e as leituras convidam cada um de nós para olhar para a vinha e analisar quais frutos nós estamos produzindo: frutos bons ou frutos amargos. Isso poderá ser feito também dentro de sua família: que frutos têm ali: selvagens, que torna o sabor da família amargo e azedo ou, frutos bons, nos quais viver em família é muito gostoso é saboroso?
Nós estamos celebrando o mês missionário. Missão (= sair de si) tem a ver com o sentido de se enviado. Portanto, somos enviados a trabalhar na vinha do Senhor e produzir frutos de amor, justiça, solidariedade, etc... Nossa grande missão consiste em cultivar os valores do Evangelho entre nós (= comunidade eclesial). “Não existe jeito melhor de crer e participar da comunidade do que semear a justiça divina, cultivar a bondade entre nós, cultivar a fraternidade, cultivar a alegria e paz que afasta qualquer tipo de agressividade e violência... Isso é ser cristão, é ser discípulo de Jesus; é ser missionário”.
(enviado por fr. João)