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25 de agosto de 2008

Paulo e o início da Igreja

Basilica Papale - San Paolo fuori le Mura - Le prime strutture della Chiesa


Corinto

Nesta cidade cosmopolita, onde o culto de Afrodite vem florescendo, Paulo encontra Priscila e Áquila, um casal de judeus expulso de Roma em 49 pelo edito de expulsão do imperador Cláudio, “uma vez que os judeus insurgiam continuamente, instigados por um certo Chrestos” (Suetônio, Cláudio, 25, 11). Nós os encontraremos em Roma, depois da morte de Cláudio, em 54, acolhendo o Apóstolo prisioneiro. Nesse meio tempo, o acompanharão a Éfeso, ocupando-se da Igreja e evangelizando.

Paulo, que espera “trabalhar” à maneira dos rabinos, de modo a assegurar a gratuidade de seu serviço apostólico, associa-se ao casal, confeccionando tendas, como eles. Durante o shabbat, na sinagoga, ele procura sem descanso demonstrar aos doutores da lei o messianismo de Jesus; o chefe da sinagoga, Crespo, deixa-se batizar com toda a família. A Igreja de Corinto, que acolhe também os pagãos, se desenvolve muito rapidamente. Ela se torna a base de Paulo a partir do momento em que Roma lhe é negada pelo decreto de expulsão de Cláudio. Paulo ali permanece por dezoito meses.

Um problema se impõe cada vez mais freqüentemente: as autoridades das sinagogas, que se beneficiam de privilégios, não desejam que os cristãos continuem a ser confundidos com uma seita judaica dissidente, embora na prática não tenham mais nenhuma relação de dependência com eles. Acabarão por acusar Paulo de propaganda religiosa ilícita diante do procônsul Galião (irmão do filósofo Sêneca). Depois de ouvir a acusação, Galião se recusa a ouvir a defesa, declarando-se incompetente para julgar, uma vez que Paulo é judeu e, a seus olhos, essa disputa é interna à sinagoga (At 18,12-16). Paulo embarca então para Antioquia e Éfeso, com Priscila e Áquila, que serão, nesta última cidade, o eixo da futura comunidade.

É no final dessa segunda viagem, em 52, que muitos historiadores inserem o “Concílio de Jerusalém” e o incidente de Antioquia.

Éfeso: Priscila e Áquila dirigem a Igreja

Este é o terceiro lugar de difusão da Palavra, nos Atos. Paulo passa mais de dois anos neste grande centro de intercâmbio cultural, religioso e comercial, entre o Oriente e o Ocidente, e aqui funda uma Igreja. O confronto com o judaísmo cede lugar ao encontro com outras correntes religiosas: Ártemis é a grande deusa de Éfeso. Priscila e Áquila dirigem a comunidade e ensinam com zelo. Dessa forma, eles expõem “mais exatamente o Caminho” a Apolo, que terá grande sucesso como catequista em Éfeso e em Corinto.

Mileto: as estruturas da Igreja

No caminho de volta a Jerusalém, Paulo, “acorrentado pelo Espírito”, manda chamar os Anciãos da Igreja de Éfeso. Prediz a eles seu fim próximo e explicita sua obra: “Vai, porque é para os gentios, para longe, que eu quero enviar-te” (At 22,21). Exorta-os à vigilância, ao trabalho, ao auxílio aos pobres e aos fracos: “Há mais alegria em dar do que em receber” (At 20,35). Enfim, deixa-lhes em testamento a “construção do edifício”, ou, antes, a entrega ao poder da Palavra, “que tem o poder de construir”: a atividade da Palavra é primordial, é ela que constrói a Igreja.

A cena termina com emoção: a assembléia se ajoelha e reza, Paulo é abraçado; todos se recomendam a Deus e à sua Palavra. Esse episódio é importante para a história institucional da Igreja: esses Anciãos, ou presbyteroi, convocados por Paulo, e que ele qualifica como pastores e bispos, encarregados de alimentar e guiar espiritualmente, velando (é o sentido do nome bispo) sobre o povo de Deus, não recebem seus poderes da assembléia dos fiéis, mas, sim, do Espírito.

No decorrer de seu ministério “independente” e diante de situações inéditas, Paulo tinha, portanto, de trazer inovações ao plano doutrinal para poder justificar sua exortação aos fiéis de que se reunissem em comunidades unidas. De fato, Paulo conseguiu, por onde quer que passasse, criar Igrejas muito unidas, para que pudessem subsistir e se desenvolver fora das estruturas ligadas às sinagogas.