ZENIT - O mundo visto de Roma

Fides News Português

Gaudiumpress Feed

16 de agosto de 2008

Assunção de Nossa Senhora

A Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. O Dogma da Assunção de Maria foi proclamado pelo Papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950, pela Constituição Dogmática “Munificentísimis Deus”. Esta definição foi proclamada após uma consulta feita a todos os bispos do mundo inteiro. Porém existe uma relação entre o Dogma da Assunção com o Dogma da Imaculada Conceição. Assim como Maria não teve nenhum pecado, a Igreja reconhece que ela não deveria sofrer a corrupção corporal.
A realidade da Maternidade Divina de Maria, que significa ser Mãe de Deus, é santificada pela sua resposta ao Plano Salvador de Deus. Ela, dizendo sim a Deus, esteve intimamente associada à obra da redenção e salvação da humanidade. Desta maneira, era natural que ela estivesse, também, ao lado de Cristo Ressuscitado e Glorificado. O Concílio Vaticano II afirma:
Finalmente, a Virgem Imaculada, que fora preservada de toda mancha da culpa original, terminado o curso de sua vida terrena, foi levada à gloria celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do universo, para que se conformasse mais plenamente com seu filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte” (LG 59).
A festa da Assunção de Maria já era celebrada há muito tempo e desde os primórdios do cristianismo. A Igreja do Oriente já celebrava a “dormição”, ou seja, que Maria “adormeceu” seu corpo foi levado de corpo e alma para o céu. Desta maneira seu corpo não sofreu a corrupção, conseqüência do pecado original, que ela não teve. O Dogma da Assunção faz parte dos outros dogmas marianos, a saber: a Virgindade, a Maternidade Divina e a Imaculada Conceição.
2. As Leituras Bíblicas:
a. Apocalipse
A Leitura do Livro do Apocalipse (11,19ª; 12,1.3-6ª.10) apresenta uma série de versículos extraído dos Capítulos 11 e 12, relata a realidade de “uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés”.
Apocalipse significa revelação. O livro do Apocalipse foi escrito entre os anos 90 d.C., período em que os primeiros cristãos sofreram uma perseguição intensa pelo Império Romano. Desta maneira São João utilizou muitos símbolos para descrever a situação e assim dar esperança e fortalecer a fé dos cristãos perseguidos e oprimidos pelo Império. Frente à luta do bem x mal, o convite era para que os cristãos e as comunidades se convertessem ao Evangelho de Jesus dando assim um verdadeiro testemunho da opção pelo Cristo.
Neste sentido o Apocalipse descreve a luta da maldade, representada pelo dragão contra a bondade divina. Assim a disputa nos remete ao paraíso, lembrando a serpente que favorece a expulsão da beleza, divina que habitava no interior do homem e da mulher, para ali colocar o orgulho e a presunção de assumir o lugar de Deus (Gn 3,1-24). Contra o dragão destruidor, a vitória divina acontece na fragilidade humana: uma mulher grávida e um recém-nascido (Ap 12,4-5).
Uma pergunta nasce ao fazer a leitura: Quem é esta mulher? O Livro do Apocalipse não identifica o nome, mas a comunidade que lê este Livro é convidada a interpretar o sinal. Assim poderemos ver prefigurada a realidade de Eva (= mãe dos viventes) de Gênesis 3,15-16, identificado com o Povo de Israel. Mas também poderemos identificar Maria, Mãe de Deus, que dá a luz a Cristo, salvador da humanidade. Neste caso as comunidades do Livro do Apocalipse (Ap 2,1-3,22), são convidadas a identificar essa mulher com a Mãe de Jesus e assim descobrir a raiz do seu ser e da sua missão neste mundo.
Outro sinal marcante do Apocalipse é o Dragão uma força hostil, de origem demoníaca (= aquele que separa, confunde...), aparentemente superior às forças dos cristãos (sete cabeças). As comunidades são convidadas a interpretar o sinal: o Dragão é força do mal que se encarna em pessoas e arranjos sociais, dificultando o testemunho cristão e procurando devorar os frutos e a vida das comunidades proféticas que resistem ao imperialismo romano. “Contudo, apesar de ter aspecto aterrador, seu poder não é absoluto, pois tem dez chifres (número que denota imperfeição) e com a cauda arrasta um terço das estrelas (cifra que denota poder parcial). As comunidades proféticas cristãs, pela força do Cristo ressuscitado, vencerão esse poder do mal que pretende dominar o mundo.
b. Evangelho
A cena do Evangelho, chamada da Visitação de Maria a sua prima Isabel narra o encontro de duas mulheres grávidas. O contexto é das aldeias: Maria é da aldeia de Nazaré e vai a uma aldeia da Judéia para servir. O Evangelista Lucas não pretende, em primeiro lugar, mostrar como isso aconteceu, mas reler esses acontecimentos à luz da morte-ressurreição de Jesus, a fim de iluminar a caminhada das primeiras comunidades cristãs. Não se trata, pois, de curiosidade histórica, mas de leitura teológica. Assim descreveremos alguns aspectos da Visitação destacando o poder do Altíssimo no processo da História da Salvação.
Isabel grávida de João Batista que será último dos profetas. Ele será grande diante do Senhor, desde o ventre de sua mãe (Lc 1,15); ele veio para dar testemunho da luz, porém ele não era a luz (Jo 1,7-8). A sua missão era preparar o caminho do Senhor, proclamando um tempo de conversão, pois o Reino do Céu está próximo (Mt 3,1ss).
Maria estava grávida de Jesus, o Filho do Altíssimo, que será grande, da descendência de Davi e se chamará Jesus, que significa “aquele que salva”.
No encontro entre as duas mulheres grávidas se dá a continuidade do Antigo e do Novo Testamento. Isabel simboliza toda a Tradição do Antigo Testamento que se alegra com a chegada da Boa Notícia em sua casa: “como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,43). Maria, por sua vez, leva consigo o Filho de Deus. Ela é a Arca da Nova Aliança, Aliança que Deus fez com a humanidade. Por isso que existe um clima de alegria e de acolhida simbolizadas e manifestadas nas crianças que saltam/pulam de alegria (Lc 1,44; 1Cro 13,8; 2Sm 6,1-23).
O texto de Lucas mostra que Isabel ficou cheia do Espírito Santo (Lc 1,41). Neste sentido a ação do Espírito de Deus acompanha todos os passos decisivos e importantes da História da Salvação [cfr. a nuvem (Ex 13,21), a sombra (Lc 1,35)]. Ela (Isabel) exclamou: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,45).
Maria, ao escutar esta bem-aventurança da sua prima Isabel, proclama o Magnificat, um cântico inspirado em outros cânticos do Antigo Testamento (1Sm 2,1-10) e um cântico de louvor e gratidão a Deus por tudo o que Ele fez na vida de Maria e da humanidade. Ela participa do triunfo do seu Filho (morte, ressurreição e glorificação), como participou da sua paixão. A sua vida foi um fazer a vontade do Pai, segundo a sua Palavra. Porém, a partir do seu Sim, como Serva da Palavra, foi um sim dado na Anunciação do Anjo (Lc 1,26-38) até a cruz e depois no Cenáculo a espera do Espírito Santo com os Apóstolos (At 1,14). Maria glorificada e assunta ao Céu é a imagem do que nós, como cristãos estamos chamados a ser.
Assim a Solenidade da Assunção mostra que Maria é a criatura que atingiu a plenitude da salvação, até a transfiguração do seu corpo. É a mulher vestida de sol e coroada de doze estrelas. É a mãe que nos espera e convida a caminhar para o reino de Deus. A Mãe do Senhor é a imagem da Igreja que gera um mundo novo e participa da vitória de Cristo sobre o mal.
(fr. João)