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30 de agosto de 2008

22° Domingo Comum - Seguimento - Renúncia - Cruz

A liturgia deste domingo (22º) quer mostrar a importância do seguimento de Cristo. No domingo passado Pedro fez uma profissão de fé profunda dizendo: “Tu é o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus, por sua vez, respondeu a Pedro com estas palavras: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16,16.18).
A cena do Evangelho de hoje está situada no contexto da parte narrativa do Reino dos céus, cujo tema é o seguimento de Cristo. Neste sentido, os discípulos desejam seguir o Mestre. Porém, Jesus vai fazendo uma catequese doutrinal e ensina o que significa segui-lo e anuncia o seu primeiro anúncio da paixão, nestes termos: “Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16,21). Neste versículo, o 21, poderemos perceber as quatro etapas do caminho da cruz: a primeira: ir a Jerusalém; a segunda: o sofrimento causado pelas autoridades (anciãos, sumos sacerdotes, e doutores da Lei); a terceira: ser morto pelo supremo tribunal; a quarta a ressurreição.
Jesus tem consciência do enfrentamento com o Sinédrio e começa a mostrar isso aos discípulos. Pedro, por sua vez, quer propor alternativas messiânicas “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” (Mt 16,22). E por isso começa a repreendê-lo dizendo: “vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens” (Mt 16, 23).
Uma realidade que nos chama a atenção é a reação do discípulo Pedro. “Na celebração do último Domingo ele era proclamado solenemente “pedra” sobre a qual Jesus iria construir sua Igreja; agora é rejeitado como “pedra de tropeço”. Pedro apresenta-se com uma mentalidade tão mundana a ponto de interferir no projeto de vida de Jesus, de realizar a vontade do Pai. Estabeleceu-se um confronto claro entre dois projetos: o de Pedro, que pensava como o mundo, e o de Jesus, que pensava como o Pai. Jesus expulsa Pedro de sua frente por querer sobrepor a mentalidade do mundo à vontade de Deus, impossibilitando-o de assumir a Cruz, símbolo da fidelidade ao projeto divino. Para Pedro e para seus discípulos, Jesus deixa claro que o projeto do Reino é diferente da mentalidade do mundo e que o confronto entre as duas mentalidades é inevitável”.
Jesus vai mostrando claramente as condições para o seguimento. De fato Ele afirma: “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Segui-lo significa uma adesão pessoal que implica renúncia, aceitação e compromisso. Para estar com ele, são exigidas duas condições: renunciar a si mesmo e tomar a própria cruz. Renunciar a si mesmo é deixar de lado toda ambição pessoal. Carregar a própria cruz é enfrentar, com as mesmas disposições de Jesus, o sofrimento, perseguição e morte por causa da justiça que provoca o surgimento do Reino. Neste sentido, poderemos ver uma sintonia com a penúltima bem-aventurança, “bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10). Ser discípulo de Jesus, portanto, é reviver a síntese das bem-aventuranças.
Contudo, no ensinamento sobre a realidade do seguimento, Jesus mostra que a sua proposta é um caminho para todo cristão que esteja disposto a segui-lo. Por isso que Ele usa as expressões “salvar-perder”, “perder-encontrar”. Ele diz: “quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 16,25). As suas orientações não são loucura, mas sim uma opção de vida que supõe um risco muito sério e profundo: “De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida” (Mt 16,26). Os discípulos tinham uma concepção errada do messianismo de Jesus e do modo de ser discípulo dele. Jesus vai ao encontro da cruz para depois voltar em sua glória.
Mas, há quem espere a salvação do sucesso terreno, das coisas, de “ganhar o mundo inteiro”, e, portanto, organize sua vida e sua atividade neste sentido; e há quem espere a salvação das mãos de Deus e a Ele se entregue totalmente, vivendo na fidelidade à sua palavra e a seu chamado, embora aos olhos do mundo esteja “perdendo a vida”...
Nesta realidade do seguimento de Cristo o Documento de Aparecida fala que é preciso estar “Parecidos com o Mestre” (4.2). “No seguimento de Jesus Cristo, aprendemos e praticamos as bem-aventuranças do Reino, o estilo de vida do próprio Jesus: seu amor e obediência filial ao Pai, sua compaixão entranhável frente à dor humana, sua proximidade aos pobres e aos pequenos, sua fidelidade à missão encomendada, seu amor serviçal até a doação de sua vida (...) Identificar-se com Jesus Cristo é também compartilhar seu destino: ‘onde eu estiver, aí estará também o meu servo’ (Jo 12,26). O cristão vive o mesmo destino do Senhor, inclusive até a cruz: ‘se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e me siga’ (Mc 8,34)” [Doc. Aparecida, 139-140).
(enviado por fr. João)