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24 de agosto de 2008

21° Domingo Comum - Tu és Pedro...

A liturgia deste 21º Domingo do tempo Comum nos convida a refletir sobre a profissão de Fé do Apóstolo Pedro e também sobre a autoridade que lhe é conferida por Jesus. Porém percebemos que o Mestre vai ensinando a comunidade apostólica sobre o seu verdadeiro messianismo. Neste sentido, e a caminho de Cesaréia de Filipe, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16,13).
No tempo de Jesus, muitos esperavam que o seu messianismo fosse responder as expectativas esperadas por Israel. Mas Ele veio para instaurar o Reino de Deus: reino de amor, justiça, paz... um Reino mais humano, justo e fraterno. Assim frente ao questionamento feito aos discípulos, eles responderam: “alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou alguns dos profetas” (Mt 16,14). Mas não basta reconhecer em Jesus outras pessoas que não seja Ele. Na sua escola e nos seus ensinamentos, experiências e vivências é preciso avançar e aprofundar quem de fato Ele é. Por isso que a sua interrogação é para saber se os discípulos estão entendendo o verdadeiro sentido do discipulado. Então Jesus pergunta: “e vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro, em nome da comunidade apostólica, responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Jesus lhe disse: “Feliz és tu Simão... E tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja... Eu te darei as chaves do Reino dos Céus...” (Mt 16,17-19).
Vamos analisar a resposta dos discípulos: Eles respondem o que o povo pensa sobre Jesus. Na verdade a chegada de Jesus trouxe uma “certa confusão”. Eles ficaram confusos pelo seu modo de agir, porque Jesus não correspondia a certos esquemas que a sociedade israelita esperava. Então citavam nomes dos Profetas e de João Batista.
A resposta de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Esta resposta de Pedro significa uma profissão de fé. É reconhecer que o messianismo salvador de Jesus. De fato Jesus veio para redimir toda a humanidade, principalmente uma humanidade ferida pela injustiça, pelo egoísmo e individualismo, pela falta de amor, etc...
A resposta de Jesus é a confirmação de Pedro na sua função de porta-voz da comunidade apostólica, da Igreja, de um líder que, terá pela frente, a continuação da missão de Jesus. Pedro significa pedra, rocha... Neste sentido o apóstolo Pedro é confirmado como a pedra fundamental para guiar a comunidade apostólica e a Igreja. Pedro recebe de Jesus as “chaves do Reino dos Céus”. Elas são um símbolo que significa ministério, serviço, dedicação... portanto, uma realidade no nível da fé. Na expressão “Reino dos Céus”, está contido a realidade do Reino de Deus. Trata-se do Reino de Deus entendido como comunidade de irmãos que celebram a vida e a fé e constroem este Reino, na busca da justiça, da fraternidade “aqui neste chão”.
Sabemos que o secularismo e o individualismo estão presentes com muita força na atualidade. Eles nos desafiam e muitas vezes esperam uma resposta concreta de cada cristão que tem um compromisso e uma opção por Jesus. A pergunta “quem é Jesus Cristo hoje?” ainda continua atual. Algumas realidades procuram uma resposta:
- para os jovens, Jesus representa a novidade, a contestação...;
- para os pobres e oprimidos, Jesus aparece como o libertador e promotor da vida, fazendo a inclusão de todos no seu Reino. Ele é o símbolo de uma esperança viva e de uma vida nova;
- para os agentes das obras sociais, Jesus é um revolucionário, que luta contra a injustiça, a opressão, a exploração do homem pelo homem, criando novas relações entre os seres humanos;
- Para nós, cristãos, Jesus continua a nos inspirar. Muitas pessoas fazem questão de ter uma imagem de Cristo: pode ser de madeira, de gesso, de ferro. Porém esta realidade nos deve levar ir além da própria imagem e se comprometer verdadeira com Cristo, com a sua vida e a sua missão. Tudo isso revela uma realidade positiva: nosso mundo não pode prescindir de Cristo. O Papa João Paulo II insistia que neste novo milênio tudo deveria “começar a partir de Cristo”. A nossa vida e a nossa história estão marcadas por Ele, e isto não se pode ignorar.
Contudo, seria importante fazer um questionamento: quem é Jesus Cristo para mim? Certamente não basta responder com respostas prontas, fórmulas aprendidas na catequese, nos livros, etc. É preciso buscar a resposta no interior do coração, na vida vivida, buscada, celebrada e testemunhada. É preciso descobrir o que, de fato, Jesus representa na minha vida. Ele, portanto, não é um personagem do passado que viveu e morreu. Ele ressuscitou e está vivo, presente em cada celebração da vida da comunidade. Ele está presente, sobretudo, nos pequenos e sofredores, pois o Mestre dirá: “eu estava com fome e me destes de comer, eu estava com sede e me deste de beber, eu era estrangeiro e me acolhestes em casa, eu estava sem roupa e me vestiram, eu estava na prisão e me visitaram” (Mt 25,35-36).
(enviado por fr. João)