ZENIT - O mundo visto de Roma

Fides News Português

Gaudiumpress Feed

5 de julho de 2008

14° Domingo Comum - Eu te louvo ó Pai

A reflexão desta semana nos convida a descobrir um Jesus que realiza um messianismo diferente e ao mesmo tempo presente na vida das pessoas. Ele contempla, olha e observa a realidade da vida. Ele revela o mistério de Deus aos humildes. Porém, Ele próprio é o humilde que acolhe os humildes por causa da sua mansidão, porque o seu jugo é leve e suave.
No 9º Domingo, o evangelista Mateus apresentava Jesus que viu (=olhou / contemplou) um povo casando e abatido e como ovelhas sem pastor (Mt 9,36). No texto que estamos refletindo, a nossa atenção se volta para o olhar de Jesus, não mais considerando um povo perdido, mas para a individualidade de cada pessoa. Neste sentido, o Evangelho descreve um Jesus incomodado e inconformado com o abatimento na vida em tantas pessoas e propõe o seu fardo e o seu jugo em troca do peso que os abate (Mt 11,29). Deus se incomoda com quem vive angustiado e vem-lhes ao encontro oferecendo sua paz e o coração. Em outras palavras, a cura e a libertação de todas as situações da vida que impedem as pessoas ser mais livres e assim optarem decididamente pelo caminho do discipulado missionário.

No Evangelho iremos perceber que o olhar de Jesus transforma-se num grande questionamento para os discípulos, ou seja, ter a capacidade de olhar com os olhos de Jesus. A sua caminhada era para ir interiorizando os gestos, atitudes, olhares de Jesus. Num primeiro momento, o olhar de Jesus aponta para aquele que tem o coração igual ao seu Coração, isto é, um coração marcado pela simplicidade e pela humildade; um coração que toma posição a favor de quem está abatido, cansado, desiludido, sem esperança e deprimido. Noutro momento, Ele aponta para o interior da pessoa, para aquele que, como Ele, tem o Espírito de Deus dentro de si. Sem o Espírito de Deus no coração, os olhos dificilmente se abrem para ver e reerguer o abatido e o deprimido.
Neste sentido o Profeta Zacarias anuncia um tempo messiânico na qual não se apóia nos meios humanos, mas põe toda a sua confiança em Deus; por isto ele é justo e vitorioso, porque sua força está em javé salvador. Assim ele profetiza: “exulta, cidade de Sião! Rejubila filha de Jerusalém. Eis que vem teu rei ao teu encontro, ele é justo, ele salva...” (Zc 9,9).

São Paulo escrevendo aos cristãos de Roma exorta: a liberdade obtida em Cristo faz com que o princípio de ação dominante em cada um de nós não seja mais o pecado (carne), mas o Espírito que dá vida. Ora, o Espírito é uma força dinâmica que faz tender para a plena participação da vida de Cristo, da ressurreição...

Assim, a dimensão do olhar de Jesus transcende toda e qualquer situação. “Olhar e ver é apenas uma parte. A segunda parte é a tomada de posição. O que fazer para que os abatidos retomem ânimo. Certamente que encorajá-los a descansar no Coração de Jesus, como ele mesmo convida e incentiva, é um primeiro passo. Mas, o discípulo vai além. Ele assume a atividade pastoral de colocar no coração de quem está abatido o jugo e o fardo de Jesus. Oferece uma nova visão da religião e um novo jeito de viver a religião, que se fundamenta na possibilidade de uma permanente renovação espiritual. Quando Jesus oferece o seu jugo e o seu fardo, está dizendo que sua proposta de vida na religião não oprime com pesos e fardos de legalismos ou doutrinamentos. Sua proposta religiosa é um caminho existencial, equilibrado e iluminado nos valores do Evangelho. Atitude prática, neste sentido, é convidar e conduzir essa gente a entrar na escola de Jesus para se tornar discípulo dele”.

Contudo, neste louvor ao Pai, Jesus tem consciência de que sua missão é libertar a todos os que estão sofrendo, principalmente os pequenos, os oprimidos, os pecadores. Ele reza ao Pai: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25). No tempo de Jesus os “chamados pequenos” eram as crianças, as mulheres, os pecadores, os doentes, cegos, e aqueles que de uma maneira ou outra não podiam ter acesso ao templo, a Palavra de Javé, etc... Neste sentido, Jesus lhes dirige uma mensagem: “vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso” (Mt 11,28-29).

Olhar o mundo e a realidade com os “olhos de Jesus” é missão dos discípulos e da Igreja. Só “contemplando” a realidade onde muitos dos nossos irmãos estão sofrendo o peso de uma estrutura social que muitas vezes não permite a pessoa se libertar, indicaremos o caminho do encontro com Jesus. N’Ele e no seu Coração o discípulo missionário poderá compreender que a bondade o capacita a ter atitudes capazes de reanimar quem vive abatido e ajuda a reconstruir a vida com uma espiritualidade centrada em Cristo e no seu Evangelho.
(enviado por fr. João)