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21 de junho de 2008

12º Domingo Comum - Não tenham medo

A liturgia deste domingo vem ser um alerta para os discípulos que estão seguindo a Cristo. Eles deverão estar preparados para enfrentar as adversidades, principalmente com relação ao anúncio do Evangelho e do Reino de Deus. Eles tinham recebido de Jesus a autoridade (Mt 9,35-10,6) para expulsar demônios, curar enfermos, etc. Jesus é consciente de que a novidade do Reino, a nova maneira de pensar e a opção por este Reino iria trazer certas complicações e conflitos. Ele esclarece para os apóstolos: “Não tenham medo” (Mt 10, 26.28.31). Cristo tem consciência de que o medo pode gerar uma instabilidade emocional e com isso “atrapalhar” o desempenho da missão evangelizadora.

Mateus escreve o seu evangelho no período em que o Imperador Domiciano estava dominando o império romano e não estava disposto a tolerar o cristianismo. No horizonte imediato das comunidades cristãs, está uma hostilidade crescente, que rapidamente se converterá em perseguição organizada contra o cristianismo. A Comunidade cristã que se converteu ao cristianismo possuía uma grande sensibilidade missionária e se empenhava em levar a Boa Nova de Jesus a todas as pessoas; no entanto, naquela época, ela deveria conviver com as dificuldades e as perseguições e muitas vezes “até batia aquele desânimo”. Com os apóstolos sucediam a mesma situação.
Sabemos da escolha de Javé pelo povo eleito. Jesus escolhe a comunidade apostólica para que ela seja porta-voz dos tempos messiânicos e, portanto confia-lhe a missão profética no mundo. Em outras palavras, o apostolo escolhido ou as comunidades escolhidas terão que confrontar-se com as forças adversas que se traduzirão em sofrimento, perseguição e desânimo. Mas a realidade do medo paira no ar e pode fazer com que a pessoa ou a comunidade permaneçam no seu próprio mundo.
Por outro lado Jesus garante que estará com seus discípulos “todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). Com esta garantia de Jesus a comunidade apostólica é convidada a testemunhar o Evangelho. Muitos querem anunciá-lo, mas têm medo. Alguns gostariam de viver o Evangelho em sua radicalidade, sentem-se atraídos a viver e pensar como o Evangelho ensina, mas têm medo. No tempo de Jesus, por exemplo, a ameaça vinha do poder político. Porém, mesmo diante da realidade social e política, muitos cristãos sofreram e ainda sofrem perseguição por causa do Evangelho. É gente confiante, que não tem medo de viver o Evangelho!

“Hoje em dia, contudo, parece que o medo de viver o Evangelho aumentou, não porque alguém nos ameace de morte ou persiga, mas pelo estilo de viver que existe na sociedade. Os grandes meios de comunicação, por exemplo, propõem um estilo de vida com a força de uma quase ditadura psicológica. Jovens e não tão jovens têm medo de viver de outro modo daquele imposto pelos grandes meios; medo de pensar diferente, medo de agir como age o Evangelho porque se sentem obrigados a seguir aquele padrão de vida que a sociedade diz ser a moda do momento. É contra essa ditadura psicológica que Jesus faz referência. Ele é claro: nesse processo que manipula nosso modo de viver tem elementos que fazem perder o corpo e a alma. Aqui Jesus faz referência ao aspecto positivo do medo. Ter medo de quem pode levar a vida ao precipício, tanto corporal como espiritual. Ter medo daqueles que fazem a cabeça da moçada e os incentiva a viver sem responsabilidades, sem respeitar um ao outro, a arriscar-se em baladas que tiram a paz interior e os fazem sempre mais violentos. Destes precisamos ter medo, diz Jesus, porque matam a alma de nossa juventude e matam a alegria de tantas famílias. Este é o lado positivo do medo positivo, que protege a vida e a serenidade do espírito”.

Jesus insiste sobre o valor que temos perante Deus. Hoje somos convidados a fazer uma experiência profunda de fé e assumir o compromisso de inerentes do compromisso com Mestre. “Aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que esta nos céus” (Mt 10,32). A realidade do testemunho será fundamental para a Evangelização e o anúncio da Boa Nova de Jesus. O Evangelho nos impele a sair (= ser missionário), a ter coragem, a ter firmeza na fé... principalmente frente a uma sociedade secularista e hedonista onde os valores espirituais e do evangelho estão se perdendo pouco a pouco.

Contudo, mesmo diante das incertezas da vida Jesus nos convida a superar os medos, a optar por Ele e ter a certeza de que, como discípulos missionários, valemos muito aos olhos do Pai e nada nos acontece sem que Ele o permita quando Ele afirma: “vocês valem mais do que muitos pardais” (Mt 10,31)
(enviado por fr. João)