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14 de junho de 2008

11° Domingo Comum - A messe é grande

O Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum narra algumas ações bem concretas de Jesus. Fala da sua compaixão, porque a multidão não tem pastor; fala que a messe é grande e os operários são poucos; fala do chamado dos apóstolos e fala do envio e do anúncio do reino dos céus.
O Evangelista Mateus diz que Jesus, ao ver as multidões, “compadeceu-se porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9,36). Certamente eram muitas pessoas (=multidão) que estavam em busca de Jesus para serem curadas (Mt 4,25). Mas, também podemos ver que Jesus multiplica os pães para uma multidão de pessoas (Mt 14,19). Na mentalidade dos fariseus essas pessoas eram massas populares, ignorantes, que não guardavam a lei, e portanto malditas (=mal faladas), ou seja, povo da terra. É a este povo que Jesus dá sua total atenção.

Jesus fala para os discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mt 9,37). A grande preocupação de Jesus é com o povo, “marginalizado e totalmente fora do contexto social” e sem nenhuma orientação. Os fariseus desprezavam o povo por sua ignorância e por sua deficiência em cumprir a lei. Os líderes, fariseus e saduceus, e as autoridades da época se comportavam como pastores mercenários para os quais as ovelhas importavam menos do que o próprio interesse (Jo 10, 12; Ez 34,1ss). Jesus se revela como pastor e porta: “eu sou a porta... eu sou o bom pastor” (Jo 10,7.11). Neste sentido Jesus Cristo é o enviado do Pai para conduzir este rebanho (= multidões) e dar a vida por elas. E pedindo ao Pai que envie operários e que essas pessoas escutem a voz do único Pastor e se tornem verdadeiramente um só rebanho e um só pastor.

Então Jesus chamou os doze e deu-lhes poderes... (Mt 10,1). Então seria importante entender que a mesma autoridade de Jesus, ele transmitiu aos discípulos. Ou seja: Deu-lhes poder ou faculdade de: expulsar espíritos imundos; de curar toda doença e toda fraqueza. De fato, uma vez enviados, puderam constatar que a autoridade funcionava e voltaram exultantes. Segundo o pensamento da época, as doenças, especialmente com febre, eram parte de espíritos malignos que podiam obedecer às ordens de um ser superior, como no caso do centurião [Lc 7, 8-9] que também fala do poder e o caso da sogra de Pedro a cuja febre Jesus conjurou como se fosse um mau espírito (Lc 4, 39).
O número doze... recorda as doze tribos de Israel. Os Doze Apóstolos é o símbolo do início de um novo tempo, um novo povo formado a partir dos ensinamentos de Jesus. O Livro do Êxodo fala sobre a formação do Povo e diz assim: “se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos, porque minha é toda a terra. E vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,2-6ª).Portanto este povo de Deus sacerdotal, profético e real, tem por chefe Jesus Cristo, tem por lei o novo preceito do amor... “Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos” (Jo 13,35).

Jesus envia os doze e lhes dá autoridade para anunciar em seu nome. Os discípulos são enviados, sobretudo, “às ovelhas perdidas de Israel” (Mt 10,6). O povo da região da Galiléia foi considerado por muitos como “gentílica” ou misturada com os pecadores natos, como eram os Gentios. Neste sentido parte dos galileus estavam em pecado e, portanto fora do contexto social. Por isso que Jesus os considerou como “ovelhas perdidas de Israel”. É a eles que Jesus envia os seus discípulos para que eles orientassem com estas palavras: “O Reino dos Céus está próximo” e também para curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expulsar os demônios (Mt 10,8). É com este espírito que os discípulos começam a experimentar o seguimento de Cristo. Jesus ainda insiste na experiência da gratuidade (Mt 10,8). Ele não quer que seus seguidores tenham uma mentalidade de dar e ter que receber. Seguir a Jesus significa “romper” com esquemas pré-fixados e interiorizar a espiritualidade da gratuidade. O novo “povo sacerdotal”, a Igreja, não é uma entidade separada do mundo, fechada em si mesma. Ela existe para evangelizar. Por isso “quando a Igreja toma consciência de si, torna-se missionária” (Papa Paulo VI). Hoje, inspirando no Colégio Apostólico, a Igreja renova o seu compromisso com Jesus, sendo discípula missionária e anunciado o Evangelho da Vida, para que todos os povos tenham vida e vida em abundância.

O que diria Jesus ao contemplar o nosso mundo, a nossa sociedade e o nosso povo?

Ele ainda estaria contemplando multidões cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor.

Deus continua precisando de pessoas disponíveis para continuar a sua obra de Libertação e Salvação. Existem muitas pessoas batizadas que ainda não tomaram consciência da sua missão evangelizadora. O “Doze representam a totalidade e as “colunas” da Igreja. Nós, a partir do nosso Batismo fazemos parte desta Igreja fundada Por Jesus Cristo. Contudo, qual seria a missão dos discípulos de Jesus? Certamente Cristo estaria indicando a missão entre “as ovelhas perdidas de Israel”. Hoje seria lutar contra tudo o que escraviza o homem e o impede de ser feliz. Por outro lado:

- há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las;
- há "valores" que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los;
- há esquemas de exploração que geram miséria, marginalização, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los.

Sabemos que a proposta de Jesus é libertadora e deveria estar presente na vida dos seus discípulos em qualquer lugar onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça.
Vamos procurar fazer a experiência do seguimento de Cristo e transmitir alegria, coragem e esperança, principalmente para aqueles que vivem imersos no abatimento, na frustração, no desespero, etc...

Vamos ser um sinal do amor e da ternura de Deus para aqueles que vivem sozinhos e marginalizados.

Vamos ser multiplicadores da missão evangelizadora na certeza de que estaremos pedindo ao Senhor da messe que envie missionários para anunciar o Evangelho da vida no meio do nosso povo.
(enviado por fr. João)