6 de junho de 2008

10° Domingo Comum - Quero a misericórdia e não o sacrifício

O Evangelho deste domingo narra o chamado que Jesus fez a Mateus. Mateus era um publicano, cobrador de impostos e, portanto pecador. Jesus olhou para ele que “estava sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: segue-me! Ele se levantou e seguiu a Jesus” (Mt 9,9). É a realidade de um chamado e de uma resposta imediata.

Outro dado importante que nos apresenta o Evangelho é o fato de Jesus estar fazendo uma refeição com os pecadores e os cobradores de impostos (Mt 9,10). Esta realidade é observada pelos fariseus que perguntaram aos discípulos de Jesus: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” (Mt 9,11).

Neste sentido seria importante perguntar: No tempo de Jesus, quem são os fariseus? “Fariseu quer dizer separado. Eles eram aliados à elite sacerdotal... São nacionalistas e hostis ao império romano... No terreno religioso, os fariseus se caracterizam pelo rigoroso cumprimento da Lei em todos os campos e situações da vida diária. São conservadores zelosos e também criadores de novas tradições... Esperavam um messias político-espiritual, cuja função será precipitar o fim dos tempos e a libertação de Israel. Esse messias será alguém da descendência de Davi. E, para os fariseus, a estrita observância da Lei, a oração e o jejum provocarão a vinda do Messias. Os fariseus e os doutores da Lei simpatizam-se, a ponto de muitos doutores serem também dos fariseus” (cf. Bíblia – Edição Pastoral, Ed. Paulus).

Percebemos em Jesus uma liberdade muito grande onde Ele acolhe a todos, principalmente aqueles que “são rotulados” de pecadores e que “não praticam” a lei e tampouco seguem os preceitos. Porém a principal proposta de Jesus é a conversão e a mudança (=transformação) total de vida. Os fariseus, fechado em suas leis e tradições, se orgulhavam de serem bons praticantes da religião e na oportunidade questionaram a atitude de Jesus. Em outras palavras, resistem ao processo de conversão e a mudança de vida.

Jesus, diante dos questionamentos feitos pelos fariseus, explica: “aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas, sim, os doentes. Aprendei, pois, o que significa: quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9,12-13). Para Jesus o importante é a abertura de coração, conversão e mudança de vida. A nova dimensão do Reino de Deus, anunciado por Ele, é a oportunidade e a decisão de começar uma nova vida. Na Sagrada Escritura encontramos algumas orientações em que os profetas alertam e que foram assumidas por Jesus: “esse povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim" (Mt 15,8; Is 29,13). A realidade é esta: a partir do encontro pessoal com Cristo começa a existir um ritmo de vida diferente, mais humano, fraterno e evangélico. Não basta “cumprir” os mandamentos para estar em paz com Deus. É preciso seguí-lo com um espírito renovado.

Jesus fala da misericórdia. Misericórdia significa olhar para a miséria do outro com o coração e não com a razão. Os fariseus olhavam para os pecadores com os esquemas da Lei. Jesus olha para o pecador com o coração e afirma: “quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9,13). E ainda: “bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia” (Mt 5,7). Contudo, perceberemos a preferência do Mestre pelos pecadores. Por que? Porque eles, uma vez esclarecidos da sua falta, encontravam em Jesus a misericórdia, a acolhida, o respeito. Por outro lado, eram humildes, sinceros e queriam mudar de vida. Assim aconteceu com Mateus (Mt 9,9), a Pecadora (Lc 7,36-50), o Fariseu e o Publicano (Lc 18,10-14), a Samaritana (Jo 4,1-42), a mulher pecadora (Jo 8,1-11).

Certamente, desejamos um mundo melhor e cheio de paz. Jesus tinha consciência de que sua missão era instaurar o Reino de Deus e a sua justiça. Ele propõe o seguimento e o discipulado missionário. Mateus e outros responderam imediatamente o convite. Talvez estejamos satisfeitos porque “cumprimos” os mandamentos de Jesus e da Igreja. Ou porque participamos das atividades pastorais e comunitárias e com isso já “garantimos a salvação”. Os fariseus se achavam orgulhosos porque eram praticantes da Lei e os pecadores ficavam de fora do templo, não podiam ter acesso à Palavra e etc... Jesus propõe que a comunidade (= Igreja) deveria ser espaço de acolhida para todos aqueles que o mundo exclui e marginaliza. O Documento de Aparecida fala da inclusão, sobretudo dos “sobrantes” da sociedade.

São Pedro afirma que “Jesus andou por toda a parte fazendo o bem” (At 10,38). Passar fazendo o bem é próprio de Deus e de Jesus, é típico da misericórdia divina ter esta atitude dinâmica que leva Deus a sentar-se à mesa com o homem e a mulher, independente de ser santo ou pecador. A mesa e, sobretudo a Eucarística, (= mesa do pão) torna-se um local da dinâmica misericordiosa de Deus, onde Deus se aproxima para fazer comunhão, torna-se fonte de partilha, local revelador onde Deus se manifesta em profundidade, como acontecera com os Discípulos de Emaús (Lc 24,28-31). No texto do Evangelho deste domingo, vemos a experiência de Mateus que depois de partilhar a mesa com Jesus, ingressa no seguimento (= “vem e segue-me”), faz-se discípulo e inicia o conhecimento profundo de Deus caminhando nas estradas do mundo com Jesus.
(enviado por fr. João)

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