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17 de maio de 2008

SANTÍSSIMA TRINDADE

A liturgia deste domingo, dia do Senhor, nos convida a celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade. O tempo pascal nos colocou diante dos olhos a unidade da obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sabemos que Cristo veio cumprir a obra do Pai e nos deu seu Espírito, para que ficássemos nele e mantivéssemos o que Ele fundou, renovando-o constantemente, neste mesmo Espírito. Esta solenidade é uma oportunidade para contemplar nosso Deus, que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para fazê-los comungar nesse mistério de amor.

O autor do Quarto Evangelho proclama que a obra de Cristo é o plano de amor do Pai para com o mundo. De fato o texto nos diz que: “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,17). Porém, existe uma exigência de fé: crer. Por isso que o amor de Deus é grande, profundo e infinito. Ele quer a salvação do mundo e não a condenação. Neste sentido Ele não poupou o seu próprio Filho... “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).Quem o aceita na fé e crê está salvo. O Deus que em Jesus Cristo se manifesta (Jo 1,18) é o Deus da graça e verdade (Jo 1,14.16), o que se pode traduzir por amor e fidelidade.
São João escreve que a Deus ninguém jamais viu, mas o Filho unigênito o deu a conhecer (Jo 1,18), pois, quem vê Jesus, vê a Deus. Neste sentido, o mesmo Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus do Novo. Deus é um só: o Deus de amor (1Jo 4,8.16). Nós é que temos, às vezes, visões muito parciais dele. Mas em Cristo, Ele se deu a conhecer como aquele que ama o mundo e não deseja condená-lo.

Assim o mistério que nos envolve na solenidade deste domingo é o da unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, no seu amor pelo mundo. Vejamos a comparação de dois textos:

Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16).

Compreendemos o que é o amor, porque Jesus deu a sua vida por nós; portanto nós também devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16).

Vemos a semelhança e a unidade dos textos. Porém, assim como Jesus morreu para salvar o mundo, o cristão é convidado a dar a vida pelos irmãos. Em outras palavras seria praticar a justiça, o amor, a fraternidade e a partilha.
Mas por que Deus revelou esse mistério?
Certamente Ele deseja que todos participem desta unidade perfeita. É a comunhão de um Deus Trino. Assim Ele nos introduz na vida da sua família divina. Invocar a Trindade é invocar a presença de Deus em nós. Portanto:

- Em nós está o PAI, que nos chamou do nada, nos insuflou o sopro da vida, nos deu um nome, nos confiou uma missão.
- Em nós está o FILHO, que entregou sua vida por nós.
- Em nós está o Espírito Santo que nos ilumina e fortalece nos caminhos de Deus.E toda essa maravilha veio até nós pelo Batismo, porque fomos batizados em nome do PAI+FILHO+ESPÍRITO SANTO.

Ter esse tesouro precioso dentro de nós é uma dignidade, que deve provocar em nós três atitudes:

- ADORAÇÃO: Como não dar glória, bendizer e agradecer o hóspede divino, que faz de nossa alma um verdadeiro Santuário?
- AMOR: Deus, apesar de sua grandeza, fica conosco como um pai amoroso. Como não corresponder a seu amor?
- IMITAÇÃO: O Amor nos levará à imitação da Santíssima Trindade, mesmo com as nossas limitações e pequenez.

Portanto, o estilo de vida cristã, inspirando-se no amor misericordioso de Deus, ganha sua expressão mais evidente na comunidade e na convivência fraterna. Se Deus é amor e se a fé do cristão nasce da contemplação do amor misericordioso de Deus, então é natural sentir a presença de Deus na promoção da paz e da concórdia de uma comunidade. Toda existência cristã consciente, como estilo de vida fundamentado no Evangelho, encontra na comunidade Trinitária seu modo de acolher e conviver com o outro; isto é, viver e conviver comunitariamente. Numa palavra, significa viver como salvados e não como gente que vive para ser salva. Lá onde se age no amor, onde se favorece a concórdia e a comunhão entre as pessoas e se trabalha pela paz, sempre existirá o reflexo do Deus Uno e Trino porque será uma comunidade refletida pela pluralidade, mas fundamentada na unidade profunda do amor. Será uma comunidade refletida na Trindade Santa.
(enviado por fr. João)