4 de maio de 2008

Peregrinações aos Santuários Marianos

Em diferentes partes do mundo os cristãos expressam sua devoção à Virgem Maria por meio de peregrinações aos Santuários Marianos. As constantes e numerosas peregrinações a esses santuários, não somente evidenciam a presença de Maria na vida cristã ao longo da história, mas revelam o modo como a religiosidade popular se expressa por experiências existenciais.

Aos santuários marianos, considerados pela religiosidade cristã como lugares fortes de oração e de penitência, se dirigem números e piedosos peregrinos para cumprir promessas realizadas em momentos de dificuldades familiares ou em situações críticas pessoais. Ali recebem os sacramentos, renovam-se as forças espirituais e inebriam a alma pela oração. O testemunho de fé dos peregrinos silencia os que procuram compreender pela razão o fenômeno. Maria é tratada com intimidade e afeição sob diversas práticas de piedade. Antes de deixar o santuário o peregrino deposita aos pés de Maria aquilo que o entristece, preocupa e inquieta. Sente-se tão acolhido que lhe custa desprender-se do regaço acolhedor da Mãe. Quer lhe mostrar o seu próprio olhar, que comunica sua experiência de fé.

Maria é sempre caminho que conduz a Cristo, revela-nos o dato da fé. O povo cristão procura chegar a Deus através da sua Mãe. O encontro com Ela não pode deixar de terminar num encontro com o próprio Cristo. Ela é o refugio.

"Desde remotíssimos tempos – recorda o Concílio Vaticano II – a Bem-aventurada Virgem Maria é venerada sob o título de Mãe de Deus, sob cuja proteção os fiéis se refugiam súplices em todos os seus perigos e necessidades" (Const. Lumen gentium, 66).

É uma visita revestida de caráter penitencial e de sentido apostólico. O caráter penitencial é traduzido muitas vezes num pequeno gesto de sacrifício: fazer o trajeto a pé a partir de um lugar conveniente, ter algum pormenor de sobriedade que custe sacrifício... O sentido apostólico se expressa no propósito de aproximar mais de Deus as pessoas que nos acompanham e rezando juntos com especial piedade o Santo Rosário.

Recomenda o Concílio Vaticano II:

"Todos os fiéis cristãos ofereçam insistentes súplicas à Mãe de Deus e Mãe dos homens para que Ela, que com as suas preces assistiu às primícias da Igreja, também agora, exaltada no Céu sobre todos os bem-aventurados e anjos, na Comunhão de todos os Santos, interceda junto do seu Filho"(LG, 69).

"Dêem grande valor às práticas e aos exercícios de piedade para com a Virgem Maria recomendados pelo Magistério no decurso dos séculos" (LG, 67).

Por isso a devoção mariana e a peregrinação aos santuários marianos estão presentes em todos os continentes, são incentivados pelos frutos espirituais e pela edificação da fé crista. Frutos da piedade e do amor dos cristãos à sua Mãe através dos séculos, os santuários marianos são atualmente incontáveis. Lugares privilegiados de oração, pequenos ou grandes, em que há uma presença especial da Virgem, convertem-se em santuários internacionalmente conhecidos e freqüentados por milhões de pessoas a cada ano. Assim por exemplo, é o exemplo de Nossa Senhora de Guadalupe no México, Nossa Senhora de Fátima em Portugal, Nossa Senhora  de Loreto, na Itália, Lourdes, na França e muitos mais.

O segundo monumento católico mais visitado do mundo, depois do Vaticano é a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe no México, com mais de 14 milhões de visitantes por ano. Trata-se do Santuário Mariano mais visitado do mundo. Sua origem está na aparição da Virgem Maria a um pobre índio da tribo Nahua, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, em Tepeyac, noroeste da Cidade do México. A cada ano, no dia 12 de dezembro, data da aparição da Virgem a Juan Diego, cerca de 4 e 5 milhões de pessoas se aglomeram pelas ruas de México, numa peregrinação pelo noroeste da cidade para a montanha de Tepeyac, onde a aparição ocorreu em 1531. A representação da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe com seu rosto mestiço dá expressão da sua maternidade espiritual. Maria apresentou-se grávida e pobre. Apresentou-se grávida: usava o símbolo da gravidez das mulheres indígenas, uma faixa preta; a gravidez, além do compromisso com a maternidade do Menino Jesus, é o símbolo do compromisso de Maria grávida do projeto de Deus que seu menino vinha para executar; apresentou-se pobre: vestida com roupas próprias das mulheres indígenas. Maria apareceu ao índio Juan Diego: é participante essencial no episódio de Guadalupe como interlocutor e mensageiro de Maria; representa toda a classe pobre que é a destinatária da mensagem de Guadalupe.

Gigantesca, de fato, é a Basílica Nacional de Aparecida, que tem capacidade de abrigar 75 mil pessoas e possui a forma de uma Cruz Grega (de braços iguais) com naves que possuem uma altura de 40 metros. A cúpula mede 70 metros de altura e 78 metros de diâmetro, sendo que sua torre mede 100 metros de altura. Possui área construída total de 23 mil metros quadrados (sendo cobertos 18 mil) e tem capacidade para 45.000 fiéis dentro da basílica e quatro mil ônibus e seis mil carros nos 272 mil metros quadrados de estacionamento. É o local de peregrinação dos trabalhadores. O Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é visitado anualmente por aproximadamente oito milhões de romeiros de todas as partes do Brasil. Tudo começou no século XVIII..., Na segunda quinzena de outubro de 1717, três pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, ao lançarem sua rede para pescar nas águas do Rio Paraíba, colheram a Imagem de Nossa Senhora da Conceição, no lugar denominado Porto do Itaguassu. Filipe Pedroso levou-a para sua casa conservando-a consigo até 1732, quando a entregou a seu filho Atanásio Pedroso. Este construiu um pequeno oratório onde colocou a Imagem da Virgem que ali permaneceu até 1743. Todos os sábados, a vizinhança reunia-se no pequeno oratório para rezar o terço. Devido à ocorrência de milagres, a devoção a Nossa Senhora começou a se divulgar, com o nome dado pelo povo de Nossa Senhora Aparecida.

Seis milhões de peregrinos por ano colocam Lourdes entre os santuários marianos mais visitados no mundo. Lourdes era apenas um pequeno burgo até 11 de Fevereiro de 1858. Neste dia, Bernadette Soubirous viu uma aparição de Nossa Senhora na margem do rio Gave que conferiu à cidade a qualidade de cidade mariana. Quatro anos depois da proclamação do dogma da Imaculada Conceição por parte do Beato Pio IX, Maria mostrou-se pela primeira vez a 11 de Fevereiro de 1858 a Santa Bernadete Soubirous na gruta de Massabielle. Seguiram-se outras aparições acompanhadas por acontecimentos extraordinários, e no final a Virgem Santa despediu-se revelando à jovem vidente, no dialeto local: "Eu sou a Imaculada Conceição". A Mensagem que Nossa Senhora continua a difundir em Lourdes recorda as palavras que Jesus pronunciou no início da sua missão pública: "Convertei-vos e acreditai no Evangelho", rezai e fazei penitência. Neste ano jubilar, celebramos o 150º aniversário das aparições em Lourdes.

Nesses santuários e em muitos outros dedicados a Nossa Senhora, milhares de pessoas alcançaram graças ordinárias e extraordinárias pela intercessão de Mãe de Deus: os fiéis acorrem aos santuários para dar-lhe graças, para louvá-la, para pedir-lhe, e também para começar uma vida nova depois de terem vivido talvez longe de Deus... uns começam uma vida nova, depois de fazerem uma boa confissão dos seus pecados; outros compreendem que o Senhor os chamava a uma entrega mais plena ao serviço dEle e das almas; outros obtém ajuda para vencer graves dificuldades da alma ou do corpo...

De fato, como dizia João Paulo II, a herança de fé mariana de tantas gerações é ponto de partida para Deus. As orações e sacrifícios oferecidos, o palpitar vital de um povo, que manifesta diante de Maria os seus seculares gozos, tristezas e esperanças, são pedras novas que elevam a dimensão sagrada de uma fé mariana.

A fé dos fies adverte: ninguém voltou desses lugares com as mãos vazias.

Na III Conferência do episcopado da América Latina e Caribe, que se realizou em Puebla em 1979, e que tinha como tema «Evangelização no presente e no futuro da América Latina», recorda-se a veneração deste povo por Maria desde o primeiro anúncio do Evangelho:

«O Evangelho foi anunciado ao nosso povo apresentando a Virgem Maria como a sua mais perfeita realização. Desde a origem Maria foi o grande símbolo do vulto materno e misericordioso, da proximidade do Pai e do Cristo, com quem ela nos convida a entrar em comunhão. Maria foi também a voz que fez unir homens e povos. Os santuários marianos do continente americano são símbolos do encontro da fé e da Igreja com a história latino-americana» (282).

Dentre os valores religiosos que impregnaram a cultura desses povos latinos, encontramos sem dúvida a devoção a Maria que, em muitos países, uniu os diversos estratos sociais, contribuindo em maior ou menor grau a criar uma consciência nacional.

Recordemos os principais Santuários e devoções marianas na America Latina:

- Argentina: Nossa Senhora de Luján

- Bolívia: Nossa Senhora de Copacabana

- Brasil: Nossa Senhora de Aparecida

- Chile: Nossa Senhora do Carmo de Maipú

- Colômbia: Nossa Senhora de Chiquinquirá

- Costa Rica: Nossa Senhora dos Anjos

- Cuba: Virgem da Caridade do Cobre

- Equador: Nossa Senhora de El Quinche

- El Salvador: Nossa Senhora da Paz

- Guatemala: Nossa Senhora do Rosário

- Honduras: Nossa Senhora de Suyapa

- México: Nossa Senhora de Guadalupe

- Nicarágua: Nossa Senhora de "El Viejo"

- Panamá: Santa Maria la Antigua

- Paraguai: Nossa Senhora di Caacupé

- Peru: Nossa Senhora das Mercês

- Porto Rico: Nossa Senhora da Divina Providência

- República Dominicana:     Nossa Senhora da Mercede

                 Nossa Senhora de Altagracia

- Uruguai: Virgem dos Trinta e três

- Venezuela: Nossa Senhora de Coromoto

A presença de Maria como mãe na cultura e na religiosidade dos povos latino-americanos se manifesta nas celebrações patronais, que são ocasiões de festa, de peregrinações e de promessas para se obter graças, pela sua materna intercessão. São celebrações da comunidade, que permitem o diálogo entre elementos religiosos e profanos, que não pode deixar de interpelar os fiéis quanto ao seu futuro, quanto à sua dignidade.

As peregrinações aos santuários marianos continuarão sendo profícuas para vida cristã, enquanto permanecem vivos os sinais de convocação para o compromisso com Cristo e a vivência da fraternidade. Maria, Mãe e Serva do Senhor nos remete a Cristo na vivência da fraternidade e na esperança no peregrinar da vida!

Palavras da Virgem a Juan Diego: "Filhinho meu, o mais pequeno, não te aflijas por nada. Acaso não estás no meu colo? Não estou aqui, eu que sou tua mãe?"

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