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31 de maio de 2008

9° Domingo Comum - Construir a casa sobre a rocha

O texto da liturgia deste domingo refere-se a conclusão do sermão da montanha, conhecido também, como “as bem-aventuranças”, onde Jesus Cristo oferece à Comunidade Apostólica a nova Lei Ele que orientar o Povo de Deus. O texto está, também, em sintonia com o Evangelho do domingo passado (8º domingo), quando Jesus diz: “não podeis servir a dois senhores: pois ou odiará um e amará o outro...” (Mt 6,24). Neste sentido, o Mestre indica dois caminhos a seguir: a. apenas ouvir (ou anunciar) a Palavra de Deus; e b. ouvir (anunciar) e pôr em prática a Palavra de Deus (Dizer e Fazer). O interessante é perceber que para ingressar no Reino dos Céus é necessário “cumprir a vontade do Pai” (Mt 7,21).

O Evangelista Mateus divide o texto em duas partes, a saber:

Na primeira parte, ele oferece alguns critérios para identificar os falsos profetas, os falsos discípulos, os falsos cristãos: São aqueles que dizem "Senhor, Senhor", mas não fazem a vontade de Deus; profetizam, expulsam demônios, fazem milagres em nome de Deus, mas não mantêm com Deus uma relação de comunhão e de intimidade; têm Deus nos lábios, mas o seu coração está cheio de maldade… Falam muito e bem, mas as suas obras denunciam a sua falsidade. O verdadeiro profeta, o verdadeiro discípulo, o verdadeiro cristão é aquele que, além das palavras que diz, faz a vontade do Pai.

Na segunda parte, o Evangelista narra a parábola das duas casas: uma construída sobre a areia e outra sobre a rocha."Quem ouve as minhas palavras e as põe em prática", constrói sobre a rocha. Ela resistirá aos temporais da vida...

O Evangelho convida a refletir sobre a “opção fundamental”, inicia-se com o Senhorio divino na vida pessoal, presente no início do Evangelho: não basta dizer “Senhor, Senhor” para entrar no Reino dos Céus. Ou seja, é preciso escolher, fazer de Jesus o Senhor da vida. Tal escolha torna-se fundamento e opção de vida; um estilo de viver. “Não basta dizer Senhor, Senhor”, é preciso viver como discípulo deste Senhor. O nome de Jesus pode ser pregado e usado para tantas finalidades (até para ganhar dinheiro), mas isto não será suficiente para entrar no Reino dos Céus (Evangelho). O Reino é para quem escolhe viver como discípulo, aquele que constrói a vida sobre um fundamento firme e seguro (Evangelho).

Contudo, o discípulo missionário é convidado a escolher ou não Deus gera bênção ou maldição (Dt 11,26). Bênção e maldição são forças objetivas, ou seja, redundam em bem ou mal em decorrência da escolha e da fidelidade à escolha feita. A bênção e a maldição não são poderes autônomos, que agem de modo independente na vida pessoal, produzindo benefícios ou malefícios. São, sim, conseqüências de escolhas existenciais. Quem escolhe o caminho de Deus, será protegido pela bênção e porque escolheu viver; quem escolhe o caminho do mal, encontrará a maldade, a maldição e a morte (Dt 11,26-28). O Salmista expressa: “Senhor, eu ponho em vós minha esperança... Sede uma rocha protetora para mim...mostrai serena a vossa face ao vosso servo e fortalecei os coração, tende coragem...” (Salmo 30). Diante de uma realidade onde mostra claramente o risco de morte, o salmista se coloca diante de Deus as suas esperanças e suas vidas. Ele tem consciência que deus virá em seu socorro e não permitirá que morra. Assim o salmista confia em Deus que é a rocha; é a fortaleza onde a morte não tem acesso. O Salmista escolheu a vida, fez sua opção de vida para viver num clima totalmente abençoado pela ação de Javé.

Como estamos vendo, a palavra do Evangelho nos interpela. Hoje precisamos ter uma sintonia muito importante com o Senhor que nos convida a ouvir a Palavra e a colocar em prática (Mt 7,24). Muitos cristãos e católicos estão acostumados a “cumprir” com os preceitos da Igreja e do Evangelho, ser batizado, crismado, etc... Mas muitas vezes o coração está distante do projeto salvador de Deus. Jesus no seu Evangelho é bem claro: "Ser cristão" não é possuir uma identidade que atesta o nosso batismo; mas é procurar viver sempre de acordo com as propostas de Deus, que diz: “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33).

Contudo, a reflexão o estudo e a meditação do evangelho ajudam a compreender que religião e neste caso, a religião católica, é um jeito de viver, que depende da “opção fundamental” pelo Evangelho. Depende de uma escolha e de uma decisão: viver fundamentado no Evangelho; aceitar Jesus como Mestre da vida; fazer-se discípulo de Jesus. O discípulo missionário vive na justiça, na fraternidade, no respeito para com todos, no esforço para fazer um mundo mais humano e fraterno, cultiva os valores da família, não apela para a violência, é construtor da paz... É alguém que pensa com a cabeça de Jesus, com as orientações do Evangelho. O pai e a mãe de família que fazem do Evangelho o seu modo de pensar, partilham o amor, o perdão, as preocupações e as alegrias. Quem tem responsabilidades públicas e pensa como o Evangelho, busca o bem de todos e não o próprio interesse. Religião não é dizer “Senhor, Senhor... mas fazer a vontade do Pai e construir a casa sobre a rocha” (Mt 7,21.24), diz Jesus.
(enviado por fr. João)