27 de abril de 2008

6° Domingo da Páscoa - Despedida de Jesus

O Texto que estamos refletindo é sobre a despedida de Jesus. Jesus tem consciência da sua volta para o Pai e promete que não deixará órfãos os seus discípulos (Jo 14,18). Neste sentido e frente a eminência da sua partida, os Discípulos são convidados a perseverarem na fé, a manter uma união profunda com o Mestre, viver a realidade do amor e a guardar os mandamentos (Jo 14,15). Para entender melhor a dinâmica da despedida de Jesus, o Autor do Quarto Evangelho propõe a leitura dos Capítulos 13,14,15,16,17, pois eles fazem uma unidade em torno da Glorificação de Jesus. Porém, quando Jesus anuncia a sua despedida, os Discípulos ficaram abalados, tristes e com uma incerteza muito grande com relação ao futuro.

Jesus os tranqüiliza, afirmando que é necessário voltar ao Pai: “quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para que onde eu estiver, estejam vocês também” (Jo 14,3).

Na verdade para compreender este mistério da vida de Jesus, precisa haver numa sintonia profunda entre o Discípulo e o Mestre. Jesus promete o Paráclito, o Defensor para as horas e os momentos difíceis. “Ele é o Espírito da Verdade...” (Jo 14,17), que assiste, defende, oriente, indica... para os Discípulos e para a Igreja o caminho a seguir. Ele ajudará a comunidade eclesial a manter e a interpretar a ação de Jesus em qualquer tempo e lugar.

Nesta despedida Jesus insiste que é preciso “guardar os mandamentos” (Jo 14,15). Aqui não se trata dos “10 Mandamentos”, pois eles já existem desde o Antigo testamento. Porém, existem algumas conseqüências importantes que os Discípulos assumiriam a partir a despedida do Mestre. Jesus já afirmara que toda a Lei e os Profetas se resumem em “amar o senhor teu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento... e ao próximo como a si mesmo” (Mt 22,37.39). Eis algumas conseqüências para a comunidade Apostólica:

- Merece receber o Espírito Santo: "Ele vos dará o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber" (Jo 14,17).
- É alguém amado pelo Pai: "Ele será amado pelo Pai..." (Jo, 14,21).
- Torna-se capaz de perceber a manifestação de Cristo: "Eu o amarei e me revelarei a ele..." (Jo 14,21)
- Sobretudo, torna-se MORADA DE DEUS: "Viremos a ele e faremos nele morada..." (Jo 14,23).

A Comunidade cristã será então a presença de Deus no mundo: Ela e cada um de seus membros se converterão em Morada de Deus, o espaço onde Deus vem ao encontro dos homens. Na Comunidade dos discípulos e através dela, realiza-se a ação salvadora de Deus no mundo.

O "caminho" proposto por Jesus para muitos parece um caminho de fracasso, que não conduz nem à riqueza, nem ao poder, nem ao êxito social, nem ao bem estar material, a tudo o que parece dar verdadeiro sabor à vida dos homens do nosso tempo.

No entanto, Jesus nos garantiu que é nessa identificação com Cristo e nesse "caminho" do amor e da entrega, que se encontra a felicidade plena e a vida definitiva.

Contudo e diante da sua eminência partida, Jesus garantiu aos discípulos o envio de um "defensor", de um "intercessor", que haveria de animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua história. A Comunidade cristã, identificada com Jesus e com o Pai, animada pelo Espírito, é o "Templo de Deus", o lugar onde Deus habita no meio dos homens. Através dela, o Deus libertador continua a concretizar o seu plano de salvação.

Frente a real “separação” entre Jesus e a Comunidade Apostólica nasce outra dimensão que eles terão que assumir daqui pra frente: a realidade da perseverança e manter-se firme na fé. Esta nova realidade implica para eles e hoje para a Igreja o acolhimento do Evangelho na atividade diária. Não se pode perseverar na fé se não acolhe diariamente o Evangelho, se não se tem o Evangelho como luz e caminho da vida. Sem o acolhimento do Evangelho, aliás, não existe fé adulta e, menos ainda, perseverança. Decorrente do acolhimento do Evangelho, a perseverança na fé só é possível para quem vive na intimidade de Deus e abre espaço para abrigar o Espírito de Deus na própria vida. O cimento da perseverança na fé é o amor. É cimentando a vida no amor que se conhece a intimidade de Deus e, conseqüentemente, a perseverança na fé. Aqui o que conta é viver no amor e deixar que o Espírito de Deus habite em nós e ilumine nossa vida.
Assim sendo, perceberemos dois momentos que tem a ver com o confronto e com a contemplação. A perseverança na fé, na fé adulta, bem entendido, cresce e se mantém firme ao confrontar-se com o mundo, o local que não conhece o Espírito de Deus e nem o recebe (Jo 14,17). Neste caso, a perseverança é sustentada na confiança em Deus, na certeza que Jesus não nos deixa órfãos, sempre está conosco, mesmo nas adversidades. O último elemento, a ação de graças, resultante da contemplação, é uma prática natural em quem persevera na fé. Diante de tudo o que Deus realizou em favor do povo, contemplando e meditando a obra divina, como expressa o salmo responsorial: “Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira... Dizei a Deus: como são grandes vossas obras!... toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor de vosso nome! Vinde ver todas as obras do Senhor: seus prodígios estupendos entre os homens” (66/65), especialmente a ressurreição de Jesus, o fiel corresponde pela ação de graças que se traduz de modo concreto na perseverança da fé e na certeza que Deus tudo realiza pela fé.
(fr. João Carlos)

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