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11 de abril de 2008

4° Domingo da Páscoa

Neste Quarto Domingo da Páscoa a Igreja convida a todos os fiéis a rezarem pelas vocações da Igreja. Vocação é sempre um chamado que implica uma resposta. Portanto queremos ouvir a voz do Bom Pastor para pertencer e responder com toda a nossa vida a um único Pastor, que o Cristo Jesus.

O texto bíblico sobre o “Bom Pastor” situa-se dentro do contexto em que o autor do Quarto Evangelho coloca os Sinais onde Jesus se revela. Poderíamos perguntar: quais seriam estes Sinais (milagres)? A Comunidade que se formou em torno do “Discípulo Amado” procurou alimentar e aprofundar a sua fé em Jesus Cristo. Aos poucos foram descobrindo que estes Sinais ou Milagres pudessem sustentar que Jesus é o enviado de Deus e que revela o “rosto de Deus”, quando diz: “quem me vê, vê o Pai” (Jo, 14,9). Estes sinais foram distribuídos da seguinte maneira: a. Primeiro Sinal: “Jesus muda a água em vinho” – (Jo 2,1-12); b. Segundo Sinal: “Jesus cura o filho do funcionário do rei” – (Jo 4,46-54); Terceiro Sinal – “Jesus cura o Paralítico”- (Jo 5,1-18); Quarto Sinal: “Jesus multiplica os pães” – (Jo 6,1,14); Quinto Sinal: “Jesus caminha sobre as águas” – (Jo 6,16,21); Sexto Sinal: “Jesus cura o cego de nascimento” – (Jo 9,1-41); Sétimo Sinal: “Jesus ressuscita o amigo Lázaro” – (Jo 11, 1-43).
Neste sentido e dentro do espírito do Sexto Sinal, encontramos o texto do “Bom Pastor”. O ponto de partida para compreender melhor o texto é entender o sentido da cura do cego de nascimento, onde os fariseus se mostraram ser os verdadeiros cegos (Jo 9,41). Eles deveriam ser os verdadeiros pastores de Israel, mas não conseguiram. Deveriam cuidar das ovelhas, do povo de Israel... mas preferiram permanecer na própria mentalidade, muitas vezes legalista, do que se abrir à novidade libertadora do Reino que é a vinda de Jesus Cristo. Por isso que as autoridades judaicas não entenderam a parábola. Ficaram nos seus esquemas próprios e não se abriram à novidade do Reino Novo apresentado por Jesus.

O autor do Quarto Evangelho irá mostrar no Capítulo 10, quem é o verdadeiro pastor e quem não é. O Profeta Ezequiel (34,) narra – profetiza contra os maus pastores(Ez 34,2) – dizendo-lhes: “Ai pastores de Israel que são pastores de si mesmos! Não é do rebanho que os pastores deveriam cuidar? Vocês bebem o leite, vestem a lã, matam as ovelhas gordas, mas não cuidam do rebanho. Vocês não procuram fortalecer as ovelhas fracas, não dão remédio para as que estão doentes, não curam as que se machucam... Pelo contrário, vocês dominam com violência e opressão. Por isso falta pastor, minhas ovelhas se escaparam... se espalharam... e vagaram sem rumo... e ninguém as procura para cuidar delas. Por isso, vocês, pastores, ouçam a palavra de Javé: Minhas ovelhas se tornaram presa fácil e servem de pasto para as feras... Elas não têm pastor...” (Ez 34,1-10). O Profeta ainda continua dizendo: “Assim diz o Senhor Javé: Eu mesmo vou procurar as minhas ovelhas. Como o Pastor conta o seu rebanho... eu mesmo contarei as minhas ovelhas e as reunirei de todos os lugares... Eu as retirarei do meio dos povos... Vou levá-las para pastar nas melhores invernadas... (Ez 34,11-16).

No início do Capítulo 10, Jesus narra uma a parábola (Jo 10,1-6), onde ele compara a função do pastor em contraste com a realidade dos ladrões. Na verdade, “os ladrões e os assaltantes” (v. 1), são considerados os dirigentes e autoridades de Israel (= as instituições), que exploram e dominam o povo de Deus. O texto fala do porteiro (v.3) que abre a porta para o pastor. No Antigo Testamento o porteiro era responsável pela porta do palácio e do templo e pela segurança. Neste sentido, a parábola nos dá a entender que o porteiro não deixa os ladrões entrar, mas abre ao pastor. Outra idéia do texto é a função de “levar para fora” as ovelhas e de guiá-las indo à frente; não fala de reconduzi-las ao redil.

Jesus se revela: “Eu sou o bom Pastor” (Jo 10,11). Ele conhece as suas ovelhas e elas reconhecem a sua voz. Também se revela: “Eu sou a Porta do rebanho” (Jo 10,7). Assim todas as imagens Bíblicas do Pastor se aplicam a Jesus. Ele é o Verdadeiro Pastor de Israel, o verdadeiro “porteiro” que conduz as ovelhas para as verdadeiras pastagens com diz o Salmo 23/22: “em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranqüilas me conduz, e, restauras minhas forças...” (v. 2-3). E seria importante ler e meditar todo este Salmo do “Bom Pastor”, para entender a missão de Jesus como Pastor amado. Diz Jesus: “todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes...” (v.8). O Bom Pastor (= Jesus) tem clara a sua função: cuidar do rebanho (= povo de Deus). As autoridades exerceram sobre o povo (=rebanho) uma relação de domínio e exploração, e muitas vezes levando à morte. O Filho de Deus, revelando-se como “porta”, estará dando um sentido definitivo para a sua missão: conduzir o povo de Deus (= rebanho) à salvação plena. Como? “Eu sou a porta. Quem entra por mim, será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem” (Jo 10,9). É preciso passar pela “porta que é Cristo”. Passando pela porta que é Cristo, significa que o homem estará se aproximando cada vez mais do Mestre, aderindo à sua mensagem e encontrando a vida. Contrapondo a idéia perversa do ladrão (Jo 10,8), Jesus afirma que eles “vem para matar e destruir” (Jo 10,10). Com esta imagem, Jesus denuncia a violência e a dureza dos dirigentes judaicos que exploram o povo (= rebanho) sem medir os estragos que causam e sem nenhum respeito à vida.

Diante dos “maus pastores” que exploram o povo de Deus (= rebanho), Jesus diz: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). A vida que o Bom Pastor traz é a vida plena em todos os sentidos e perpétua; é uma participação na sua vida divina. Foi para isso que Ele veio, pois o homem, na sua fragilidade humana, necessita do Bom Pastor para que ele possa ser conduzido (= guiado) “por bons caminhos, por causa do seu nome. (Salmo 23/22).
(enviado por fr. João)