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5 de abril de 2008

3° Domingo da Páscoa

A liturgia deste Terceiro Domingo da Páscoa nos relata a aparição de Cristo ressuscitado aos discípulos que caminhavam de Jerusalém a Emaús. É uma passagem exclusiva de Lucas. Percebemos que o Ressuscitado acompanha os Discípulos, que estão com os corações magoados e desolados. Mas o Peregrino Ressuscitado se revela no espírito da Comunidade que se reúne para “partir o pão” e estimula para que eles sejam as verdadeiras testemunhas da ressurreição.

Neste sentido, se colocar no caminho de Emaús é importante para descobrir e fazer a experiência com Cristo Ressuscitado. O clima de tristeza que abateu nos Discípulos é porque eles abandonaram a Comunidade e estavam voltando para suas casas decepcionados. O assunto entre eles eram: “nós esperávamos que ele fosse libertar Israel... já faz três dias que todas essas coisas aconteceram... Alguns dos nossos foram ao túmulo... A ele, porém ninguém o viu” (Lc 24,21-24). Na verdade, eles esperavam um Messias glorioso, um Rei poderoso, um Vencedor e encontram-se diante de um derrotado, que tinha morrido na cruz. Caminhar até Emaús significaria abandonar a comunidade, voltar decepcionado, frustrado e na vida de sempre, sem ter feito a experiência da ressurreição.
No caminho aparece um Peregrino que caminha com eles e perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” (Lc 24,17). Eles responderam: “O que aconteceu com Jesus, o nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo...” (Lc 24,19), porém teve um fim inesperado. É importante notar que Jesus está junto com eles e não o reconheceram. Seus olhos estavam como que vendados, presos... em outras palavras cegos (Lc 24,16).

A cena de Emaús acontece pouco antes do anoitecer. É o entardecer da fé, que vai perdendo aos poucos a luz da presença histórica, até chegar na escuridão da dúvida. Era preciso fugir dessa situação, ir para longe. Jerusalém tornou-se o lugar da decepção. Aqueles discípulos queriam distância do passado. Caminhavam num estado de tristeza e de dúvida. O túmulo vazio era o fim definitivo de uma esperança acalentada: que ele fosse libertar Israel (Lc 24,21). Na vida daqueles dois, a luz da fé e da esperança começava apagar-se. É quando aparece Jesus para acender a fé, a partir das Escrituras, e colocar neles outra esperança. Jesus não abandona quem foge ou se distancia da fé, mas caminha com eles, explica-lhes as Escrituras, entra e com eles faz refeição: parte o pão, acende a fé e abre os olhos para uma nova realidade: sua presença nos sinais da Palavra e do pão repartido.

Depois que Jesus Ressuscitado “permaneceu” (Lc 24,29) com eles a experiência foi outra. Diz o Evangelista: “os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus” (Lc 24,31). Em seguida se deram conta: “não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho...” (Lc 24,32). É preciso “arder” o coração quando se faz a experiência profunda com Jesus ressuscitado. No Pão partilhado (Lc 24,30), sinal da Eucaristia poderá reconhecer os gestos de uma comunidade reunida em torno do Senhor: A Palavra e o Pão. Agora a missão da Comunidade é testemunhar, por isso eles voltam para Jerusalém (Lc 24,33) e foram anunciar aos irmãos e disseram: “realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” (Lc 24,34).

A experiência do Caminho de Emaús ensina a voltar a crer a partir de dois elementos, especialmente importantes àqueles que são felizes por crer sem ver (Jo 20,29). A fé na ressurreição de Jesus exige do fiel prescindir da presença histórica de Jesus; exige a renúncia da mediação do ver, do tocar, do falar. Jesus ressuscitado se faz encontro e se manifesta na Palavra e nos Sacramentos. Não é um personagem do qual se pode dispor. Ele é a presença silenciosa que fala ao coração, parte o pão, batiza, perdoa, unge, consagra... sacramentalmente. A fé torna-se uma ausência habitada pela presença silenciosa e falante no coração de quem crê.

Talvez fosse importante perguntar: “onde encontrar o ressuscitado?” A experiência dos Discípulos de Emaús nos indica alguns caminhos:

1. A Palavra de Deus... que pode ser escutada, meditada, rezada, partilhada, celebrada, pois Jesus nos indica caminhos e nos aponta novas perspectivas, nos dá a coragem de continuar, depois de nossos fracassos.

2. A Partilha do Pão Eucarístico... A narração apresenta o esquema da Missa: Liturgia da Palavra e do Pão (liturgia eucarística). É na celebração comunitária da Eucaristia, que nós fazemos a experiência do encontro pessoal com Jesus vivo e ressuscitado.

3. A Comunidade: Mesmo com todos os desafios de se reunir e viver em Comunidade, ela sempre foi e continua sendo o lugar privilegiado do encontro com o Senhor. No domingo passado a experiência de Tomé (Jo 20,19-31), foi porque ele não estava na comunidade. Enquanto os discípulos se “alegraram por ver o Senhor”, ele teve que fazer um caminho de fé e professar: “meu Senhor e meu Deus”.
(fr. João Carlos)