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23 de fevereiro de 2008

3° Domingo da Quaresma

Estamos celebrando o Terceiro Domingo da Quaresma. Neste domingo, a liturgia nos convida a refletir sobre o diálogo de Jesus com a Samaritana. O autor do Quarto Evangelho [A Comunidade de João] tem um estilo próprio para evangelizar. Diferente dos outros evangelistas (Mateus, Marcos e Lucas). Ele utiliza de situações normais da vida cotidiana, milagres ou sinais para introduzir e iniciar a pessoa num processo de fé, “e ‘acreditar’ que Jesus é o Messias, o filho de Deus” (Jo 20,31).

O relato do encontro de Jesus com a Mulher samaritana está situado no contexto em que “os fariseus ficaram sabendo que Jesus atraia discípulos e batizava mais que João. Ao saber disso, Jesus deixou a Judéia e foi de novo para a Galiléia. Jesus tinha que passar pela Samaria” (Jo 4,1-4). Por que Jesus “tinha que passar pela Samaria?” O versículo nos indica um sentido novo. A região da Samaria era considera uma região pagã, possuía uma cultura de vários povos e sempre foi olhada com hostilidade e desprezo pelos judeus. Mas Jesus tinha uma missão na Samaria e para chegar a Galiléia, prefere passar por esta região.

O texto diz que Jesus chegou ao “Poço de Jacó” por volta do meio dia (hora sexta). “Cansado da viagem sentou-se... então chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe pediu: ‘dê-me de beber’ (Jo 4,5,-7)". A partir deste momento inicia-se todo um diálogo entre Jesus e a Mulher Samaritana. Neste encontro iremos perceber a “sede” da mulher em querer saber quem é este homem que se aproxima e se revela quem ele é.

Sabemos que a Região da Samaria nunca foi vista com bons olhos pelos judeus. Eles consideravam os samariantos como pagãos e “adoradores” de outros deuses. Esta região foi invadida por outros povos (Assíria, etc.). A Mulher Samaritana, que não se sabe qual é o seu nome verdadeiro, simboliza todo um povo, desprezado, esquecido. Ela se espanta quando Jesus lhe pede água e diz: “como é que tu, sendo judeu, pedes a mim, que sou samaritana?” (Jo 4,9). Jesus respondeu: “se conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo de beber, você é que lhe pediria. E ele daria a você água viva” (Jo 4,10). A partir deste momento o diálogo entre os dois se aprofunda a cada momento. A mulher vai buscar água, com o seu cântaro, todos os dias. Jesus lhe oferece outro tipo de água. Buscar água todos os dias significaria que jamais a sede se saciaria. As perguntas de Jesus surpreendem a mulher. Ela já tivera cinco maridos. O diálogo se torna envolvente e profundo. Jesus “questiona” os seus sentimentos. Aos poucos ela vai descobrindo que Jesus é “Senhor” (v. 11), “Profeta” (v. 19), “Messias” (v.25), “salvador do mundo” (v. 42).

Muitos símbolos e sinais aparecem no texto: o poço, a água, o cântaro...

1. O Poço:
Poderia significar toda a tradição dos Patriarcas, da Lei, da pessoa de Moisés, as Instituições judaicas, Jerusalém e ainda uma realidade que mantinha a sede. Por conseguinte, a “samaritana”, simbolizada pelo povo, sempre teria que voltar a buscar água. Por outro lado, a partir do encontro com Jesus, os samaritanos puderam perceber a nova Lei, o dom da água viva, a superação “dos conflitos”, uma nova mentalidade, o novo templo e uma nova maneira de rezar, um novo tipo de encontro e de relacionamento. Por isso que Jesus, no diálogo, insistiu: “quem bebe desta água vai ter sede de novo. Mas aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe darei, vai se tornar dentro dele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. (Jo 4, 13-15).

2. A Água:
No A.T.: a água poderia simbolizar:
- Água da fonte e água viva: (Jr 2, 13; Ez 47,1ss; Is 12, 3; Eclo 15, 1-3; Pr 13, 14.
No N.T.: a água poderia simbolizar: Dom de Deus e dom do Espírito Santo:
- “Se conhecesses do Dom de Deus” (Jo 4,10)
- “Se alguém tem sede, venha a mim e beba...” (Jo 6,37-39)

3. O Cântaro:
É o símbolo do utensílio diário para buscar água. A mulher todos os dias à “hora sexta” se dirigia ao poço para buscar água que jamais saciaria a sua sede e a sede de um povo. No momento em que Jesus se revela que Ele é o Messias, o Cristo..., a Samaritana “deixou o cântaro e foi à aldeia e disse aos vizinhos: venham ver um homem que me disse o que eu fiz. Será que ele não é o Messias?” (Jo 4,28-29). Contudo, depois que a Samaritana deixou o cântaro, ela sentiu totalmente transformada pelo encontro de Jesus e começa a sua campanha divulgando o fato ocorrido. Hoje, diríamos que foi contagiada pelo desejo missionário. Deixou o “cântaro de todos os dias” e partiu para uma vida renovada pelo amor e pelo dom de Deus.
“Os judeus se consideravam escolhidos por Deus, mas não compreenderam a mensagem de Jesus, e até obrigaram a sair da Judéia (Jo 4,1-3). Os samaritanos, que eram considerados um povo marginalizados e herege, acolheram Jesus como salvador do mundo” (Nota da Bíblia Edição Pastoral – Ed. Paulus). Neste encontro profundo com o povo da Samaria, simbolizado na “mulher samaritana”, “sucede uma conversão prodigiosa do povo samaritano. A mulher foi a evangelizadora e depois desencadeou um processo. Ao ouvi-la ‘creram nele’; crendo acorreram a ele; ouvindo-o creram mais e melhor e Fazem a sua profissão de fé, ‘sabemos, conhecemos’ que Jesus é o Salvador do mundo não só dos judeus e samaritanos (Is 45,15.21); não só profeta ou Messias político. O Salvador traz a salvação, revelação e vida” (nota de Bíblia do Peregrino, Ed. Paulus).

Contudo, “os samaritanos foram ao encontro de Jesus e lhe pediram que ficasse com eles. E Jesus ficou aí dois dias. Muitas outras pessoas acreditaram em Jesus ao ouvir a sua palavra. E diziam à mulher: ‘já não acreditamos por causa daquilo que você disse. Agora, nós mesmos ouvimos e sabemos que este é, de fato o salvador do mundo’”. (Jo. 4, 40-42).
(Fr. João Carlos)