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3 de janeiro de 2008

EPIFANIA DO SENHOR

 A Epifania marca a fase final do ciclo do Natal. Ela celebra a manifestação (epifania em grego) de Deus ao mundo, simbolizada na figura dos reis magos que, representando o mundo inteiro, vão adorar o menino Jesus em Belém. A liturgia retoma o tema da luz. Este tema é muito profundo na história do povo de Israel. Ele aparece em diversos momentos, como por exemplo: na criação vemos que Deus separou a luz das trevas (Gn 1,4-5); na missa da noite do natal o Profeta Isaias dizia: "o povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu" (Is 9,1); no Evangelho Jesus se revela: "Eu sou a luz do mundo" (Jo, 8,12); e ainda: "vós sois a luz do mundo" (Mt 5,14). Assim poderemos ver  que esta luz brilha não só para o povo oprimido, mas para todos os povos, que na visão profética de Isaias, universaliza a salvação e a libertação do povo exilado na Babilônia. Desta maneira, Jerusalém, será restaurada após o exílio babilônico e será o centro para a qual todos os povos se convergirão em caravanas. Nesta perspectiva e com este espírito é que os reis astrólogos do oriente procuravam o messias nascido na cidade de Davi, para adorar e oferecer seus presentes.

      No Evangelho, Mateus relata a vinda dos Reis Magos até Belém para "adorar" o Rei dos Judeus. (Mt 2,2). Quem eram os Reis Magos? Segundo a tradição da Igreja, Belquior, Gaspar e Baltazar
eram sábios, estudiosos da natureza, astrólogos e pagãos vindos do oriente e por isso perceberam uma estrela brilhar diferente. Mas o Evangelista traduz a fé de que Jesus é o Messias universal numa narração que descreve a realização da profecia da qual nos fala o profeta Isaias: "os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora" (Is 60, 3). Desta maneira, os reis magos (astrólogos), orientados e guiados pela estrela, perceberam uma luz brilhar sobre a cidade de Belém, a cidade de Davi, nas proximidades de Jerusalém. O profeta Miquéias, também profetizou: "Tu, Belém de Éfrata, tão pequena entre as principais cidades de Judá! É de ti que sairá aquele que há de ser o chefe de Israel!" (Mq 5,1). Os Magos percebendo a estrela brilhar (= luz que ilumina) desejaram ver "o recém nascido", o Rei dos Judeus. Eles Queriam adorá-lo e oferecer-lhe seus ricos presentes: presente de Rei, o ouro; um presente de Deus, o incenso; e um presente de homem que morre, a mirra. O Rei em "exercício", Herodes, juntamente com os doutores e os sacerdotes não consegue ver a estrela que brilha perto dele; é obcecado por seu próprio brilho e sede de poder. O Salmista reza assim: "os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhes seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo e todas as nações hão de servi-lo" (Salmo 72/71). Porém é significativo o medo de Herodes. Os Magos lhe perguntam: "onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?" (Mt 2,2). A sua atitude foi furiosa, que "mandou matar todos os de Belém e de todo território vizinho, de dois anos para baixo" (Mt 2,16).

      Depois do encontro com o Rei Herodes, a estrela-guia foi iluminando os Magos até brilhar (=iluminar) sobre o recém nascido. O texto de Mateus diz que: "sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua Mãe. Ajoelharam-se e o adoraram... e ofereceram seus presentes..." (Mt 2,10-12). Percebemos o dinamismo na luz. Ela se desloca (= a Luz profética) de Jerusalém para Belém. A Luz já não está presa às estruturas de uma cidade terrestre, mas está brilhando onde está o Senhor. Ezequiel viu a glória do Senhor deslocar-se de Jerusalém para a Babilônia, porque lá estava o povo (cf. Ez 10,18-19; 11,22-23). Hoje a Luz se desloca para Belém porque lá está o Senhor. Assim se realizam as profecias. Contudo, o mundo de Herodes está "envolvido nas trevas do poder". O verdadeiro Rei dos Judeus nasce fora dos muros de Jerusalém. O trono do "recém-nascido" é uma manjedoura (= coxo, onde se coloca alimentos para os animais). Jesus nasce pobre e indefeso. O seu poder é de outra natureza. Ele não se defende, não tem medo. Ao seu redor se unem os povos que vêm de longo (=magos). Eles optaram por obedecer os sinais de Deus (=estrela); optaram pelo Menino Salvador, contra Herodes e contra todos os que rejeitam o "menino", matando vidas inocentes. No Prólogo de São João encontramos: "a luz verdadeira, aquela que ilumina todo homem, estava chegando... a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram apagá-la" (Jo 1,9.4).

      Contudo, a Epifania marca uma atitude dos Magos: a peregrinação. Foi assim que iniciamos o Ciclo do Natal. Foi assim que no período do Advento fizemos a peregrinação de até o Nascimento de Jesus. Agora, com a Epifania contemplamos os Magos que vieram adorar e oferecer seus presentes. Eles voltaram por outro caminho (Mt 12,2). Isto significa que após o encontro com Jesus não se pode voltar a caminhar pela mesma estrada; exige-se tomar um caminho novo e um jeito novo de viver... é a conversão. A Espiritualidade do natal nos levou ao encontro com o Menino Deus e esse encontro indicou um novo caminho a seguir, ou seja, um novo modo de caminhar, um novo estilo de viver, um novo olhar para a humanidade, para a natureza – tão sofrida nestes últimos anos – um olhar missionário... e um olhar segundo os critérios do Evangelho.