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25 de janeiro de 2008

3° Domingo Comum - Missão de Jesus

O Evangelho desta semana nos convida a meditar e a refletir sobre a Missão de Jesus. Com o início da sua missão iremos ver a chegada do Reino. Mas para chegar a este momento importante, o texto nos mostra que João Batista “tinha sido preso” (Mt 4,12). A sua pregação provocara uma forte oposição entre as pessoas e os líderes religiosos. Por isso ele foi preso e mais tarde degolado (Mt 14,1-12). Neste sentido encerra-se a atividade do Precursor e inicia-se a atividade evangelizadora do Filho de Deus. Fecha-se o Antigo Testamento e abre-se o Novo. Jesus vai para a Galiléia, deixa Nazaré e se estabelece em Cafarnaum, “que fica às margens do mar da Galiléia” (Mt 12,13). O texto do Evangelista Mateus irá mostrar os seguintes temas importantes: 1. A realidade entre luz e trevas; 2. A dimensão profunda da conversão; 3. O chamado ao seguimento; 4. A Missão de Jesus.

1. A Realidade entre luz e trevas:
Sabemos que Jesus é a “luz do mundo”. No Evangelho de São João Ele se revela: “Eu sou a luz do mundo”(Jo 8,12). Porém, muitas passagens bíblicas comparam Deus à luz, como por exemplo: “Deus é luz e nele não existem trevas” (1Jo 1,5); “Ele habita em luz inacessível” (1Tm 6,16); “Veio ao mundo a luz verdadeira” (Jo 1,9). As trevas são uma realidade que se opõe ao Evangelho pregado por Jesus. Muitas vezes aparecem como sinônimo de pecado, do mal, das doenças, do prazer pelo prazer, do individualismo, de uma sociedade hedonista, do processo anti-comunitário, das divisões, etc... Mas o texto diz que “o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma grande luz” (Mt 4, 16). Jesus se identifica com a luz divina; a sua missão é iluminar. São João escreve no seu Evangelho: “a luz brilha nas trevas e as trevas não conseguiram apagá-la” (Jo 1,5). Mesmo nos confrontos diretos com os Mestres da Lei, iremos ver que o projeto divino que ele traz ao mundo é acender a luz de Deus no meio deste mundo.

2. A dimensão profunda da conversão:
Disse Jesus: “convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo” (Mt 4,17). A conversão é uma realidade profunda que envolve todo o nosso ser. A conversão não é um processo fácil, mas exige uma disposição interior muito grande. Na realidade, a conversão exige uma mudança radical de vida. Por isso que ela não é fácil. Porém, nesta mudança, seria importante pensar e refletir sobre as nossas atitudes, maneiras de pensar, de agir, de falar, de se relacionar, de como estou seguindo a Cristo. Em outras palavras, seria mudar de rota, de rumo etc... No tempo de Jesus, seria fazer uma opção por Ele, que implicaria deixar de pensar segundo os critérios da lei (= olho por olho...) e começar a pensar segundo os critérios do Reino proposto por Jesus. E hoje, como seria esta conversão? O nosso mundo e as nossas famílias seriam melhores se houvesse uma verdadeira conversão à luz do Evangelho.

3. O chamado ao Seguimento:
Diz o Evangelho: “Quando Jesus andava à beira do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão e André... Disse Jesus: segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4,18-19). A novidade do Evangelho de Jesus atinge as pessoas no seu dia-a-dia, provocando uma mudança radical. Ele encontra as pessoas no seu cotidiano. Assim aconteceu com André, Simão, Tiago e João. No tempo de Jesus, era comum que as pessoas seguissem um mestre, aquele com o qual mais simpatizassem. Vemos que Jesus os chama, os discípulos deixam suas atividades (= a pesca) e o pai (= família) e o seguem (Mt 4,19-22). O chamado dos discípulos, portanto, reveste-se de caráter profético, e terá como objetivo atrair as pessoas a Jesus.
O reino que Jesus inaugura requer, assim, a colaboração e o compromisso das pessoas. É proposta de ruptura (deixar as redes, o barco e o pai) para abraçar a novidade que o desafio apresenta. Comporta grande dose de risco, enquanto se deixa o estável, o que é conhecido e seguro, para optar por algo que poderá trazer novidades imprevisíveis. A única coisa que os discípulos possuem e levam consigo é a fraternidade, que, contudo, terá dimensões maiores.
Por isso que, se cada batizado se tornar discípulo (= seguidor de Jesus) e manter sua luz acesa, testemunho visível do Evangelho, a sociedade estará sempre iluminada e provocada a viver iluminada pelo Evangelho. A conversão, por sua vez, é um processo constante de quem busca viver iluminado pelo Evangelho. Assim, do ponto de vista prático, o cristão vive com uma identidade mesclada, no sentido que, mesmo depois do Batismo, ele não é luz pura; pela conversão ele vai se acendendo a cada dia. Para não perder sua identidade de discípulo e não sucumbir ao mal. Contudo, vale o conselho do Apóstolo Paulo, de revestir-se com as armas da luz (Ef 6,11-17) e, além disso, colocar sempre sua proteção em Deus, pois ele é luz e salvação (salmo 27/26).

4. A Missão de Jesus:
Escreve o Evangelista Mateus: “Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” (Mt, 4,23). O v. 23 conclui o texto que estamos meditando. Ele é um sumário das atividades de Jesus. É assim que ele põe em movimento o reino de Deus. Essas atividades são descritas em três momentos, cujo espaço geográfico é toda a Região da Galiléia:
a. Jesus ensina nas sinagogas dos judeus. É o lugar onde o povo se reúne. Ali, Jesus transmite sua mensagem libertadora, lendo e comentando as Sagradas Escrituras. Interpreta-lhes a palavra de Deus à luz da sua missão e anuncia-lhes a liberdade. João dirá que Jesus é o porta-voz do Pai (Jo 1,18).
b. Fora das sinagogas, aos que não freqüentam as celebrações, ele prega o evangelho do Reino, ou seja, a boa nova, presente em sua vida e ações, que serão descritas ao longo do evangelho.
c. Curando toda e qualquer doença e enfermidade do povo. O reino de Deus é a salvação do homem total, reintegrando os marginalizados no espírito de uma nova maneira de se viver (= nova sociedade) por Ele inaugurada, libertando a todos de toda e qualquer forma de alienação, despersonalização, sofrimento etc. Portanto, o seu projeto é dar uma liberdade que suscita a vida para todos, e não só para alguns que se dizem entendidos da lei e do evangelho. Assim Ele demonstra ser o verdadeiro Messias que traz consigo tempos novos, a novidade do Reino (cf. Sl 146,6-12). Em outras palavras, seria o “novo céu e nova terra” (Ap 21,1).
(enviado por Fr. João)