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22 de dezembro de 2007

4º Domingo do Advento

O Ciclo do Natal é dividido em dois tempos: Tempo do Advento, que corresponde as 4 semanas que antecede o Natal e o Tempo do Natal que vai até a celebração do Batismo de Jesus.

Neste tempo do Advento somos convidados a perceber, ler e compreender os sinais divinos. No domingo passado (3º Domingo) Jesus mostrou os sinais aos discípulos de João Batista (= suas obras Mt. 11,3-6). Nessa celebração (= 4º Domingo), o tema dos sinais e a importância de sua compreensão reaparecem com mais intensidade.

O Profeta Isaías (734 a.C.) proclama que: "o próprio Senhor vos dará um sinal" (Is 7,14). E o sinal dado pelo Senhor é este: "uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel" (Is 7,14). Porém este sinal tem haver com a história do Rei Acaz. Quem foi este rei? A história do Rei está ligada com a história do seu povo. O povo, sobretudo a população de Jerusalém, passava por graves dificuldades. A cidade havia sido invadida por Facéia, rei de Israel, e Rason, rei de Aram, naquela que se costumou chamar de "guerra siro-efraimita". A coligação entre o rei de Israel e o de Aram tinha como objetivo tomar a cidade de Jerusalém, depor Acaz e estabelecer aí, como rei, o filho de Tabeel (cf. Is 7,6). Desse modo, terminaria a dinastia davídica, truncando a promessa que Deus fizera a Davi de conservar-lhe sempre um descendente no trono de Judá (cf. 2Sm 7,12-16). Apesar de o rei não pedir um sinal "desde as profundidades do reino dos mortos até as alturas lá em cima" (v. 11), Deus se adianta e, por meio de Isaías, dá um sinal de que sua fidelidade perdura para sempre. O sinal é uma criança (Is 7,14), provavelmente Ezequias, o filho de Acaz. Com este sinal a descendência davídica não terminaria e fazendo uma leitura sobre a descendência de Jesus, que podemos encontrar no Livro da Origem de Jesus Cristo (= Genealogia de Mateus 1,1-17), onde mostra claramente no v. 1: "filho de Davi, Filho de Abraão".

No Evangelho, vemos a plena realização das promessas e dos sinais que Deus vai mostrando: Uma VIRGEM concebe e dá à luz um filho, que será chamado pelo nome de Emanuel, que significa Deus-conosco."Seu nome é MARIA. (Mt 1,18-24).

A narrativa da situação de Maria e José não deve ser vista como uma descrição de fatos históricos, mas uma CATEQUESE, destinada a proclamar verdades de Salvação:

- Jesus vem de Deus: sua origem é divina. Maria encontra-se grávida por obra do Espírito Santo.

- Missão de Jesus: o seu nome mostra que ele vem de Deus com uma proposta de salvação para os homens: "Jesus" significa "Javé salva".

- O seu Nascimento de uma "Virgem" afirma que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas, enviado por Deus para restaurar o reino de Davi.

- José desempenha um papel importante: pela sua obediência (= aquele que escuta), realizam-se os Planos e as promessas de Deus. Confiando na palavra de Deus, penetra na obscuridade do Mistério divino, e se incorpora no plano salvador de Deus, com plena disponibilidade. A sua pessoa nos questiona... Ele é o homem a quem Deus envolve nos seus planos misteriosos, mas que tudo aceita, numa obediência total a Deus.

- Maria Virgem nos convida a admirar o que o Senhor operou nela e a acreditar na vitória da vida também onde nós só enxergamos sinais de morte.

A Igreja (e nós também) somos chamados a fazer o papel do anjo (mensageiro e decodificador dos sinais divinos), para ajudar as pessoas a ler os sinais de Deus e transformar o Mistério divino em projeto pessoal e também em projeto evangelizador das comunidades. O Evangelho diz que José era um homem justo, quer dizer, "ajustado" à vontade divina. Uma vez que José e Maria leram os sinais divinos e os compreenderam, cresceu neles a fé, a adesão ao projeto e a acolhida da missão em favor do projeto.

Há vários sinais que decorrem da compreensão e aceitação da vontade divina, que nos ajudam a compreender o Natal como missão para que o projeto divino aconteça através da vida pessoal. O anjo tem a missão de ajudar a perceber a ação de Deus na vida pessoal, orientando como ler e compreender os sinais divinos. Maria aceita a missão de ser mãe e gerar a vida divina para o mundo; José assume a missão paterna de acolher e dar nome ao Menino, ou seja, tratá-lo como seu verdadeiro filho.

Contudo, muitos sinais aparecem em nossas vidas. A liturgia deste 4º Domingo do Advento apresenta vários sinais. Porém, de tanto falar e ouvir, hoje, já estamos acostumados a diferenciar entre os sinais do Natal de Jesus e do natal comercial. É uma reflexão que já se tornou familiar e, cada vez mais, torna-se clara entre nós. Em teoria, já somos capazes de diferenciar entre o Natal de Jesus e o natal comercial. O que precisamos, agora, é iniciar outra reflexão para colocar o Natal de Jesus no seu verdadeiro lugar; em primeiro lugar. A reflexão dirige o pensamento e o olhar para Maria e para José, o casal de jovens noivos que disseram "SIM" a Deus, depois de acolher e compreender o que Deus queria de suas vidas. Diante de nós está o desafio de compreender os sinais divinos tocando nossas vidas. José ficou pressionado entre o sinal divino, da Maria grávida, e o sinal humano de abandonar tudo, fugindo do projeto divino. Deus não o castigaria por isso, mas ele preferiu assumir, na liberdade, o desafio de viver o projeto divino ao lado de sua Maria, a quem amava, depois de entender o alcance do sinal divino.
Esse é outro sinal do Natal: na família que se ama, no casal que se ama, o sinal do Natal de Jesus torna-se mensagem de vida entre nós. 

(enviado por frei João)