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15 de dezembro de 2007

3° Domingo do Advento

Estamos celebrando o 3º domingo do Advento. Ele é chamado "Domingo daalegria". A comunidade cristã é convidada a se alegrar com o ApóstoloPaulo que diz: "Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo:alegrai-vos! O Senhor está perto" (Fl 4,4s). As Leituras bíblicas, deste domingo, é um convite muito forte para a alegria, porque oSenhor, que esperamos, já está conosco e com ele preparamos o Adventodo seu Reino.
O profeta Isaias (Is 35,1-6.10) convoca o povo, exilado na Babilônia,a renovar a esperança em Deus libertador. Ele procura despertar a esperança e fortalecer o ânimo de um povo que atravessava um dos piores períodos de sua história: Jerusalém e o templo destruídos; com a deportação para o exílio o povo foi ficando sem terra, sem identidade, sem o amor e a aliança de Deus, sem o templo... enfim sem "nada". Mesmo diante destas ruínas, o profeta fala que o deserto vai florir, que a tristeza vai dar lugar à alegria, o medo dará lugar à luz. Ele libertará os cegos, os coxos, os mudos de suas doenças... E afirma: "os que o Senhor salvou voltarão para casa". É a alegria da volta à Pátria, da saúde readquirida, da liberdadereconquistada. É a festa da intervenção do Deus que salva.
No Evangelho encontramos a pessoa de João Batista. Na prisão e ouvindo falar das suas ações, ele manda alguns de seus discípulos perguntar a Jesus se é ele o que há de vir ou se é necessário esperar um outro (vv. 2-3). Ele não responde à pergunta. Ao contrário, faz um apelo ao discernimento com base no que é possível ouvir e ver (vv.4-5). A presença do reino no meio das pessoas é questão de discernimento. Só quem "ouve" e "vê" as obras de Jesus será capaz de perceber que ele é o Messias. Ninguém fica dispensado desse discernimento, nem mesmo profetas da categoria de João Batista.
Jesus retoma, amplia e realiza o sonho do profeta (Is 35,5-6): "os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a "boa nova" (Is 35,5). Pela interpretação das obras é que se chega à descoberta de quem é Jesus e constata-se que não é preciso esperar outra pessoa, porque nele o reino já está presente, privilegiando aqueles que a sociedade colocara à margem da vida. Defato, cegos, paralíticos, leprosos, surdos, mortos e pobres são preocupação constante de Jesus e mostra a João que a partir das suas obras inauguram a era messiânica, mas sob a forma de atos de salvação, não de violência e castigo.
Assim Jesus dá um profundo testemunho de João Batista. Ele: não é um CANIÇO que verga conforme o vento, não é um pregador oportunista que se adapta conforme a situação, não é um CORRUPTO que vive na fortuna e no luxo... Mas ele é muito mais que um PROFETA... "É o maior dos nascidos de mulher". E acrescenta: "No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele" (Mt 11,11). Os que já pertencem ao Reino transcendem àqueles que os precederam e prepararam.
Aprofundando a espiritualidade deste 3º domingo do advento perceberemos o tom da alegria que invade toda a celebração. Contudo a ação libertadora e profética de Jesus deve continuar na história através de gestos concretos de seus discípulos e missionários. Poder-se-ia fazer o seguinte questionamento:
1. Que sinais oferecemos hoje para convencer os homens de que oMessias está entre nós? A resposta de Jesus a João Batista foi clara: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo" > Os cegos recuperama vista, os surdos ouvem...
2. Em nossa vida, há sinais de que o Reino de Deus já chegou? Contudo, cristãos e comunidades, que descobrem Jesus, recuperam a vista, abrem os ouvidos, começam a andar. Começam a VER o mundo com outros olhos: os olhos do evangelho, da justiça, do perdão, do compromisso missionário... Começam a ESCUTAR os clamores daqueles que sofrem e são oprimidos... Começam a ANDAR... crescer e amadurecer na fé...
Jesus afirma que os pobres são evangelizados (Mt 11,5). Era mentalidade dos grupos dominantes de então (= fariseus, mestres edoutores da Lei) que os ricos eram abençoados e os pobres amaldiçoados. Jesus rejeita esta mentalidade. Jesus nasceu pobre, criou-se entre pobres. Muitos daqueles que eram considerados pobres e pecadores vibraram com a atitude de Jesus e o seguiam com entusiasmo. E ainda hoje, a sua mensagem é acolhida com mais facilidade e entusiasmo entre eles... "Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim" (Mt 11,6). Em outras palavras, feliz é quem o acolhe como Messias a partir da mentalidade divina e não com a mentalidade humana. Ou ainda, feliz quem não se decepciona por ver que Deus age diferente e salva colocando-se à serviço da vida enfraquecida e mutilada.
Portanto, a proposta para os discípulos de Jesus reforça a esperança de modo ativo e sem reclamações. A exemplo de Jesus, os discípulos são vocacionados a viver no serviço restaurador da vida, onde se proclama a glória de Deus manifestada no serviço para que ninguém passe fome, sofre alguma doença, sofre discriminação... e amparar os depressivos com a consolação da fé e da esperança, e ser companheiro de estrada, peregrinando nos caminhos do Senhor.
(enviado por Fr. João)