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10 de novembro de 2007

Refletindo sobre o evangelho

A liturgia desta semana nos convida a reafirmar a nossa fé e a nossa esperança na Ressurreição dos mortos. No caminho para Jerusalém, Jesus se encontrou com várias pessoas, vários grupos, com várias maneiras de pensar. No encontro de hoje, a liturgia apresenta que os saduceus fizeram que um questionamento profundo sobre a questão da ressurreição. De fato, os saduceus negavam a ressurreição. Quem eram os Saduceus? Eles eram um "grupo formado pelos grandes proprietários de terra (anciãos) e pelos membros da elite sacerdotal. Tinha o poder na mão... Eram colaboradores do Império Romano, e no que se refere à religião, eram conservadores". Jesus veio para instaurar um reino novo, um reino de paz, amor, justiça etc. Muitos se admiraram de sua sabedoria, de sua autoridade, etc. Porém, alguns grupos se opuseram totalmente a esta nova maneira de ver o Reino de Deus. Muitas críticas foram feitas e procuravam de alguma maneira eliminá-Lo pela sua postura.

No Credo, que professamos todos os domingos, rezamos: "Creio na ressurreição dos mortos". Ainda hoje existem "saduceus" que negam esta realidade da fé professada pela Igreja. Jesus se revela "Eu sou a ressurreição e a vida" (Jo 11,25). Muitos desafiam a fé cristã. Muitos "acham" que a vida termina aqui... É dentro desse contexto criado pelos saduceus que as leituras deste domingo vêm confirmar a fé dos discípulos e discípulas de Jesus na ressurreição dos mortos. Contudo, o 2º Livro dos Macabeus (2Mac 7,1-2.9-14),fala da experiência da ressurreição, quando na morte de muitos justos, no tempo da perseguição do rei Antíoco, fez nascer a esperança da Ressurreição (± 170 aC). Nessa época, temos o belo testemunho da Mãe e os sete filhos Macabeus. Eles são obrigados a violar a prática religiosa dos antepassados. Fortalecidos pela esperança da ressurreição, eles preferem enfrentar as torturas e a própria morte, a transgredir a Lei... São Paulo nos convida a manter-se firme na esperança (2Ts 3,5), como verdadeiros seguidores, discípulos e Missionários de Jesus.

O que significa a ressurreição dos mortos, no contexto da Liturgia da Palavra dessa celebração? A resposta mais simples encontra-se na proclamação do senhorio de Deus, pelo qual ele garante a vitória da vida humana diante da morte. Este tema perpassa toda a Liturgia da Palavra. A ressurreição depois da morte é uma obra, na qual se manifesta o poder de Deus. A atitude humana, de sua parte, fundamenta-se na fé e na esperança. Quem crê na vida eterna, fruto da ressurreição depois da morte, é capaz de resistir a tudo, até mesmo às mais terríveis ameaças de morte e martírio, como afirma o 2º Livro dos Macabeus (7,1-2.9-14). A morte da família dos Macabeus é uma prova de fé no poder divino de ressuscitar para a vida plena e eterna. É uma fé enriquecida e fortalecida com aquilo que São Paulo define de "feliz" e "firme" esperança. Feliz pela ação confortadora em quem crê na ressurreição e, firme, por não vacilar diante de ameaças ou provocações.

Neste sentido, de professar a fé na RESSURREIÇÃO, vemos que ela:

- é a esperança que dá sentido a toda a caminhada do cristão. A fé cristã torna a esperança da ressurreição uma certeza absoluta, pois Cristo ressuscitou e quem se identifica com Cristo nascerá com ele para a vida nova e definitiva. A nossa vida presente deve ser uma caminhada tranqüila, confiante, alegre, em direção a essa nova realidade.

- não é a continuação da vida que vivemos neste mundo; mas é a passagem (páscoa) para uma vida nova onde, sem deixarmos de sermos nós próprios, seremos totalmente outros... É a realização da vida plena.

- não deve ser apenas, uma realidade que esperamos; mas deve ser uma realidade que influencia, desde já, a nossa existência terrena. É o horizonte da Ressurreição que deve influenciar as nossas atitudes; é a certeza da ressurreição que nos dá a coragem de enfrentar as forças da morte que dominam o mundo, de forma a que o novo céu e a nova terra que nos esperam comecem a desenhar-se desde já.

Neste sentido, a Liturgia nos apresenta uma verdade consoladora: "Viemos de Deus, e com a morte, voltamos para ele". A Morte não nos deve assustar: É o encontro maravilhoso com os amigos e parentes, que foram na nossa frente. E, sobretudo, vai ser o encontro com o melhor dos amigos: DEUS. Nossa vida não termina aqui: ressuscitaremos... "Nosso Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos (Lc 20,38)". E Cristo nos garante: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá". (Jo 11,25)

(enviado por frei João)