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24 de novembro de 2007

Cristo Rei

Com a solenidade de Cristo Rei, estamos concluindo ano litúrgico (ciclo), onde caminhamos com Jesus até Jerusalém. O Povo de Israel sempre pediu a Deus um Rei. Por isso que o "Rei Davi fez com eles um aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel". (2Sm 5,3). Com a unção de Davi, como Rei de Israel, o seu reino tornou-se símbolo do Reino de paz e de justiça, que um dia Deus teria instaurado na terra. Eram as qualidades necessárias para administrar com justiça e garantir a vida do povo.

O Evangelho apresenta a realização dessa promessa: o NOSSO REI preside esse Reino no Trono da CRUZ. (Lc 23,35-43)

A Cena é surpreendente e decepcionante para os homens. Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma horrível coroa de espinhos na cabeça, com uma irônica inscrição pregada na cruz: "JESUS NAZARENO REI dos Judeus".

Ele não está rodeado de súditos fiéis, que o louvam, mas dos chefes dos judeus que o insultam, e dos soldados que o escarnecem. Nada o identifica com poder, com autoridade, com realeza terrena. Contudo, a inscrição, irônica aos olhos dos homens, descreve com precisão a situação de Jesus, na perspectiva de Deus: Ele é "rei", que preside, da cruz, a um "Reino" de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida. O quadro é completado por uma cena bem significativa... Ao lado de Jesus estão dois malfeitores, crucificados com ele. Enquanto um o insulta, representando os que recusam a proposta do "Reino", o outro, no suplício da cruz, reconhece a realeza de Jesus e pede um lugar nele. Jesus lhe garante: "Hoje mesmo estarás comigo no paraíso".

A cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a realeza de Jesus, que é perdão e vida plena para todos.

A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita Amor e Entrega. De fato, o próprio Jesus afirmou: "quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo" (Lc 14,27).

No alto da Cruz, vemos um Jesus Transfigurado... isto nos faz lembrar o momento sublime da transfiguração (cf. 9,35)... Naquele momento Ela fora apresentado como o Eleito de Deus, o Filho amado, não no sentido triunfalista de quem exige a vida dos outros para poder viver, mas enquanto aquele que o Pai escolheu para salvar os que haviam sido postos à margem, sobretudo os pobres, os doentes, os pecadores, os excluídos... O título "Eleito" associa Jesus ao Servo de Javé de Isaías 42,1. Mediante o sofrimento e a entrega da vida, não procurando se salvar, mas dando a vida para salvar, é que Jesus se torna Messias, Eleito e Rei dos Judeus.

O episódio do "bom ladrão" é próprio de Lucas. Com isso o evangelista quer realçar as características próprias desse evangelho. Em primeiro lugar, mostra que a misericórdia de Deus jamais se esgota se as pessoas estão dispostas a aceitá-la. Em segundo lugar, afirma que justamente aí, na cruz, é que inicia a realeza autêntica: "Jesus, lembra-te de mim, quando começares a reinar" (v. 42). A súplica do "bom ladrão" representa o grito e o clamor de todas as pessoas, principalmente os pobres, os doentes, os pecadores, os marginalizados da nossa sociedade, dos quais Jesus se lembra e começa a reinar com eles e a partir deles: "Hoje você estará comigo no paraíso" (v. 43). Temos aqui um dos pólos do Evangelho de Lucas. A atividade libertadora de Jesus iniciara a partir de seu programa na sinagoga de Nazaré: "O Espírito do Senhor Está sobre mim... Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabaram de ouvir" (Lc 4,18-21), para terminar no "paraíso", onde ele entra com aqueles que clamam: "Jesus, lembra-te de mim…" O paraíso recorda o jardim do Éden (cf. Gn 2,8), onde o ser humano experimentou a verdadeira vida em fraternidade... "tudo era bom...". Expulso de lá, pode agora retornar, sem demora, quando entra pela porta que é Jesus ("Eu sou a porta – Jo 10,8), a expressão máxima do amor e da misericórdia do Pai.

(enviado por frei João)